28 de julho de 2022

Um Obra "90

Hold The Girl
Rina Sawayama


Se ainda existia alguma dúvida de qual era os rumos do novo álbum da Rina Sawayama, isso é desmontado com o lançamento da ótima Hold The Girl.

Faixa que dá nome ao trabalho, o single é um elegante, emocionante, grandiosa, inteligente, linda e nostálgica mistura de synth-pop, pop rock e EDM que remete diretamente a uma sonoridade dos anos noventa, especialmente uma ouvida na Europa na parte final da década. Na verdade, a canção remete também aos primeiros trabalhos da própria Rina ao ter uma construção mais artística do que a direta This Hell. O lado emotivo da canção é trazido pela tocante composição que fala sobre amor próprio, podendo ser direcionada para si mesma ou para alguém que a cantora ama. Apesar de batida a temática, Hold The Girl se destaca devido a maturidade que a composição é construída, deixando de lado clichês fáceis de lado. O que realmente faz Hold The Girl se destacar, porém, é a belíssima performance vocal da cantora que consegue criar uma teia de nuances até explodir de maneira poderosa na sua parte final. E com mais esse lançamento, Rina Sawayama aumenta consideravelmente o hype para o lançamento do seu segundo álbum.
nota: 8

A Letra Nuclear

CACHORRINHAS
Luísa Sonza

Consolidada com uma força pop contemporânea, a Luísa Sonza ainda precisa aparar alguns pontas da sua discografia, especialmente a sua lírica. Esse é o caso de CACHORRINHAS.

Essencialmente, a canção é um projeto de uma ótima faixa pop/dance que tem personalidade suficiente para fazer a cantora realmente se destacar. Uma batida divertida, carismática e com um refrão redondinho e bem amarrado. Além disso, a cantora entrega uma performance segura e com carisma suficiente para segura uma canção desse estilo. Entretanto, a letra de CACHORRINHAS é simples horrível, pois tenta ser engraçadona e empoderada, mas termina sendo apenas um amontoado de vergonhas alheias uma atras da outra. Até poderia ter a mesma temática, mas, sinceramente, a realização é de uma pobreza imensa. Se não fosse esse detalhe, Luísa Sonza poderia ter a melhor música pop brasileira nas mãos em anos. Uma pena.
nota: 6

Adulta Taylor

Carolina
Taylor Swift


Apesar de ser interessante ver as regravações das suas antigas canções, Taylor Swift realmente mostra o seu potencial com o lançamento de novas canções como é caso da ótima e sombria Carolina.

Tema do filme Um Lugar Bem Longe Daqui, a canção é uma experimento sensacional dentro da discografia da cantora ao ser uma densa e forte mistura de americana, folk, bluegrass e, especialmente, appalachian folk. Sem ter necessidade de fazer algo comercial, Carolina caminha de forma lenta para criar uma atmosfera que sombria e melancólica que parece combinar com a temática do filme, mas que sozinha deixa claro a capacidade da Taylor de sair do seu próprio nicho para entregar algo realmente novo e surpreendente. Assim também se mostra o resultado da madura e complexa composição ao construir uma belíssima e assombrosa história que mistura imagens da natureza e o um ar de mistério de forma fluida e bem pensada. Taylor entrega uma performance contida e de uma ternura melancólica ideal para a canção, mas, mesmo assim, ainda penso qual seria o resultado da canção entoada por uma voz com mais poder. De qualquer forma, Carolina é uma das canções mais adultas até o momento da carreira da cantora e espero que isso continue apenas evoluído.
nota: 8

As Palavras Quem Nem Precisam

hello
Ichiko Aoba

Desde que comecei abrir ainda mais meus horizontes musicais deparo com a barreira do idioma, pois nem sempre encontro traduções disponíveis para entender o que está sendo cantado. E por isso que tenho começado a perceber que nem sempre palavras importam, mas sim o sentimento exposto em cada canção. Esse é o caso da belíssima hello da japonesa Ichiko Aoba.

Já conhecida aqui do blog, a cantora de indie pop/folk é ainda relativamente desconhecida e poucas das suas canções estão traduzidas para o inglês. Isso, porém, não impede o público de apreciar uma obra de sua autoria já que o resultado sempre consegue ir além desses empecilhos linguísticos. Hello é uma delicada, tocante, sensível e sublime balada a base de piano que invoca uma sensação de reconforto tão grande que fica fácil não poder entender exatamente o que está sendo cantado. E, queridos leitores, como canta Ichiko Aoba. Dona de uma voz cristalina, a artista consegue passar uma paz misturada com uma clara felicidade tranquila que até dá para imaginar que hello seja sobre bons sentimentos. Por isso que não entender exatamente qual o sentido da canção não faz tanta falta, pois Ichiko Aoba preenche quase todas as lacunas de maneira sublime.
nota: 8,5



26 de julho de 2022

2 Por 1 - Billie Eilish

Guitar Songs
Billie Eilish

É realmente impressionante a evolução da carreira da Billie Eilish ao se transformar em uma das maiores artistas pop contemporâneas com bilhões de streamings, vários hits no topo das paradas, Grammys e um Oscar e a mesmo nem é legalmente permitida beber bebidas alcoólicas nos Estados Unidos por ter ainda vinte anos. A sua maior evolução, porém, é artisticamente, especialmente quando analisa os lançamentos mais recentes: as ótimas TV e The 30th.

Lançadas em forma de mini-EP, as canções deixam bem claro a imensa e continua evolução lírica de Billie e o seu irmão Finneas. Ambas canções apresentam alguns dos trabalhos mais maduros e poderosos da carreira da cantora até o momento, expondo a capacidade da dupla de criar poderosas crônicas emocionais com um apelo pop edificante e realmente inteligente. Em TV, a cantora discute sobre saúde mental ao descrever um episódio de depressão de forma delicada, tocante e ácida ao citar eventos recentes como, por exemplo, a criminalização do aborto nos Estados Unidos. Já em The 30th, a cantora relata de maneira devastadora os sentimentos que a invadiram depois de alguém próximo quase morrer na composição mais direta e emocionante da carreira da cantora. Sonoramente, as duas canções continuam com a mesma pegada indie pop a base guitarra/acústica ouvida no começo da carreira de Billie, mas a produção de Finneas adiciona nuances muito bem vindas que elevam o resultado final na medida certa para resultar em trabalhos com as suas próprias personalidades. E dessa maneira, a Billie Eilish vai trilhando uma carreira que parece apenas subir sistematicamente, devendo alcançar o seu pico máximo em alguns anos. E, sinceramente, não vejo a hora de isso acontecer.
notas
TV: 8
The 30th: 8

Rock Evolution

<maybe> it's my fault
Willow


Com a sua nova direção na sonoridade e carreira, a Willow parece que descobriu o seu verdadeira chamado para ser uma rock star. Essa jornada continua em <maybe> it's my fault.

Mesmo que não seja a melhor da sua carreira até o momento, o single é sem nenhuma dúvida o seu mais maduro até o momento. Um sóbrio e seguro justaposição de pop rock, hard rock e pincelada de emo, <maybe> it's my fault apresenta uma produção que ainda não está cem por cento confiante no território que caminha, mas tem toda as ferramentas ideias para desbravar o novo caminho. Vocalmente, Willow vem crescendo absurdamente e aqui entrega a sua melhor performance devido as acertadas mudanças vocais e emocionais que precisa fazer durante toda a sua duração da canção. O problema sobre evoluir a sonoridade da cantora é ainda suas composições, pois, apesar de boas, não são poderosas o suficiente para as transformarem em algo primoroso. De qualquer forma, <maybe> it's my fault é uma canção que definitivamente uma canção de transição na carreira da Willow.
nota: 7,5