18 de setembro de 2026

Ou Vai ou Racha

Party
Troye Sivan


Com o lançamento de Party, segundo single de She's the Best, Troye Sivan deixa bem claro o rumo da sua nova era. É divisivo? Com certeza, mas, sinceramente, eu estou do lado positivo dessa recepção.

Com uma produção completamente pendendo para o house, especialmente puxando para o acid house, a canção é eletrizante, dançante, grudenta e muito bem construída, com um toque experimental que conversa com a sonoridade do cantor, mas dá alguns passos para sair do pop mais delimitado que ele vem apresentando. Existe uma clara inspiração dos anos noventa e começo dos anos dois mil na elaboração da batida, sem deixar a canção datada. Todavia, a grande qualidade e o que dá o toque perfeito de gênio à batida é o excepcional uso do sample de “Music”, da Madonna, que é a cola perfeita para unir toda a canção. O problema de “Party” é a sua composição.

Tirando a letra vinda da canção da rainha do pop, o single é composto apenas por um verso que vai ser repetido como se fosse um grande refrão. Na verdade, isso não seria um grande problema se o verso fosse realmente bom, pois o que temos aqui é até divertido e “campy”, só que também é raso e menos interessante do que deveria ser. E isso custa à canção alguns pontos importantes, pois sua embalagem é consideravelmente superior ao seu conteúdo. Quanto ao Troye, eu gosto da performance dele mais “spoken word” devido à sua entrega exemplar e carismática, mesmo que eu tenha a certeza de que não deva agradar a todos e que seu melhor momento é quando entoa os versos de “Music”.

Espero que esse seja o tipo de trabalho que a divulgação possa ajudar a dar um hype maior para o álbum, mas, mesmo assim, são corajosas as decisões do Troye Sivan.
nota: 8

11 de setembro de 2026

Primeira Impressão

Dancing On The Wall
MUNA



Uma Segunda Chance Para: I Gotta Feeling

I Gotta Feeling
The Black Eyed Peas

Possivelmente, o gigantesco sucesso de I Gotta Feeling foi um dos últimos arrasa-quarteirões antes da ascensão definitiva do Spotify, lançado em 2008, um ano antes do lançamento da canção do The Black Eyed Peas. Devido a isso, a faixa entrou em um “bolsão” dentro da cultura pop reservado para poucas músicas. Todavia, depois de dezessete anos do lançamento, qual é o sentimento sobre sua qualidade? Valeu o hype ou é uma bomba datada?

Na minha visão, o resultado é meio 50/50, especialmente quando a gente olha em retrospectiva. Quando o grupo decidiu deixar meio de lado o hip hop para se aventurar no eletrônico/EDM/electropop, foi uma decisão arriscada, mas que valeu a pena devido ao sucesso do álbum The E.N.D.. Criativamente, o álbum recebeu uma enxurrada de críticas que variaram do mediano ao negativo, especialmente no quesito sonoridade. E acredito que esse seja o grande motivo para I Gotta Feeling ainda ser uma música divisiva, mesmo tendo qualidades bem interessantes.

A razão principal é que a produção de David Guetta e Frédéric Riesterer já era meio datada e clichê quando foi lançada, criando a sensação de que a faixa era uma cópia passada por um triturador de “popficação” para ficar ainda mais radiofônica e massificada. E isso dá à música um aspecto de farofa tão farofada que fica meio complicado encontrar uma identidade distinta. Entretanto, esse problema também gera sua melhor qualidade: o gigantesco fator “chiclete”.

Ouvir a canção pela primeira vez é algo que, sinceramente, deve ser um portal para qualquer pessoa “viciar” nela, para o bem ou para o mal. A batida é sonoramente nada complexa, mas foi cuidadosamente montada para ser grandiosa, grudenta e ter uma melodia de facílima assimilação desde a primeira vez. Quando toca a primeira nota, a gente já sabe qual música vai começar. E isso é algo que podemos chamar de atemporal, de certa maneira, o que meio que contradiz o cheiro de naftalina que a faixa também exala. Felizmente, existe um termo para isso: prazer culposo. E essa é a melhor definição para a música.

Liricamente, I Gotta Feeling apresenta a mesma dualidade ao ser uma obra sobre “curtir a vida” da maneira mais clichê e sem profundidade possível, mas também construída de uma forma que conseguimos decorar a letra na hora em que escutamos e nunca mais esquecer. O que realmente se sobressai é a presença de todos os integrantes do Black Eyed Peas, que entregam boas performances. Mas, sinceramente, é só quando Fergie aparece que tudo dá liga de verdade. E essa observação é ainda mais curiosa, pois faz a gente voltar a pensar por que a carreira solo dela não teve mais durabilidade, ainda mais quando associamos isso ao sucesso de The Dutchess.

I Gotta Feeling é uma máquina do tempo datada e nostálgica, que é até mais interessante do que a gente lembra. Só não pode pensar muito além da superfície para ainda se divertir com a canção.
nota: 7

Irmandade & Celebração

Joy. (featuring Absolutely and Amma)
RAYE


Não há como negar que um dos nomes de 2026 é Raye, devido aos frutos da aclamação e do sucesso de THIS MUSIC MAY CONTAIN HOPE. E acredito que nada mais justo do que lançar Joy como single, pois a canção é, basicamente, uma celebração.

A faixa é realmente uma celebração musical em vários sentidos. Primeiro, conta com a participação de suas duas irmãs, também cantoras, Absolutely e Amma, o que dá à produção todo um aspecto de irmandade, carinho e afeição que é a intenção base do trabalho. Além disso, as duas artistas não estão aqui apenas pela ligação fraternal, mas também por serem talentosas e promissoras, ajudando a elevar o resultado.

Todavia, o brilho principal vem claramente da performance solar, cativante e madura de Raye, que invoca todos os sentimentos que a produção quer transmitir nessa verdadeira celebração à vida e sobre entender que é preciso ser sempre otimista, mesmo sabendo que ela é feita de momentos de tempestade. Apesar de meio clichê, a composição de Joy é lindamente bem escrita e passa verdade em sua mensagem. A produção, por sua vez, cria uma sonoridade que capta todos esses sentimentos ao construir um inspirador, animado, contagiante e envolvente pop soul, dance-pop e gospel, que conquista desde os primeiros segundos.

Nada mais justo do que Raye poder celebrar tudo o que vem alcançando, pois a cantora merece — e muito mais, sem dúvidas.
nota: 8,5