22 de novembro de 2019

Bem Na Sua Cara

Evapora
IZA &  Ciara & Major Lazer

Começando a sua carreira internacional, a Iza parte para o lugar seguro ao se alinhar com o Major Lazer para lançar a canção Evapora, seguindo os passos de Sua Cara. Felizmente, a canção consegue se sustentar sobre os seus próprios devido as suas auspiciosas qualidades individuais.

Sonoramente, Evapora é quase uma continuação de Sua Cara, pois é uma mistura de dance-pop com world music e toques de música brasileira que cria uma batida dançante, nada original e comercial. Um problema que acontece aqui é que a canção não tem um clímax para elevar o seu final que poderia ajudar a fazer a canção a não soar tão linear. O que realmente salva a canção são as presenças energéticas e com química da IZA e da Ciara. Ambas carregam a canção com uma força bem maior que a própria canção precisa, exalando sensualidade, carisma e empoderamento que no final a gente fica bem triste pelas duas não terem em mãos uma canção melhor pensada e realizada. E mais: ao contrário da maioria dos artistas que fazem parcerias com artistas brasileiros, Ciara canta em português o refrão. E isso é algo realmente notável. De qualquer forma, acredito que a IZA tenha um futuro brilhante na sua carreira internacional se a mesma começar a escolher melhores projetos. Por enquanto, o resultado está satisfatório.
nota: 6,5

20 de novembro de 2019

A Desaparecida

International Woman of Leisure
La Roux

No final da década passada e começo dessa que está se findando parecia que havia surgido um novo grande nome do indie pop: o duo La Roux. O sucesso do duo britânico com canções como Bulletproof e In for the Kill ajudou a conquistar um Grammy (para o primeiro trabalho deles intitulado apenas La Roux) e a atenção de uma parte do público. Mesmo sem repetir o mesmo sucesso no segundo álbum (Trouble in Paradise) e agora sendo apenas capitaneado pela vocalista Elly Jackson, o La Roux continuou a despertar a atenção do público e da crítica. Todavia, a artista sumiu completamente desde 2014 sem dar muitos indícios que poderia fazer uma volta em breve.

Ao contrário de outros artistas que perderam o trem da relevância, o grande problema foi uma condição misteriosa que fez Elly perder a voz completamente, precisando que a mesma reaprendesse a cantar em outros tons e mudar seu timbre. Depois de quase cinco anos, o La Roux está de volta de forma mais do que auspiciosa com o lançamento da boa International Woman of Leisure.

International Woman of Leisure é uma eficiente, divertida e madura electropop que consegue ter em equilíbrio o lado comercial com o lado "weird" que a cantora sempre demonstrou. Na verdade, a canção é uma das melhores que a artista já lançou, pois azeita as suas principais qualidades e eleva os seus defeitos. Leve e despretensiosa, a canção tem como defeito ser um pouco longo demais, mas o resultado geral consegue superar esse problema de forma satisfatória. Com uma composição afiada, La Roux entrega uma performance contida e bem trabalhada, mostrando que a perda de voz a fez repensar a maneira de cantar e encontrar uma nova voz que se adapte ao sua nova fase. Não é um trabalho revolucionário, mas que cumpre bem a sua missão de reapresentar a La Roux para o público.
nota: 7, 5

16 de novembro de 2019

Imperfeitamente Bom

Imperfections
Céline Dion

Com uma carreira que pode ser denominada como lendária, a Céline Dion não precisa apresentar mais nada de novo em relação a sua carreira. Apesar disso, a mesma ainda parece disposta a dar alguns passos novos como é possível ouvir no single Imperfections.

Conhecida por muitas como dona de grandes baladas que beiram o cafona ou e/datado, Céline Dion nunca teve medo de tentar se modernizar sem perder a sua personalidade que a fez a lenda que é. Imperfections é exatamente isso. Uma mid-tempo pop que tenta dar um ar moderninho para a velha balada pop. Bem feitinha, simpática e com uma composição na medida certa ao não ser brega/exagera ou bland/mediana. Apesar de performance de forma competente e deixar o seu timbre ser a estrela, Céline não entrega uma atuação que remete aos seus grandes momentos, deixando a canção menos inspirada. De qualquer forma, a presença da cantora é sempre bom para lembrar o seu imenso talento ainda tem brilho até hoje.
nota: 6,5

14 de novembro de 2019

Coragem

I Feel Love
Sam Smith

Ao resenhar o álbum de covers do Weezer proclamei que "existe uma constante em fazer o cover de uma canção clássica: respeitar a versão original ao alterar o mínimo possível e dando a melhor na parte técnica possível ou reverter tudo em um trabalho completamente desconstruído e surpreendente, dando o seu toque pessoal." E é claro que para toda a regra exista uma exceção. Nesse caso é o fato de existirem canções que não importa qual o caminho que deve ser seguido, a regra é que a mesma não deve ser regravada. Quase nunca essa regra é seguida, pois caso fosse não teríamos versões de I Feel Love como a que foi lançada pela Sam Smith.

Lançada em 1977 no auge da disco pela lendária Donna Summer, I Feel Love não é simplesmente uma ótima música que conseguiu sobreviver ao tempo, mas, sim, uma das mais importantes canções de todos os tempos. Isso se deve ao fato que os produtores Giorgio Moroder e Pete Bellotte criaram o que basicamente seria a primeira canção eletrônica de todos os tempos, originando todo um gênero que se tornaria um dos principais para a música pop como um todo. Se não bastasse isso, I Feel Love é, tecnicamente, uma canção de uma complexidade monstruosa para ser feito um cover. Além da sua instrumentalização atemporal e a frente do seu tempo, a canção apresenta uma composição minimalista, vocais em um tom tão alto como o Everest e, claro, a presença luminosa de Donna Summer. Então, recriar uma canção como I Feel Love é algo impossível, mas, ao menos, Sam Smitth entrega algo decente, principalmente, respeitando o original. 

A versão de Sam é um trabalho rápido, rasteiro e bem intencionado que não chega a envergonhar como poderia acontecer devido ao talento envolvido na sua produção. Começando pelo próprio Sam que entrega uma performance adequada e bastante esforçada para tentar emoldurar o tom e a dinâmica vocal de Donna para a canção. Não tem o mesmo brilho, mas mostra a paixão que o cantor tem pela canção e, também, o seu talento vocal. A produção consegue tirar algum água de pedra ao fazer um produção respeitosa, bem amarrada e até moderninha para a canção. Todavia, o poder de I Feel Love é tão massivo que tudo na nova versão parece soar "achado" e sem graça. De qualquer forma, a canção ganha pontos pela coragem de tentar reproduzir uma obra impossível de se reproduzir, mas espero que o Sam pare por aqui mesmo.
nota: 6

Representatividade Brasileira

Alavancô
Karol Conká & Gloria Groove & Linn da Quebrada

É nos tempos difíceis que passa uma sociedade que o brilho no final do túnel fica ainda mais forte. No Brasil, um desses brilhos que estão aumentando a sua força são aqueles vindos de artistas com as origens mais diversas possíveis. Um encontro de três vozes importantes dessa geração acontece na canção Alavancô.

Unindo uma mulher negra, uma drag queen e uma mulher trans negra, Alavancô é um deleite para aqueles que acreditam que a música seja um dos mais importantes espaços de representação em uma sociedade. E, felizmente, esse não é o único motivo para ficar feliz em relação a Alavancô, pois canção é de fato uma boa canção. Uma mistura bem azeitada de rap/hip hop com a sonoridade brasileira e um toque de tango, a canção é um trabalho divertido, forte e com personalidade suficiente para carregar as três artistas. Com boas performances e uma composição que sabe passar a sua mensagem de forma elegante e poderosa, especialmente o sensacional verso da Linn, Alavancô é o tipo de canção que ajuda a gente acreditar que uma nova era musical está chegando ao Brasil. Pena que precisa da sociedade se afundar mais lama para tal movimento acontecer.
nota: 8

12 de novembro de 2019

O Poder Do Show

Good as Hell
Lizzo

A Lizzo vem construindo uma carreira em que os seus maiores sucessos vem de canções com já alguns aniversários de lançamento. Depois de Truth Hurts de 2017, a vez agora é de Good as Hell, lançada em 2016, chegar ao topos das paradas. Ajuda pelo sucesso já alcançado pela canção anterior, Good as Hell teve o seu e grande boom inicial devido a explosiva apresentação da Lizzo no último MTV Awards, provando que apresentações ainda repercutem após a revolução dos streamings. E, claro, a canção também tem as suas qualidades.

Good as Hell é, assim como Truth Hurts, uma canção sobre empoderar a si próprio sem ter medo do que os outros irão falar. Dessa vez, porém, o foco é menos dramático e com uma pegada de "sorrir" para a vida, indo em direção ao famoso "hakuna matata". Divertida, dona de um refrão certeiro e rápida, Good as Hell também se diferencia pela produção mais R&B/soul com toques de pop, criando uma deliciosa batida que poderia ter mais nuances, mas, felizmente, é o exemplo perfeito que não é preciso recriar a roda para fazer uma boa canção. Além disso, Lizzo entrega uma performance maior que a própria canção e coloca cada segunda a sua personalidade ímpar. E a versão "remix" com a Ariana Grande é a mesma coisa que a versão original, mas com a presença de um verso da cantora com rabo de cavalo. Nada de mais. O destaque aqui é a canção original e a força da Lizzo. Espero que se a mesma continuar com a mesma pegada de sucesso, os seus próximos sucessos comercias sejam as canções que a mesma lançou esse ano.
nota: 7,5