Motordrome
MØ
29 de março de 2022
27 de março de 2022
Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single
Bust Your Windows
Jazmine Sullivan
Jazmine Sullivan
Um dos maiores nomes da atualidade do R&B, a Jazmine Sullivan vem construindo uma carreira praticamente impecável desde o começo lá em 2008. E a prova que a cantora sempre mostrou ser um talento bem acima da média foi o sucesso da genial Bust Your Windows.
Lançada como single do seu álbum debut Fearless, a canção é uma refinadíssima e original R&B/soul que adiciona uma dose surpreendente de tango para marcar a sua cadenciada batida. Incrivelmente bem estrutura, a instrumentalização da canção é simplesmente uma aula sobre como pega um conceito simples e elevar para um outro patamar ao ser um trabalho intricado, complexo, estilosa e com uma finalização excepcional. A cantora domina cada momento da canção com a sua voz rouca, áspera e com uma força extraordinária que sabe colocar uma imensidão de emoção de maneira única que a transforma naquele tipo de canção que parece impossível fazer um cover que possa minimamente chegar perto do resultado aqui ouvido. E a cereja em cima do bolo é a magistral composição. Quando parece que a temática coração quebrado/vingança feminina parece está em alta atualmente, Jazmine Sullivan já tinha colocado a sua marca ao entregar uma robusta, genial e memorável letra ao narrar a fúria de uma mulher traída em busca de vingança ao quebrar as janelas do carro do ex. Entretanto, o grande ponto alto do trabalho é força emocional que é coloca na letra, pois, apesar do ato de desespero, a cantora admiti seus verdadeiros sentimentos não serão remendados de maneira tão fácil. Bust Your Windows é um trabalho atemporal que é o abre alas perfeito para a carreira de uma artista com o potencial da Jazmine Sullivan.
nota: 9,5
2 Por 1 - Rosalía
CANDY
HENTAI
Rosalía
HENTAI
Rosalía
Com um dos álbuns mais aclamados dos últimos tempos, a Rosalía continua a sua caminhada para remodelar os conceitos do pop da sua maneira. E essa é a função dos singles Candy e Hentai.
Ambas canções mostram a característica principal da cantora que é pegar o que já conhecido para descontruir ao seu bem prazer em uma nova, excitante e realmente genial sonoridade. Essa percepção é claramente vista na sublime Hentai. A primeira vista, a canção é uma tocante, delicada e quase minimalista balada pop/art pop que tem na voz cristalina de Rosalia a sua aparente principal qualidade. Entretanto, ao olhar com um pouco de mais cuidado irá perceber que a produção capitaneada pelo The Neptunes é uma desconstrução do que era esperado. A espetacular e surpreendente composição que não tem medo de ser uma ode ao sexo de forma explicita e deliciosamente sem vergonha. Empoderada, liricamente refinada e com uma estrutura inteligente, a canção se expandi na sua parte final ao dar uma guinada para adicionar uma batida industrial que marca a canção de forma poderosa e quebra qualquer expectativa. E a voz da Rosalía é de uma ternura envolvente que consegue derreter gelo no ártico. Candy, porém, é a canção mais direta de Motomami, mas ainda consegue entregar uma música com a personalidade da cantora. Uma mid-tempo mistura de R&B alternativo, reggaeton e neoperro, a canção consegue mostrar que é possível fazer uma canção comercial que vá além do lugar comum devido a sua muito bem pensada produção, a introdução de nuances ricas e elegantes e a presença luminosa de uma artista em estado de graça. E assim a Rosalía vai se tornando o maior nome do pop atual sem precisar seguir formulas ou abrir exceções.
notas
CANDY: 8
HENTAI: 8,5
Uma Beleza Modesta
5.17
Thom Yorke
Apesar de não ser um dedicado fã preciso admitir que o Radiohead é uma das maiores banda de todos os tempos. E é por isso que ouvir uma canção da mente principal por trás da banda é sempre algo revigorante. E em 5.17, o Thom Yorke entrega exatamente isso, mas com um resultado levemente abaixo do esperado.
Assim como toda a sua carreira com a banda ou solo, o musico entrega em 5.17 um trabalho tecnicamente espetacular. O instrumental é de uma delicadeza complexa que fica muito bem entre o limiar do melancólico e o contemplativo sem pender para nenhum lado e muito menos se transformar a canção em um trabalho arrastado. Além disso, existe uma falsa ideia que estamos diante de um trabalho minimalista, mas que na verdade apresenta uma complexidade de construção bastante impressionante. Thom entrega uma performance a altura da magnitude da produção ao usar o seu timbre único para dar envolver de maneira etérea toda a composição. O motivo de 5.17 não ser melhor do que realmente é a sua simples composição. Conhecido por colocar uma imensidão de sentimentos em letras sucintas, o artista não mostra todo esse potencial aqui ao deixar a canção carente do soco que as suas obras sempre apresentam. Apesar disso, a canção é um trabalho modesto para os parâmetros do Thom Yorke, mas isso não quer dizer que não seja louvável.
nota: 8
Felicidade Nostálgica
Bring Back The Time (feat. En Vogue, Rick Astley & Salt-N-Pepa)
New Kids On The Block
New Kids On The Block
Muitos se falam de nostalgia, mas poucos realmente conseguem explorar essa sensação de forma realmente satisfatória. Entretanto, existem alguns momentos que parece que os astros estão alinhados e aparece uma canção como a sensacional Bring Back The Time do New Kids On The Block.
Conhecidos pelo imenso sucesso de Step by Step de 1990, a boy band que hoje está mais para tiozão band apresenta na canção uma aula sobre nostalgia pura e incandescente do começo ao fim. Primeiramente, a banda entrega uma deliciosa mistura de symth-pop com new wave que parece que sai diretamente da metade dos anos oitenta em uma máquina do tempo. Sem soar datada, porém, a canção consegue empolgar pela sua luminosa construção instrumental que não tem medo de ser pop, despretensiosa e superficial. Em segundo e mais importante, Bring Back The Time traz uma lista de quem é quem dos mainstream dos anos oitenta/noventa que faz qualquer um voltar realmente no tempo. Além do próprio New Kids On The Block, a canção tem a participação do britânico Rick Astley, a dupla Salt-N-Pepa e os vocais do En Vogue. Quem viveu ou conhece um pouco dessa época é automático a sentir uma nostalgia pura e verdadeira imediatamente, especialmente no sensacional clipe que valeria uma indicação ao MTV Awards pela criatividade. E que viva a nostalgia.
nota: 8
22 de março de 2022
Uma Luz nas Sombras
Fair
Normani
Normani
É fascinante ver como a carreira da Normani vai tomando forma já que a sua direção parece vai criando as próprias regras. Ao se jogar de cabeça no R&B, a cantora se mostra completamente natural ao gênero como mostra o exemplo Fair.
Um exemplar e deliciosa balada mid-tempo R&B, a produção não tem medo de soar fortemente influenciada por um período da música que pode soar datados para alguns ouvintes. Lembrando músicas do final dos anos noventa e começo dos dois mim, Fair apresenta uma construção simples, eficiente e elegante que ajuda a Normani a ganhar ainda personalidade. A ótima composição consegue ser sensual e romântica na medida certa, mesmo não tendo um refrão marcante. Mesmo com uma performance realmente apurada, a cantora tropeça quando é decido colocar um efeito vocal estranho para as suas vocalizações após o refrão que deixa a canção “cortada”. De qualquer forma, Fair é mais tijolo bem colocado na construção da carreira da Normani.
nota: 7,5
New Faces Apresenta: GAYLE
abcdefu
GAYLE
GAYLE
E vamos falar da mais nova artista a surfar na onda iniciada pela Billie Ellish e impulsionada a estratosfera pela Olivia Rodrigo: GAYLE e o seu sleeper hit abcdefu.
É necessário dizer que a canção não tem nada de péssimo, mas, sim, não apresenta nada de novo ou que faça a cantora realmente se destacar perante a suas contemporâneas. Uma pop rock/punk bem feitinha, mas basicamente uma repetição de tudo o que já se ouviu recentemente em uma versão ainda mais massificada. Liricamente, a canção tem alguns bons momentos que se perdem em uma canção vingança/coração quebrado engraçadinha que apresenta partes de vergonha alheia, especialmente no refrão. Como cantora, Gayle tem uma boa voz, mas que precisa desesperadamente de personalidade própria. E assim seguimos esperando quem será o próximo exemplo de “imitação” que vai surgir.
nota: 5,5
Cute & Esquisito
Lost Track
Haim
Primeiro lançamento da banda Haim depois do álbum Women in Music Pt. III, Lost Track é o tipo de canção que não deveria funcionar, mas terminando sendo até melhor que o deveria ser.
Bem diferente do que a banda de irmãs lançou nos últimos tempos, a canção é uma fofa e esquisita indie rock/folk que apresenta um instrumental quase minimalista. Sem ser uma canção que parece realmente marcar quem escuta, Lost Track consegue se sobressair devido a boa intenção por trás do que pelo resultado final. Entretanto, a canção apresenta pinceladas que ajudam o resultado final como os interessantes vocais, mas que não são suficientes para a transformar em uma ótima canção. Espero que se esse for o caminho que a banda for seguir para um próximo possível que seja aparadas as pontas soltas, pois potencial parece ter esse caminho.
nota: 7
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