5 de junho de 2021

A Construção de Um Popstar

SUN GOES DOWN
Lil Nas X

Ao quebrar a maldição de ser apenas um one hit-wonder, o Lil Nas X mostra que vai construído uma carreira maior e melhor que muitos poderiam prever durante o seu sucesso inicial. Em SUN GOES DOWN, single promocional do seu primeiro álbum, o rapper mostra um lado íntimo e raro para um pop star em desenvolvimento.

Longe de ter a intenção de ser comercial, a canção é uma balada pop/hip hop que sonoramente não mostra muito, mas emocionalmente é um passo importante. Ao falar sobre os seus difíceis anos ao lidar com a sua sexualidade, racismo e bullyng, Lil Nas X entrega uma canção forte sentimentalmente e com um apelo para qualquer um que precisou ou ainda precisa lidar com seus demônios internos e os demônios reais. Entretanto, a canção tem um toque de esperança, pois o rapper mostra que a sua história está tendo um final feliz. Queria diria que o Lil Nas X seria o astro pop que a gente não sabia que precisava?
nota: 7

Um Clímax Interrompido

Xcxoplex
A. G. Cook & Charli XCX

Acredito que todas as canções precisam de um clímax na sua construção para arrematarem a ideia criada pela produção. Obviamente, músicas de diferentes gêneros, ritmos e energias apresentam diferentes momentos de clímax, mas o mesmo sempre está lá presente. É uma pena quando uma canção tem o seu clímax cortado como é o caso da parceria do produtor/cantor/DJ A. G. Cook com a Charli XCX na interessante Xcxoplex.

Produtor de vários trabalhos da cantora britânica, A. G. Cook sabe muito bem como entregar uma eficiente e inteligente hyperpop influenciado por gêneros como eletrônica, pc music, pop e experimental. E isso não é diferente em Xcxoplex. E a química com a Charli XCX é imensa, pois os dois parecem fluirem artisticamente com resultado sempre acima da média para falar o mínimo. Entretanto, o resultado da canção é diminuído devido ao seu final abrupto e que literalmente parece limar o que seria um clímax apoteótico. Com apenas dois minutos e vinte e um segundos, Xcxoplex poderia ter sido esticada mais uns trinta segundos para a produção da canção poder explorar melhor a construção instrumental explosiva que é fomentada durante a sua duração. Felizmente, o resultado geral é bastante satisfatório, especialmente elevado com a presença sempre confiável e com personalidade da cantora. Isso não tira o fato de Xcxoplex poderia ter explodido em qualidade ao ter o seu clímax vivido em toda sua glória.
nota: 7,5

Potencial Viral

Gone Are The Days (with James Gillespie)
Kygo

Atualmente não é necessário que uma canção faça sucesso de cara ao ser lançada, pois com a ascensão de redes sociais como Instagram e, principalmente, o Tik Tok é possível que músicas se tornem sucesso depois de virarem virais. E vejo isso acontecendo com Gone Are The Days do DJ Kygo.

Dono de sucessos como It Ain't Me da Selena Gomez e o remix de Higher Love da Whitney Houston, o DJ norueguês entrega a sua canção mais madura em Gone Are The Days. Longe de farofadas, o single é uma sóbria power balada mid-tempo com base de piano que peca pela falta de originalidade, mas acerta na construção segura, densa e controlada. E não poderia ser diferente já que a composição narra o difícil fim de um amor que parece tocar em tópicos como, por exemplo, depressão e saúde mental. Bem escrita do começo ao fim, a canção tem um toque emocionante que ajuda a vendar para públicos que normalmente não consumiriam um trabalho do Kygo. Entretanto, o ponto principal de Gone Are The Days é excepcional performance do desconhecido James Gillespie que toda a montanha russa emocional que a composição necessita sem exageros e imprimindo a sua personalidade. Juntando todos esses elementos é fácil notar que caso a canção seja descoberta em um momento viral tem todas as chances para se tornar um sucesso comercial.
nota: 7

Eu Quase Escolho Você

Electric
Katy Perry


Parte da campanha para a celebração dos vinte e cinco anos da franquia Pokémon, a Katy Perry lançou a simpática Electric. Uma pena que a canção funciona mais pela força da nostalgia do que pela sua própria qualidade.

O grande trunfo da canção é tocar em pontos importantes para a mitologia da história que envolvia as mídias de Pokémon. Não importa se você apenas tenha assistido o desenho ou/e jogados a maioria dos jogos, passagens como “Big world, gotta see it all” e “Long road, got a ways to go” tocam sentimentalmente quem teve os bichinhos guerreiros como uma boa lembrança de tempos que não voltam mais. Até mesmo o nome, Electric, é retirado diretamente desse mundo. Tirando isso, a canção não passa de um pop mid-tempo pomposo que não chega a ser ruim, pois termina apenas como inofensivo. Nem mesmo Katy parece soar inspirada em uma performance morna. Felizmente, Electric se salva devido ao carisma atemporal de Pikachu e seus amigos.
nota: 6

1 de junho de 2021

Retomando os Rumos

Ancient Dreams In A Modern Land
MARINA

Com a construção do próximo álbum da Marina através dos seus singles já lançados é possível notar que a cantora está no modo retomando os rumos da sua carreira depois do fiasco do álbum anterior. Em Ancient Dreams In A Modern Land, canção que dá nome ao trabalho, mostra Marina indo para o tudo ou nada em uma canção que poderia dividir o público, mas que acerta na mosca devido a sua imensa personalidade.

Continuando a sua jornada ativista ambiental/social, Mariana entrega novamente uma crônica/critica, mas dessa vez com um toque menos direcionado e mais genérico sobre o quanto o homem fez mal ao planeta terra. Apesar disso, a construção no single é a melhor até o momento, pois o resultado é divertido, inteligente e redondíssimo. Entretanto, o grande destaque da canção é a produção que entrega um pop rock com dance-pop e disco que parece explodir na nossa cara. Sem medo de criar fricção para quem escuta desavisadamente, Ancient Dreams In A Modern Land é o tipo de canção que funciona exatamente por esse motivo ao não ter medo de destruir expectativas em um trabalho épico, excitante e bem acima da média tecnicamente. E é por isso que a Marina faz crescer as expectativas para o lançamento do seu novo álbum ao parecer que está na dianteira de todas as arriscadas decisões.
nota: 7,5



O Efeito Kylie

Starstruck (Kylie Minogue Remix)
Years & Years & Kylie Minogue


Existem alguns artistas que talento é apenas um dos fatores que os fazem especiais. Kylie Minogue, uma das maiores artistas pop de todos os tempos, é esse tipo de artista que o talento é apenas uma das pontas do seu sucesso. Em Starstruck, remix da canção do Years & Years, a cantora mostra um pouco desse “je ne sais quoi” que a fez ser uma estrela.

Single do agora trabalho solo capitaneado pelo Olly Alexander, a canção original era uma boa, mas falha “synthpop como toques de electropop e verniz dos anos oitenta que melhora de fato na sua parte final quando a produção incrementa fortemente a instrumentação e isso dar mais corpo para o resultado final”. Sem alterar sonoramente muita coisa, o resultado da nova versão/remix parece florescer melhor devido a luminosidade imensa que a cantora coloca ao ter uma presença marcante e substancial. Assim como a parceria com o Elton John, Olly exala química com Kylie, resultando em no encontro de duas estrelas do pop em perfeita harmonia. Mesmo não melhorando os defeitos, Starstruck prova que o carisma de talentos como o da Kylie Minogue pode, sim, salvar ou/melhorar canções apenas por dar o seu toque de mestre.
nota: 7,5

Tá Difícil

Higher Power
Coldplay


Sinceramente, não consigo entender direito a transformação do Coldplay de uma excitante banda de indie rock/pop post-britpop em uma pastiche deles mesmos. Em Higher Power, primeiro single do novo álbum, a banda continua a fazer mais do mesmo que vem entregado nos últimos tempos.

Dessa vez a banda apela para o lado mais massificado possível ao fazer de Higher Power uma ordinária e sem graça synthpop/pop rock que não consegue ser marcante em nenhum momento. Apesar de tecnicamente bem feita, o single falta uma dose cavalar de personalidade para tirar a produção do limbo de soar como uma canção descartada do OneRepublic. E assim caminha os outros elementos da canção. Chris Martin entrega a sua performance no automático sonolento, deixando de lado qualquer traço que o fez um dos maiores vocalistas do começo dos anos dois mil. A composição é, porém, o pior momento de Higher Power ao tentar soar intelectualmente positiva, mas terminando como sendo de auto ajuda chic apenas. Nem mesmo o motivo de manter a banda comercialmente relevante é possível aceitar para uma queda tão grande de qualidade, mas é a única boia que dá para tentar agarrar para compreender esse atual Coldplay.
nota: 5

Banho de Espuma

F.U.C.K.
Victoria Monét

Ainda tentando encontrar o seu lugar sob os holofotes, a Victoria Monét continua a provar o seu valor com lançamento da gotosíssima F.U.C.K..

Anagrama para “friend you can keep”, o single é aquele tipo de canção tão envolvente que dá vontade de ter uma banheira apenas para escutar a canção em demorado banho de espuma. Sexy, cativante e aveludada, F.U.C.K. é um R&B da melhor qualidade que conquista por não se contentar por apenas fazer um bom arroz e feijão bem feito. Com uma estética que emoldura os anos setenta, mas com um toque moderno na medida certa, o único problema da canção é a composição inofensiva demais que destoa da produção e da graciosa e sensual performance de Victoria. Espero que em algum momento a cantora possa estourar de fato para que o grande público realmente possa conhecer o seu imenso talento.
nota: 7,5