27 de setembro de 2020

Uma Onda Diferente

Hit Different (feat. Ty Dolla $ign)
SZA

Um dos nomes mais importantes da nova geração do R&B, SZA finalmente parece que está preparando o seu aguardado segundo álbum com o lançamento do single Hit Different. E mesmo que a canção não seja o seu melhor trabalho, o single é bom o suficiente para a cantora manter o hype bem alto.

Hit Different é uma sensual, cadenciada e envolvente R&B que entrega nada de novo sob o Sol, mas é feita de maneira graciosa e com nuances que fazem toda a diferença. Produzido pelo The Neptunes, a canção já começa diferente ao colocar o rapper Ty Dolla $ign para entoar o refrão, revertendo os costumeiros papeis. E isso faz diferença no resultado final ao dar para a canção personalidade extra. A batida é muito bem pensada e que conquista pelas pequenas surpresas aqui e ali que ajudam a dar corpo ao trabalho. O grande diferencial de Hit Different, porém, é a presença marcante, sexy e encorpada de SZA que entrega tudo o que era preciso e mais para segurar uma canção com essa produção. Poderia ser um trabalho ainda melhor, mas, felizmente, o talento de SZA é sempre um motivo para elogia-la. 
nota: 7,5

Colecionador de Sucessos Lentos

Before You Go
Lewis Capaldi

Lewis Capaldi não é um hitmaker de sucessos meteóricos, mas, sim, de sucessos lentos que vão escalando as paradas gradualmente. Depois do número um da Billboard Someone You Loved, o escocês tem em mãos a boa Before You Go.

Capaldi é um cantor pop que sabe como usar o seu melhor atributo da melhor forma: dono de um timbre rouco e grave, Lewis entrega uma performance poderosa, emocional e melancólica que combina perfeita com a sua forte e triste composição. A canção é um relato sobre as emoções que uma pessoa passa após alguém próximo comete suicídio, sendo inspirado pela própria vivência de Lewis em relação a sua tia quando era criança. Emocionante, mas longe de ser de mal gosto ou clichê, Before You Go peca pela nada criativa produção que entrega mais uma decente balada pop bem tradicional. Lançada no final de 2019, Before You Go é outro sucesso escalador de paradas para a conta do Lewis Capaldi. Qual será a próxima?
nota: 7

Impacto Quase Total

Impact
SG Lewis, Robyn & Channel Tres

Sempre falo aqui no blog de "aparar as arestas" quando uma música precisa corrigir alguns pequeno erros que impossibilitam a mesma a chegar em um outro patamar. Se encaixando perfeitamente nesse caso está a divertida Impact, parceria do DJ/produtor britânico com a Robyn e o cantor Channel Tres.

Uma suculenta canção eletrônica com club house que parece tirar inspiração diretamente no começo dos anos noventa misturado com o começos dos anos dois mil, Impact poderia ser ainda melhor se tivesse algumas arestas aparadas. A primeira é a presença de Robyn. Entoando com personalidade o divertido refrão, a cantora não é aproveitada de maneira que pudesse tirar dela tudo que poderia render. A participação é bem vinda, mas deixa um sabor de quero mais difícil de sair ao final. A grande estrela é o cantor ainda desconhecido Channel Tres que adiciona uma dose cavalar de personalidade em uma performance densa, grave e inesperada. Outro aresta solta é a duração de quase cinco minutos da canção que se torna um pouco arrastada na sua parte final. Trinta segundo a menos seria perfeito para arrematar a ótima produção que consegue fazer uma canção saborosamente nostálgica sem perder o ar moderno. Faltou, portanto, aparar algumas arestas.
nota: 7,5

25 de setembro de 2020

Surpresa do Pop Marqueteiro

Deve Ser Horrível Dormir Sem Mim
Manu Gavassi & Gloria Groove

Existe realmente alguém que se espanta com uma artista pop que seja "marqueteira"? Parece que não vivemos em um mundo que não existem Madonna, Lady GaGa, Beyoncé e outra dezenas de nomes. Por isso, é espantoso ver as pessoas tachando isso na Manu Gavassi como algo ruim. Existem alguns pontos que podem ser julgados como, por exemplo, chamar o ex que, aparentemente, foi tóxico na relação para participar do clipe, mas, se os dois chegaram em um lugar de harmonia, quem sou eu para julgar. O que realmente chocou é que Deve Ser Horrível Dormir Sem Mim é uma boa canção.

Deve Ser Horrível Dormir Sem Mim é uma surpreendente e contagiante pop/R&B que entra no hall das melhores músicas pop brasileiras dos últimos tempos. A grande qualidade da canção é a união das duas artistas, pois Gloria não faz apenas uma participaçãozinha para apenas dizer que estava na canção e, sim, parte importante da produção. Além de coautora, a drag queen canta um verso inteiro que não é a repetição do primeiro verso entoado pela Manu. E isso adiciona uma dose cavalar de personalidade para a canção, dando nuances e a substância necessária para colocar a sua marca. Manu não é a maior vocalista do pop nacional, mas em Deve Ser Horrível Dormir Sem Mim é possível notar que a cantora encontrou o seu nicho ao saber como utilizar a sua voz e carisma para entrega uma performance com a sua cara. O ponto alto da canção é o nada clichê, inteligente e cativante refrão que acompanha o resto da composição em qualidade. O ponto fraco é, assim como várias canções pop nacionais atuais, a sua rápida duração que se beneficiaria muito de mais um verso antes do refrão final. Felizmente, a canção se segura melhor que o esperado e a Manu Gavassi faz o marketing dela com louvor.
nota: 7,5

E 2020 Ataca De Novo

Dance Like Nobody's Watching
Iggy Azalea & Tinashe

E eis que a loucura de 2020 faz mais uma das suas: depois de anos, a rapper Iggy Azalea volta a fazer uma música realmente boa ao lançar a divertida Dance Like No One's Watching, parceria com a cantora Tinashe.

Dance Like No One's Watching tem algumas das qualidades que fez Fancy um sucesso mundial: divertida, despretensiosa e com um apelo pop ótimo. Não é uma canção genial, mas tem um charme cativante devido a boa química entre as duas artistas participantes. Iggy entrega uma performance bem orquestrada e exata para o tipo de canção. Enquanto isso, apesar de ser apenas uma convidada de luxo ao entoar o refrão, Tinashe coloca toda a sua personalidade dominando cada segundo que aparece. Uma mistura bem temperada de dance-pop com R&B e rap, Dance Like Nobody's Watching erra ao não adicionar nuances para uma batida sem maiores surpresas. Em outros tempos, a canção poderia ser um sucesso comercial invejável, mas só de ser uma boa música já está de bom tamanho.
nota: 7

Mudanças

Cabin Fever
Jaden

Mesmo sofrendo um hate completamente infundado, Jaden Smith continua a construir a sua carreira no mundo da música de maneira elogiável. Mudando um pouco de rumos na sonoridade, o rapper lançou a boa Cabin Fever.

Transformando a sonoridade para algo parecido com uma mistura de Drake com Post Malone, Jaden entrega em Cabin Fever uma simpática, colorida, romântica e alto astral trap/pop com fortes toques de R&B. Sinceramente, não acho a melhor canção existente, mas tem uma batida tão despretensiosa e alegrinha que fica muito difícil de achar a ruim. A composição sobre um jovem amor durante o verão tem alguns momentos divertidos que ajudam a canção ficar leve e com cara de verão. A performance de Jaden segue o mesmo caminho dos artistas citados ao ter ser um cantor sem saber exatamente cantar, mas isso não impede de deixar claro que o artista é mais talentoso que muitos afirmam que ele é.
nota: 7

22 de setembro de 2020

Primeira Impressão

Smile
Katy Perry

Raio de Sol

Smile
Katy Perry

Com o lançamento do álbum, a Katy Perry lançou anteriormente como single a canção que dá nome ao projeto: a fofa Smile. Apesar de não ser o suprassumo do pop, a canção é uma agradável adição para a discografia de altos e baixo da cantora.

O melhor de Smile é uma atmosfera alto astral que beira a auto ajuda, mas é salvo pela genuína alegria de Katy parece exalar na canção. Falando sobre se sentir grata pelos novos rumos que a sua vida tomou, a cantora se mostra leve, divertida e despretensiosa como um pop precisa ser. Com uma produção certinha ao criar uma animada dance-pop/funk, Smile é uma canção capaz de tirar um sorrisinho naqueles dias nublados. Não é de longe a canção que irar fazer Katy voltar ao topo ou muito menos o seu melhor, mas é um trabalho auspicioso e na hora certa para a sua carreira.
nota: 7

20 de setembro de 2020

Luz no Fim do Túnel

Me Gusta (feat. Cardi B & Myke Towers)
Anitta

Lançando singles com mais rapidez que uma metralhadora desajustada, a Anitta claramente está atirando para todos os lados para descobrir qual será o tíquete dourado definitivo para o seu sucesso mundial. Dessa vez, a brasileira está apostado todas em Me Gusta em parceria com a Cardi B e o rapper porto-riquenho Myke Towers. A boa notícia: a canção é melhor que o esperado. A má notícia: Anitta continua errado os mesmos ponto. 

Com a co-produção surpreendente do Ryan Tedder, Me Gusta é bom latin pop com imensa influência de samba e funk, dando personalidade verdadeira para a cantora que parece que se tocou e investiu naquilo que realmente a faz diferente perante o mercado: a sua brasilidade. Poderia ser melhor? Obvio que sim, pois a canção ainda soa clichê em sua construção pouco inspirada. Entretanto, a canção funciona melhor que o esperado, principalmente devido a ótima participação da Cardi B. Arrematando a canção, a rapper dá a liga necessária para a canção ganhar corpo. E aí que a Anitta repete os mesmos erros como, por exemplo, perder espaço na sua própria canção para os convidados, mesmo com uma boa performance. Seria perfeito terem tirado a presença mediana de Myke Towers para dar mais espaço para a Anitta e uma interação mais direta com a Cardi B. Entre trancos e barrancos, Me Gusta é um possível começo da possibilidade de ver uma luz no final do túnel para a qualidade na carreira da Anitta. Acompanhamos os próximos passos.
nota: 7

Um Sucesso do Passado

Roses
Roses (Imanbek Remix)
SAINt JHN


Apesar de não ser comum atualmente não é novidade nenhuma uma canção lançada alguns anos atrás alcançar o sucesso devido a um fator externo. Recentemente, o fator externo mais comum para uma canção fazer sucesso é a viralização através do TikTok. Uma dessas canções a sofrer esse efeito é a versão remix de Roses do rapper SAINt JHN.

Assim como várias canções que ganham remix, a versão original é claramente superior a versão remixada. Dessa vez, porém, boa parte das pessoas não irá saber a qualidade da versão original de Roses lançada em 2016 (?!?). Uma densa, sombria e acima da média hip hop/rap com uma performance estranha e inspirada de SAINt JHN. Uma mistura de Post Malone com Drake e Kendrick Lamar, Roses é o tipo de canção que não pede a sua atenção, mas demanda quem ouve a prestar atenção. Tem os seus problemas como, por exemplo, a rápida duração, mas é uma canção realmente inspirada. A versão remix foi lançada no final do ano passado, subindo aos poucos as parada á medida do sucesso viral. Produzida pelo DJ Imanbek, a versão remix é uma padrão house club/eletrônica que não vai muito além do já conhecido. O grande problema aqui é apagar os poderosos vocais de SAINt JHN para transformar em uma voz distorcida por efeitos irritantes. Sucesso tardio que deveria ser para a versão que realmente merecia.
notas
Versão Original: 7,5
Versão Remix: 5

Um Conto de Duas GaGas

911
Lady Gaga

Confirmando o seu renascimento como uma das poucas divas pop da década passada que ainda term relevância comercial, Lady Gaga lança o terceiro single de Chromatica: 911 é uma canção bem mediana, mas o talento da cantora faz a escolha perfeita para o posto.

Não é segredo para ninguém que lê o blog que achei o álbum apenas bom, mesmo reconhecendo o seu impacto com o público. Por isso, não estimo 911 em um patamar alto, pois a tenho com a pior do álbum. Entretanto, ouvir a canção depois de algum tempo é possível acabar encontrando alguns pontos realmente positivos. O primeiro deles é a performance vocal de GaGa que consegue entregar nuances, poder e estilo na medida certa. O segundo é a ótima transição da intro Chromatica II para a canção em si que ajuda a amplificar o seu alcance. Tanto que virou meme após o lançamento do álbum. O terceiro ponto e o mais recente é o lançamento do genial vídeo clipe em que a cantora flerta pesadamente com o cinema arte, entregando conceito, visual e uma narrativa surpreendente. Isso mostra o poder que os visuais podem trazer para uma canção e, principalmente, a capacidade criativa da GaGa e da sua equipe. Dito isso, 911 ainda é uma canção falha com a sua produção repetitiva e massificada e a composição sem a força normal dos trabalhos da cantora, especialmente no refrão. De qualquer forma, o lançamento de 911 e o seu clipe ainda prova que Lady Gaga ainda tem muita palha para queimar.
nota: 6

18 de setembro de 2020

A Americanização do BTS

Dynamite
BTS

Depois de ouvir último álbum do BTS comecei a entender e, dentro de possível, gostar da banda de k-pop número um do mundo. Então, ouvir Dynamite, primeiro single totalmente em inglês deles, é uma decepção não exatamente surpreendente já que era esperado essa americanização.

Primeiro número um do BTS nos Estados Unidos e o primeiro de um artista sul-coreano, Dynamite parece superficialmente se encaixar na discografia da boy band. Ao olhar com cuidado é possível notar que a canção não tem um pingo real da essência da boy band, deixando bem claro que a canção é uma peça produzida apenas para fazer a entrada definitiva no mercado estadunidense. Sem a presença de nenhum integrante na composição e na produção, Dynamite é uma divertida, dançante e viciante ao máximo disco-pop que parece feita para acomodar qualquer artista. Não é de longe ruim, pois acerta na produção leve e refrescante. O erro é não ter o DNA do BTS. Ao menos, a presença dos sete integrantes parece preservado ao entoar versos de vergonha alheia como, por exemplo, "King Kong, kick the drum, rolling on like a rolling stone"  ou "Ladies and gentlemen, I got the medicine, so you should keep ya eyes on the ball, huh". O sucesso de Dynamite é um marco histórico e cultural e, apesar dos pesares, é uma canção pop acima da média. Uma pena que não tem a marca real do BTS.
nota: 7

Derretido

Ice Cream
BLACKPINK & Selena Gomez

Acredito que alguns desastres são precisos para um artista reavaliar suas escolhas na carreira para, quem sabe, melhorar no futuro. Todavia, isso não tira o fato de algumas coisas que realmente não mereciam ver a luz do dia. Esse é caso do trainwreck Ice Creamparceria da girl band de k-pop BLACKPINK com a Selena Gomez.

Single do próximo álbum da girl band, a canção teria tudo para dar certo: escrita pela Ariana Grande com parte do seu time criativo dos últimos tempos, Ice Cream poderia ser uma divertida experiência pop que se mostra uma verdadeira bomba sonora. Uma mistura de k-pop com rap e bubblegun pop que pode até ser uma mudança sonora para todos envolvidos, mas que não tem criatividade suficiente para se sustentar devido a péssima instrumentalização. Irritante, chata e com uma batida nada envolvente, o single erra mesmo na sua horrível composição que parece ter sido escrita como uma brincadeira entre os envolvidos que acabou empurrada no colo do BLACKPINK e da Selena Gomez. Todas envolvida entregam boas performances para um material que não faz nada para merecer tamanha entrega. É melhor que Ice Cream derreta rápido para que todas possam seguir em frente.
nota: 4,5

15 de setembro de 2020

Primeira Impressão

folklore
Taylor Swift

A Química Perfeita

exile (feat. Bon Iver)
Taylor Swift

Existem poucas coisas que podem me deixar mais feliz que ouvir uma música em que tudo parece se encaixar perfeitamente. Assim que vejo a excepcional exile da Taylor Swift com a participação do Bon Iver.

Melhor canção do álbum Folklore e, sem nenhuma dúvida, o grande ponto da carreira da cantora, exile é uma devastadora e triste crônica sobre o fim de relacionamento. A canção alcança um status tão alto devido as espetaculares performances da Taylor e do Bon Iver e, principalmente, a química avassaladora entre os dois. Em um dueto é esperado que os participantes tenham algum tipo de faísca que possam dar a liga para a canção, mas em exile é nítido que os dois cantores ultrapassam qualquer barreira ao unir a perfeição uma voz doce e contida com uma voz com um timbre áspero e  poderoso para criar a contraposição ideal para expressar todos os sentimentos de dois personagens em pontas diferentes de uma história. Fazer Bon começar a canção ao invés da "dona" da canção dá para o single uma personalidade única que vai aumentando ao longo da sua duração até explodir em um turbilhão triste de emoções. A produção de Aaron Dessner cria uma simples e edificante balada indie pop/folk com uns toques gospel que poderia facilmente cair no lugar comum, mas devido a sua instrumentalização requintada garante a elevação da canção sonoramente. E a forte e melancólica composição é o que arremata tudo com louvor. O curioso, porém, é que a letra poderia ser completamente diferente que o resultado de exile se manteria basicamente a mesma devido a presença genial de Taylor e Bon Iver. E isso diz muito sobre a qualidade da canção.
nota: 8,5

13 de setembro de 2020

A Verdadeira Patroa

Bend the Knee
Bruno Martini, IZA & Timbaland

Se alguém tinha alguma dúvida que a IZA tem o talento suficiente para ser uma diva internacional, Bend the Knee veio para comprovar o brilho da estrela da brasileira definitivamente.

Parceria com o DJ Bruno Martini e o sumido mega produtor Timbaland, a canção é uma deliciosa, sensual e contagiante post-disco/dance-pop com pinceladas de funk e soul que a transforma em uma música na mesma pegada da atual onda pop e, ao mesmo tempo, um trabalho atemporal. Com uma leve influência do Daft Punk, Bend the Knee funciona de verdade devido a presença mágica de IZA. Confiante, sexy, carismática e com uma pronunciação perfeita de inglês, a cantora é como uma calda de chocolate que não apenas melhorar, mas, sim, se torna o ponto de alto do prato. O ponto baixo da canção é a sua composição que, apesar de boa, deixa uma sensação que faltou um trabalho maior para a sua finalização. Tirando esse detalhe, Bend the Knee é o tipo de canção que está a altura para o começo definitivo da carreira internacional da IZA.
nota: 8

Quem Pediu?

Happiness
McFly

Apesar do imenso sucesso que fizeram durante a primeira década do novo milênio, a banda britânica McFly passou batido por mim durante todos esses anos, mesmo que algumas críticas tenha sido resenhadas por mim lá nos longínquos 2010/2011. Depois de um hiato de mais de dez anos, a banda resolveu voltar com o lançamento de um novo álbum (Young Dumb Thrills) e a divulgação do single Happiness. E a pergunta que não quer calar: quem pediu?

Após ouvir a canção tenho plena consciência do motivo de não lembrar de nada da banda: Happiness é, provavelmente, uma das músicas mais sem graça de 2020. Uma tentativa canhestra de fazer um pop/dream-pop/pop punk engraçadinho e romântico, mas que termina como uma verdadeira bomba brega, melosa e datada. Fazendo uma sonoridade para os fãs que pararam de crescer tem dez anos, o McFly parece que, além de não evoluir sonoramente, regrediu para tentar criar uma nostalgia que está morta e enterrada tem alguns anos. A composição é extremamente pobre, repetitiva e infantil que dá até vergonha de ouvir, especialmente no seu odioso refrão que de "felicidade" não tem nada. Ouvir Happiness é como ser obrigado a voltar no tempo para uma época que deveria ser esquecida.
nota: 3

A Massificação de Ella

Take Care of You
Ella Henderson

Uma pergunta: é errado massificar um artista para ter melhores chances de sucesso? Isto é: fazer um artista se tornar sonoramente mais vendável é apenas uma sentença de morte para o lado artístico? Na minha opinião, acredito que essa transição feita de forma a respeitar a essência do artista pode resultar em algo positivo. Esse parece ser o caso da britânica Ella Henderson em seu mais novo single Take Care of You.


Saída do The X Factor UK, a cantora alcançou sucesso e repercussão mundial com o ótimo single Ghost de 2014. Apesar do sucesso também do álbum debut, Ella saiu da sua gravadora e começou o processo artístico para a gravação de um novo trabalho sob os cuidados de uma nova empresa fonográfica. Nesse meio tempo, a cantora participou de algumas canções que atingiram sucesso na Inglaterra como, por exemplo, This Is Real do Jax Jones e Here for You do Kygo. Essas parecerias parecem ter influenciado a sonoridade de Ella em Take Care of You. De um pop contemporâneo com toques de gêneros como R&B e soul para um dance-pop/electropop comercial e bem mainstream. A mudança brusca não parece tão desesperadora em busca de colocar a cantora de volta a relevância comercial, mas é um pouco decepcionante para quem gostava da sonoridade inicial da cantora assim como eu. Felizmente, Take Care of You é uma canção acima da média devido a presença luminosa de Ella que coloca personalidade genuína em uma performance segura. Além disso, a composição apresenta alguns traços da lírica de Ella, mesmo não sendo um trabalho espetacular. Acredito que se a cantora colocar mais da sua já construída persona artística e aparar algumas pontas nessa nova sonoridade, o resultado pode ser sim benéfico para a sua carreira que vai além de voltar a fazer sucesso.
nota: 7

8 de setembro de 2020

Quase o Encontro do Século

Save the Day
Mariah Carey

Não irei mentir que fiquei chocado e, ao mesmo tempos, extremamente entusiasmado quando soube que a Mariah Carey iria lançar uma canção com a participação da lenda urbana Lauryn Hill para promove o álbum The Rarities, compilação de canção nunca lançadas pela cantora. Eis que ao ouvir Save the Day veio a decepção: a canção não ter a participação efetiva de Lauryn e, sim, os vocais usados como sample saído do sample Killing Me Softly de 1996. Felizmente, a minha decepção só não foi catastrófica porque Save the Day é uma canção excelente.

Sem ter informações de quando Mimi gravou a canção, o meu palpite é entre o começo dos anos dois mil até dois mil e dez devido ao timbre da voz e, principalmente, a sonoridade R&B/pop que se conecta perfeitamente com essa era na carreira da cantora. Fazendo uma ponte nostálgica com o começo da introdução de hip hop/rap na sonoridade de Mariah, Save the Day é de uma nostalgia suculenta para aqueles que conhecem o trabalho da época de Fantasy, Honey e Always Be My Baby. Com produção da própria cantora ao lado do mago do R&B Jermaine Dupri, a canção surpreende também pela composição sobre ter consciência sobre o nosso papel na sociedade. Não espere nada verdadeiramente profundo, pois a letra tem esse roque de auto-ajuda que a cantora já demostrou em vários momentos. Mesmo assim, o toque positivo é um acalento para momentos em que vivemos. Entregando uma performance ótima ao mostrar vários dos seus pontos altos como uma das maiores vocalista de todos os tempos, Mariah é "auxiliada" pela voz marcante e alpha de Lauryn Hill entoando as vocalizações ouvidas Killing Me Softly, ficando com o clímax da canção quase todo. Pena que a canção não é uma verdadeira parceria entre as duas cantoras. Estilosa e madura, a canção é um veículo perfeito para celebrar os trinta anos da carreira de Mimi.
nota: 8

Bocejo

To Be Young (feat. Doja Cat)
Anne-Marie

Existe algo mais decepcionante que uma canção pop entediante? É como fazer uma feijoada completa, mas sem nenhuma grama de tempero, ou seja, todos ingredientes estão lá sem terem nenhum sabor de fato. É assim que vejo o novo single da britânica Anne-Marie: a sem graça To Be Young.

To Be Young não é de longe ruim, mas, sim, entendiante como dito anteriormente. A canção é uma tentativa mediana de fazer Anne-Marie soar madura e contemplativa. Apesar de ter alguns momentos de clareza, a canção erra em sua produção equivocada que tem fazer uma cruza da balada épica com balada mid-tempo/R&B que não consegue entregar nem um dos dois e muito menos uma fusão bem feita. Além disso, a atmosfera sonolenta da canção não colabora em nada, apesar de melhor bem na parte final quando a canção encorpa de verdade. Outro problema de To Be Young é a participação caça-níquel de Doja Cat que entrega um verso fraco e uma performance completamente no automático. Obviamente, a presença da artista que está em alta é para dar apenas um up comercial para a canção. O que dá uma salvada é a composição até interessante sobre a os prazeres e as dores de ser jovem. Apesar dessa boia de salvação, To Be Young acaba apenas sendo uma canção mediana no resultado final. Uma decepção verdadeira ao notar que a canção poderia ser um verdadeiro musicão.
nota: 6

1 de setembro de 2020

Invasão Latina

UN DIA (ONE DAY)
J Balvin, Dua Lipa, Bad Bunny & Tainy

Acredito que não exista mais dúvidas que estamos passado por uma nova invasão latina. Depois daquela no final dos anos noventa e começo dos anos dois mil, a música latina volta ao mainstream internacional com os nomes de J Balvin e Bad Bunny como principais destaques dessa nova geração. E acredito que não é surpresa que essa sucesso traga parcerias com nomes fora do meio latino. Dessa vez o "estrangeiro" é a Dua Lipa que se une aos dois artistas já citados para entrega a promissora, mas morna, UN DIA (ONE DAY).

O single é aquele tipo que parece funcionar, mas, infelizmente, o resultado final fica abaixo da expectativa. O quase acerto da canção é a sua produção que tem uma ideia ótima sem saber como unir os pontos. Produzido pelo J Balvin e pelo mega produtor porto riquenho TainyUN DIA (ONE DAY) é uma envolvente pop/reggaeton com toques de house music que começa a criar algo realmente interessante  em uma batida centralizada em uma cadencia contida e sensual. Entretanto, o resultado de fato soa entediante e meio repetitivo, deixando a canção morna e um pouco decepcionante. Parece que os produtores tinham essa grande ideia nas mãos, mas não conseguiram juntar as peças dos quebras cabeças de força correta e deixando algumas peças soltas. Além disso, a presença dos três artista nos vocais se perdem em uma canção sem foco, principalmente a Dua Lipa que não entrega metade do carisma que normalmente a mesma é capaz de impor. O resultado final pode ser apenas mediano, mas a canção é uma prova cabal da força dessa nova geração latina.
nota: 6

Maturidade Áspera

Tempos Insanos (feat. WC no Beat)
Karol Conká

Karol Conká é uma das artistas brasileiras da contemporaneidade que mais merecem reconhecimento do grande público. E até mesmo com uma canção imperfeita como Tempos Insanos ainda vale essa afirmação.

Tempos Insanos é uma das músicas mais maduras da carreira de Karol com uma batida sóbria e mais convencional que a rapper já entregou. Entretanto, a canção parece restrita demais com uma produção que parece com medo de explorar as possibilidades sonoras que seria necessário para elevar a canção. Além disso, a composição carecia de uma lixada para mostrar toda a força da mensagem que a rapper tem para explorar. Apesar disso, a performance classuda de Karol consegue dá personalidade real para Tempos Insanos que parece ser o primeiro passo para a maturidade artística da rapper. Espero que essas arestas soltas possam ser aparadas.
nota: 6,5

Meu Irmão Brilhante

my future
Billie Eilish

Ouvir o novo single da Billie Eilish é constatar algo que já tinha sido observado nos outros lançamentos da novata: o imenso talento do irmão/produtor Finneas. Por trás de todas as canções até o momento da jovem, o irmão é o responsável pela continua elevação da sonoridade da cantora que deságua na surpreendente my future.

O novo single consegue ser uma união sensata e bem orquestrada da sonoridade já ouvida pelo público com uma substancial evolução. A principal razão é a excepcional produção de Finneas ao quebrar expectativas sem perder o foco. Começando com uma balada lo-fi para se transformar quase que do nada em uma dance-pop/R&B que parece tirar influência de batidas soul dos anos setenta, my future mantém a mesma atmosfera minimalista e contida dos trabalhos anteriores que se encaixa perfeitamente na narrativa sonora de Billie. Entretanto, a visível mudança sonora é um passo importante para ajudar a cantora a mostrar o seu leque de possibilidades artística. Claro, Finneas recebe boa parte dos crédito, mas é necessário dizer que Billie também precisa ser elogiada pela sua clara evolução pessoal. Primeiramente, a sua performance aqui é um balsamo delicado e refrescante ao saber como expressar uma sensibilidade etérea e tocante. Em segundo, ao ser co-autora da letra de my future, a cantora mostra que consegue sair daquele espaço de garota millennial que deixa a mostra sentimentos sombrios para ocupar um espaço esperançoso e de uma beleza simplória e orgânica. Com No Time To Die e agora my future, Billie Eilish vai se transformando em uma artista bem mais interessante que se poderia imaginar.
nota: 8