28 de fevereiro de 2023

A Beleza da Dor

Younger & Dumber
Indigo De Souza

Algumas canções conseguem tocar fundo sem nem precisar de muitos esforços, mas é sempre preciso de uma sinceridade sonora e lírica que faça possível essa conexão. Esse é o caso da emocionante Younger & Dumber da Indigo De Souza.

Preparando para lançar o seu terceiro álbum (All of This Will End), a cantora nunca tinha navegado pelo meu radar, mas depois da recepção da canção tive que ouvir. E, queridos leitores, que experiência espetacular presenciar a filha de um brasileiro entregar a devastadora Younger & Dumber. Primeiramente, a performance da cantora é algo simplesmente inesquecível, devastador e emocionante logo nos primeiros acordes ao expor não apenas o seu lindo timbre, mas, também, apresentar uma vulnerabilidade tão tocante e preciosa que foi capaz de tirar lagrimas dos meus olhos com uma facilidade imensa. E quando a cantora aumentar o poder, Younger & Dumber encontra o seu clímax de maneira sublime sem precisar de grandes arrombos vocais e, sim, a solidez de uma interpreta capaz de interpretar as mais profundas emoções com tranquilidade. Isso era preciso para conseguir chegar ao cerne da genial composição que narra o quanto as nossas feridas da juventude influenciam ao longo da nossa vida, especialmente aquelas causadas por quem se amou. Sonoramente, Younger & Dumber é uma sóbria e melancólica mistura de country, alternativo, folk e americana com um deslumbrante instrumental que consegue deixar dá o melhor apoio para Indigo carregar a canção. Apesar de ainda cedo para afirmar, tenho as minhas suspeitas que Younger & Dumber irá entrar para a lista de melhores do ano facilmente.
nota: 9

New Faces Apresenta: Omar Apollo

3 Boys
Omar Apollo


Apesar de já ter um álbum lançado e três indicações ao Grammy, o americano Omar Apollo é um dos nomes que devem estourar estrondosamente nos próximos tempos. Apesar de 3 Boys não ter a cara da canção que fará isso acontece, o single mostra um pouco do talento do cantor.

A melhor definição para a canção é que se o Frank Ocean e o Perfume Genius tivessem um filho seria basicamente o resultado da canção e, por consequência, da sonoridade do Omar. Uma R&B/pop soul com uma produção que fica no limite entre o experimental e tradicional, 3 Boys é uma canção extremamente sedosa, sensual e cadenciada que envolve quem escuta de maneira lenta e eficiente. Acredito que para alcançar o mesmo nível que os artista citados falta um toque de genialidade para a canção sair o lugar confortável que se coloca para algo mais aventureiro e profundo. Entretanto, Omar consegue exprimir toda a sua personalidade na incrível performance vocal em que mostra um domino imenso e um timbre delicioso. Ainda falta certa maturidade, mas Omar Apollo é facilmente um dos nomes mais prontos para ser o próximo grande nome da música.
nota: 7,5

Save Your Remix

Die For You (Remix)
The Weeknd & Ariana Grande


Uma das parcerias mais interessantes do mundo pop é a do The Weeknd com a Ariana Grande. A união dos dois titãs do pop já rendeu ótimos momentos em Love Me Harder e o remix de Save Your Tears. Infelizmente, o remix de Die For You não está no mesmo nível desses trabalhos.

Lançada originalmente como single em 2017 retirado do álbum Starboy, Die For You teve um boom de popularidade online e por isso ganha esse relançamento em força de remix. E, novamente, o problema com esse tipo de remix que não é remix é a forma quase preguiçosa que a mesma é trabalhada. Sem mudar basicamente nada sonoramente, essa versão é um bom R&B que tem a marca do The Weeknd, mas que usa a participação da Ariana de forma qualquer nota. Apesar da sua voz combinar com a canção e entregar lindos vocais como sempre, Ariana é renega ao meio da canção sem realmente estar presenta em nenhum momento. Nem para gravar mais vocais para acompanhar o The Weeknd nas repetições do refrão foram capazes de fazer. Além disso, a canção original já era mais um filler bom que um grande momento da carreira do cantor, mas o imenso sucesso do cantor é capaz de fazer até esse tipo de canção sucessos comercias. E isso não tira o fato desse remix ser decepcionante quando se comparado com o que a Ariana e o The Weeknd são capazes.
nota: 7

A Boa Presença

Special (Remix)
SZA & Lizzo

Acredito que já tenham notado que tenho certos problemas com os famosos remixes que não são remixes. Entretanto, ás vezes existem alguns que furam a bolha como é o caso de Special da Lizzo.

Uma das melhores canções do álbum homônimo, a canção tem na sua versão “remix” a participação da SZA que, surpreendente, resulta em algo que dá certa personalidade para a canção. Além de entoar um vero novo logo no começo da canção, a presença da cantora adiciona uma dose de personalidade diferente para a canção que a faz ganhar um toque refinado para Special. Sonoramente, a canção não muda muito ao ser uma sólida R&B sobre aceitação própria que é clichê, mas sincera. Special (Remix) não é exatamente especial, mas dá para ser melhor que o esperado.
nota: 7,5

24 de fevereiro de 2023

As 100 Melhores Músicas Que Você Não Deve Conhecer

Existem toda uma categoria de canções que entram na categoria de guilty pleasure, isto é, prazer com culpa que significa “produções que, apesar de execradas por crítica e boa parte do público, têm um lugar especial no coração do espectador”. Eu poderia facilmente fazer uma lista de canções que se encaixam perfeitamente nessa categoria, mas escolhi aquela que para mim é o seu ápice. Hoje irei falar sobre...




Future Nostalgia

Like a Saviour
Ellie Goulding

Ellie Goulding nem sempre consegue acertar no alvo, mas a mesma sempre consegue entregar algo com personalidade. Até mesmo quando está emoldurando a sua melhor versão da Dua Lipa na divertida Like a Saviour.

Facilmente a canção poderia ser uma canção descartada de Future Nostalgia não apenas devido a sua sonoridade ser uma mistura de synthpop com toques post-disco, mas também pelo fator de ter um verniz que realmente parece algo que a Dua Lipa entregaria no seu último álbum. Entretanto, Like a Saviour é salvada plenamente pela sempre única presença da Ellie que dá para a canção uma cara que consegue de maneira até natural ser um trabalho com a sua marca. Tenho que admitir que a canção poderia ter um clímax mais explosivo para elevar a canção para a excitação pura. Entretanto, Like a Saviour é uma boa prova que até mesmo quando soa como outra artista, Ellie Goulding ainda encontra a sua voz.
nota: 7,5

Um Hit Solo, Por Favor!

Heart Wants What It Wants
Bebe Rexha

Mesmo com alguns hits no seu nome, sendo o mais recente I'm Good (Blue), a Bebe Rexha nunca teve um hit solo para chamar de seu. Não sei exatamente esse titulo será da mediana Heart Wants What It Wants.

Primeiro single do seu próximo álbum, a canção é uma canção redondinha, morninha e sem gracinha. Uma nu-disco que não consegue empolgar em nenhum momento, Heart Wants What It Wants continua a atual moda de ser uma canção rápida e rasteira que nem consegue ser exatamente ruim e também não consegue marcar de forma nenhuma. A composição é um amontoado de clichês que precisou de oito pessoas para escrever que não chega a ser uma bomba atômica. Felizmente, Bebe Rexha segura bem a canção devido a ser uma vocalista sólida que precisa de um material bem melhor para realmente atingir o sucesso sem precisar de escoras de outras pessoas.
nota: 6



2 Por 1 - Ludmilla

Sou Má (part. Tasha & Tracie)
Nasci Pra Vencer
Ludmilla

É necessário e primordial admitir que a Ludmilla conseguiu fazer a sua carreira se consolidar de maneira definitiva ao transitar entre gêneros de maneira natural, orgânica e mostrando qualidade. E é por isso que a sua aventura pelo trap/hip hop é algo que realmente faz sentido com o lançamento de Sou Má e Nasci Pra Vencer.

Ambas canções seguem o mesmo estilo trap com alguns toques que a fazem se distinguir, criando duas canções interessantes e com produções sólidas do começo ao fim. Nasci Pra Vencer segue um caminho com toques melódicos que exalam uma brasilidade forte e deliciosa. Não é exatamente algo do nível de um Racionais MC’s, mas Ludmilla carrega a canção com sobriedade. E é Sou Má que a rapper Ludmilla brilha. Buscando a sua Cardi B interior e com sample de Nice do The Carters, a canção não deixa a desejar em relação a qualquer canção atual cenário hip hop mainstream brasileiro. Na verdade, a ótima produção consegue ser melhor que a média ao ser encorpada, carismática e bem estruturada. Entretanto, o melhor é a presença potente de Ludmilla ao lado de Tasha e Tracie que dá o toque final da canção. E assim a Ludmilla vai construindo uma das carreiras mais proliferas do pop brasileiro. 
notas
Sou Má: 7
Nasci Pra Vencer: 7,5

21 de fevereiro de 2023

P&ta e Experimental

A&W
Lana Del Rey


Normalmente, a Lana Del Rey adota a sua famosa postura contemplativa para escrever e entoar as suas composições, mas quando a mesma “parte para o ataque” sempre entrega algo realmente inusitado e interessante. Dessa vez, a cantora adota essa linha na ousada A&W.

Apesar de não ser tão genial como vem sido apontada por muitos fãs, a canção é um ponto fora da curva da sonoridade da cantora que é extremamente bem vinda. Liricamente, A&W é declaração sobre a mesma não ligar para o que pensam dela de maneira ácida, áspera e com uma deliciosa vibe “tô puta” que consegue fundir de maneira orgânica com o sempre toque pretencioso que permeia as composições da Lana. Especialmente o verso “This is the experience of being an American whore” já nasce clássica e um dos melhores momentos da lírica da cantora. Sonoramente, A&W toma uma grande liberdade dentro da sonoridade da cantora ao ser uma extensa mistura refinada de art pop, folk, tri hop e trap. O resultado dá uma oxigenada para a discografia da Lana, mas a produção da mesma ao lado do onipresente Jack Antonoff poderia ser ainda mais ousada ao não dividir em duas partes a canção, começando de forma tradicional para depois incorporar o lado mais experimental. De qualquer forma, A&W é das canções que vão marcar o ano e a carreira da Lana daqui para frente.
nota: 8

Faça Alguma Coisa, Beyoncé!

CUFF IT (WETTER REMIX)
Beyoncé

Já disse uma vez e irei repetir: se a Beyoncé realmente trabalhasse na divulgação do Renaissance teríamos um dos maiores sucessos comerciais de todos os tempos. E isso é deixado claro com as migalhas que a mesma joga para a gente como é caso de CUFF IT (WETTER REMIX).

Assim como BREAK MY SOUL (THE QUEENS REMIX), a cantora pega uma outra canção para “recriar”/remix a sua original. Dessa vez, porém, a escolhida foi uma canção menos conhecida ao usar Wetter do rapper Twista de 2009. Essa decisão deixa o alcance do remix menor, mas, felizmente, o resultado é ainda sensacional. Com uma cadencia mais lenta, sensual e envolvente, CUFF IT (WETTER REMIX) é um trabalho que realmente que merece ser chamado de remix ao descontruir a canção original de maneira a reconstruir com a adição de novas texturas, batidas e versos. Devo admitir que essa versão perde a excitação da original, mas não continua a mostrar o quanto refinado e magnético é a produção da canção já que mesmo tendo o seu instrumental alterado ainda continua a transbordar carisma. E a nova performance vocal que Bey regravou para a canção é de uma sensualidade atemporal e de um cuidado com os detalhes ímpar. E apesar dessa falta de promoção, a Beyoncé nem precisa de Grammy de Album of The Year para provar que é a dona do maior dos últimos tempos.
nota: 8


Decisões

Pray It Away
Chlöe

Apesar de um ótimo começo com o lançamento de Have Mercy, a carreira da Chlöe deu uma estagnada e parece que vai ser reiniciada com a anuncio do lançamento do álbum In Pieces. Como primeiro single foi lançada a boa, mas sem graça Pray It Away.

Uma sólida R&B que segue a receita recente do gênero, a canção é uma ótima canção para a cantora mostrar versatilidade, mas nada auspiciosa para o potencial comercial da sua carreira. Soando como um descarte da SZA, Pray It Away tem uma qualidade técnica impressionante aliado ao lindo e potente vocal da cantora. Entretanto, assim que a gente termina de escutar esquece da sua existência dez segundos depois. Uma pena que as decisões tomadas para a carreira da Chlöe tenham mais atrapalhado que ajudado.
nota: 7

O Retorno do Marido

Same Problems?
A$AP Rocky

Devido o imenso sucesso e exposição da Rihanna é fácil esquecer que a mesma é “casada” com o rapper A$AP Rocky. E assim como o retorno da mesma esse ano com a sua apresentação no SuperBowl, o rapper também está de volta com o lançamento Same Problems?.

Apesar de não ser sensacional, o resultado da canção é inusitado, corajoso e original. Uma batida densa e nada comercial que mistura neo-soul, rap e R&B, Same Problems? é uma canção que fica no meio do caminho entre o experimental e o pretencioso. Felizmente, existe um equilíbrio que consegue realmente equilibrar, mostrando que o rapper tem uma versatilidade grande. O que vende mesmo a canção é contida, sombria e descolada performance de A$AP Rocky que consegue carregar a canção sem precisar exagerar no lado cantor e ainda entregando o lado rapper de forma sólida. E apesar de ser mais conhecido por muitos como o marido da Rihanna, A$AP Rocky é um dos rapper mais interessantes da atualidade.
nota: 7,5

14 de fevereiro de 2023

Mother

Pearls
Jessie Ware


Mesmo que tenha mostrado um talento imenso desde o primeiro trabalho, a Jessie Ware só alcançou o posto de diva pop quando deu uma guinada na carreira ao mergulhar de cabeça no pop com o já clássico What's Your Pleasure? de 2020. E, apesar de ter dito que não iria continuar nesse caminho, a cantora está de volta para o mundinho pop com o lançamento da espetacular Pearls.

Segundo single do álbum That! Feels Good!, sucedendo a já sensacional Free Yourself, a canção consegue a façanha de ser melhor e ainda se estabelecer entre as melhores canções da carreira da Jessie. Emoldurando a sua melhor Diana Ross interna, a cantora entrega a sua mais inspirada performance ao alinhar unir a sua costumeira e deliciosa voz aveludada e elegante com uma explosão vocal em que a mesma mostra todo o seu alcance ao subir o tom para expressar todo a excitação da canção, especialmente no seu eletrizante refrão. Sonoramente, Pearls é uma elegante e irresistível disco com toques de dance-pop e R&B que consegue manter a mesma toada dessa era da Jessie, mas adicionando novidades imprescindíveis para manter todo ainda refrescante. A letra é a perfeição do equilíbrio da persona da Jessie com essa sua reluzente versão pop: I'm so nine to five/ I'm a lady, I'm a lover/ A freak and a mother. E com outra canção espetacular, a Jessie Ware continuando sendo a perfeita mãe para todo o público.
nota: 9

New Faces Apresenta: Gracie Abrams

Where do we go now?
Gracie Abrams


A primeira vista, a jovem Gracie Abrams parece seguir os caminhos que a Olivia Rodrigo abriu recentemente, mas ao olhar com mais cuidado é possível perceber a presença de uma artista muito mais interessante que o esperado. E isso é facilmente visto em Where do we go now?.

Single do seu álbum debut, a canção é uma intrigante, minimalista e tocante mistura de indie pop com pop rock e dream pop que resultado em algo realmente refrescante. Apesar de carecer de algo que pudesse fazer o arranjo não ser tão linear desde o começo, a produção consegue criar uma atmosfera balanceada entre ter o lado comercial de uma Olivia e o lado alternativo de uma Phoebe Bridgers. Entretanto, o que dá vida para Where do we go now? e, por consequência, para Gracie é a sua impressionante composição. Escrita pela cantora ao lado de Aaron Dessner, a letra apresenta uma maturidade lírica e emocional impressionante sem deixar, porém, de representar a jovialidade sentimental da cantora. Existe uma estrofe que realmente me pegou desprevenido:

There's nothing left here
All our best years are behind
What a brutal way to die
But you choose it every time

Apesar de nada exatamente novo, os versos mostram uma desconcertante imagem que reflete sobre o fim de um romance de maneira direta, sincera e de uma veracidade desconcertante. E se seguir assim, Gracie Abrams pode ser o próximo grande nome do atual indie pop.
nota: 8

It's a Viral

It's a Wrap
Mariah Carey

Além do talento, uma das razões que fizeram a carreira da Mariah Carey longeva é o fato da mesma ser uma ótima empresária. E como é de esperar, a artista aproveitou que a canção It's a Wrap viralizou no TikTok e a lançou com single não oficial.

Lançada em 2009 como faixa do álbum Memoirs of an Imperfect Angel, a faixa nem foi lançada como single da época, pois, apesar de bem produzida, tem todas as características de ser um filler. Com coprodução de Carey, Heatmyzer, Christopher "Tricky" Stewart e James "Big Jim" Wright, It's a Wrap é uma R&B com toques de hip hop que tem o uso de sample de Ain't No Way da Aretha Franklin e I Belong to You de Love Unlimited que dão para a canção um verniz tradicional que é bem vindo, pois dá para a canção força e corpo para a batida. Apesar disso, a canção é bem menos inspirada que o esperado para a união desses nomes ao não ter ousadia para ser realmente diferente. Entretanto, a canção tem uma composição inteligente, ácida e com a personalidade da Mariah que consegue ser mais interessante que o esperado. Esse sucesso tardio da canção mostra o quanto imprevisível está o mercado, pois, apesar de receitas, nada pode realmente apontar para qual música será o sucesso do momento.
nota: 7



A Doença do Viral

SAD B!TCH
Anne-Marie


Depois da popularização das canções virais em apps e redes sociais, a indústria quer de qualquer maneira emplacar uma canção da outra. E é por isso que canções como SAD B!TCH da Anne-Marie.

Nada contra quem está buscando seu lugar ao Sol e se esse é o caminho da cantora está tudo bem, mas SAD B!TCH parece existir apenas para ser um viral no TikTok. Grudenta, irritante, repetitiva e completamente rasa sonoramente, essa electropop/dance-pop parece uma prima ainda mais pobre de Dance Monkey, mas sem o fator que fez a canção de Tones And I ter sido sucesso: organicidade. SAD B!TCH é querer empurrar de maneira descarada e sem um pingo de criatividade, mesmo tendo uma cantora de talento por trás. E olha que no papel, a composição teria até um resultado bom se não fosse tão tiktokssificada. E assim essa onda vai continuando a dominar as paradas com um apocalipse zumbi. 
nota: 4,5

7 de fevereiro de 2023

Rebeccassance

Sick To My Stomach
Rebecca Black


Rebecca Black é o verdadeiro significado de nunca desista de seus sonhos. Com trabalho duro e persistência, a cantora foi do viral Friday em que a fez ficar conhecida de maneira não positiva até entregar uma canção do nível de Sick To My Stomach.

Continuando o seu bom trabalho recente, a cantora entrega na canção o seu melhor momento até o momento ao apresentar uma delicada, graciosa e muito bem pensada balada mid-tempo synthpop que realmente mostra claramente a sua imensa evolução, especialmente nos vocais. É claro que a mesma ainda usa certo efeito vocal aqui e ali, mas é para dar camadas para o resultado final já que é claro que Rebecca é dona de um timbre límpido e perfeito para esse tipo de canção. A ótima composição é outro ponto de amadurecimento ao ser uma tocante, melancólica e com um fator de fácil associação ao narrar aqueles sentimentos que todos sentimentos ao ver novamente um(a) ex. Devo admitir que sonoramente, Sick To My Stomach ainda parece algo que a poderíamos ver a Carly Rae Jepsen entregar, mas Rebecca Black está aos poucos encontrando o seu caminho.
nota: 8

Groovy

Echolalia
Yves Tumor

Existem algumas canções que conseguem gerar uma sensação que pode ser descrita como apenas uma palavra: groovy. Em português, a palavra significa descolado, mas uma canção groovy também pode ser associada como algo excitante e fashion. Esse é caso perfeito de Echolalia.

Single do cantor Yves Tumor, a canção é uma mistura de dance, indie rock, psicodelia e R&B que resulta em um trabalho simplesmente groovy. Não é muito fácil descrever a canção em palavras, pois a sua qualidade é saber sentir toda a atmosfera criada pelo refinadíssimo instrumental e a impressionante produção. Echolalia também se beneficia dos sexuais vocais de Yves que adiciona uma carga pesada de significação com a sua distinta performance. A composição, porém, não acerta no algo ao ser um pouco pretenciosa demais, mas a adição de uma voz feminina falando no meio da canção ajuda a dar um ar mais convidativo para a canção. Entretanto, Echolalia é uma canção de sensações que realmente pode ser apenas definida como groovy.
nota: 8

Genérica OK

brrr
Kim Petras

Apesar de já fazer parte do cenário pop tem algum tempo, a Kim Petras faz a sua estreia solo no blog com essa resenha, pois até o momento as suas canções tinham produção de um certo produtor que não faço a menor questão de analisar qualquer coisa envolvendo o seu nome. Finalmente, a cantora lança algo que posso resenhar com a mediana brrr.

A canção não é ruim, pois mostra o potencial da cantora. O problema é a produção cair exatamente em buracos de clichês que não deixa explorar algo realmente mais interessante. Sonoramente, brrr é um hyperpop bem desenhada e com bons instrumentais, mas que nunca consegue imprimir uma marca realmente que seja autentica. O resultado soa mais como um prato requentado que perdeu o seu vigor rapidamente. Além disso, a composição não faz mais que apenas o necessário e nem mesmo um refrão poderoso entrega. O que realmente se destaca é a presença marcante de Kim Petras que entrega personalidade, mesmo não excedendo expectativas. E a vitória história da cantora no Grammy mostra que Kim tem potencial para entregar muito mais no futuro. Aguardemos.
nota: 6,5 



A Mesma Música

Love Again
The Kid LAROI


Como pode ser verdade que o The Kid LAROI não lança a mesma todas as vezes e apenas diz que é uma nova canção? Esse é caso de Love Again.

Basicamente repetindo as mesmas coisas de todas as canções, mas, dessa vez, o nível é abaixado devido a uma produção que entrega literalmente nada que não seja um protótipo de pop emo/punk acústico. Linear, irritante e sem nenhum pingo de criatividade, Love Again parece feito por inteligência artificial em que foi inseridos todos os traços mais irritantes do gênero/tendencia. Além disso, Kid LAROI não tem voz para ficar gritando uma canção que deveria ter sido interpretado de maneira delica e sentimental. Sinceramente, isso só pode ser lavagem de dinheiro.
nota: 4,5

3 de fevereiro de 2023

Uma Segunda Chance Para: Work Bitch

Work Bitch
Britney Spears

Britney Spears nunca foi conhecida por ter grandes arrombos de criatividades que pudessem quebrar quaisquer expectativas. Existem alguns momentos aqui e ali que podem se encaixar nessa categoria, mas o único momento genuíno é um dos seus piores da carreira: a péssima Work Bitch.

Lançada como primeiro single do fatídico Britney Jean de 2013, Work Bitch é uma tentativa de mostrar um lado da cantora ao fazer a mesma mergulhar em uma EDM extremamente datada, irritante e quase sem apelo que os melhores momentos da Britoca proporcionaram. Produzido pelo will.i.am ao lado de Sebastian Ingrosso e Otto Knows, a canção é o famoso amontoado de clichês que deveriam fazer algum sentido se não tivessem sido moldados da massa musical mais massificada possível. E o pior é que Work Bitch parece ser uma canção que poderia facilmente ser a guinada sonora na carreira da Britney. Exagerada pelo simples fato de ser, a canção esquece de usar o seu principal chamativo: a presença da Britney. Afogada por uma produção vocal estridente, a cantora poderia facilmente nunca ter cantado a canção e o que ouvimos ser um produto de uma inteligência artificial que não teria nenhuma grande diferença. A letra é, apesar dos pesares, divertida no instante que a gente não leva a sério. Existiam um rumor na época que a canção teria o sample de Supermodel (You Better Work) do RuPaul e que, sinceramente, faria até algum peso para o resultado final se tivesse sido usada de maneira correta. Feliz de não ter acontecido, pois Work Bitch não merece ter uma canção tão boa como base.
nota: 5


Novos Ares

TRUSTFALL
Pink

Depois do flop inesperado do single Never Gonna Not Dance Again, a P!nk aposta em Trustfall como single do seu novo álbum que marca uma mudança significativa na sua sonoridade.

Saindo do seu já conhecido pop rock, a produção aposta em uma clean, elegante e bem construído synth-pop/electropop com toques de EDM que funciona melhor que o esperado. Acredito que a principal qualidade da produção é não fazer a canção partir para uma farofada ao adicionar um batidão em algum momento da canção, mas, sim, manter o arranjo compacto e buscando um toque quase de delicadeza na construção da batida. Não é exatamente algo inovador, pois canções como Into You da Ariana Grande e Tonight I'm Getting Over You da Carly Rae Jepsen apresentam até com melhores resultado. Entretanto, ouvir essa característica em uma canção da P!nk é algo realmente bem vindo. A composição de Trustfall tem a marca da cantora, mas poderia sair de lugares comuns que a mesma sempre volta de tempos em tempos. De qualquer forma, a canção dá um novo ar para uma era da artista que não tem qualquer hype levantado até o momento.
nota 7,5

A Primeira Grande Surpresa de 2023

Selfish
slowthai


Existem algumas canções que a gente tem a certeza do que esperar que depois de ouvir é completamente surpreendido. Esse é o caso da ótima Selfish do rapper slowthai.

Preparando para lançar o seu terceiro álbum, o britânico entrega esse primeiro single uma soturna, densa e profunda mistura inusitada e bem vinda de uk hip hop, post-punk e synth-pop. Na teoria, essa união de gêneros tem tudo para dar errado, mas a produção em Selfish é inteligente para conseguir criar uma batida revigorante ao mesmo tempo que se torna um soco no estomago com a sua complexidade instrumental e a sua força emocional vinda da sensacional performance de slowthai. O rapper mistura estilos de maneira natural e perfeitamente alinhado com a pegada da canção, conseguindo adicionar uma carga de personalidade imensa para o trabalho que já é carregado de personalidade única. Espero que o resto do álbum do slowthai tenha essa mesma toada, pois será um verdadeiro presente sonoro.
nota: 8

A Poeta Moderna

Weightless
Arlo Parks


Uma das principais revelações recentes da Inglaterra, a Arlo Parks prepara o seu segundo álbum intitulado My Soft Machine. Como primeiro single foi a lançada a adorável Weightless, confirmando o seu imenso talento como compositora.

Já tinha apontado anteriormente na resenha Collapsed in Sunbeams sobre o talento da artista ao ter “a capacidade de dissecar os sentimentos mais complexos em construções de imagens que transitam entre a poesia urbana e a estética de canções pop é a cereja em cima do bolo”. Em Weightless, isso é visto claramente em uma letra esteticamente apurada, leve e tocante, mas que atinge o seu pico emocional na beleza dos detalhes. Narrando um relacionamento que a narradora sabe que não necessariamente irá fazer, mas que decide ainda se entregar, Arlo entrega momentos preciosos como, por exemplos, “I'm starved of your affection”, “Re-reading our texts from the strawberry days/ Just give me a sign if you want me” e “A metallic taste at the back of my throat//Watch your deltoid flex as you cough on the phone”. Sonoramente, Weightless é refinada pop/R&B que não é revolucionaria, mas é tão agradável como a delicada voz de Arlo. Weightless é um começo convidativo para uma artista que parece está no caminho para a sua glória.
nota: 8