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19 de abril de 2026

O Tema Não Tema

First Light
Lana Del Rey


E a Lana Del Rey que lançou um ótimo tema para o James Bond, mas não tem nem chance de se unir a Sam Smith, Adele e Billie Eilish, já que a canção é o tema do game do espião e não do próximo filme. Mesmo assim, First Light é um interessante trabalho que funciona até melhor do que seria esperado.

Sinceramente, eu nunca tinha pensado em como seria uma música da Lana ser tema de 007 e, se pensei, não achei que daria tão certo. E o grande acerto da canção é conseguir, de alguma forma, ter elementos de grandes canções-tema da franquia, ao mesmo tempo que carrega a personalidade da cantora impregnada do começo ao fim. Sendo bem realista, First Light é como se a cantora emoldurasse a sua versão de Shirley Bassey, que tem no currículo três clássicos do gênero. E isso é algo impressionante.

Navegando entre o clichê e o épico, a canção tem um instrumental que consegue expressar a grandiosidade cafona dos temas tradicionais do 007 com uma maestria impressionante, mergulhando fundo na referência nada sutil. Ao contrário de Skyfall, da Adele, por exemplo, a canção não busca exatamente ser algo ligado diretamente à artista ou ter um verniz moderno, mas, sim, ser um pastiche lindamente criado. Todavia, a canção brilha quando percebemos a personalidade da Lana, quando ela começa a entoar com os maneirismos de sempre, mas vai se transmutando em uma persona que se encaixa com o explosivo clímax final. Só que, até aqui, ainda é possível ouvirmos a velha Lana colocando sua personalidade. O ponto fraco da canção é a boa, mas restrita, composição, que talvez tenha sido feita de maneira mais tradicional que o resto da canção, sem adicionar o toque da cantora de forma realmente nítida.

De qualquer forma, First Light seria o Oscar da Lana Del Rey, mas fico feliz de apenas existir.
nota: 8,5

22 de fevereiro de 2026

A Balada da Esposa

White Feather Hawk Tail Deer Hunter
Lana Del Rey


Novo e aguardado single da Lana Del Rey, White Feather Hawk Tail Deer Hunter é exatamente uma cápsula das qualidades da cantora. Uma pena, porém, que a produção coloque uma pedra que não deixa a canção “flutuar” perfeitamente.

Com produção da cantora ao lado de Jack Antonoff e Drew Erickson, o single é estilizado, único e texturizado, misturando art pop e toques de uma sonoridade gótica para criar um som que é claramente da artista e apenas dela. E isso é ótimo, mas parece existir uma limitação clara na construção da canção, que parece limitá-la dentro de um quadrado sonoro que a impede de explorar caminhos mais excitantes e épicos. Isso deixa a canção “achatada” e com apenas metade da força que poderia ter caso fosse mais ousada.

Felizmente, White Feather Hawk Tail Deer Hunter ainda tem outros momentos que a fazem valer a pena, especialmente vindos da ótima composição. Ao ser, claramente, uma canção de amor direcionada ao marido de Lana, a letra mantém a qualidade lírica da cantora ao transitar lindamente entre a poesia, o pretensiosismo, a polêmica e a emoção. Gosto especialmente do uso da imagem de um fogão (stove, que também será o nome do álbum) para construir a imagem de Lana como esposa.

Com uma performance única e dinâmica, a cantora ainda mostra boa parte de sua personalidade artística rara. Uma pena que a produção não esteja exatamente no mesmo nível.
nota: 7,5

20 de abril de 2025

A Era Country da Lana

Henry, come on
Lana Del Rey


Ao que parece existe uma onda de artistas que estão embarcando na “era country” nos últimos tempos. E a mais nova participante dessa onda é a Lana Del Rey com o lançamento de Henry, come on.

Primeiro single do seu aguardo décimo segundo álbum, a canção até faz sentido seguir esse caminho, pois a cantora já demonstrou afinidade com o gênero algumas vezes e também faz parte das influencias da mesma. Entretanto, apesar de ser uma boa canção, Henry, come on tem algo que ainda não parece totalmente afinado com a personalidade da cantora. Parece estar meio off o resultado final, especialmente devido a dinâmica performance vocal e a produção instrumental. E é estranho isso porque quando a cantora regravou Take Me Home, Country Roads existia essa sintonia entre esses dois aspectos, mas aqui parece algo que ainda não deu o clique correto. De qualquer forma, o single não é exatamente country puro, mas, sim, uma mistura adulta de chamber pop, country pop e americana com um instrumental bem cuidado e melodicamente lindo. Além disso, a letra capta a vibe country muito bem sem fazer a cantora perder a sua persona lírica tão distinta e única. É um começo bom, mas que gera certas dúvidas em relação ao quanto apurada é nova fase da Lana.
nota: 8

6 de julho de 2024

Um Novo Som

Tough
Quavo & Lana Del Rey


Uma das criticas que é meio recorrente na discografia da Lana Del Rey é a estaticidade da sua sonoridade. E nos últimos tempos a mesma vem se arriscando mais e isso vem sendo um acerto. Mesmo que Tough, single em parceria com o rapper Quavo, não seja ótima, mostra que a cantora está disposta a mergulhar em novas águas.

É necessário afirma que a canção não é para todos, pois a sua produção não parece especificamente voltada para o publico de nenhum dos dois artistas. Além disso, faltou um toque especial ao produto final para elevar a canção de boa para ótima. De qualquer forma, Tough é interessante ao ser uma fusão de trap, indie pop e country que funciona devido a essa estranheza ser bem azeitada e não cria um ruido pesado e, sim, um ruido meio cativante, meio inusitado, meio desconcertante. É como se a canção fosse comercial ao extremo na mesma medida que fosse experimental. Acho que com algumas cortadas de postas soltas poderia ser algo genial. E o que dá liga para a canção é a presença da Lana que entrega uma performance com a sua marca, mas cm um verniz deliciosamente quente e despretensioso. Isso se soma com a presença boa do Quavo e a sua química com a cantora, resultando em dois performance que funcionam mesmo não parecendo que não na teria não deveriam. Tough não é umas das melhores canções da Lana, mas a exploração que ela mostra aqui é sensacional. 
nota: 7,5



2 de julho de 2023

Um Presente do Passado

Say Yes To Heaven
Lana Del Rey


A carreira da Lana Del Rey chegou em um ponto que funciona de uma maneira tão peculiar que acredito que se fosse para outra artista não daria certo. Só assim para que uma canção não lançada de 2014 hitasse agora como é o caso de Say Yes To Heaven.

Gravada para Ultraviolence, a canção foi vazada em 2020, mas agora ganhou um lançamento oficial e meio que ofuscando o lançamento de Did You Know That There's a Tunnel Under Ocean Blvd. Tanto que a canção alcançou a 54° da Billboard, ultrapassando a sua última melhor posição em 2019 com o 59° de Doin' Time. Não tenho uma explicação exata para qual o motivo dessa canção ter feito esse sucesso, mas, sinceramente, Say Yes To Heaven é uma boa canção que merece ter sido lançada oficialmente. O grande trufo da canção é o fato da mesma ter uma simples, mas extremamente eficiente emocional composição que consegue manter a persona da Lana intacta com uma atmosfera bem diferente da sua tradicional verborragia. A produção de Rick Nowels é outro acerto ao conseguir ter complexidade instrumental e, ao mesmo tempo, ser uma balada indie pop/ downbeat fácil de deglutir logo na primeira ouvida. Existe uma semelhança sonora com Summertime Sadness, também produzida por Nowels, que ajuda a canção a ter ainda mais apelo. Say Yes To Heaven não é a melhor canção da carreira da Lana, mas é um exemplo perfeito da atemporalidade que a mesma vem construindo na sua carreira.

19 de março de 2023

O Gospel De Acordo Com a Lana Del Rey

The Grants
Lana Del Rey


E com o lançamento de The Grants, a Lana Del Rey entrega uma das suas canções mais ousadas ao adicional uma carga pesada de gospel a sua sonoridade.

Apesar de não ser exatamente original, a decisão de colocar uma dose de gospel é algo que, ao menos para mim, soa completamente surpreendente e tão bem vindo. The Grants se beneficia da presença de Melodye Perry, Pattie Howard, e Shikena Jones, importantes e renomadas backvocais, que não apenas cumprem belíssima os seus papeis ao longo da canção, mas entoam sozinhas o começo inesperado e lindíssimo da canção. E é desde momento em diante que a canção ganha esse contorno gospel que a molda de maneira espetacular para logo fazer a boa transição para algo mais tradicional de Lana: baroque pop/art pop/indie pop. Apesar de muito bem conduzido, essa segunda parte de The Grants perde um pouco da força inicial devido a ser algo que já é realmente esperado da cantora, mas o lindo contraste com o começo, a presença do trio citado e a ótima performance individual de Lana dão a finalização ideal para a canção. O que poderia ter elevado ainda mais o single seria a canção não retornar ao tema recorrente da artista ao relatar uma paixão conturbada por “homem de família” ao usar os mesmos recursos líricos de sempre. De qualquer forma, The Grants é um dos momentos mais surpreendente da carreira da Lana Del Rey desde o seu começo e isso já é dizer muita coisa.
nota: 8

21 de fevereiro de 2023

P&ta e Experimental

A&W
Lana Del Rey


Normalmente, a Lana Del Rey adota a sua famosa postura contemplativa para escrever e entoar as suas composições, mas quando a mesma “parte para o ataque” sempre entrega algo realmente inusitado e interessante. Dessa vez, a cantora adota essa linha na ousada A&W.

Apesar de não ser tão genial como vem sido apontada por muitos fãs, a canção é um ponto fora da curva da sonoridade da cantora que é extremamente bem vinda. Liricamente, A&W é declaração sobre a mesma não ligar para o que pensam dela de maneira ácida, áspera e com uma deliciosa vibe “tô puta” que consegue fundir de maneira orgânica com o sempre toque pretencioso que permeia as composições da Lana. Especialmente o verso “This is the experience of being an American whore” já nasce clássica e um dos melhores momentos da lírica da cantora. Sonoramente, A&W toma uma grande liberdade dentro da sonoridade da cantora ao ser uma extensa mistura refinada de art pop, folk, tri hop e trap. O resultado dá uma oxigenada para a discografia da Lana, mas a produção da mesma ao lado do onipresente Jack Antonoff poderia ser ainda mais ousada ao não dividir em duas partes a canção, começando de forma tradicional para depois incorporar o lado mais experimental. De qualquer forma, A&W é das canções que vão marcar o ano e a carreira da Lana daqui para frente.
nota: 8

9 de dezembro de 2022

Lana Orquestrada

Did you know that there's a tunnel under Ocean Blvd
Lana Del Rey

Depois de um hiato de mais um ano que para os parâmetros atuais da sua carreira é uma eternidade, a Lana Del Rey voltou com o lançamento da ótima Did you know that there's a tunnel under Ocean Blvd.

Novamente, a cantora tem a produção de Jack Antonoff, mas que, felizmente, não se mostra como ponto de discussão da canção, deixando de a sua marca de forma mais palatável. Na verdade, o single que abre os trabalhos do álbum do mesmo nome acerta perfeitamente na construção da instrumentalização que começa como uma simples balada pop para se desdobrar em uma lindíssima e épica balada orquestrada que apresenta um instrumental épico e espetacular na sua parte final. Queria que a canção fosse toda nessa segunda pegada, mas isso não impede da cantora entregar uma música bem acima da sua própria média recente. Liricamente, a canção entre um bom trabalho dentro da personalidade já conhecida da Lana, sabendo como transformar essa mistura de melancólica e pretensão em algo realmente poético. Did you know that there's a tunnel under Ocean Blvd é um começo auspicioso para a nova era da Lana Del Rey.
nota: 8

5 de agosto de 2022

O Casamento (Quase) Perfeito

Buddy’s Rendezvous
Father John Misty & Lana Del Rey


Dono de um dos álbuns mais interessantes do ano, o Father John Misty lançou uma versão das canções em Chloë and the Next 20th Century que faz o todo o sentido existir: um cover oficial de Buddy’s Rendezvous entoado pela Lana Del Rey.

Uma balada melancólica de indie pop/folk, a canção se encaixa perfeitamente com a voz e a persona da Lana de maneira que quase faz a gente pensa que a canção é um original da sua autoria, apesar de um pouco mais pomposo que os lançamentos mais recentes da cantora. Buddy’s Rendezvous é uma delicada, atemporal e sublime balada que apresenta essa melancolia intricada na sonoridade da cantora que é prato cheio para a sua performance sempre tão distinta vocalmente encher os espaços, especialmente na parte final. O problema dessa versão é que apesar de oficial e ter a presença de Father John Misty conduzindo a gravação, a canção não tem um dueto de verdade entre os dois reduzido a backvocal nos versos finais. O contraste entre a duas vozes seriam esplendidos se fosse trabalhado do começo ao fim e elevaria a canção para outro patamar. De qualquer forma, esse casamente quase perfeito é digno de ser realmente elogiado de maneira bastante enfática devido ao que é entregado.
nota: 8


6 de fevereiro de 2022

Lana's Theme

Watercolor Eyes
Lana Del Rey


Apesar de ser umas das cantoras mais proliferas da última década, a Lana Del Rey se envolveu em poucos temas para filmes/séries devido a seu estilo não combinar facilmente com qualquer gênero. Uma exceção é a série Euphoria e é por isso que a canção Watercolor Eyes se casa perfeitamente.

Sem precisar mudar muito a sua sonoridade, Lana entrega uma redonda, delica e melancólica balada indie pop que consegue imprimir a sua personalidade perfeitamente combinando com a atmosfera da série estrelada pela Zendaya. Contemplativa, doce e com uma tristeza tocante, Watercolor Eyes erra na sua composição que não mostra de fato o que a cantora pode entregar, ficando em uma versão pastel e técnica da sua lírica. Todavia, os vocais excepcionais de Lana em seu registro mais agudo deixam bem claro toda a potencia verdadeira. E apesar de não ser o seu trabalho mais inspirado, a canção mostra que com o material certo poderemos ter uma Lana Del Rey vencedora do Oscar no futuro.
nota: 7,5

5 de outubro de 2021

As Idas e Vindas de Lana Del Rey

Arcadia
Lana Del Rey


Nos últimos tempos, os lançamentos da Lana Del Rey se dividem em acertar o alvo na mosca ou serem decepções que, apesar não serem bombas, deixam um gosto estranho na boca. Todavia, quando a cantora entrega momentos como Arcadia ainda dá para entender toda sua força artística como se fosse a primeira vez.

Entrando no top 5 de melhores canções da carreira da cantora, Arcadia é o encontro perfeito de todas as características da cantora, mas com pequenas e excitantes mudanças que ajudam a canção a alcançar outro patamar. O maior trunfo aqui é a avassaladora performance da cantora que sai daquele automático que em vários momentos deixava as canções como se fosse repetições de outras para entregar um momento tecnicamente perfeito e com uma ternura vivida que emociona de maneira orgânica e profunda. Especialmente no genial refrão que é um dos pontos altos da canção e um dos melhores momentos de toda 2021 dá para sentir essa entrega vocal. Outra qualidade de Arcadia é que, apesar de ser basicamente uma balada indie pop a base de piano, a produção dá uma atmosfera cinematográfica para a instrumentalização, terminando como se fosse o ápice de um musical sobre os anos 50/60 sobre os áureos tempos de Hollywood. Não espero que os próximos lançamentos da Lana estejam no mesmo nível que Arcadia, mas espero que de tempos em tempos a cantora possa entregar algo nessa mesma grandiosidade.
nota: 8,5

8 de junho de 2021

3 Por 1 - Lana Del Rey

Blue Banisters
Text Book
Wildflower Wildfire
Lana Del Rey

Nem deixou esfriar o lançamento de Chemtrails over the Country Club, a Lana Del Rey prepara o lançamento do novo álbum intitulado Blue Banisters. E para começar a divulgação foram lançadas três canções de uma vez só. Apesar de serem exatamente o que podemos esperar de canção da cantora, os três trabalham apontam para uma direção diferente que é notado no trabalho anterior.

Em questão de qualidade, as três canções estão equiparadas exatamente no mesmo nível sem ter nenhum grande erro, mas também sem ter um grande acerto. A melhor coisa das canções é o fato de a cantora escolher trabalhar com nomes diferentes para a produção em relação aos dois últimos álbuns. Essa decisão parece que invoca o retorno de uma atmosfera mais parecida com a sonoridade dos primeiros trabalhos. Isso ajuda a dar uma mudada na sua atual sonoridade, mas pode atrapalhar a recepção daqueles que não a curtia nos seus primórdios. Entre as três canções, Wildflower Wildfire é a minha preferida.

Dramática e com uma instrumentalização que consegue mistura bem a base de piano com algo mais substancial na sua parte final, Wildflower Wildfire tem na poderosa performance de Lana a sua maior virtude ao mostrar uma profundida tocante e uma raiva contida ao falar sobre a relação com a sua mãe. Em Text Book, porém, a cantora vira a sua metralhadora de problemas paterno para o seu pai em uma canção sombria, densa e quase fúnebre que tem na força da atmosfera a principal qualidade. Obviamente, o verso “There we were, screamin' "Black Lives Matter" in the crowd” parece feito para provocar do que mostrar a consciência de Lana, mas é inegável a capacidade de construir toda uma composição tão bem amarrada e pessoal como a que Lana apresenta no single. Por fim, Blue Banisters, nome também do próximo álbum, não passa de uma balada indie pop que não acrescenta nada de novo ao panteão da discografia de Lana, mas, felizmente, é ainda é um trabalho definitivamente sólido e perfeito para os fãs dos primeiros trabalhos de Lana, especialmente em Ultraviolence. Após o lançamento do álbum é que será possível ter uma ideia do que a Lana Del Rey pretende com essa nítida mudança de rumos e, principalmente, se vai funcionar como é o esperado.
notas
Blue Banisters: 7
Text Book: 7,5
Wildflower Wildfire: 7,5

30 de maio de 2021

Um Lapso

White Dress
Lana Del Rey


White Dress, terceiro single de Chemtrails over the Country Club, é um verdadeiro lapso dentro da discografia recente da Lana Del Rey. Completamente diferente da maioria das canções lançadas pela cantora, o single deixa claro que uma pitada de pimenta pode elevar todo um material.

A grande qualidade da canção é a performance vocal avassaladora de Lana. Ao trabalha em um registro agudo da sua voz por quase toda a duração da música, a cantora entrega uma performance de uma carga emocional pesadíssima. Essa ousadia é o tipo de toque que Lana precisaria para sempre soar refrescante sem alterar de fato a sua consagrada persona artística. Entretanto, White Dress não funciona apenas devido a presença da cantora, pois a produção acerta ao adicionar um verniz de americana na já sólida sonoridade indie rock/pop. Uma pena que a canção parece como um acerto quase solitário dentro de um amontoado de canções que seguem uma formula preestabelecida.
nota: 8

17 de janeiro de 2021

Novamente, Nada de Novo

Chemtrails Over the Country Club
Lana Del Rey

Consagrada e ovacionada, Lana Del Rey descobriu o seu verdadeiro nicho musical ao ser a musa numero um do indie pop com uma formula muito bem azeitada e orgânica. Por isso, ouvir Chemtrails Over the Country Club é entender perfeitamente todo o hype em cima da cantora e, ao mesmo tempo, questionar ser a mesma não caiu em uma mesmice repetitiva. 

Como sempre, a canção lançada como single do álbum que leva o mesmo nome é uma melancólica e contida indie pop com elementos pesados de indie rock que tem uma qualidade técnica perfeita e imaculada. Apesar de uma produção exemplar da própria Lana ao lado do Jack Antonoff, Chemtrails Over the Country Club peca parecer encaixar em qualquer outro álbum da carreira da cantora. Parece não existir algo dê distinção a canção do que a gente já ouviu várias vezes, mesmo que a canção tenha personalidade de sobra. Uma performance inspirada de Lana emoldura a canção de maneira elegante e com a sua personalidade de garota em eterna contemplação melancólica da vida em estado puro. Uma entrega vocal ótima, mas nada que a gente já não tinha ouvido antes e, em alguns momentos, resultado em uma performance avassaladora. O ponto fraco de Chemtrails Over the Country Club é sua composição esteticamente bem feita e de acordo com a persona da Lana. O problema é que a letra exala um “white people problems” que deixa um gosto levemente amargo ao final. Longe de ser um trabalho ruim, a canção é mais um trabalho da Lana Del Rey em toda sua glória e os seus defeitos. 
nota: 7,5

6 de novembro de 2020

Depois do Paraíso

Let Me Love You Like A Woman
Lana Del Rey


Depois de alcançar um novo e altíssimo pico na sua carreira no ano passado com Norman Fucking Rockwell!, Lana Del Rey irá fazer o seu retorno a música com o lançamento do sétimo álbum. Chemtrails Over the Country Club terá a dura tarefa de manter a qualidade e o hype que envolveu a carreira da cantora no último ano. E a julgar pelo primeiro single, Let Me Love You Like A Woman, a expectativas ainda estão boas, mas bem menos promissoras que se poderia esperar.

Let Me Love You Like A Woman é uma canção padrão de qualidade e construção da Lana Del Rey. Não deve atrair novos fãs, mas afaga aqueles que já a conhecem como artista. Uma balda indie pop com toque vintage de rock que tem na performance distinta e na escrita única de Lana como o seu ponto forte e a sua base. Produzida por Jack Antonoff, a canção é, principalmente, uma amostra nítida da capacidade de compositora de Lana em uma composição profunda, estilosa e com uma melancolia refinada que apenas a cantora é capaz de entregar atualmente. Escolhendo continuar em um caminho mais romântica, Let Me Love You Like A Woman é declaração poética sobre querer que as paredes de quem se ama caiam para que possa ser amada. O problema é que que a canção não vai além do que a gente poderia esperar, deixando pairando a sensação de ouvir mais do mesmo ecoando nos ouvidos. Para aplacar isso, Lana precisa continuar elevando a sua sonoridade para um nível alta para não cair de cara na vala do lugar comum.
nota: 7,5

15 de setembro de 2019

Don't Call Me Destiny

Don't Call Me Angel (Charlie's Angels)
Ariana Grande & Miley Cyrus & Lana Del Rey

O encontro de grandes divas para lançarem uma canção não é mais novidade nenhuma, mas ainda causa bastante burburinho quando feito de forma correta. A mais nova a realizar esse feito é a antecipada e inusitada parceria da Ariana Grande, Miley Cyrus e Lana Del Rey em Don't Call Me Angel (Charlie's Angels), tema do reboot de As Panteras. O problema é que a canção já tinha antes do nascimento uma grande barreira para vencer: a comparação com o tema musical mais famoso da franquia, o clássico moderno Independent Women das Destiny's Child.

Lançada em 2000, Independent Women foi o tema do primeiro filme de As Panteras com a formação com Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore e, também, a canção que consolidou o agora trio Destiny's Child como um dos maiores nomes da música do começa daquela década. Número um na Billboard e sucesso mundial, a canção foi a responsável por começar a criar a persona da Beyoncé perante ao grande público como uma verdadeira diva, pois a mesma é creditada como compositora e produtora da canção. Além disso, a canção é uma ótima, empoderada e marcante mistura de R&Be pop que marcou uma época. Então, Don't Call Me Angel (Charlie's Angels) já surge com essa dificuldade em tentar manter a mesma qualidade e importância que a sua "prima" temática. Em relação ao sucesso é ainda cedo para afirmar alguma coisa, mas em relação a qualidade já pode afirmar que a parceria com três dos nomes femininos mais importantes do pop atual está bem aquém do potencial artísticos das envolvidas, mesmo apresentando algumas coisas boas.

É necessário dizer que para uma canção que uni três artistas tão diferentes, Don't Call Me Angel (Charlie's Angels) é uma canção melhor que o esperado. Entretanto, o single está longe de sustentar tamanhos talentos devido a não saber como equilibrar cada personalidade. O grande problema da canção é que a mesma é, na verdade, uma canção da Ariana Grande que tem duas participações especiais e, por isso, a grande estrela aqui é a dona de Thank You, Next. E o estilo da canção até lembra a sonoridade da cantora, mas com uma aceleração da batida para criar um tem mais adequado para um filme de ação. A produção é até boa já que temos um dance pop bem feito, divertido e comercial que tem certa personalidade. Todavia, a canção não passa de ser apenas bem feito, deixando a desejar quem esperava algo impressionante e original. A maior prejudicada é a Miley Cyrus que faz o que pode com dois versos esquecíveis no meio dos refrões e estrofes cantados pela Ariana. E mesmo também sendo renega a uma estrofe com versos repetidos, Lana impõe o seu estilo e consegue roubar a cena em pouco tempo. Esse momento dá uma visualização do que a canção poderia ter sido se os estilos de cada fosse melhor trabalhados para criar uma canção realmente a altura dos talentos reunidos.
nota: 6,5

8 de julho de 2019

Ao Estilo Lana

Doin' Time
Lana Del Rey

Lana Del Rey conseguiu estabelecer uma personalidade sonora tão forte e bem construída que até mesmo quando é um cover que estamos falando é possível ouvir nitidamente suas as marcas, deixando a canção com a sensação de ser um trabalho original. Esse é o perfeito caso de Doin' Time.

Originalmente lançada pelo trio de ska punk/reggae rock Sublime em 1997, Doin' Time é considerada um clássico moderno que na voz de Lana ganha a sua personalidade sem deixar de lado a sua essência. Com Lana, Doin' Time ganha uma produção mais indie que ajuda a cantora a colocar a sua marca na canção de forma distinta, delicada e respeitosa. Além disso, a composição com sérios toques melancólicos ao lado de toques decolados que combina perfeitamente com a persona já famosa da cantora, parecendo uma canção feita para a própria cantora. Claro, a versão da cantora nunca terá a mesma força da original, mas Lana consegue entregar um trabalho louvável e com todo o seu estilo único.
nota: 7,5

16 de janeiro de 2019

Um Novo Ápice

hope is a dangerous thing for a woman like me to have - but I have it
Lana Del Rey

A primeira aparição da Lana Del Rey aqui no blog foi exatamente em 13 de Novembro de 2011 com o seu primeiro grande sucesso, Video Games. Naquele momento, a cantora se tornaria uma constante no blog, sempre aparecendo com os lançamentos de singles e álbuns. Sempre constante também foi a qualidade das canções apresentadas, transitando sempre o bom até o ótimo. Entretanto, a cantora só teve três momentos que possa ser chamados de geniais: a já citada Video Games, Born to Die e Ride. Essa lista agora chega ao quarto nome com o laçamento da sensacional hope is a dangerous thing for a woman like me to have - but I have it. Só que a nova canção apresenta algo diferente das que fazem parte do panteão da Lana.

Tirando o nome enorme, a canção que faz parte do novo álbum da cantora (Norman Fucking Rockwell) é, sem dúvida, a canção mais intimista e minimalista da sua carreira que consegue, ao mesmo tempo, ser a o trabalho de maior profundidade até da sua carreira. Sempre disposta a abrir o seu coração em composições sempre muito honestas e, certas vezes, desconcertantes, sobre a sua vida de "garota too cool para a escola" e a sua  distinta visão sobre tão peculiar sobre amor, paixão, tristeza e outros sentimentos com a mesma complexidade, Lana, ao lado do produtor Jack Antonoff, entrega uma composição que consegue ser a mais verdadeira, complexa e de uma poética belíssima. Acredito que a maturidade tenha ajudado a cantora, mas é necessário notar que a canção apresenta em seu interior que eleva a qualidade final. E essa característica, ao meu ver, é a naturalidade que a composição se apresenta, mesmo quando a cantora coloca referências "cult" ou constrói versos com sintaxes longas ou com imagens complicadas. Não é para qualquer público, mas hope is a dangerous thing for a woman like me to have - but I have it é um fascinante etocante trabalho sobre auto-conhecimento e empoderamento feminino que mostra que o quanto evoluiu Lana Del Rey. E para melhorar, a produção assinada por Antonoff deixa de lado qualquer pomposidade premeditada e que poderia soar de uma pretensão irritante como a própria cantora já mostrou em alguns momentos da carreira para se concentrar em um minimalismo que fica longe do simplista ao dar um delicado e melódico arranjo a base de piano. Completa o pacote a performance contida e, ao mesmo tempo,  cheia de emoção em um estilo que em vários momentos chega ao um quase falar, mas que deixa brilhar o seu timbre e os seus maneirismos. hope is a dangerous thing for a woman like me to have - but I have it vem para abrir uma possível nova fase na carreira da Lana em que, finalmente, será o momento da sua consagração absoluta. Aguardemos.
nota: 9

14 de setembro de 2018

Algo de Novo no Reino da Del Rey

Mariners Apartment Complex
Lana Del Rey

Gostando ou não, Lana Del Rey fez o que muitos achavam que seria impossível no começou a ganhar destaque perante o público: a consolidação da sua carreira. E mais: ao chegar ao seu quarto álbum com uma gravadora, a cantora conseguiu o mais improvável ao ter o reconhecimento de boa parte da critica especializada, principalmente devido a sua evolução sonora. Ao ser aproximar do lançamento do seu novo álbum, Lana mostra que quer continua a surpreender o público e critica ao divulgar a intrigante Mariners Apartment Complex.

Primeiro single do álbum ainda sem nome, Mariners Apartment Complex é, sem nenhuma dúvida, a canção mais diferentona que abre os trabalhos de um álbum de Lana. Não que seja uma mudança drástica na sonoridade da cantora, pois estamos diante novamente de uma balada indie pop/rock que exala melancolia do começo ao fim. Entretanto, Mariners Apartment Complex tem uma atmosfera bem diferente do que estamos costumados ao ouvir da cantora ao ter uma composição mais afirmativa, empoderada e bem menos depressiva ao mostrar a força do seu amor para quem ela ama. Nada de amores conturbados ou/e perigosos e/ou trágicos e, da maneira de Lana, um amor com uma verdadeira luz de esperança no final. Outra mudança perceptível é a instrumentalização que se despi quase totalmente da grandiosa atmosférica tipica da sonoridade da cantora para entregar uma canção que flerta com o acústico. Mudança interessante, mas que peca pela simplicidade quando poderia ir em um crescente no mesmo estilo de Ride. Lana mantém os seus vocais que transitam entre o cantar e o sussurrar, mostrando que nem tudo parece ter realmente mudando na sua música. Agora é esperar para saber ser essa mudança irá se manter para todo álbum, confirmando esse novo ruma para a Lana Del Rey.
nota: 7,5

21 de abril de 2017

Hype Deperdiçado

Lust for Life (feat. The Weeknd)
Lana Del Rey

Esperar uma grande parceria de dois grandes nomes é, quase sempre, um tempo perdido. Uma grande parte dessas músicas não corresponde a altura o talento dos seus envolvidos. Esse é o caso do dueto da Lana Del Rey e do The Weeknd em Lust for Life.

Lançado como single da cantora, a música marca a quarta união dos dois artistas depois de Prisoner, Stargirl Interlude e Party Monster (mesmo essa segunda não sendo creditada com a participação de Lana).  Só que Lust for Life é a primeira que tem Lana com a artista principal e, não, como participação especial. Isso dá para a canção uma nova dimensão na parceria dos dois, pois a sonoridade aqui é muito mais puxada para um indie pop com alguns toques de indie rock e R&B. Entretanto, a produção parece não querer ir além do previsível ao criar uma batida envolvente e com a personalidade da cantora, mas sem qualquer toque de ousadia ou algo que fizesse a canção poder crescer ao nível da junção dos artistas mais cool da atualidade. Para sorte da canção e nossa também, Lana e Abel entregam performances seguras e de uma química deliciosamente estranha. Claro, Lust for Life não é uma perda de tempo, mas seria melhor se o tempo gastado fosse exatamente no nível do talento envolvido.
nota: 7