31 de março de 2020

Rita Ora, A Cantora

How To Be Lonely
Rita Ora

Sempre que vejo que a Rita Ora lançou uma nova música tomo um grande susto, pois a mesma parece esquecer esse oficio para se dedicar a ser atriz, apresentadora, jurada, pessoa da mídia e modelo. E canções como How To Be Lonely, o seu novo single, não ajuda muito a melhorar essa percepção.

How To Be Lonely é uma balada pop mid-tempo que poderia ser até simpática, mas tem uma produção que resolve exagerar para dar para a canção alguma personalidade. A instrumentalização tem uma batida que fica martelando na cabeça do começo ao fim para explodir no desesperado refrão que parece que vai romper os tímpanos de quem está escutando. Assim também são os vocais de Rita que até prova que tem uma voz potente ao gritar ao plenos pulmões. A boia salva-vidas é a segura composição que apresenta alguns momentos interessantes, mas que não é capaz de fazer a canção ser salva. E a Rita Ora, cantora, continua sendo a faceta menos interessante da artista.
nota: 5,5

Conhecendo Toni

Bad Child
Tones and I

O imenso sucesso de Dance Monkey colocou a jovem australiana Toni Watson diretamente no turbilhão do mainstream pop. E, por isso, a jovem também esteve submetida a negatividade que a exposição traz. No seu caso, a principal fonte de criticas negativas em relação ao seu inusitado timbre vocal que, por muitos, é creditado como irritante ao extremo. Acredito que a canção por si não ajudou em nada a cantora em mostrar melhor o seu potencial, mesmo que as observações sobre a sua voz seja verdadeiras até certo grau. Tones and I se deixa melhor conhecer em Bad Child.

Apesar de beber na mesma fonte da canção anterior, o single apresenta uma finalização melhor e mais personalidade. Não é algo sensacional, mas é um electropop maduro que responde a altura a sua composição. E é aqui que novamente a cantora se destaca ao entregar uma surpreendentemente profunda letra sobre se sentir a ovelha negra da família. Bem escrita e com alguns momentos realmente inspirados, Tones deixa bem claro que é uma artista de talento maior que o público pensa. Pena que o exagero vocal atrapalha devido ao seu timbre anasalado. Em certos momentos, porém, a cantora encontra um equilíbrio que funciona bem. A minha intuição diz que Tones and I é bem mais talentosa que parte do público acredita que a mesma seja. Só é preciso de polir algumas arestas.
nota: 6 

30 de março de 2020

Um Pouco a Mais

Caution
The Killers

O The Killers é uma banda controversa, pois há gente de gosta muito e tem gente que odeia muito. O meu caso é mais para o povo que gosta, mas devo admitir que a banda tem uns erros que fica um pouco difícil de defender como mostra o novo single dele, a falha, mas boa, Caution.

O single, primeiro do próximo álbum deles intitulado Imploding the Mirage, é um clássico do The Killers: uma estilizada indie rock com toques de glam rock. Não há nada de novo sob o Sol, mas Caution peca pelo exagero no volume da instrumentalização, principalmente no seu refrão. Esse problema quase um ruído indesejável ao resultado final, mas que não a transforma em uma canção ruim. Apenas abaixo da qualidade esperada. E, por isso, a canção apresenta algumas qualidades com a ótima composição a sempre confiável performance de Brandon Flowers, mesmo que esse também exagere em alguns momentos. Uma pena de verdade que a canção passe um pouco do limite.
nota: 7

Muito Além do One Hit Wonder

Miner's Canary
Vanessa Carlton

Existem muitos artistas que fizeram apenas um grande sucesso na carreira e depois navegaram para o quase anonimato. Isso não quer dizer, porém, que os mesmos não construíram carreiras sólidas, longevas e com qualidade. Claro, a proporção é em menor escala em relação ao famoso hit. Um ótimo exemplo é a cantora Vanessa Carlton, conhecida pelo hino A Thousand Miles de 2002.

Após ser catapultada ao estrelato e depois "sumir do mapa", a cantora construiu uma carreira bem estruturada com quatro álbuns lançados e boas criticas da impressa especializada. Mais do isso, a cantora cresceu e muito artisticamente, ficando bem longe daquele pop rock a base de piano indolor do seu grande sucesso. E em Miner's Canary, single do seu próximo trabalho, deixa bem claro isso ao ser uma madura, misteriosa e inspirada indie pop que flerta pesadamente com a música clássica. Nada comercial, a canção tem uma elegância melancólica que combina muito bem com metafórica composição sobre ver  seu relacionamento ruir, mas não ter forças para fazer algo. É claro que A Thousand Miles sempre irá ficar na mente como sendo o único grande momento da Vanessa Carlton, mas é preciso saber que a artista é muito mais do que apenas uma canção.
nota: 7,5

27 de março de 2020

Ava Vai?

Kings & Queens
Ava Max

Já se pode considerar a Ava Max como uma one hit wonder ou a cantora ainda tem chances de estourar novamente? Uma pergunta ainda sem resposta, mas pelo menos sonoramente a artista lançou em Kings & Queens o seu trabalho até o momento.

Produzido por Cirkut e RedOne, Kings & Queens é uma dance-pop datada, mas extremamente eficiente ao conseguir se diferenciar das canções lançadas pela cantora até o momento. A batida que possui inspiração em pop rock é o tipo que gruda fácil na cabeça e não saí mais nem com reza brava. O melhor de Kings & Queens é, porém, a boa performance de Ava que se mostra como uma artista com força suficiente para segurar uma canção pop sem maiores problemas. Outra qualidade é a clichê, empoderada e redondinha composição que usa comparações com xadrez para falar sobre o poder da mulher. E o melhor é que tem um refrão certeiro para se entoar aos plenos pulmões. A pergunta que fica: será que Ava Max ainda tem chance de acontecer?
nota: 7,5

Good Vibes

Bittersweet
Lianne La Havas

Em tempos sombrios como o que vivemos é necessário encontrar pequenas ilhas de felicidade e paz para mantermos a nossa saúde mental. Músicas que de alguma forma transmitem sentimentos bons são uma das melhores respostas. A britânica Lianne La Havas é dona de uma dessas canções, a ótima Bittersweet.

Bittersweet não é necessariamente uma canção sobre se sentir exatamente bem, mas a sua construção sonora ajuda a passar uma sensação de quietude antes do vendaval. Falando sobre renascer após o fim de um relacionamento, Lianne entrega uma ótima e envolvente balada soul/R&B que vai crescendo até o seu clímax poderoso. Refinada do começo ao fim, Bittersweet é o tipo de canção perfeita para ouvir em uma noite com uma taça de vinho na mão enquanto dança pela casa. E a performance avassaladora de Lianne em uma tour de force é a cereja em cima do bolo. No final das contas, Bittersweet é o tipo de canção que faz a gente se sentir bem sem precisar de muito e, por isso, é o que estamos precisando atualmente.
nota: 8

25 de março de 2020

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Creep
Radiohead

Não tenho nenhuma vergonha de admitir que conheci a canção Creep do Radiohead através de apresentações em reality shows musicais. E só depois de muito tempo que fui ouvir a versão original. Queridos leitores, mesmo com ótimas apresentações da canção de vários cantores em diferentes versões, o original de 1992 ainda é uma das melhores e mais importantes canções do rock alternativo de todos os tempos.

Creep tem uma importância ímpar para a carreira do Radiohead. Além de ser literalmente o primeiro single lançado pela banda em 21 de Setembro de 1992, a canção se tornou uma das assinaturas da banda e single de maior sucesso deles até hoje. E por causa desse imenso sucesso, a banda tem uma relação de amor e ódio pela canção, apresentando a mesma poucas vezes durantes as turnês ao longo dos anos. Isso não tira, porém, a importância e grandiosidade de Creep que mostrou o seu potencial da banda mesmo antes deles mesmos realmente mostrarem. Curioso também que a canção não foi tão bem recebida pela critica na época do seu lançamento devido a soar muito depressiva. Ao longo dos anos, a critica começou a levar a canção seu legitimo posto de uma das melhores canções de todos os tempos. 

Creep é uma das rainhas mãe das canções estranhas. E isso está bem longe de ser uma qualidade negativa. Na verdade, toda a sua aparente estranheza é uma das suas bases principais, pois consegue fazer da mesma um trabalho tão único. Ao mesmo tempo que a canção tem uma melodia melancólica e sombria, Creep também tem a presença extremamente poderosa de uma guitarra que parece que vai sair dos autofalantes e dar na nossa cara. Entretanto, essa produção é exatamente perfeita para conseguir carregar a densa, profunda, minimalista e genial composição sobre se sentir socialmente excluído devido a problemas de auto-estima e timidez. Creep é na verdade sobre as experiências do vocalista Thom Yorke sobre a sua incapacidade de chegar em mulheres durante a sua juventude. Apesar de parecer problemática, Creep é mais sobre os sentimentos do que sobre atos em si, explicitando toda uma geração de jovens que ainda encontram ressonância até hoje. E se não bastasse a sua orça temática, Creep entrega uma das letras mais reconhecíveis e impressionante de todos os tempos com um refrão simplesmente genial que consegue expressar muito com apenas algumas palavras:

But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doing here?
I don't belong here

E a performance tour de force de Thom já deixava bem claro a sua posição como uma das maiores vozes do rock moderno. Para você que ainda não conhece a canção ou mesmo tenha ouvido apenas algum cover nunca é tarde para descobrir um marco atemporal para a história da música.
nota: 10

23 de março de 2020

Águas Nunca Antes Navegadas

Describe
Perfume Genius

Resolvi esse ano dar mais atenção para artistas que normalmente não teriam espaço aqui no blog, pois acredito que precisamos sempre expandir os nossos horizontes para conseguir evoluir. E um desses artistas é o Mike Hadreas, mais conhecido como Perfume Genius, que está preparando o lançamento do seu quinto álbum (Set My Heart on Fire Immediately) e tem como single a interessante Describe.

Nunca tinha ouvido qualquer música de Perfume Genius, mesmo que já tivesse ouvido falar do mesmo aqui e ali. Então, não posso comparar com nada que o mesmo já lançou a sombria e densa Describe. E por isso, acredito eu, a experiência de ouvir a faixa foi tão interessante para mim. Com menos de três minutos, a canção consegue gerar um impacto marcante devido a sua produção adulta, misturando indie rock com post-grunge e algum toque de pop em uma balada fria, dura e sombria. E, ao mesmo tempo, Describe tem um refinamento delicado que ajuda a canção a azeitar o resultado final. O single é o tipo de canção que vai entrando embaixo da pele de maneira levemente desconcertante, mas que logo encontra o seu lugar na nossa cabeça. A performance low profile de Perfume Genius em um pouco mais de um sussurro falado que vai aumentando ao longo da canção é outro fator que agrega para Describe terminar como um trabalho estranhamente convidativo. Não acho a composição especialmente excepcional. Todavia, a forma como Perfume a entoa ajuda a mesma a ganhar força e relevância. Provavelmente, essa sensação de estranheza é devido a entrar de cabeça nesse desconhecido. É uma sensação que vai crescendo e ficando boa aos poucos, aumentando a vontade de querer ainda mais.
nota: 8

New Faces Apresenta: Jessie Reyez

LOVE IN THE DARK
Jessie Reyez

Aparecendo aqui e ali em parcerias com vários artistas, a canadense Jessie Reyez está se preparando para o lançamento do seu primeiro álbum. Obviamente, a cantora precisa mostrar para o que veio e, não, entregar um produto meio "cozido" como é o single LOVE IN THE DARK.

LOVE IN THE DARK é uma balada R&B/pop com base que deixa bem claro que a cantora é capaz de segurar uma canção com uma grandiosidade vocal mais complexa e com seu timbre diferente. Isso é algo muito bom, pois ajuda Jessie a se destacar perante as concorrentes. Entretanto, a canção não mostra em nada para o que a mesma veio artisticamente já que, no final das contas, LOVE IN THE DARK é apenas uma balada pop/R&B sem nenhuma grande novidade. Não quer dizer, porém, que a canção seja ruim, mas está longe de ser realmente trabalho inesquecível. E para um artista que está começando não é um bom cartão de visita.
nota: 7

21 de março de 2020

Fada Disco

Spotlight
Jessie Ware

É oficial: o pop é disco. Já são vários exemplos de lançamentos pop que estão se usando pesadamente de influências disco para construir essa nova era e o mais novo exemplo é da fada britânica Jessie Ware que lançou a excepcional Spotlight.

A canção é dona da melhor e principal qualidade que a cantora sempre apresentou: elegância. Spotlight é uma elegante, refinada, sensual, suave e dançante nu-disco/pop que parece nos abraçar em um toque de veludo. Desde o seu começo quase com uma balada até os seus momentos finais em que a batida está em plena forma, a canção constrói um trabalho extramente eficiente e que vai contagiando aos pouco, mas sempre constante e em acensão. A canção é até o momento a que melhor conseguiu atualizar a disco sem perder o ar moderno, mesmo não sendo a mais comercial de todas. E isso é arrematado pela performance de derreter manteiga congelada de Jessie declamando uma composição simples, inteligente e envolvente que parece ter saído direto de um sucesso dos anos setenta com algumas alterações. Espero que todos os lançamentos nessa mesma pegada tenha a mesma qualidade de Spotlight. Acho meio difícil, mas sonhar não paga nada.
nota: 8

A Única Corona Possível

RITMO (Bad Boys For Life)
Black Eyed Peas & J Balvin

Não é novidade para ninguém o uso de samples para construir uma outra música, mas é pouco usual que um sample seja a melhor coisa de uma canção. E mais: é ainda mais raro o mesmo ser o responsável por salvar a canção. Esse é caso de RITMO (Bad Boys For Life).

Parceria do Black Eyed Peas com o J Balvin, RITMO (Bad Boys For Life), tema do filme Bad Boys For Life, usa pesadamente a base de uma amada canção eurodance dos anos noventa: The Rhythm of the Night. Sucesso da banda Corona, a única possível atualmente, que tem uma brasileira como vocalista, a canção dá uma boa melhorada no que poderia ser apenas uma fraca reggaeton/hip hop ao adicionar uma dose cavalar de personalidade para a canção, casando perfeitamente com o ritmo escolhido. Além disso, a performance de J Balvin é melhor do que esperado, ofuscando todo o Black Eyed Peas. Todavia, RITMO (Bad Boys For Life) não seria possível ser passável sem a presença de The Rhythm of the Night. E isso é o que importa no final das contas.
nota: 6

19 de março de 2020

Uma Situação Complexa

Say So
Doja Cat

Fiquei muito em dúvida em se deveria fazer a resenha de Say So da nova promessa da música estadunidense Doja Cat devido a, infelizmente, fatores externos. Um relacionado a própria música e outro relacionado a artista.

Primeiramente, Doja Cat usou expressões homofóbicas no Twitter e mesmo depois de ser "chamada a atenção" continuou a defender a sua atitude minimizando-a. Só depois de uma grande repercussão negativa que a mesma realmente se desculpou. Em segundo e, para mim, o mais importante, Say So foi co-escrita e produzida por Lukasz Gottwald que é, na verdade, o Dr. Luke usando um novo nome artístico (TYSON TRAX). E para quem sabe sobre o histórico pessoal do produtor não é algo para ser esquecido. Depois de pensar muito decide resenhar a canção, pois, ao que parece, Say So parece ser o próximo grande sleeper hit do ano e, apesar dos problemas, a canção por si é um trabalho realmente muito bom.

Comprovando o que já tinha notado, Say So é fortemente influenciado pela nova onda do pop: a disco. Dessa vez, porém, não é apenas influência, mas, sim, a base quase toda da canção que adiciona pop e rap para dar uma liga mais atual. E devo admitir que a produção consegue criar uma batida excelente, carismática e comercial sem deixar de lado sua personalidade. A grande estrela da canção, porém, é a presença Doja Cat que consegue equilibrar muito bem o lado cantora com a rapper, lembrando uma versão mais delicada da Nicki Minaj. O único problema técnico que tenho com a canção é a sua composição que entrega um refrão bom, mas um pouco longo para um hit pop, e os versos cantados e em rap que parecem não se falarem tematicamente. Uma pena, porém, que ao menos para mim Say So vai ficar marcada por motivos que fogem da sua qualidade.
nota: 7,5

Esquecidas Por Mim no Churrasco

Now I'm In It
Haim

Nem sempre consigo trazer aqui para o blog todos os artistas que gostaria de fazer uma resenha devido a vários fatores como, por exemplo, falta de tempo ou até mesmo esquecimento. Felizmente, um desses artistas que finalmente irei falar hoje é sobre a banda Haim. Formanda por três irmãs, a banda vem construindo uma carreira sólida desde o lançamento do primeiro álbum em 2013. E em 2020, a banda irá lançar o terceiro álbum (Women in Music Pt. III) e como single foi lançado a canção Now I'm In It.

Estranha, nada comercial e com uma produção que vai adicionando nuances que não funcionariam em outra, Now I'm In It é o tipo de canção pop para aqueles que estão cansados do atual pop. Funcionando mais como uma pop rock com adição de electropop com fortíssima influência dos anos oitenta, a produção capitaneada pelo experiente Ariel Rechtshaid não é o o "cup of tea" de qualquer um, mas acerta na atmosfera única e descolada. E esse é o charme da canção ao não parecer com nada ouvido atualmente e, ao mesmo tempo, soar familiar em uma linha tênue bem traçada. A composição sobre enfrentar o desejo, especialmente no seu rápido e certeiro refrão funciona bem. Todavia, o resultado geral poderia ser mais marcante ao explorar melhor as possibilidades líricas que o tema possibilita. De qualquer forma, espero não esquecer novamente o Haim, pois o trio é merece ser reconhecido.
nota: 7,5

18 de março de 2020

Sorry Not Sorry

I Love Me
Demi Lovato

É compreensível e louvável que o atual momento da carreira da Demi Lovato seja para expiar as suas dores e sentimentos que acumulou nos últimos tempos. Entretanto, o problema é que sonoramente ainda não teve um acerto. Depois da mediana Anyone, a cantora lançou a também mediana I Love Me.

A melhor qualidade da canção é sem dúvida a sua composição. Inteligente, ácida e ao mesmo tempo pessoal em relação ao que a Demi passou na sua vida. Relativamente parecida com Piece of Me da Britney Spears, I Love Me tem uma mensagem que serve para um público bem maior que se pode ver claramente nas palavras da cantora. Uma pena, porém, que a produção a seis mãos não é capaz de entregar uma canção a altura da composição. Misturando de forma estranha pop com R&B, I Love Me não chega a ser irritante, mas a sua batida trava um boa batalha para conquistar essa condição. E nem mesmo a Demi consegui dar liga na canção, mesmo com uma boa performance. A intenção é ótima, mas o resultado é bem mais ou menos.
nota: 6

Dear Katy

Never Worn White
Katy Perry

Vivendo ainda um momento tenso na sua carreira, Katy Perry está no seu melhor momento pessoal depois de anunciar a gravidez do seu primeiro filho. E a escolha para isso foi o lançamento da canção Never Worn White.

Apesar de ser mais reconhecida pelas suas canções "animadinhas", Katy Perry sempre se deu bem com baladas. E Never Worn White é outro bom exemplo desse talento. Uma balada pop a base de piano bem construída sem precisar reinventar a roda, a canção tem uma delicadeza que combina com o atual momento da cantora. Liricamente, a canção é uma das mais românticas da carreira da Katy ao ser uma brega e fofa declaração de amor incondicional para o Orlando Bloom. Com uma performance simples e contida, Katy entrega uma canção inofensiva para sua carreira e de uma importância ímpar para a sua vida pessoa. E, querida Katy, espero que todo caminhe bem nessa nova jornada.
nota: 7

16 de março de 2020

New Faces Apresenta: Rina Sawayama

Comme des Garçons (Like The Boys)
Comme Des Garçons (Like the Boys) [Brabo Remix] (feat.  Pabllo Vittar)
Rina Sawayama

Existe uma procura eterna para saber quem será o próximo grande nome da música que parece que está cada vez seguindo o ritmo das redes sociais/meios de comunicação que, infelizmente, fica quase impossível a gente acompanhar com alguma atenção. E é por isso que muitos bons nomes que não necessariamente se tornam esse próximo grande nome são facilmente deixados de lados. Felizmente, esse não será o caso da ótima Rina Sawayama.

Nascida no Japão, mas criada desde os cinco anos na Inglaterra, Rina Sawayama vem conquistando fãs com o seu indie pop/electropop/alternativo nos últimos quatro anos. Sem ainda lançar um álbum oficial, a cantora prepara o seu aguardado debut ainda para esse ano e já lançou o primeiro single: a interessante Comme Des Garçons (Like the Boys). E, queridos leitores, o hype em torno da cantora pode ser entendido com essa canção, pois o single é uma fascinante explosão bem pensada de gêneros para criar uma obra única e espetacular. Misturando electropop com disco, funk, house e uma dose generosa dos anos '90, Rian é capaz de produzir um trabalho que consegue soar vintage e moderno ao mesmo tempo. Divertido e comercial no mesmo nível que tem o seu lado artístico sem perder integridade. Redondinha como uma canção pop deve ser, mas com deliciosas nuances de algo mais complexo. Comme des Garçons (Like The Boys) se torna até o momento uma das melhores canções pop de 2020. Com uma composição empoderada sobre ter a confiança de um homem para poder enfrentar os problemas do dia-a-dia, Rina Sawayama entrega uma performance versátil e com nuances interessantes que devem fazer diferença em um álbum. Uma versão remix menos inspirada foi lançada com a participação da Pabllo Vittar. Mudando a produção para uma pegada bem mais eletrônica, a versão poderia ter se aproveitado mais da Pabllo, mas, felizmente, termina sendo um bom remix que não atrapalha a percepção da versão original. E não altera principalmente o hype que Rina Sawayama criou para o lançamento do seu álbum.
notas
Versão Original: 8
Versão Remix: 7

Pioneiras

Gaslighter
Dixie Chicks

Bem antes dessa onda de empoderamento feminino entrar em pauta e ganhar importância na música, o trio feminino de country Dixie Chicks já tinham usado suas vozes para falarem de assuntos de importância. Em 2003, o grupo se manifestou publicamente contra a invasão do Iraque pelos Estados Unidos e também contra o então presidente George W. Bush. A banda enfrentou uma onda de protestos, boicotes e ataques públicos fortíssimos que fizeram a carreira das jovens dar uma boa balançada. Entretanto, três anos mais tarde a banda fez seu retorno triunfal com o álbum Taking the Long Way que faturou cinco Grammys, incluindo o de Álbum do Ano. Ajudou também a percepção que a invasão ao Iraque foi através de falsos pretextos. Após o álbum, a banda entrou em um semi hiato, pois continuaram a fazer algumas turnês e lançar algumas canções para filmes e outros trabalhos. Eis que chega 2020 e a banda prepara o lançamento de um novo álbum depois de quatorze anos. E como primeiro single foi lançada a inspirada Gaslighter.

Gaslighter, termo que designa "forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade", é uma canção moderna e com uma urgência que ajuda o Dixie Chicks a atualizar a sua importância em uma época em que parece que todos tem uma mensagem para expor, mas que poucos realmente apresentam alguma coisa relevante. E o mais interessante que a canção mantem uma das características básicas do country: o saber contar uma história. A canção narra a relação abusiva de um homem que usa dessa "técnica" de gaslighter, mas que a mulher conseguiu perceber todas as mentiras e o relacionamento abusivo e está pronta para confrontar o agora ex. Gaslighter também ajuda a modernizar a sonoridade da banda ao ser um country pop/power pop produzido de forma refinada por Jack Antonoff. Com um refrão marcante, a canção é tipo de trabalho que vai conquistando aos poucos a cada nova escutada. Isso dá uma certa ofuscada no resultado final, mas é recompensado para aqueles que insistem um pouco mais. E quem tiver essa paciência estará diante de uma verdadeira pérola em vários sentidos.
nota: 8

15 de março de 2020

A Bela Tristeza

Garden Song
Phoebe Bridgers

Acredito que já tenha discutido esse tema algumas vezes aqui no blog, mas nunca é demais repetir: músicas são feita para expressar sentimentos dos artistas e de quem as escuta. Apesar de vivermos em uma época que parece que as pessoas estão em uma constante tentativa de parecer ser felizes através das redes sociais é imprescindível a gente se poder deixar sentir alguns sentimentos não tão bons como, por exemplo, a tristeza e a melancolia. Isso serve para poder entender e extravasar o que realmente estamos sentido. E nada melhor que uma boa música para nos conectar com esses sentimentos como é o caso da bela Garden Song da cantora Phoebe Bridgers.

Apesar de ter apenas vinte e cinco anos, Phoebe Bridgers já é considerada como uma verdadeira força no meio indie, recebendo aclamação critica do seu primeiro álbum, Stranger in the Alps de 2017. Preparando o seu segundo álbum, a cantora lançou a melancólica Garden Song, mas não espere, porém, uma canção que seja facilmente emocionante. Dona de uma voz delicada e com um timbre angelical, a cantora entrega uma performance sutil que, em uma "ouvida" superficial. parece emanar uma felicidade contida. Todavia, a mesma escode uma coleção de sentimentos bem mais complexa que consegue exprimir o sentido profundo da sua composição. Garden Song é sobre a dor de crescer e deixar o que já conhecemos na nossa juventude para trás, sendo as coisas boas e as ruins. É um processo natural que todos passam, mas é visto de uma maneira adulta, crua e desconcertantemente honesta por Phoebe que exprime de maneira única todos esse sentimento tão comum e, ao mesmo tempo, tão complicado. Sem recorrer a um produção que facilmente poderia gerar lágrimas, Phoebe Bridgers faz de Garden Song uma simpática e doce indie rock que soa como o mar calmo antes da tempestade. É triste, mas é de certa forma reconfortante poder ser capaz de sentir emoções tão importantes em apenas três minutos e quarenta segundos. 
nota: 8,5 

Fofinho

The Other Side
SZA & Justin Timberlake

Para quem não se lembra, um dos maiores sucesso da carreira do Justin Timberlake foi o hit Can't Stop the Feeling. Além do imenso sucesso e ser número um em diversos países, a canção ainda rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Canção devido a ser tema da animação Trolls. Quatro anos mais tarde, JT volta para apresentar o novo tema do filme com a fofa The Other Side. Dessa vez, o cantor divide o holofote com a ótima SZA.

Na verdade, a canção soa mais como com SZA featuring o Justin Timberlake do que um dueto de verdade. E isso não é nenhum problema, pois ajuda a colocar mais holofotes bem brilhantes sobre o talento que ainda precisa ser melhor descoberto da cantora por parte do público. E The Other Side é um bom veículo já que mostra um lado mais pop e comercial da cantora, mesmo que a sua performance soe um pouco deslocada. Não ajuda muito a presença tímida de Justin que não faz muito para dar liga com a sua parceria. O bom da canção é a sua produção que cria um inofensivo, dançante e redondinho dance-pop com toques de R&B que combina bem com intenção de ser um possível hit comercial para adultos e, claro, para fazer crianças se balançarem nas salas de cinema. E, ás vezes, é isso que a gente precisa para criar uma boa canção pop.
nota: 7

12 de março de 2020

2 Por 1 - Harry Styles

Adore You
Falling
Harry Styles

É um fato incontestável que o maior nome masculino do pop é o Harry Styles. E a maneira como o artista alcançou esse posto é não dar bola para o que se espera de um astro pop ao seguir um caminho completamente seu. A prova está bem clara nos últimos dois sigles lançado do álbum Fine Line: Adore You e Falling.

Adore You, lançada no finalzinho do ano passado, é uma das canções que melhor exprime a estética do cantor na sua carreira. Uma mistura elegante, estilosa e interessante de pop soul com indie rock que funciona ao mesmo tempo como uma perfeita canção pop comercial e um trabalho artístico orgânico. Uma conquista bem difícil de alcançar, mas a produção entrega de forma natural para que Harry possa dominar a canção com o seu carisma encantador. Mais conservadora, mas não menos eficiente, está a tocante balada pop/ pop soul Falling. A canção é a que pode ser a que se parece mais com os tempos de One Direction, mas é a canção que a boy band nunca gravou devido a sua maturidade. O single, na verdade, é um perfeito veículo para Harry mostrar os seus vocais e deixar bem claro que possui versatilidade. O problema em ambas as canções é que as composições, apesar de boas, ainda soam superficiais e longe do potencial do artista como melhor explicado na resenha de Fine Line. E se mesmo assim, Harry Styles já alcançou esse status dentro do pop imagina quando o mesmo "consertar" esse erro?
notas
Adore You: 8
Falling: 8

The Slow Rush

Roses (feat. Nile Rodgers)
Adam Lambert

Apesar de não ter virado um ídolo mundial, o Adam Lambert conseguiu construir uma carreira extremamente sólida após o American Idol. E uma característica da sua carreira é o fato de estar sempre ligado a grandes lendas como o Queen, a Cher e o guitarrista Nile Rodgers. Com esse último, Adam lançou recentemente o bom single Roses.

Seguindo uma tendência que parece ser a nova "era" no pop, Roses é uma vintage e refinada dance-pop com fortes influências disco. Na verdade, a canção de Adam é a que apresenta mais forte essa influência devido a presença da guitarra marcante de Nile Rodgers. A produção poderia ter mergulhado mais no gênero, pois Roses parece quer soar "too cool for school" ao entregar uma instrumentalização sem grandes momentos sonoros. Isso é reparada pela boa produção, a sexy e aveludada performance de Adam e uma composição poderia muito bem ser de algum sucesso dos anos setenta. E a pergunta que não quer calar: seria 2020 o ano da disco?
nota: 7,5

6 de março de 2020

As 100 Melhores Músicas Que Você Não Deve Conhecer

Nem de boas canções que vive a história da música. Na verdade, a quantidade de canções ruins que de alguma forma têm algum tipo de importância para a música é imenso. E, por algum motivo, os anos noventa foram um verdadeiro celeiro desse tipo de canção já que a década foi um caldeirão confuso de novas tendências encontrando tendências já consagradas. E, infelizmente, nem sempre o resultado foi algo como o Nirvana ou a ascensão do R&B. Hoje irei falar sobre uma canção que nasceu bem no começo da década e que poder ser considerada como....




4 de março de 2020

Plano B

Feel Me
Selena Gomez

Ao que parece, a Selena Gomez já entendeu que o álbum Rare flopou. Mesmo com um single número um nas paradas e boas criticas, o álbum está com vendagens bem baixas e pouca repercussão com o público em geral. E, provavelmente, por causa disso que a cantora lançou o single Feel Me, canção que não faz parte do álbum em uma tentativa de criar um plano b. E não há mal nenhum nisso.

Feel Me é basicamente melhor que quase todo o álbum recém lançada, mas ainda é um trabalho com algumas falhas. A grande qualidade da canção é colocar cor e vida na sonoridade de Selena ao ser um trabalho electropop mais tradicional, mas sem esquecer, porém, a personalidade mais contida que a cantora construiu nos últimos tempos. Não é sensacional, mas a batida tem um carisma que poderia ser melhor trabalhado com o aparo de algumas arestas. Além disso, Selena poderia colocar nuances na sua performance para conseguir dar mais personalidade para a canção, mesmo que tenha encontrado um estilo de performance só seu. Não acho que Feel Me será a redenção da Selena, mas mostra que a artista está disposta a evoluir e corrigir seus erros.
nota: 7

Quase Ed

No Judgement
Niall Horan

Apesar de ser o ex-1D que menos fez barulho na sua carreira solo, Niall Horan vem construindo uma carreira sólida e já se prepara para lançar o segundo álbum. O único problema é que o cantor parece querer ser uma versão light do Ed Sheeran.

Quando ouvi pela primeira vez No Judgement pensei que a canção teria de alguma forma a presença do Ed Sheeran, mas esse não é caso. A canção é apenas uma "cópia" intencional do pop fácil e rápido de Ed sem a parte mais importante: o carisma. Niall é um vocalista esforçado, mas que não adiciona quase nada de personalidade para a canção. Bem intencionada, No Judgement tem uma composição fofa, rasa e com um refrão bem meia boca. A canção só não é realmente ruim devido a uma produção bem feita que ajuda a elevar um pouco o resultado final. Todavia, quem nasceu para Niall deveria encontrar o seu caminho.
nota: 6

1 de março de 2020

Grandão

After Hours
The Weeknd

Desde que começou a sua carreira, o The Weeknd sempre mostrou que era capaz de elevar o R&B em uma patamar bem diferente que o público está acostumado. Nos últimos tempos, porém, o mesmo precisou dar uma "suavizada" para encaixar o seu lado mais autoral dentro de uma sonoridade comercial. Devido a isso, o cantor lançar After Hours como single promocional do álbum que leva o mesmo nome é um presente para aqueles que estavam sentido falta do velho The Weeknd.

After Hours é grande em todos os sentidos. Com um pouco mais de seis de minutos, a canção é uma grandiosamente contida R&B com dance-pop/alternativo que funciona do começo ao fim. Mesmo que a sua longa duração seja sentida, After Hours compensa com uma excepcional produção que linga duas partes aparentemente distante em uma coesa e complexa instrumentalização que sabe muito bem misturar uma pegada sombria com uma melancolia que o The Weeknd sempre soube entregar de forma madura. Com uma performance sólida e sentimental na medida certa, The Weeknd escreve uma composição simples, mas com uma chuva de sentimentos que consegue fazer a gente até acreditar que o cantor é um "coitado" ao admitir a sua culpa em um fim de relacionamento e pedir uma nova chance. Agora é esperar para saber se o novo álbum irá seguir esse caminho ou a canção foi apenas um lapso artístico.
nota: 8

Sassy Carly

Let's Be Friends
Carly Rae Jepsen

É louvável que, apesar de desempenho comercial ruim, a Carly Rae Jepsen continua a fazer pop de qualidade e, principalmente, com a sua marca bem definida. E é por isso que dá uma estranhada ouvir Let's Be Friends.

Normalmente, a cantora entrega uma canção que transita entre o fofo e o romântico de forma madura e inteligente, mas Let's Be Friends é quase uma anti canção romântica ao ser sobre dar um pê na bunda em alguém depois de realizar que a pessoa é meio idiota. Divertida e irônica, a canção também muda a sua estética para uma sonoridade pop parecida com ouvida no começo dos anos dois mil por artistas teen. O resultado é bem legal, apesar de não alcançar a mesma força que os trabalhos anteriores da cantora conseguiram. De qualquer forma, é bom ver essa versão "safadinha" da Carly.
nota: 7

Indolor

Know Your Worth
Khalid & Disclosure

Dois nomes de sucesso e talento como o Khalid e o duo Disclosure poderiam ser donos de grandes músicas, mas, infelizmente, o resultado mais uma vez é apenas mediano com o lançamento de Know Your Worth.

A canção não apresenta nenhum pingo de personalidade verdadeira, parecendo mais como um esqueleto de um trabalho que foi feito pela parceria. Não é um trabalho ruim, mas é apático e com uma batida nada interessante. A produção do Disclosure parece ter sido feito no automático ou que Know Your Worth é uma bônus track que por alguma razão virou um single. Além disso, Khalid entrega uma performance tão morna que a canção não consegue empolgar nem com ajuda da boa composição. Complicado ver dois talentos envolvidos em canção tão mais ou menos.
nota: 6