30 de agosto de 2022

Stripped

Phantom
Rina Sawayama

Continuando a sua divulgação do álbum Hold the Girl que será lançado no começo de Setembro, a Rina Sawayama lançou a linda e tocante Phantom que parece ter saído diretamente do começo dos anos dois mil.

Uma power balada pop sobre autoconhecimento, amor próprio e curar as feridas da juventude, a canção poderia facilmente ser uma das faixas do Stripped da Christina Aguilera ao lado de The Voice Within e Beautiful. Existe essa áurea que facilmente encaixa a canções na sonoridade dessa época da Aguilera, mas, felizmente, a produção coloca quebras de expectativas suficiente para dar um verniz moderno e com a personalidade de Rina. Entretanto, o principal motivo para Phantom ser uma balada pop tão eficiente é a espetacular performance da cantora que consegue entregar força, vulnerabilidade e emoção em canção que poderia facilmente cair em um lugar comum ou em exageros pretenciosos. Como possível último single antes do lançamento do álbum, Phantom é o fechamento perfeito para essa era que realmente deixou as expectativas bem altas.
nota: 8

Fofo Dançante

Happiness
The 1975


O lançamento de Being Funny in a Foreign Language parece que vai marcar a transição da sonoridade do The 1975 ou um ponto fora da curva como deixa claro a carismática Happiness.

Segundo single do álbum, a canção é uma fofíssima, leve, dançante e climática mistura de synth-pop, funk e pop rock que mostra um lado menos pomposo da banda para dar lugar a versão despretensiosa. Apesar de não um trabalho memorável, Happiness tem personalidade suficiente para se destacar dentro da discografia da banda, especialmente devido a sua sensacional instrumentalização que alcança o ápice na parte final em que tem espaço para brilhar sozinha. E aqui está o único problema da canção é a sua boa, mas levemente pasteurizada composição que não entrega o suficiente para poder estar altura da ótima produção. Isso não impede que Happiness seja uma canção que faça a gente ficar realmente feliz.
nota: 8


Undercooked

boy
The Killers


Acredito que o The Killers tenha entrada na maturidade artística definitiva, pois a banda vem entregado nos últimos tempos acerto atrás de acerto que mostra um caminho bem definido para sonoridade. E mesmo quando existe um erro como em boy é possível notar essa característica.

Apesar de não ser anunciado como single de um novo álbum, boy é uma canção que poderia facilmente entrar nessa nova fase devido a excepcional produção que cria uma batida atemporal e, ao mesmo tempo, muito bem definida dentro das linhas da sonoridade do The Killers. Uma linda e contemplativa new wave/synth-pop/indie rock, a canção tem uma grandiosidade envolvente que os melhores momentos da carreira da banda sempre apresentaram, mas corta exageros para deixar o resultado redondo e certeiro. Liricamente, a canção é uma tocante reflexão sobre o coming of age, ou seja, o período de transição entre a infância/adolescência para a fase adulta com verborragia típica e bem azeita da banda. O problema de boy é a produção vocal esconde a distinta e única voz de Brandon Flowers em um efeito que “abafa” demais a performance do cantor, deixando a canção menos inspirada que poderia ser a presença do vocalista em total gloria. De qualquer forma, a canção é uma outra prova da evolução definitiva do The Killers e isso já basta para ser ouvida.
nota: 7,5

Um Novo Tema Para Charli XCX

Hot Girl 
Charli XCX


Apesar de esquecido devido a espetacular construção da carreira, o primeiro grande sucesso solo da Charli XCX foi a canção Boom Clap de 2014 para o filme A Culpa é das Estrelas. E é por isso que Hot Girl faz o total sentido.

Tema do filme Bodies Bodies Bodies, um slasher/mistério/comédia, é uma canção que parece saída de uma das mixtapes/EPs da Charli ao ser uma hyperpop/EDM estilizada e que apenas a cantora é capaz de fazer de maneira a ser ouvida por um público maior. O problema é que a canção soa mais como um bom filler do que uma canção solo, funcionando melhor dentro do contexto de um trabalho maior. Tirando isso de lado, Hot Girl é tão estilizada e provavelmente deve se encaixar com o clima geral do filme que torna a canção um trabalho que merece ser escutado, mesmo que seja para odiar.
nota: 7,5

Fofetrônico

Everything Goes On
Porter Robinson

Provavelmente, o Porter Robinson é o melhor DJ/produtor de musica eletrônica em atividade como fica claro na ótima Everything Goes On.

Usada em um evento do game League of Legends, a canção retira inspiração do anime Madoka Magica para criar uma balada mid-tempo eletrônica que posso apenas intitular como fofetrônico. E acredito que essa seja uma das melhores características de Porter: adicionar uma carga imensa de emoção genuína em um gênero que normalmente quer ser mais estético que substancial. Outro ponto positivo é o fato do DJ cantar na faixa e, ao contrário de vários do seus contemporâneos, a voz de Porter é bastante aceitável e agradável de escutar, sabendo dosar os efeitos para servirem de apoio e não ser a base central da performance. Everything Goes On apresenta um cuidado tocante com a construção da melodia e batida que demonstra que até mesmo em canções “encomendadas” é fácil perceber toda a capacidade e personalidade de Porter Robinson.
nota: 8

26 de agosto de 2022

O Comeback Que Deveria Ser

Hold Me Closer
Elton John & Britney Spears


Finalmente, a carreira da Britney Spears pode seguir em frente depois de ter se libertado das garras de sanguessugas que a atormentaram a vida toda. Uma pena, porém, que o começo dessa nova era seja com Hold Me Closer.

Apesar de estar na presença grandiosa de Elton John, a canção é uma derivativa, morna e sem graça versão remix/remake de três canções do britânico Tiny Dancer (1971), The One (1992) e Don't Go Breaking My Heart (1976). Do ponto de vista comercial a decisão é acertada, pois vem na cola do imenso sucesso de Cold Heart - PNAU Remix. Todavia, o resultado aqui continua a soar como uma colcha de retalhos mal costurada que não faz jus a nenhuma das músicas mutiladas. E mesmo entregando uma boa performance, Britney não consegue segurar toda a grandiosidade de Hold Me Closer devido a mesma não parece estar no seu elemento mais confortável. Ao menos, existe uma química sincera com Elton e, principalmente, existe uma alegria verdadeira de poder ouvir o comeback de um dos pilares do pop em um verdadeiro renascimento.
nota: 5,5

Rosa Datado

Pink Venom
BLACKPINK


O grande comeback do Blackpink com a canção Pink Venom demonstra três coisas importantes sobre a maior girl band k-pop da atualidade: a sua grandiosidade comercial, a sua sonoridade datada e que o talento das integrantes é jogado fora.

Pink Venom é uma canção é um k-pop com toques de hip hop, eletropop e rap que não funciona em quase nenhum nível, especialmente devido ao fato da canção soar como algo que o The Pussycat Dolls faria lá em 2005. E o pior é o fato que, provavelmente, o resultado seria até melhor que o que ouvido aqui. O motivo principal é a total falta de criatividade que a canção apresenta ao se basear em todos os clichês possíveis em canção como a mesma base sem adiciona nada interessante para a mistura, especialmente o toque de música árabe que parece saída de lugar nenhum e chega ao mesmo lugar. O que dá um up para a canção é perceber que as quatro integrantes fazem o impossível com o pobre material para adicionar força, efervescia genuína e personalidade para Pink Venom, mas isso não é o suficiente para dar vida para a canção. É fato que devido a popularidade do Blackpink a canção será um sucesso, provando que o que a girl band fazer será sucesso. Então, por que não uma canção realmente boa?
nota: 5,5

New Faces Apresenta: brakence

venus fly trap
brakence


Existem algumas canções que a gente ouve e não tem a menor ideia do que está acontecendo, mas, sinceramente, gosta sem se importar muito. Esse é o caso perfeito de venus fly trap do novato brakence.

Nome artístico de Randy Findell, o artista entrega na canção um dos momentos mais interessantes de 2022 ao pegar todas as expectativas que o próprio constrói para depois dar uma guinada de 180° que deixa quem escuta tonto e, ao mesmo tempo, envolvido. Na superfície, venus fly trap é uma divertida, deliciosa e cadencia que mistura de maneira inteligente synthpop com eletrônica para depois partir para um art pop/alt pop minimalista. Apesar de lados completamente opostos, a produção garante de forma impressionante um fio que liga perfeitamente toda a sua complexidade sonora e todas as quebras sonoras, conseguindo dar para a canção uma personalidade sólida e distinta. Brakence também se destaque pela sua presença encorpada devido a seu timbre grave que parece que deveria casar com um pop rock, mas que funciona com a batida pop devido as ótimas nuances da sua voz e o uso inteligente de efeitos vocais. venus fly trap é o tipo de canção que vem passando desapercebido pelo grande, mas garanto que vai fazer quem a descobrir ficar entusiasmado para os próximos passo de brakence.
nota: 8,5

O Massacre dos Sábados a Noite

STAYING ALIVE (feat. Drake & Lil Baby)
DJ Khaled

Recentemente escrevi sobre o soberbo uso de samples para a criação da sonoridade do álbum da Beyoncé. Em STAYING ALIVE, o DJ Khaled dá uma aula de como não usar o single, ou melhor, nesse caso de destruir um sample.

Como o nome sugere, a canção usa da lendária Stayin' Alive do Bee Gees para criar uma das batidas mais sem inspiração, fuleira, sonolenta e simplesmente horrível que ouve nos últimos tempos. Na verdade, a canção entra fácil no top de piores canções que escutei em toda a história do blog. Nada consegue salva essa bomba que mata a excitação que o uso do sample poderia trazer em uma produção tão baixo astral que parece a música que deve tocar sem parar no purgatório. Além disso, se não tivesse como piorar, a performance horripilante do Drake injeta a mesma quantidade de vida para a canção que a animação de um zumbi depois de ser morte novamente. Lil Baby parece ser o único realmente interessado na canção, mas isso não muda em nenhum centímetro o resultado desse massacre em forma de canção.
nota: 2

O Verdadeiro Sabor Do R&B

Please Do Not Lean
Daniel Caesar


Longe do seu auge comercial, o R&B é um gênero que sempre consegue encontrar uma rachadura para ver a luz do sol devido aos talentos que abriga. Daniel Caesar é um desses nomes como deixa claro a ótima Please Do Not Lean.

Mais conhecido pelo imenso sucesso de Peaches do Justin Bieber em que era a melhor parte, o cantor entrega em Please Do Not Lean uma irresistível e puera balada R&B com toques deliciosos de neo-soul. Encorpada, refinada e de uma finalização espetacular, a canção se destaca ainda mais devido a relaxada e poderosa performance de Daniel que sabe como usar o seu falsete de maneira perfeita para balancear as partes mais graves da canção. Além disso, a composição é um trabalho muito interessante, pois parte do ponto de vista do narrador que tenta mostra a amada os problemas em amar o mesmo de maneira a que ela possa pesar os pros e contras. Please Do Not Lean é o tipo de canção que merecia mais reconhecimento devido ao imenso talento que é o Daniel Caesar.
nota: 8

19 de agosto de 2022

Antes Tarde do Que Nunca

Try This
Pink


Uma Segunda Chance Para: Obsessed

Obsessed
Mariah Carey

Apesar de estar vivendo em um loop natalino ano após ano, a Mariah Carey ainda tem uma bagagem imensa para ser apreciada, contando até mesmo os momentos “menores” da sua discografia. E um desses momentos que precisam ser reanalisados é a curiosa Obsessed.

Lançada como primeiro single de Memoirs of an Imperfect Angel de 2009, a canção é um dos pontos fora da curva na carreira da cantora ao ser uma diss track, ou seja, “uma canção criada com o único propósito de expor e insultar uma pessoa ou um grupo de cantores”. Obviamente, Mariah já tinha falado de outras pessoas em suas canções, mas nunca tão notável como em Obsessed. Apesar de nunca ter confirmado, a história por trás dessa história sobre um cara que de tão obcecado pela cantora que inventou toda uma relação que nunca existiu seria sobre o Eminem. Acredito que no álbum Charmbracelet tem a faixa Clown que também seria sobre o rapper e a “relação” entre os dois artistas, mas Obsessed é bem mais conhecida devido ao fato de ter sido single e, principalmente, bem mais incisiva liricamente.

Sempre com um lírica que sempre primou pela delicadeza, sutileza e dramaticidade, a letra da canção é direta, forte e, várias vezes, desconcertantemente agressiva. Os shades que Mariha mandam não são nada sutis, transitando entre o fato de acusar da pessoa que é direcionada a canção ser um drogado, mentiroso, delirante e um stalker. E passado mais de dez anos do seu lançamento ainda é estranho ouvir a cantora disparar tantas frases fortes e que nem sempre acertam o alvo esteticamente. Momentos como “You a mom and pop, I'm a Corporation/ I'm the press conference, you a conversation” é de entrar para a categoria de vergonha alheia mais fácil que pode se imaginar. Entretanto, quando a composição acerta o tom de humor/acidez é um trabalho realmente divertido, especialmente no viciante refrão. Sonoramente, Obsessed é uma canção com a influencia hip hop mais acentuada da sua carreira com uma batida extremamente marcante, cadenciada, radiofônica e sombria. Apesar do uso do auto tune sem precisão, a performance de Mariah funciona pela sua marca distinta do começo ao fim e devido ao fato da cantora parece se divertir ao entoar a canção. Último sucesso comercial contemporâneo até o momento da carreira da Mariah Carey, Obsessed é uma canção que merece um lugarzinho dentro do panteão do pop devido simplesmente a sua estranha existência.
nota: 8

16 de agosto de 2022

Primeira Impressão - Outros Lançamentos

Banish The Banshee
Isaac Dunbar



Primeira Impressão - Outros Lançamentos

The Lead
FLO


New Faces Apresenta: Tems

No Woman No Cry
Tems


Existem alguns artistas que parecem que estão em um caminho tão certo para o estrelato que fica difícil não perceber a sua estrela a quilômetros de distância. Esse é o caso da nigeriana Tems. Com uma participação no novo álbum da Beyoncé, a cantora ajudar a fazer do trailer de Black Panther: Wakanda Forever um dos momentos mais emocionantes dos últimos tempos ao entoar uma versão poderosa de No Woman No Cry.

Um dos clássicos do reggae na voz do Bob Marley, No Woman No Cry ganha na voz emocional de Temilade Openiyi, nome de nascimento da cantora, uma versão que respeita o original e adiciona uma carga de significação impressionante e devastadora. Apesar de mixada com a canção do Alright do Kendrick Lamar para o trailer é claro que a performance delicada, melancólica e sentimental de Tems é o que dá o tom para a versão ser tão devastadora emocionalmente. Além disso, a canções se molda com parte da sensação que será o filme, especialmente nos versos “good friends we have and good friends we've lost/ Along the way” que reflete a perda do Chadwick Boseman e, por consequência, a do personagem T'Challa. E mesmo com toda a força simbólica por trás, a presença de Tems é o grande fator par ao sucesso da canção como um cover, mostrando o tamanho do talento dessa imensa promessa.
nota: 8,5

New Faces Apresenta: PinkPantheress

where you are (feat. willow)
PinkPantheress

É sempre auspicioso ver novos artistas já começarem as suas carreiras saindo completamente fora da caixa. Especialmente quando um artista quebra paradigmas como, por exemplo, a presença de artistas negros em gêneros como o pop alternativo. Esse é o caso da britânica PinkPantheress. Aos 20 anos apenas, a jovem é uma promessa sólida como mostra a interessante where you are.

Caminhando entre o alt pop e o indie pop e 2 Step, a canção é um trabalho sonoramente contida e quase minimalista, mas que apresenta um cuidado estético impressionante. Bem estruturada e com uma produção que consegue criar uma batida eletrizante, refrescante e consistente, where you are não tem um impacto grande quando a gente escuta pela primeira vez, mas vai crescendo aos poucos de maneira sutil e envolvente. O que transforma a canção em um trabalho realmente excitante é a suave, melódica e angelical dos vocais de PinkPantheress e, principalmente, o contraste com a força da presença da willow que cria camadas estéticas refinadas. E com uma visão que irá amadurecer com o tempo, PinkPantheress é um dos nomes que a gente irá ouvir no futuro com bastante frequência na minha aposta.
nota: 7,5

14 de agosto de 2022

Primeira Impressão

Special
Lizzo



Do Males o Menor

2 Be Loved (Am I Ready)
Lizzo

O próximo single da Lizzo retirado do álbum Special é 2 Be Loved (Am I Ready) e não a polemica e divisível Grrrls. Felizmente, a escolha é uma boa ideia, mesmo não sendo a melhor.

Com grande potencial de virar viral, 2 Be Loved (Am I Ready) é uma dance-pop/pop rap com toques de funk e disco que cria uma batida leve, dançante, fácil de agradar gregos e troianos, mas não muito marcante. Existe uma falta de urgência na canção assim como quase em todo o álbum que deixa a canção sem o brilho extra que os outros trabalhos da cantora tinham, mas não apaga a luminosidade da presença carismática da Lizzo. E isso fica clara no clímax da canção em que 2 Be Loved (Am I Ready) alcançar um outro nível, especialmente devido a força luminosa da cantora e de um refrão irresistível. Acredito que encontrando o seu público, a canção poder ser o próximo sucesso da carreira da Lizzo.
nota: 7

9 de agosto de 2022

Quase Genial

2 Die 4
Tove Lo


A Tove Lo vem construído um hype altíssimo com os lançamentos dos singles para a divulgação de Dirt Femme que tem lançamento marcado para Outubro. Dessa vez, a cantora entrega a extraordinária 2 Die 4.

Uma excitante e vigorosa dance-pop/synth-pop que usa do famoso sample da canção Popcorn de Gershon Kingsley para criar uma verdadeira pérola pop de raridade imensa, 2 Die 4 apresenta uma construção slow burn que vai se desdobrando em uma canção encorpada, refinada, envolvente e suculenta que deixa claro o domínio da cantora em relação ao seu material. Além disso, a canção soa diferente das outras canções lançadas, mas ainda apresenta um fio condutor que conecta visivelmente com os trabalhos até momento revelados. Com uma presença magnética, Tove Lo entrega uma performance tão sua que fica impossível ver outro pessoal conseguindo entoar o single sem a perda de qualidade final. O problema da canção que a impede ser genial é que devido a sua estrutura o momento final que deveria ser uma explosão sonora acabada menos impactante que poderia. 2 Die 4 é o tipo de canção que tinha a capacidade de terminar em uma farofa eletrônica, pois a sua condução até o clímax daria base para sustentar a decisão. Felizmente, o que é entregue pela produção ainda é excepcional em todos os sentidos.
nota: 8

Uma Boa Ideia Que Não Leve a Nada

Beach House
Carly Rae Jepsen

Desde que deu uma guinada na carreira com o lançamento de Emotion de 2015, a Carly Rae Jepsen sempre vem entregando canções que tem uma finalização muito bem pensada e com uma personalidade definida. Em Beach House, porém, o resultado fica apenas no campo da ótima ideia do que execução.

Produzido por Alex Hope, a canção é uma simpática, leve e divertida dance-pop com inspiração dos anos oitentas que funciona, mas nunca chega a encontrar o seu lugar de verdade devido um verniz massificado que é colocado na sua batida. Faltou inspiração para elevar o resultado final para algo que pudesse ter mais a cara da Carly que conhecemos. Outro problema é a sua duração de apenas de dois minutos e meio que deixa impressão que quando a música iria chegar em algum lugar é interrompida de maneira bruta e seca. A composição é até interessante, especialmente devido a falar sobre os famosos boys lixos de forma ácida e humorada. Entretanto, o vai e vem entre a voz de Carly e as masculinas que representam os boys citados pela cantora é feito de uma maneira que precisaria de mais tempo e profundidade para realmente dar certo. Beach House não é de longe uma canção ruim, mas, sim, uma que a ideia não chega ao seu destino.
nota: 7

Como Nos Velhos Tempos

Easy Lover (feat. Big Sean)
Ellie Goulding


Sumida já tem algum tempo, a Ellie Goulding está de volta como o lançamento da boa Easy Lover que a coloca de volta aos trilhos ao olhar para o seu próprio passado.

Uma leve, divertida e reconfortante synth-pop/dance-pop/rap pop que meio que recria a sonoridade do começo da carreira da britânica, adicionando uma camada bem vinda de despretensão de forma natural. Acredito que o principal motivo para a canção funcionar é parecer que a cantora não está tentando desesperadamente voltar aos charts com alguma coisa visualmente forçada para apelar para os virais de redes sociais e, sim, entregando um desdobramento da sua discografia. E isso é até ajuda a fazer a participação do também sumido Big Sean funcionar melhor que o esperado em um verso redondinho e bem estruturado que se não melhora canção também não atrapalha o resultado final. O grande destaque de Easy Lover é, porém, é ouvir a distinta voz da Ellie em uma performance graciosa. Um trabalho longe de ser genial, mas bom suficiente para ser loureado e descoberto para aqueles que sentiram saudades da cantora.
nota: 7,5

Vogue Realness

hollaback bitch (feat. Channel Tres & Shygirl)
Mura Masa

Para quem tem um pouco de conhecimento sobre a cena ballroom sabe que uma parte fundamental da cultura pop foi influenciada/apropriada dos cenários queer dos anos setenta, oitenta e noventa. Na verdade, até hoje em dia isso ainda acontece de maneira bem intensa. Isso é possível ver na ótima hollaback bitch.

Produção do DJ/produtor Mura Masa, a canção é uma condensada, climática e carismática fusão de eletrônico, hip hop, toques de jazz e EDM que devido a sua batida estilizada e refinada fica fácil de casar a canção com a cultura ballroom, especialmente devido a sua alta facilidade de poder ser trilha sonora de um duelo de vogue da melhor qualidade. Sonoramente, o problema da canção é o seu final anticlimático que tira toda a excitação construída ao longa da faixa em um encerramento morno. Isso não se torna um grande problema já que a sensacional performance da Shygirl a presença sólida e bem inserida do rapper Channel Tres amarra de forma orgânica possível pontas soltas. hollaback bitch é respeitosa com a sua influência que precisa ser melhor conhecida pelo grande público mainstream.
nota: 8

7 de agosto de 2022

Primeira Impressão

RENAISSANCE
Beyoncé


Queens Mothers

BREAK MY SOUL (THE QUEENS REMIX)
Madonna & Beyoncé


Quando a gente pensa que a Beyoncé não iria surpreender mais com a promoção/divulgação do Renaissance eis que a cantora resolver lançar o remix de Break My Soul com a presença de ninguém menos que a Madonna. Não um remix apenas, mas, sim, a celebração definitiva de toda significação por trás do ano e, claro, um presente único aos fãs.

Em questão de remixes, a Beyoncé tem um ótimo desempenho como, por exemplo, a sua presença em Savage (Remix) da Megan Thee Stallion e, claro, o inesquecível Flawless Remix com a participação da Nicki Minaj. Entretanto, a versão de Break My Soul sub intitulado como THE QUEENS REMIX é algo para entrar para história. Primeiramente, a canção tem o uso de Vogue da Madonna com interpolações que vão além do simples uso do samples e, sim, a construção de uma nova canção que casa dois mundos de maneira extraordinária e de uma genialidade sem precedentes para a carreira das envolvidas. Ao escolher a canção, Bey volta aos olhos para a primeira canção mainstream que deu holofotes para a cultura queer/house/ballhouse e homenageia a importância da rainha do pop na história da música. E, queridos leitores, isso poderia ser apenas um ato bonito se não fosse trabalhado da maneira que esse remix é construído. As duas canções se fundem de maneira natural, excitante e impressionante sem que nenhuma seja engolida uma pela outra, mas sabendo que a canção da Bey é a base e que Vogue é o toque de gênio por trás. E isso é possível devido a produção revigorante que sabe que um remix nesse porte precisa ser reconstruído com adição não apenas do sample, mas, também, com a mudança de estruturas originais para ser um remix de verdade. Em segundo, THE QUEENS REMIX é também uma homenagem importante aos nomes importantes da cultura negra e queer. Nos novos versos da canção em que a Bey faz um remake do famoso rap de Vogue que citava nomes da Hollywood clássica e agora cita nomes de cantoras negras de várias eras, indo das percussoras como Aretha Franklin. Rosetta Tharpe, Bessie Smith e Nina Simone passando por lendas como Lauryn Hill, Diana Ross, Janet Jackson, Whitney Houston e Grace Jones até contemporâneas como as afilhadas Chloe e Halle Bailey, Rihanna, Nicki Minaj e Alicia Keys, entre outras. Além dessas citações, a cantora cita várias “casas” importantes na cultura ballroom como Xtravaganza, LaBeija, Balmain, entre outras. BREAK MY SOUL (THE QUEENS REMIX) continua a demonstrar o imenso domínio artístico, estético e comercial da Beyoncé que está apenas no começo da sua nova era.
nota: 9

5 de agosto de 2022

La Rosalía Comercial

DESPECHÁ
ROSALÍA


Uma das principais características que admiro na Rosalía é a sua capacidade de transitar entre o artístico e o comercial na sua sonoridade sem perder a sua personalidade. Em Despechá, a cantora entrega um hit perfeito feito sob medida para a sua trajetória recente.

Primeira nova canção lançada após o lançamento do Motomami, a canção pode não ter o lado experimental/progressista de suas “primas” recentes na busca de fazer ser um sucesso mundial, mas não tem força suficiente para se destacar na multidão de maneira ímpar. Uma interessante e refrescante mistura de mando e electropop, Despechá é divertida, estilosa, elétrica, dançante e com o fator viral suficiente para fazer ser o próximo sucesso da carreira da cantora. Artisticamente, a canção é mais massificada que o lado mais excêntrico da cantora, mas essa mistura de um estilo latino com outro para resultar em um hibrido original ainda mostra a potencia criativa da artista. Acredito que a primeira parte da canção funciona melhor que o seu final devido ao instrumental mais estilizado, mas isso não afeta o fato da Rosalía entregar uma musica que continua a expandir o seu reinado musical de maneira impressionante e completamente a sua maneira.
nota: 7,5

Sabor Creme

Late Night Talking
Harry Styles


Depois de escrevi a resenha para Harry's House é que veio a minha mente a melhor definição sobre a sua sonoridade: sorvete de creme. Apesar de gostoso, mas meio sem graças e pouco marcante. Assim é o single Late Night Talking.

Uma fofa e dançante mistura de R&B, boogie e synthpop que deixa a gente animadinho durante os seus nem três minutos, mas assim que acaba é esquecido facilmente. O principal erro é a sua bonitinha, mas boba composição que não tem um refrão suficiente marcante para ser realmente memorável. Apesar da produção refinada e redonda, Late Night Talking não acrescenta nada de peso para a discografia do Harry, deixando ainda mais forte o sabor creme da canção. Espero ansioso quando o artista adicionar uma calda grossa para elevar o resultado da sua sonoridade.
nota: 7

O Casamento (Quase) Perfeito

Buddy’s Rendezvous
Father John Misty & Lana Del Rey


Dono de um dos álbuns mais interessantes do ano, o Father John Misty lançou uma versão das canções em Chloë and the Next 20th Century que faz o todo o sentido existir: um cover oficial de Buddy’s Rendezvous entoado pela Lana Del Rey.

Uma balada melancólica de indie pop/folk, a canção se encaixa perfeitamente com a voz e a persona da Lana de maneira que quase faz a gente pensa que a canção é um original da sua autoria, apesar de um pouco mais pomposo que os lançamentos mais recentes da cantora. Buddy’s Rendezvous é uma delicada, atemporal e sublime balada que apresenta essa melancolia intricada na sonoridade da cantora que é prato cheio para a sua performance sempre tão distinta vocalmente encher os espaços, especialmente na parte final. O problema dessa versão é que apesar de oficial e ter a presença de Father John Misty conduzindo a gravação, a canção não tem um dueto de verdade entre os dois reduzido a backvocal nos versos finais. O contraste entre a duas vozes seriam esplendidos se fosse trabalhado do começo ao fim e elevaria a canção para outro patamar. De qualquer forma, esse casamente quase perfeito é digno de ser realmente elogiado de maneira bastante enfática devido ao que é entregado.
nota: 8


Uma Esquisitice Adorável

Part of the Band
The 1975


O The 1975 é provavelmente a banda mais interessantes surgidas na última década ao não ser para todos os gostos, mas atraindo uma legião de fãs apaixonados. Preparando o lançamento do quinto álbum (Being Funny in a Foreign Language), a banda está passando por um momento de mudança como parece mostrar o single Part of the Band.

Provavelmente a canção mais diferente deles até o momento, o single é uma mistura esquisita, mas bem construída e surpreendente de indie rock, folk pop e toques de art pop que gera um resultado inesperado e realmente refrescante para a sonoridade da banda. Ao contrário da pomposidade das canções que estamos acostumados vindo da banda, a canção apresenta uma aspereza e uma certa economia instrumental que consegue criar uma expectativa bem diferente para o álbum. O vocalista Matthew Healy se adapta ao estilo da canção de maneira natural e entrega uma performance inspirada e com nuances. O único problema da canção é a sua composição confusa sobre sentido e pretenciosa, mas cheia de ótimas passagens como, por exemplo, “And I fell in love with a boy, it was kinda lamê/ I was Rimbaud and he was Paul Verlaine”. Part of the Band ainda não será a canção que irá unir todas as tribos para amar o The !975, mas deve fazer quem gosta aumentar o hype pelo novo álbum.
nota: 8