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3 de agosto de 2026

A História em Forma de Música

Danceteria
Madonna


Poucas canções já nascem com o peso da história já fazendo efeito na visão que as pessoas vão ter sobre elas. E apenas uma artista como a Madonna consegue fazer isso, como é o caso da já lendária Danceteria.

Melhor canção de Confessions II e da carreira da artista, especialmente da sua fase madura, o single é um daqueles momentos em que as pessoas que talvez não entendam a importância da artista podem ter essa visão em apenas uma única música. Nomeada devido à boate que a cantora frequentava no começo da carreira e que é basicamente o local onde a mesma ganhou as suas bases artísticas e, também, de vida, Danceteria narra uma noite comum no local em que a artista vai encontrando nomes que fizeram e/ou fazem parte da sua vida e carreira.

É basicamente um quem é quem da cena criativa pop/eletrônica da época, que também é a base de parte significativa da música e das artes em geral. O grande toque de mestre é a maneira divertida, graciosa e fluida como a letra é construída, pois é como se fosse quase uma conversa em que a Madonna apenas narra, com um “interlude” do refrão, criando uma estrutura espetacular e fluida que encapsula a intenção lírica e, claro, a produção de uma vez só. E é aqui que está o melhor momento vocal da Madonna, pois a maneira como entoa os versos em uma mistura de fala e rap funciona genialmente, sendo contrabalanceada pela parte cantada em um refrão extraordinário. Sonoramente, Danceteria é uma irresistível e viciante diva house com dance-pop, nu-disco e french house que arremata tudo como um laço dourado cravejado de brilhantes.

E, queridos leitores, isso é história de verdade vinda de quem continua a fazer história.
nota: 9

14 de junho de 2026

Ainda Há Hype

Love Sensation
Madonna


A gente pode notar o hype de um álbum quando até mesmo a canção menos inspirada lançada como single ainda é uma canção realmente excitante. Esse é o caso de Love Sensation, da Madonna.

Terceira canção e segundo single lançado de Confessions II, a música é a menos inspirada até agora, mas, felizmente, o resultado final é ainda melhor que boa parte das canções lançadas pela cantora nos últimos trabalhos. Uma sólida e classuda dance-pop, emoldurada por eurohouse e nu-disco, Love Sensation vai aos poucos crescendo na percepção, especialmente devido ao envolvente refrão, que realmente é a cola de toda a canção.

O principal problema são os versos iniciais, que ganham uma batida mais contida e não parecem fazer a gente se envolver com a canção logo de cara. Junta-se a isso a performance meio deslocada da Madonna nesses momentos, ajudando a criar um início meio trôpego da canção. Todavia, quando surge o ótimo refrão, as coisas vão se acomodando e fazendo mais sentido, ajudando a canção a terminar de maneira bem interessante e, principalmente, divertidíssima.

Poderia ser um single com uma pegada mais explosiva do começo ao fim? Sim, poderia facilmente. Mas, sinceramente, o resultado de Love Sensation não atrapalha em nada o hype para o que deve ser o melhor álbum da Madonna em duas décadas.
nota: 7,5

3 de maio de 2026

As Lições da Madonna

Bring Your Love
Madonna & Sabrina Carpenter


Nunca, mas nunca, duvide da Madonna, pois, basicamente, foi ela que ajudou a remodelar todas as regras sobre ter uma carreira no pop. Depois de divulgar I Feel Free para dar um gosto do retorno aos bons tempos, a cantora lança o single oficial de Confessions II com a divertidíssima Bring Your Love, com a participação de Sabrina Carpenter.

Bem menos intrigante que a canção anterior, o single é claramente mais pensado no fator comercial, ao ser um trabalho que se emoldura bem para o “radiofônico”. E isso é bem claro devido à presença da Sabrina e à produção mais palatável. Todavia, não espere que a canção seja um caça-níquel com potencial desperdiçado, pois é exatamente o contrário. Com produção da Madonna ao lado de Stuart Price, Bring Your Love é uma cativante, dançante, divertidíssima, deliciosa, gratificante e bem pensada mistura de dance-pop com house, que conversa com a atmosfera de I Feel Free, mas consegue criar essa vibe pura de canção pop para hitar nas paradas. Todavia, a grande e maior qualidade de Bring Your Love é mostrar a volta da grande qualidade da Madonna: o olhar para o passado e, ao mesmo tempo, o olhar para o que está “escondido” do mainstream.

O single se usa de duas canções para samples/interpolações que dão essa sensação de volta à old Madonna que faltava tanto nos últimos trabalhos. Do lado do sample, a produção busca em Good City, de 1988, da banda Inner City, a base para a canção. Do lado da interpolação, boa parte da atmosfera da canção vem de Doing It Too, de 2025, de Rochelle Jordan. Essa mistura de passado e presente, mas que se comunicam entre si, ajuda a dar para Bring Your Love uma personalidade completamente única, que faz jus a ser uma canção da Madonna em todos os termos. Além disso, chamar a Sabrina é outro acerto, pois a jovem é, assim como a Britney foi lá no começo dos anos 2000, a melhor representante contemporânea da essência da Rainha do Pop. E, mesmo não sendo uma união tão icônica, funciona perfeitamente e com potencial de ser um grande momento em 2026. Preciso apontar que a composição aqui poderia ser bem mais elaborada, mas, felizmente, faz bem o seu papel e tem um ótimo refrão.

Com Bring Your Love, Madonna continua a dar algumas lições para qualquer artista que precisa aprender a como ser uma verdadeira diva pop.
nota: 8,5

19 de abril de 2026

The Queen, The Mother, The Madonna

I Feel So Free
Madonna


Apesar de estar otimista e ansioso pelo lançamento de Confessions II, preciso admitir que estava cautelosamente otimista, pois, mesmo sendo a Madonna, os últimos lançamentos da cantora são, no mínimo, medianos em sua grande maioria. Então, eis que surge o lançamento de I Feel So Free para mudar a minha concepção, ao me deixar realmente excitado para o álbum, já que a canção é a melhor música da cantora em nada menos que vinte anos.

Na verdade, a canção não é apenas uma ótima canção, mas, sinceramente, já pode ser considerada digna de entrar no panteão das melhores da carreira da Rainha do pop. E isso é algo impressionante para uma artista que parecia estar no automático nos últimos trabalhos. Ao voltar a trabalhar com Stuart Prince, produtor do primeiro Confessions e responsável recentemente por trabalhos ao lado de Jessie Ware e Dua Lipa, a cantora não apenas se reconecta diretamente a uma sonoridade, mas também volta a ter química de verdade com um parceiro de criação. E isso é algo essencial para a construção de qualquer canção de uma artista tão única como a Madonna, e Stuart entende isso à perfeição. Por isso, I Feel So Free é uma verdadeira música com M maiúsculo.

Outra imensa qualidade da canção é o fato de que ela não é apenas uma continuidade da sonoridade do primeiro álbum, mas, sim, uma canção com identidade própria. Na verdade, a melhor definição é que I Feel So Free seria a prima direta de Hung Up/Sorry, mas que tem laços com outras influências. Parecidas, mas nada iguais. A canção, que não é um single oficial, traz uma fusão refinadíssima de deep house com progressive house e dance-pop, criando uma sonoridade esteticamente familiar, mas que vai se desenrolando em um trabalho energético, atmosférico, poderoso e impressionante. A produção consegue dar a gravidade e grandiosidade que uma música da Madonna precisa ter para carregar toda a sua força, lembrando de criar uma vibe que é puramente pop. E esse pop é em sua forma mais Madonna possível, com uma canção de mais de cinco minutos e com uma composição que basicamente é uma celebração da volta da artista, que logo no primeiro verso manda:

Sometimes I like to just hide in the shadows
Create a new persona
A different identity
I can be whoever I wanna be

Vocalmente, a canção é o melhor trabalho da cantora em anos, pois, além de deixar a sua voz o mais natural possível na parte cantada, os momentos em que ela declama os versos casam lindamente com a atmosfera da canção e são a base perfeita para o estouro sonoro do refrão e o ótimo clímax final.

Ainda é um pouco cedo para declarar que esse é o retorno à altura que a Madonna está planejando para si mesma. Todavia, se isso for uma prévia real do que está por vir, é certo que estaremos diante de outro marco da música.
nota: 9

15 de junho de 2025

O Passado Bate a Sua Porta

Skin (The Collaboration Remix Edit)
Madonna


Eis que, vindo do nada, Madonna anuncia que a lenda urbana do Veronica Electronica, álbum remix da era Ray of Light, que seria uma espécie de acompanhamento do álbum original e nunca viu a luz do dia, será lançado depois de vinte e sete anos. Como single de divulgação, foi lançada "Skin (The Collaboration Remix Edit)".

Nunca lançada como single na época, a canção Skin ganha esse tratamento com um remix que reflete muito bem a essência da faixa e da época em que foi produzido. Trabalhado pelo falecido DJ Peter Rauhofer, sob a alcunha do projeto The Collaboration, a canção é uma excitante e nostálgica recriação, ao adicionar uma carga pesada de progressive trance à sensualidade elétrica da versão original, sem, no entanto, perder sua essência. Skin perde certo refinamento estético devido a essa visão mais direta da produção, criando um remix mais tradicional. Entretanto, o grande acerto do remix é compreender que a criação sonora não reside em despir inteiramente a canção de sua base, mas, sim, em injetar novas camadas e texturas. Acho interessante o final com um toque mais sombrio, embora, infelizmente, ele não se estenda por mais tempo. Com esse presente do passado, Madonna pode ter em mãos um dos melhores álbuns de remixes de todos os tempos. Aguardemos.
nota: 8

25 de fevereiro de 2024

Uma Segunda Chance Para: Give Me All Your Luvin'

Give Me All Your Luvin'
Madonna

Bem longe do seu pico de criatividade, a Madonna vem colecionando trabalhos medianos ao longo dos últimos anos. Todavia, a gente ainda é possível encontrar bons momentos que dão a noção que a gente nunca pode contar como “fora do jogo” a Rainha do Pop. Um bom exemplo é a divertidíssima Give Me All Your Luvin'.

Lançada no começo de 2012, a canção abriu os trabalhos para o décimo trabalho da cantora intulado MDNA. O álbum em sim é um verdadeiro show igual de erros e acertos, terminando sendo um trabalho interessante que nunca chega a decolar. Entre os momentos de alta está Give Me All Your Luvin'. Alta, porém, com algumas ressalvas, pois a canção parece que ficou faltando algo. E isso é devido da canção ser muito segura para quem sempre se arriscou ao extremo como a Madonna sempre fez. Segura, sim, mas divertida quando a gente não espera muito do resultado final. Uma dance-pop/ bubblegum despretensiosa, fútil, leve, viciante e deliciosamente dispensável, o single conquista de verdade pelos toques inteligentes que vão sendo colocados ao longo da sua duração como, por exemplo, a progressão rítmica, o vibrante refrão, a citação a Lucky Star e a batida dubstep durante a partes das convidadas. E por falar nelas, a presença da M.I.A. e Nicki Minaj envelheceu igual a leite fora da geladeira devido a nossa percepção pessoal das duas artistas ao longo dos anos, mas em questão artística sempre achei falho suas participações já que não exploram direito seus talentos. A rapper ainda tem um bom momento, mas a britânica parece que foi cobrir cota sem adicionar nada de peso da sua personalidade. Mesmo não sendo o seu melhor, Madonna sempre vai ser a Madonna de alguma forma e isso é para poucos.
nota: 7,5

16 de julho de 2023

Clichê Vogue

VULGAR
Sam Smith & Madonna


A ideia por trás Vulgar du Sam Smith é ótima: entregar uma canção basicamente ballroom com participação da primeira artista mainstream a levar o gênero para o grande público. Entretanto, a parceria du Sam com a Madonna termina apenas como um grande amontoado de clichês.

A produção parece querer demais evocar a vibe ballroom do que ser algo natural e fluido assim como fez a Beyoncé. Exagerada em algumas partes, Vulgar tem a capacidade de ter cinco nomes assinando a produção e entrega um trabalho tão aquém de todas as expectativas. Entretanto, o pior da canção é a sua péssima composição que, sinceramente, está pior que o pior verso feito por uma drag para o desafio do Rumix em Rupaul’s Drag Race. Sério, Vulgar tem perolas como “Rich like I'm in the Louvre, got nothin' left to prove”, “So watch what you say or I'll split your banana” e “Vulgar will make you dance, don't need a chorus”. O que realmente salva a canção é a química entre Sam e a Madonna que adiciona algo natural para a canção, pois sem isso teríamos uma bomba nível nuclear em Vulgar.
nota: 5,5

4 de junho de 2023

Três é Demais

Popular
The Weeknd, Playboi Carti & Madonna

Apesar de não ter sido lançada oficialmente, a série The Idol que é o grande veículo para o The Weeknd vem já sendo considerada como uma das piores dos últimos tempos depois da sua exibição no Festival de Cannes. Enquanto não possamos dar nossa opinião depois de realmente assistir fica para analise as canções lançadas para a trilha sonora. E a mais recente é a interessante e, ao mesmo tempo, decepcionante Popular.

A canção marca a parceria do cantor com a rainha do pop Madonna com participação do rapper Playboi Carti. Bem longe do auge do The Weeknd, a canção é uma comercial, gostosinha e quase inofensiva demais mistura de R&B com pop que não faz peso nenhum na discografia de nenhum dos envolvidos, mas passa longe de ser uma bomba sonora. Na verdade, Popular é realmente salva pela boa e inusitada presença da Madonna que adiciona certo gravitas para a canção, dando boa química com o The Weeknd. Playboi Carti tem poucas, mas completamente dispensáveis passagens que poderia facilmente terem sido entoadas pelo The Weeknd. O que realmente faz a musica tropeçar é a sua clichê e previsível composição que narra a história da obsessão do que deve ser a protagonista da séria em ser famosa. O cantor já lidou com assuntos parecidos com inteligência e criatividade, mostrando que assim como em The Idol parece faltar criatividade genuína para construir a sua nova era.
nota: 6,5

27 de setembro de 2022

A Nova Onda da Rainha

Hung Up on Tokischa
Madonna & Tokischa


Com essa nova fase na carreira da Madonna ao experimentar com seus grandes clássicos com a presença de artistas diversos e, principalmente, novatos está criando uma coleção de canções que são ou grandes acertos ou grandes erros. Felizmente, Hung Up on Tokischa se encaixa na primeira categoria.

Controversa rapper dominicana, Tokischa é a estrela dessa canção que transita entre o uso do sample e o remix de maneira equilibrada e bem pensada. Apesar de não ser tão genial como a original Hung Up, a canção é uma mistura inusitada de reggaeton com art pop e dance que termina com uma sonoridade que fica no meio do caminho entre o Bad Bunny e a Arca. Acredito que a canção poderia fazer bem mais com a base, mas, sinceramente, a produção acerta na mosca ao dar o equilíbrio entre as partes, sabendo fundir gêneros tão diferentes de forma fluida e excitante. E assim como o remix de Break My Soul, a presença da Madonna é muito bem aproveitada com o ótimo uso das partes de Hung Up como as novas gravações que fazem sentido para a canção. Curiosamente, Tokischa é ofusca na canção que deveria se sobressair, especialmente devido ao erro na produção vocal. Mesmo assim, a sua presença é solida o suficiente para ter a sua personalidade. Espero que se haja novas aventuras nesse mesmo caminho, a Madonna possa surpreender positivamente como acontece em Hung Up on Tokischa.
nota: 7,5

2 de setembro de 2022

Extremos da Madonna

MATERIAL GWORRLLLLLLLL!
Madonna & Saucy Santana

Antes de estar presente no remix Break My Soul, Madonna esteve ainda mais presente no remix do sucesso viral de Material Girl do rapper Saucy Santana. Intitulado MATERIAL GWORRLLLLLLLL!, a versão ganhou adição de vocais da cantora e o uso do sample de Material Girl de 1984. O resultado é bem abaixo do que poderia ser, mesmo não sendo uma bomba nuclear.

É interessante ver a Madonna se relacionar artisticamente com artistas novatos, mas, infelizmente, a sua participação não poderia ser mais decepcionante. Cantando um verso na versão remix, a cantora entrega uma performance descolada devido ao verso escrito que pode ser adjetivado como vergonha alheia. O uso do sample é até bem utilizado, pois combina com a temática da canção e dá substância para a canção. O problema é que a canção original não é exatamente sensacional. Divertida? Sim, mas Saucy Santana é o tipo de artista que cai no quesito ame-o ou odeio-o. E a canção não é o tipo que originalmente dá para passar sem sentimentos forte devido a sua batida extremamente estilizada e a maneira de como o rapper performa essa hip hop/electropop. Apesar do resultado, a canção mostra que a Madonna ainda tem muita lenha para queimar.
nota: 6

7 de agosto de 2022

Queens Mothers

BREAK MY SOUL (THE QUEENS REMIX)
Madonna & Beyoncé


Quando a gente pensa que a Beyoncé não iria surpreender mais com a promoção/divulgação do Renaissance eis que a cantora resolver lançar o remix de Break My Soul com a presença de ninguém menos que a Madonna. Não um remix apenas, mas, sim, a celebração definitiva de toda significação por trás do ano e, claro, um presente único aos fãs.

Em questão de remixes, a Beyoncé tem um ótimo desempenho como, por exemplo, a sua presença em Savage (Remix) da Megan Thee Stallion e, claro, o inesquecível Flawless Remix com a participação da Nicki Minaj. Entretanto, a versão de Break My Soul sub intitulado como THE QUEENS REMIX é algo para entrar para história. Primeiramente, a canção tem o uso de Vogue da Madonna com interpolações que vão além do simples uso do samples e, sim, a construção de uma nova canção que casa dois mundos de maneira extraordinária e de uma genialidade sem precedentes para a carreira das envolvidas. Ao escolher a canção, Bey volta aos olhos para a primeira canção mainstream que deu holofotes para a cultura queer/house/ballhouse e homenageia a importância da rainha do pop na história da música. E, queridos leitores, isso poderia ser apenas um ato bonito se não fosse trabalhado da maneira que esse remix é construído. As duas canções se fundem de maneira natural, excitante e impressionante sem que nenhuma seja engolida uma pela outra, mas sabendo que a canção da Bey é a base e que Vogue é o toque de gênio por trás. E isso é possível devido a produção revigorante que sabe que um remix nesse porte precisa ser reconstruído com adição não apenas do sample, mas, também, com a mudança de estruturas originais para ser um remix de verdade. Em segundo, THE QUEENS REMIX é também uma homenagem importante aos nomes importantes da cultura negra e queer. Nos novos versos da canção em que a Bey faz um remake do famoso rap de Vogue que citava nomes da Hollywood clássica e agora cita nomes de cantoras negras de várias eras, indo das percussoras como Aretha Franklin. Rosetta Tharpe, Bessie Smith e Nina Simone passando por lendas como Lauryn Hill, Diana Ross, Janet Jackson, Whitney Houston e Grace Jones até contemporâneas como as afilhadas Chloe e Halle Bailey, Rihanna, Nicki Minaj e Alicia Keys, entre outras. Além dessas citações, a cantora cita várias “casas” importantes na cultura ballroom como Xtravaganza, LaBeija, Balmain, entre outras. BREAK MY SOUL (THE QUEENS REMIX) continua a demonstrar o imenso domínio artístico, estético e comercial da Beyoncé que está apenas no começo da sua nova era.
nota: 9

15 de março de 2022

A Força do Original

Frozen
Madonna & Sickick

Existem algumas canções que apesar de toda a boa vontade nunca irão funcionar em sua versão remix. Esse é caso de Frozen da Madonna que ganhou um remix viral pelo produtor Sickick.

O grande problema aqui é o fato da versão original ser uma das canções mais geniais da carreira da rainha do pop. Caso até hoje você não tenha escutado o single de 1997 está perdendo um dos motivos da Madonna ser bem mais que apenas uma cantora pop e, sim, um gênio da música. De qualquer forma, o remix é até bem amarrado, especialmente ao valorizar em partes os vocais originais. Todavia, essa versão de apenas dois minutos que mistura EDM e dubstep não chega perto da magnitude da incrível sonoridade original. E o fato de apenas repetir o refrão tira boa parte da força emocional da composição. Nem a presença da própria cantora no clipe pode ajudar a fazer dessa versão algo que realmente tenha sentido para existir além do fato de poder viralizar no TikTok para as novas gerações.
nota: 6

24 de abril de 2019

Coisas de Madonna

Medellín
Madonna & Maluma

A essa altura do campeonato não tenho a menor dúvidas que a Madonna está pouco se fudendo para qualquer opinião que qualquer um possa ter em relação a sua carreira, não importando se for positiva ou negativa. Entretanto, eis que a cantora resolver mandar um "bom dia mundo, boa tarde Portugal" e botar a cara no sol para lançar o seu décimo quarto álbum da carreira. Intitulado Madame X, o álbum promete outra mudança sonora na carreira, provavelmente tendo fortes inspirações de latin pop, fado e outros gêneros "globais". Isso fica claro com o lançamento do primeiro single, a parceria com a Maluma em Medellín.

A melhor definição que possa dar em uma única palavra para Medellín é montanha-russa. Ouvir a canção com quase cinco minutos de duração é um verdadeiro jogo de quente ou frio em que fiquei pensando "acho que estou gostado" para depois pensar "isso não está legal" e logo em seguida acreditar que era "interessante" para depois concluir que "isso é bem ruim", mas também achar que "tem potencial". E, sinceramente, ainda não cheguei ao uma conclusão definitiva, mas consigo ter alguns insightsMedellín não é a pior canção da carreira da cantora e nem chegar perto da ruindade de outros lançamentos que tinham parcerias masculinas como, por exemplo, a esquecível 4 Minutes ao lado do Timberlake. Entretanto, a nova canção comprova que a Rainha do Pop não funciona perfeitamente ao lado de um outro artista masculino. E pior: Maluma quase rouba todos os holofotes da cantora. Carismático e participando de uma quantidade bem maior que o ideal, o colombiano está bem mais a vontade nesse latin pop/reggaeton mid-tempo. Apesar de cumprir o seu papel razoavelmente bem, a cantora soa meio perdida vocalmente, principalmente devido a produção vocal equivocada que quase a enterra em auto-tunes. Co-produzindo a canção ao lado do francês Mirwais, Madge tem uma visão até instigante para Medellín que, infelizmente, não parece ter sido alcançada plenamente. Parece que a canção é feita de retalhos bons sonoros que não chegam a formar uma colcha inteira, mas é suficiente para sustentar a produção em pé. Entre altos e baixos, o que posso concluir sobre a nova era da Madonna é que a mesma está se lixando para o que o vai ser falado, pois a mesma vai entregar o que realmente quiser sem ter nada a dever para ninguém. Imagina para alguém como eu.
nota: 6,5

24 de julho de 2015

Her Name is Madonna

Bitch I'm Madonna (feat. Nicki Minaj)
Madonna

Não será Bitch I'm Madonna que vai tirar Rebel Heart do flop, mas é necessário admitir que mesmo com o fracasso comercial Madonna ainda é capaz de ser relevante (mesmo que por alguns momentos). Falando da qualidade da canção, o single poderia ser bem melhor, mas também não é uma bomba.

Produzida pela Madonna ao lado do DJ (e novo boy toy da Rainha) Diplo e desconhecido DJ Sophie, Bitch I'm Madonna é uma curiosa mistura de dance com eletrônico hardcore que resulta em uma música estranha, mas com bons momentos que acabam salvando a canção. A despretensiosidade da produção é uma delas: Bitch I'm Madonna é para ser apenas divertida não tendo a intenção de se equiparar aos grandes sucessos da cantora. Claro, a canção poderia ter sido trabalhada para tirar alguns defeitos como, por exemplo, essa sensação de déjà vu da terceira parceria com a Nicki Minaj mesmo a participação da rapper ser o ponto alto da canção. Divertida, mas rasa igual ao um pires, a letra da canção não tem poderia ser mais deliciosamente descartável: 


"Nós pegamos o elevador direto para o último andar
O baixo está bombando, me faz querer perder a cabeça
É, nós vamos beber e ninguém vai nos parar
E vamos beijar todo mundo ao nosso redor"


Não acredito que a canção tenha sido a melhor escolha para single, mas é impossível ficar imparcial em frente a essa escolha. Aprendam com a Rainha!
nota: 7

21 de fevereiro de 2015

Pequena Lição Sobre Tradição

Living For Love
Madonna

Nem sempre um professor deve ensinar ao aluno a pensar por conta própria, mas, as vezes, um professor precisa ensinar a fazer o bom e tradicional "arroz com feijão". Assim Madonna faz com o primeiro single de Rebel Heart, a ótima Living For Love.

O single passa longe de ser o mais ousado já lançado por Madonna, mas, sem dúvidas, é um banho no quesito de como fazer uma canção pop. Produzindo ao lado do Diplo, Madge entrega um pop dance redondinho que ganha destaque devido ao seu pomposo arranjo que tem Alicia Keys tocando piano e muito mais que apenas sintetizadores. Com a inclusão de um toque de gospel (lembrando Like A Prayer), Living For Love se torna uma canção arrasadora sem precisar de "inovar" ou "reinventar" a sonoridade. Madonna mostra vocais poderosos em  ma composição divertida com um refrão certeira que ajuda a canção a se tornar o melhor primeiro single da Rainha do Pop desde Hung Up de 2005. Madonna dando lições de como fazer o bom e velho pop desde... bem, desde de sempre!
nota: 8

1 de agosto de 2012

O Flop da Rainha

Turn Up The Radio
Madonna

Dona Madge flopu bonito. Claro, que flopar para a Madonna é diferente já que no final da contas ela é a Rainha do Pop. Pode os CD vender pouco, pode os singles nem tocar na rádio do Divino, pode os clipes serem de orçamento limitado. Contudo, a veia é safada e mostrando o tooba ou as peitcholas ela sempre vai estar no topo. E ainda consegue fazer músicas como Turn Up The Radio.

Pop, pop, pop, pop, pop. Essa é a melhor definição para o terceiro single de MDNA. Apesar de pecar no clímax final, a canção é o hino para estádio do álbum. A batida contagiante criada por ela e Martin Solveig é contagiante na sua própria cadencia mais lenta e pungente. Madonna está perfeita com vocais lembrando os áureos anos oitenta. E finalizando como uma composição clichê, mas deliciosa que entrega uma Madonna leve, auto astral e sem preocupação em chocar ou coisa parecida. Dona Madge pode até flopar, mas flopar como ela ninguém faz.
nota: 8

18 de março de 2012

A Linda Garota Que é a Rainha do Pop e Resolveu Ser a Boa Garota que Ficou Selvagem

Girl Gone Wild
Madonna


Sabe como medir o poder de uma estrela da música de verdade? É ver o quanto ela pode repercutir mesmo sem fazer "sucesso". Explicando: mesmo sem alcançar o sucesso comercial esperado para Give Me All Your Luvin'  no mercado (principalmente nos EUA e no UK), Madonna ainda saiu com o saldo positivo devido ao esquema de divulgação. Show no maior evento esportivo do mundo com direito a polêmica, clipe ótimo e todos os veículos especializado falando dela. Tudo que a Madonna quer e sempre faz. Para continuar a divulgar MDNA, ela lançou a canção Girl Gone Wild. Até agora, mercadologicamente falando, a canção está sendo um flop. Contudo, no teor "Madonna de fazer as coisas" ela vai indo de vento e poupa. Além de repercutir na internet, o teaser do clipe promete Madonna fazendo o que sabe melhor: ser a Madonna.

Girl Gone Wild não é uma obra de arte pop, mas consegue bons resultados. Mesmo parecendo com o atual pop, o single é divertidamente descartável. Sua composição é seu calcanhar de Aquiles. Ela começa cheia de classe com um discurso síníco de Madge assumindo seus pecados (acho que a versão single não tem), mas perde tudo em uma letra cheia de clichês do pop. Até tem um refrão grudento, mas faltou aquele toque da Rainha do Pop. Se ela erra aqui, acerta em cheio na produção. Com Madonna e Benny e Ale Benassi na produção, Girl Gone Wild se torna um pop dance dançante viciante e sem precisar ser histérico. Tudo bem amarrado com Madonna mostrando que é possível cantar com auto tune e não perder a "personalidade" vocal. Pelo que já foi dito de quem já ouviu o MDNA, tita Madge está escondendo o ouro e a sua volta promete ser o "comeback" da Rainha do Pop. Que seja verdade!
nota: 7

3 de fevereiro de 2012

The Queen Is Back

Give Me All Your Luvin' (feat. Nicki Minaj & M.I.A.)
Madonna

Simples mortais cantoras de pop, tremei! Ela está de volta! A única, a insuperável, a guenga mais safada da história da música. A Rainha do Pop está de volta, finalmente. Madonna está preparada para reconquistar o territoório que perdeu (e muito!) nos últimos anos. E ela vai fazer da melhor maneira possível: a volta da Madonna original. Esqueçam aquele retrato quase deprimente de quando ela tentou renovar seu som (mais uma vez) misturando hip hop, pop e a farofa do Timbaland (por falar nele, anda sumido, né?). Madona está "back to basics". Ela voltou a um tempo onde ela tinha a pinta em cima do lábio e ela nem era ainda a Rainha. Ao se inventar pela milésima vez, ela faz a Madonna de Burning Up, Lucky Star, Borderline e, a mais importante dessa época, a de Holiday de volta a vida aos 53 anos de idade, mas com corpo de 35. O modelo 2012 da Madonna não é genial, mas é o pop perfeito.

Give Me All Your Luvin' é chiclete no melhor e pior sentido possível. Ela não sair da sua cabeça queira você ou não. Já começa com o "L-U-V Madonna!" que gruda já no inicio da canção. Produzida pelo DJ francês Martin Solveig (DJ + francês: próximo David Guetta?) e pela Madonna, Give Me All Your Luvin é uma sopa deliciosa de letrinhas pop: tem Madonna usando ela própria como referência, tem pop da Gwen Stefani no sentido das lideres de torcidas e tem até influência de o pop oriental. Tudo isso em uma taça de sorvete levemente misturada com futilidade de sobra. Delicioso do começo ao fim, Madonna ainda mostra que ainda sabe entregar o que as pessoas ainda não sabem que querem, mas querem de verdade. Sim, a música tem problemas. Os versos ficaram um pouco sem força, enquanto o refrão faltou mais vocais de fundo para separar do resto da música. Mesmo assim não há como negar que Madonna consegue um produto redondinho. Até mesmo os vocais dela estão adequados, nunca ótimos, mas dando para o gasto. A letra é um pires de profundidade, contudo é super divertida e ela citando ela mesma mostra o tamanho do ego que carrega (In another place and a different time / You can be my lucky star). Em mais momentos de mostrar como ela é ainda aquela "vadia" de sempre, ela chamou duas das mais promissoras artistas para o "featuring". Do mainstream, veio Nicki Minaj entregando outro momento inspirado sendo ela no seu estado mais divertido (se ela tivesse mais uns quinze segundos, ela iria roubar a música). Do underground pop, mas com passagens no mainstream vem a ótima M.I.A. Infelizmente, aqui ela é coadjuvante da coadjuvante. Uma pena já que do pouco que mostra é muito bom. E muitos perguntam o motivo dela aceitar fazer essa pontinha: 1°, uma mulher precisa pagar as contas, né?; 2° Essa é a chance dela se mostrar para o grande público, e; 3° É a Madonna, né? A única forma que eu posso terminar essa resenha é dando as boas vindas de volta Madonna, sua safada!
nota: 7,5

14 de fevereiro de 2010

Young Forever


Revolver(feat.Lil' Wayne)
Madonna


Madonna quer se manter jovem.Isso é claro e eu não a culpo.Chegada na idade 50 anos,uma das mulheres mais famosas do mundo,corre contra os efeitos do tempo em seu corpo e em sua vida.Como eu disse,eu não a culpo ou julgo.O que eu critico,é assim como em sua vida,Madonna queira tentar parecer "moderninha" em sua música seguinte as "modinhas" sabendo que ela é capaz de muito mais que isso.É o caso do segundo single promocional da coletânea Celebration,Revolver.
Produzido pelo Dj Frank E(do hit Right Round do Flo Rida) e pela própria Madonna,Revolver é um pop mediano que caberia muito mais na boca de Britney Spears do que nela.Batida já velha e com ar de reciclada e vocais chatos e sem inspiração com participação descatárvel de Lil Wayne,outro fator da tentativa de ser "moderninho".A letra é até legal meio sacana com boas sacadas mas que ficaria mais divertida na voz de uma Ke$ha da vida.Como eu já disse faz algum tempo:Madonna pare de seguir e seja aquela que as pessoas seguem.
nota:6
P.S:analisado versão do álbum

28 de agosto de 2009

Um Salve Pra Madonna!

Celebration
Madonna


Ela acabou de completar 51 anos e ainda sabe "mexer" a indústria como se tivesse no começo de carreira.Olha que eu nem vou citar o markenting pessoal(Jesus que diga amém),mas Madonna ainda tem aquela habilidade de criar suspense e falatório a cada lançamento de um novo trabalho.Depois de tentar se alinhar com a moçada com o morno Hard Candy e arrebentar com sua turnê Sticky & Sweet,a titia vai lançar uma nova compilação com seus sucessos intitulada Celebration(a sexta de sua carreira).E é claro para promover,Madonna gravou duas novas canções:Revolver com Lil' Wayne(!) e o single que leva o nome do álbum,Celebration.
A canção é produzida pelo badalado DJ Paul Oakenfold é bem melhor que todo Hard Candy junto.É claro que ainda está muito longe que a Madonna já entregou mas já é uma evolução.A letra,que nunca foi o forte da maioria das canções de Madonna,é divertida e entra no clima que o próprio álbum quer passar:uma festacomemoração.O arranjo é feito para as pistas de dança sem precisar de nenhum remix.Os vocais em certos momentos lembram os bons tempos do começo da carreira quando ela ainda tinha a pinta em cima da boca mesmo que não seja o seu melhor trabalho.Então o que eu posso dizer se uma "senhora" de 51 anos que ainda dá um caldo(mesmo que tenha mais osso que carne hoje em dia):Um Salve Pra Madonna!
nota:7