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7 de julho de 2026

Um Regalo

MORNING DEW (DONK)
Beyoncé


Como um presente para os seus fãs devido à celebração dos seus 45 anos e, também, aos vinte anos do B'Day, a Beyoncé lançou a gostosinha MORNING DEW (DONK).

Gravada, na verdade, em 2013 e vazada em 2021, a canção ganha uma versão retrabalhada e oficial que mostra que até o que não é lançado pela cantora merece ver a luz do dia. Um contido, sensual, delicioso e gracioso R&B contemporâneo com toque de soul e pop, a canção tem uma batida realmente envolvente que vai grudando em quem ouve, de forma que a gente realmente fica viciado. Não é, porém, um trabalho que logo desperta a nossa atenção, especialmente para quem não gosta ou não entende o estilo da canção, que mergulha totalmente na sua ideia original. Tendo uma ideia sobre qual é a intenção sonora da canção, o prazer de escutar é realmente garantido.

E prazer é basicamente o tema central da canção, pois é claramente sobre sexo, especialmente o feito de manhã. O grande trunfo da letra é fazer com que o seu tema seja explorado sem meias palavras, mas sem nunca deixar o teor ficar vulgar ou brega, ao ter um pesado verniz de elegância que deixa tudo maduro e sexy. Tenho que admitir que não gosto tanto do refrão, e demorou um pouco para o uso repetido de “donk” fazer realmente sentido para mim. Felizmente, a performance sedosa da Beyoncé apara certas arestas, fazendo a canção terminar realmente à altura da sua presença.

MORNING DEW (DONK) encontra seu lugar até mesmo dentro da discografia da cantora, ao se fixar entre as mais refinadas canções “b-sides/demos” da sua carreira.
nota: 8

24 de maio de 2026

Uma Segunda Chance Para: Why Don't You Love Me

Why Don't You Love Me
Beyoncé

Quase descartada duas vezes, incluída apenas como b-sides de singles e em versões bônus do álbum, Why Don't You Love Me é uma das canções que poderia ter sido esquecida no churrasco e nunca ter visto a luz do dia. Felizmente, a canção ganhou os holofotes, mesmo que de maneira tímida, para se tornar uma das melhores canções da era I Am... Sasha Fierce.

Composta por Beyoncé, Solange e Angela Beyincé (prima das duas), ao lado do trio de produtores Bama Boyz, a canção não se encaixa perfeitamente com a vibe do álbum devido à sua estilizada produção, que pega mais elementos de R&B para construir essa deliciosa mistura de R&B, post-disco, funk, eletropop e dance-pop com fortíssima inspiração vintage. Todavia, a canção fica bem acima de várias faixas do álbum devido à sua produção extremamente estilizada, frenética, elegante e com personalidade totalmente única. Desde o começo de Why Don't You Love Me já dá para sentirmos que estamos diante de uma música realmente inspirada devido à sua introdução, que já mete o pé na porta com sua batida marcada e a introdução de Beyoncé em um verso “falado”, que ajuda também a fazer a gente entender a personalidade da cantora.

Falando em Beyoncé, a cantora entrega uma das suas melhores performances dessa era ao encarnar com perfeição toda a força emocional que a canção pede, ao mesmo tempo que mostra toda a sua força de vocalista em uma canção bem complicada tecnicamente. Apesar de existir a gravação demo da Solange, é meio difícil ouvir outra pessoa entoando a canção da maneira que terminou, pois boa parte da qualidade da canção é poder ouvir a cantora meio que se divertir ao interpretar a composição sobre se sentir amada o tanto que merece, mesmo entregando tudo o que possui e mais um pouco. Mesmo não sendo exatamente profunda tematicamente, a composição entrega momentos inspirados que misturam bem emoção com frases de efeito, especialmente no começo do primeiro verso ao ser disparado: “I got beauty, I got class / I got style, and I got ass, huh / And you don't even care to care”.

Dezesseis anos depois do seu lançamento oficial, que incluiu um clipe que faz a gente sentir saudades de quando Beyoncé ainda se importava com isso, Why Don't You Love Me é uma das pérolas “escondidas” da carreira da cantora. Além disso, a canção parece ser um aviso sobre o que estava por vir sonoramente no próximo trabalho da artista.
nota: 8,5

22 de fevereiro de 2026

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Work It Out
Beyoncé

Apesar de estar em algumas edições internacionais de Dangerously in Love, o primeiro single real da carreira solo da Beyoncé foi a canção Work It Out. Uma pena que, devido ao não sucesso comercial da faixa, ela tenha sido meio que deixada de lado dentro da discografia da cantora, mas precisa ser reconhecida como uma grande canção.

Produzida pelo The Neptunes, duo composto por Pharrell Williams e Chad Hugo, a canção foi usada como tema do filme Austin Powers in Goldmember, no qual Beyoncé tem um papel coadjuvante. Para emoldurar o filme, que se passa em uma versão estilizada dos anos 70, Work It Out capta perfeitamente essa vibe ao ser uma eletrizante, vintage e refinada mistura de funk, R&B e soul, que fica perfeitamente na linha entre a paródia e a reverência. E acredito que era essa a atmosfera que a produção desejava, devido ao estilo do filme. Com essa inteligência criativa, a canção se torna um trabalho especialmente marcante para quem a conhece. Todavia, o grande trunfo da faixa é a presença de Beyoncé.

Se Crazy in Love foi o momento decisivo para mostrar a força da artista, Work It Out foi o momento em que ela mostrou que poderia ter essa força. Primeira canção solo da carreira, a performance sensual, contundente e poderosa da cantora deixou bem claro que seu carisma e talento eram capazes de sustentar canções que exigem uma artista versátil e de alcance gigantesco. E é isso que ela deixa transparecer aqui, mesmo não sendo seu trabalho mais marcante. O ponto fraco da canção é a composição, que cumpre bem seu papel, mas não tem um apelo especial para amarrar as pontas soltas aqui e ali.

De qualquer forma, Work It Out é o começo perfeito, mas esquecido, da carreira solo de Beyoncé, que merece muito mais reconhecimento.
nota: 8

9 de junho de 2024

Quase Um Mega Hit

II MOST WANTED
Miley Cyrus & Beyoncé

Acho que nesse momento já estamos acostumados com o fato da Beyoncé ter um padrão de comportamento após o lançamento dos seus álbuns ao desperdiçar canções que poderiam ser imensos sucessos devido a não divulgação “correta” das mesmas. Esse é o caso de II Most Wanted.

Uma das canções que mais teve destaque depois do lançamento de Cowboy Carter, a parceria com a Miley Cyrus poderia ter sido facilmente uma mega sucesso se tivesse sido melhor divulgada. E apesar disso, a canção ganhou ótimo destaque apenas usando a curiosa parceria e a sua qualidade para conquistar um sexto lugar na Billboard. Parte do álbum que defino como “Beyoncé mostrando como se faz country comercial”, II Most Wanted é uma graciosa, carismática, romântica e bonita balada country pop com uma pegada que consegue ser sonoramente simples, mas com um instrumental gracioso. A letra também tem essa mesma qualidade de não precisar de ser complexo para encantar, incluído o viciante refrão. Entretanto, o grande mérito da canção é a química inusitada da Beyoncé com a Miley que funciona bem melhor que a gente poderia imaginar para uma canção que envolve artistas tão diferentes. E é interessante notar que apenar de “dona da canção”, a Beyoncé dá espaço grande para a Miley, fazendo da canção realmente uma colaboração entre as duas, indo bem longe de uma mania atual em que artistas convidam outros para serem quase backvocal de luxo. E é uma pena que II Most Wanted não pode ter sido um sucesso ainda maior que é, pois poderia facilmente um dos maiores de 2024.
nota: 8,5

12 de fevereiro de 2024

2 Por 1 - Beyoncé

16 Carriages
Texas Hold 'Em
Beyoncé

E novamente a Beyoncé fez de novo ao “quebrar a internet” com o lançamento de duas músicas que começam a era Renaissance Act II, apesar dessa vez terem alguns boatos aqui e ali. E quem sabe um pouco sobre a história da música e da Beyoncé não deve estranhar que essa nova era é country, pois era meio que claro que a cantora irá em algum momento seguir nessa estrada.


Mesmo sendo um gênero atualmente predominante dominado por pessoas brancas, o gênero foi fortemente influenciado nas suas origens por sonoridades de músicas de pessoas negras assim como de indígenas. Todavia, uma boa parte dessa história foi apagada ao longo dos anos, criando uma hegemonia de branca que domina até hoje. E se o primeiro ato desse projeto era dar os holofotes a música eletrônica e a cultura Ballroom vinda da comunidade negra nada mais coeso que fazer o mesmo com o country. Além disso, Beyoncé é do Texas em que o gênero tem forte influencia e a mesma já flertou o mesmo em Lemonade com Daddy Lessons. Então, o lançamento de Texas Hold 'Em e 16 Carriages pode até sido surpresa, mas não é exatamente inesperado. Assim como a qualidade de ambas as canções.

Mesmo que ambas canções sejam country existem diferenças nítidas e importantes entre as duas que as distinguem e mostram o cuidado artístico da Beyoncé. Em 16 Carriages, a batida é mais classuda, emocional, poderosa e pende claramente para uma influencia soul/gospel. Existe uma força sentimental por trás da construção da canção que é perfeita para carregar a emocionante composição. Assim como uma boa canção country, 16 Carriages conta uma história que nesse caso é sobre a carreira e a vida da Beyoncé, começando pelo começo de dificuldades e lutas até chega a consagração, mas, principalmente, a letra é sobre o que não mudou nesses anos que é o amor que a mesma tem pela sua arte. Texas Hold 'Em é o outro lado do country: a celebração. Ao ser mais pop e animada, a canção é divertida, dançante e tem aquela vibe que dá vontade de dançar quadrilha vestida de marca importadas e de salto alto. Não tem mesmo impacto de 16 Carriages, mas nem é para ter já que a sua missão é apenas fazer a gente sacudir o esqueleto. Uma coisa que é preciso notar aqui é o cuidado com a composição para Texas Hold 'Em. O country vive uma epidemia de sucesso mainstream que repetem os mesmos clichês nesse tipo de canção ao relatarem sobre a vida de uma pessoa do interior que vem normalmente de artistas masculinos. Aqui, porém, Beyoncé mostra que é possível falar sobre essa vida de maneira madura, criativa e profunda. Vocalmente, ambas canções apresentam a versatilidade ímpar da cantora em duas performances sensacionais, especialmente em 16 Carriages. E chegamos a era country da Beyoncé e como sendo a mesma não espere nada menos que algo incrível.
notas
16 Carriages: 8,5
Texas Hold 'Em: 8,5

10 de dezembro de 2023

Mother Beyoncé

MY HOUSE
Beyoncé


Com o lançamento de Renaissance: A Film by Beyoncé, a dona Bey resolveu lançar a canção My House como “tema” do concerto-filme. E, queridos leitores, a canção é outro acerto nessa incrível era, apesar de não ser tão genial como outras canções.

Produzido pela cantora ao lado do The-Dream, a canção foge um pouco do conceito inicial do álbum na sua primeira parte ao ser uma batida hip hop mais tradicional para depois na sua segunda parte adicionar uma camada de house/dance-pop estilizada. Não chega aos ápices que a mesma fez no álbum, mas My House tem uma força explosiva que faz a gente ser atraído para a sua orbita facilmente. E como é usada como música fundo aos créditos do filme, a canção funciona perfeitamente já que mantem o ritmo lá no alto e causa um impacto logo nos primeiros segundos. O problema da canção é a sua previsível composição que não tem a assertividade e o carisma que seria necessário para ser memorável. Felizmente, a performance da Beyoncé colocando a mostra toda a sua versatilidade vocal é o ingrediente que dá a liga para o resultado funcionar. Assim continua a jornada da Beyoncé em fazer de Renaissance a sua era mais importante da carreira.
nota: 8



30 de novembro de 2023

As Geniais Rebarbas

VIRGO'S GROOVE
Beyoncé

E você sabia que Virgo's Groove foi lançado como quarto single do Renaissance? Então, nem eu estava sabendo até recentemente, mas fiquei extremamente feliz com a escolha.

Fugindo um pouco da vibe do álbum sem perder, porém, a coesão sonora, Virgo’s Groove é uma suculenta e graciosa disco/funk que é construída usado apenas diamantes em uma das produções mais refinadas da carreira da Beyoncé. E isso é dizer muito devido a qualidade sempre alta que a cantora sempre entregou. A batida é como um tapete que foi feito no mesmo tear, mas é adornado com texturas, cores e nuances diferentes que cria toda uma sequencia com começo, meio e fim. E a imagem costurada aqui é de uma discoteca/boate nos anos setenta em que existe essa atmosfera de sensualidade, excitação e sedução. Virgo's Groove é a canção que muitos não lembram tanto de Renaissance, mas que é uma das joias mais brilhantes da coroa da Beyoncé. 
nota: 9

21 de maio de 2023

O Mundo de Acordo com a Beyoncé

America Has a Problem (feat. Kendrick Lamar)
Beyoncé

Finalmente a Beyoncé começou a “divulgar” o Renaissance com o início da tour que tomou conta das redes sociais e notícias sobre a indústria da música nas últimas semanas. E agora vem o lançamento de America Has a Problem na sua versão remix com a presença ilustre de Kendrick Lamar.

Devo admitir que a canção não está na minha lista de favoritas do álbum, mas é ainda um ponto interessante dentro do álbum. Uma miami bass, subgênero do hip hop misturado com eletrônico e dance music, que não tem o glitter explosivo de outras canções do álbum devido a seguir uma batida mais linear, mas é produzido de maneira tão estilosa e refinada que consegue acompanhar a ritmo que o álbum impõe. A versão “remix” não muda nada sonoramente e isso é um ponto negativo, especialmente se comparado com os outros remixes lançados. Entretanto, o inspiradíssimo verso de Lamar logo no começo de America Has a Problem é uma dose de excitação e quebra de expectativa que faz a canção ganhar alguns pontos consideráveis. Agora só falta a Bey decidir lançar em algum momento os visuais de Renaissance, mas isso só Deus sabe se vai acontecer algum dia.
nota: 8

21 de fevereiro de 2023

Faça Alguma Coisa, Beyoncé!

CUFF IT (WETTER REMIX)
Beyoncé

Já disse uma vez e irei repetir: se a Beyoncé realmente trabalhasse na divulgação do Renaissance teríamos um dos maiores sucessos comerciais de todos os tempos. E isso é deixado claro com as migalhas que a mesma joga para a gente como é caso de CUFF IT (WETTER REMIX).

Assim como BREAK MY SOUL (THE QUEENS REMIX), a cantora pega uma outra canção para “recriar”/remix a sua original. Dessa vez, porém, a escolhida foi uma canção menos conhecida ao usar Wetter do rapper Twista de 2009. Essa decisão deixa o alcance do remix menor, mas, felizmente, o resultado é ainda sensacional. Com uma cadencia mais lenta, sensual e envolvente, CUFF IT (WETTER REMIX) é um trabalho que realmente que merece ser chamado de remix ao descontruir a canção original de maneira a reconstruir com a adição de novas texturas, batidas e versos. Devo admitir que essa versão perde a excitação da original, mas não continua a mostrar o quanto refinado e magnético é a produção da canção já que mesmo tendo o seu instrumental alterado ainda continua a transbordar carisma. E a nova performance vocal que Bey regravou para a canção é de uma sensualidade atemporal e de um cuidado com os detalhes ímpar. E apesar dessa falta de promoção, a Beyoncé nem precisa de Grammy de Album of The Year para provar que é a dona do maior dos últimos tempos.
nota: 8


21 de outubro de 2022

Demanda Popular

CUFF IT
Beyoncé

Beyoncé tem nas mãos um dos maiores sucesso de 2022 em questão de público e critica com o Renaissance, mas que poderia ser o maior com uma diferença estrondosa se a gata saísse da moita e promovesse o trabalho que tem no mínimo 70% das faixas com grande potencias de hits. Com a cantora brincando de esconde-esconde, o público escolher fazer de Cuff It o sucesso da vez.

Uma das canções mais “simpáticas” do álbum, Cuff It é uma deliciosa, excitante, contagiante, sexy, atemporal e viciante mistura de disco, pop e funk que mesmo não sendo a melhor artisticamente em comparação com outras ainda se torna um destaque devido ao seu brilho. Acredito que a principal característica da canção é que a produção adiciona várias texturas e nuances ao longo da sua duração que criar claros bolsões da momentos que facilmente geram dancinhas virais, mas que o resultado final se mostra com um trabalho coeso e fluido em todos os momentos. A presença sensual, suculenta e simplesmente radiante da Beyoncé é outro imenso acerto, pois deixa claro o prazer que a mesma teve para gravar a canção. Apesar de achar que a dona Beyoncé estar perdendo a oportunidade do seu maior sucesso da carreira tenho que admitir que é uma tática invejável uma artista chegar num patamar que pode “esquecer no churrasco” um hit já pronto. E essa é a Beyoncé.
nota: 8,5



7 de agosto de 2022

Queens Mothers

BREAK MY SOUL (THE QUEENS REMIX)
Madonna & Beyoncé


Quando a gente pensa que a Beyoncé não iria surpreender mais com a promoção/divulgação do Renaissance eis que a cantora resolver lançar o remix de Break My Soul com a presença de ninguém menos que a Madonna. Não um remix apenas, mas, sim, a celebração definitiva de toda significação por trás do ano e, claro, um presente único aos fãs.

Em questão de remixes, a Beyoncé tem um ótimo desempenho como, por exemplo, a sua presença em Savage (Remix) da Megan Thee Stallion e, claro, o inesquecível Flawless Remix com a participação da Nicki Minaj. Entretanto, a versão de Break My Soul sub intitulado como THE QUEENS REMIX é algo para entrar para história. Primeiramente, a canção tem o uso de Vogue da Madonna com interpolações que vão além do simples uso do samples e, sim, a construção de uma nova canção que casa dois mundos de maneira extraordinária e de uma genialidade sem precedentes para a carreira das envolvidas. Ao escolher a canção, Bey volta aos olhos para a primeira canção mainstream que deu holofotes para a cultura queer/house/ballhouse e homenageia a importância da rainha do pop na história da música. E, queridos leitores, isso poderia ser apenas um ato bonito se não fosse trabalhado da maneira que esse remix é construído. As duas canções se fundem de maneira natural, excitante e impressionante sem que nenhuma seja engolida uma pela outra, mas sabendo que a canção da Bey é a base e que Vogue é o toque de gênio por trás. E isso é possível devido a produção revigorante que sabe que um remix nesse porte precisa ser reconstruído com adição não apenas do sample, mas, também, com a mudança de estruturas originais para ser um remix de verdade. Em segundo, THE QUEENS REMIX é também uma homenagem importante aos nomes importantes da cultura negra e queer. Nos novos versos da canção em que a Bey faz um remake do famoso rap de Vogue que citava nomes da Hollywood clássica e agora cita nomes de cantoras negras de várias eras, indo das percussoras como Aretha Franklin. Rosetta Tharpe, Bessie Smith e Nina Simone passando por lendas como Lauryn Hill, Diana Ross, Janet Jackson, Whitney Houston e Grace Jones até contemporâneas como as afilhadas Chloe e Halle Bailey, Rihanna, Nicki Minaj e Alicia Keys, entre outras. Além dessas citações, a cantora cita várias “casas” importantes na cultura ballroom como Xtravaganza, LaBeija, Balmain, entre outras. BREAK MY SOUL (THE QUEENS REMIX) continua a demonstrar o imenso domínio artístico, estético e comercial da Beyoncé que está apenas no começo da sua nova era.
nota: 9

21 de junho de 2022

Beyoncé Goes House

BREAK MY SOUL
Beyoncé


Eis que surge a noticia que ninguém acreditou que seria possível nesse ano: o retorno da Beyoncé. Depois de um hiato de seis anos sem lançar um novo álbum solo, a cantora finalmente anunciou e começou a divulgação do seu sétimo álbum intitulado Renaissance. Como primeiro single foi lançada Break My Soul em que a cantora volta de cabeça ao pop em um trabalho que é preciso ter certo conhecimento prévio para captar toda a sua grandiosidade.

Antes de ouvir a canção é preciso entender que a fonte que a produção da Bey ao lado do Tricky Stewart e do The-Dream se apoiaram para construir a batida: o house/dance do começo dos anos noventa. Na verdade, não apenas o gênero e, sim, a cultura que envolveu toda essa época que foi levada nas costas por artistas negros e queer. Caso você não tenha notado, a maioria das canções de sucesso daquela época foram cantadas por artistas negros ou tinhas vocais de cantores negros: Gonna Make You Sweat (Everybody Dance Now) do C+C Music Factory, Rhythm Is a Dancer do SNAP!, What Is Love do Haddaway, entre outros. Então, Bey está exaltando a cultura negra em sua canção com um toque vigoroso da sonoridade queer de forma honesta e respeitosa. Se você não conhecer ou não gostar dessa era, queridos leitores, é bem provável que Break My Soul não será algo que você vai realmente gostar.

Break My Soul é, essencialmente, uma deliciosa house/dance com toque de R&B e hip hop que consegue derivar especificamente da era mencionada sem soar datada, adicionando um espetacular verniz moderno e radiante. A produção acerta em cada ponto sonoro, indo desde a construção instrumental, a atmosfera dançante e, principalmente, o uso dos samples que ressaltam bem as influencias. De um lado, a presença clara dos vocais da lendária rapper e pioneira do bounce Big Freedia retirados da sua canção Explode de 2014. Do outro, o contido, mas enriquecedor, uso do sample do clássico Show Me Love da Robin S. Na verdade, ao escutar pela primeira vez associei a canção diretamente com o sucesso de 1993 sem nem saber do uso do sample. O resultado é um trabalho radiante, viciante e com uma energia refrescante, especialmente quando a gente lembra que é a Beyoncé fazendo novamente pop. Vocalmente, Break My Soul é outro acerto já que a cantora adiciona a mesma vibe das canções de usadas de inspirações, pois adiciona o seu encorpado e poderoso vocal de forma azeitada para elevar o resultado final. A composição poderia ser melhor tematicamente já que não passa de uma edificante e clichê letra de autoajuda. Entretanto, o trabalho em si é ótimo ao conseguir emoldurar qualidades da era house como, por exemplo, as frases de efeitos e as rimas fáceis e, ao mesmo tempo, ser liricamente um trabalho redondo com vários momentos viciantes. E assim começamos uma nova era da dominação da Beyoncé.
nota: 8,5

15 de março de 2022

Uma Segunda Chance Para: Love on Top

Love on Top
Beyoncé

A escolhida para ser revistada hoje não é uma canção que teve uma recepção ruim ou mesmo morna no seu lançamento. Na verdade, desde o momento que a Beyoncé lançou Love on Top como single sempre elogiei a canção, mas devo admitir que o tempo fez a canção se revelar melhor que a recepção original. Na verdade, não apenas melhor, mas, especialmente, como um dos melhores momentos da carreira da Beyoncé, especialmente vocalmente.

Existe uma cresça que mostra potência vocal é apenas possível em grandes baladas que exigem alcance, versatilidade e controle. Em Love on Top, Beyoncé demonstra a capacidade de fazer uma canção dançante um tratado sobre poder vocal. Para aqueles que não sabem, a canção apresenta uma impressionante mudança de tom na sua parte final. Em apenas dois minutos, Love on Top muda de tom quatro vezes ao ir do Ré bemol maior ao Mi maior apenas durante a repetição do refrão. Essa mudança poderia facilmente se tornar irritante ou exagerada, mas é aqui que entra a força da voz da Beyoncé. A cantora faz essas transições de maneira tão fluida e natural que parece aos ouvidos de quem não entende muito bem que não aconteceu nenhuma mudança. E isso não apenas na versão de estúdio, pois a cantora repete exatamente a mesma façanha em qualquer apresentação ao vivo como fez na já lendária performance do MTV Video Music Awards de 2011 quando anunciou a sua gravidez da Blue Ivy. Sonoramente, a canção é outro imenso acerto ao ser uma volta ao R&B old school de maneira graciosa. Sem soar “datada”, mas, sim, repaginada em uma celebração, Love on Top é uma irresistível R&B up-tempo que envolve a gente de forma doce e cadenciada até explodir no seu grandioso clímax. Exaltando o amor de forma sincera, romântica e deliciosamente otimista, a canção continua a envelhecer como o melhor dos vinhos que vai ressaltando as suas qualidades de forma acentuado e se transformando em algo sublime.
nota: 9,5

12 de novembro de 2021

Um Oscar Para Bey - Agora a Missão é Oficial

Be Alive
Beyoncé


Não é segredo para ninguém que durante um tempo a Beyoncé estava na “busca” de vencer um Oscar. Os dois momentos que a mesma teve mais chances foi quando estrelou o musical Dreamgirls em 2006 e mas recentemente quando lançou a canção Spirit, tema do remake de Rei Leão. Nenhuma delas resultou em uma indicação, mas parece que isso deve mudar com o lançamento de Be Alive.

Tema do filme King Richard, estrelado pelo Will Smith e que conta a história do pai de Serena e Venus Williams na busca de fazer as jovens estrelas do tênis, Be Alive é uma interessante e inspiradora canção que a Beyoncé consegue ousar, mas ainda ter o charme que uma canção vencedora do Oscar normalmente pede. Uma fusão potente de R&B e soul, a canção tem nos vocais marcantes de Beyoncé o seu ponto alto, pois a cantora coloca toda a força emocional de maneira avassaladora que cria essa sensação de inspiração que parece ter a mesma vibe do filme. O problema da canção é a sua composição: apesar de boa, a mesma se repete na sua segunda parte e deixa passar um momento que poderia ser a sua elevação. Entretanto, acredito que Be Alive dever ser indicada ao Oscar, pois, além da qualidade da canção, a Academia não iria perder a oportunidade de ter no mesmo ano Beyoncé, Lady Gaga, Kristen Stewart e Billie Eilish depois do fiasco de audiência do ano passado.
nota: 7,5

26 de junho de 2020

A Força Negra

BLACK PARADE
Beyoncé

Analisando a carreira da Beyoncé com cuidado é fácil notar que quanto mais a cantora foi se transformando em um ícone contemporâneo mais a sua voz ativista foi se tornando mais forte e presente. E não é nada surpreendente o lançamento da inspiradíssima BLACK PARADE.

Obviamente, a canção é uma homenagem/exaltação da cultura negra em meio aos protestos pelas vidas negras de uma maneira excepcional ao conseguir ser atual e historicamente rica em referências. A composição é um dos trabalhos mais complexos, substâncias e poderosos da carreira da Beyoncé em que o público é realmente levado em uma parada de citações, lembranças e louvor da história e da cultura negra passada, presente e futura. BLACK PARADE reflete não apenas a indignação, mas o orgulho da comunidade negra. É revigorante poder ouvir tamanha celebração ser capaz de vir a luz do dia em uma época tão difícil como vivemos. Provavelmente por ser essa uma comemoração acima de tudo que a produção decidiu fazer da canção uma dançante hip hop/trap que remete ao uma versão cadenciada de 7/11. Com uma performance inspirada da Queen Bee, BLACK PARADE poderia ser um pouco menor e ter um começo mais dinâmico como o resto da canção, mas, apesar disso, o lançamento da canção, que terá os lucros revertidos para um fundo com destinação à negros donos de negócios, ajuda a fechar essas semanas com um pouco de luz e esperança para o futuro.
nota: 8,5

10 de maio de 2020

Guerra dos Remixes

Say So (feat. Nicki Minaj)
Doja Cat

Savage (Remix) [feat. Beyoncé]
Megan Thee Stallion

E no meio do caos eis que surge uma guerra. Felizmente, essa guerra é inofensiva, pois é sobre quem lançou o melhor remix recentemente. De um lado temos Megan Thee Stallion ao lado da Beyoncé em Savage. Do outro lado marca a presença de Doja Cat com a Nicki Minaj em Say So. E a pergunta: quem venceu?

Canção que está fazendo Doja Cat se tornar a próxima grande promessa, Say So pode até ser uma canção envolta em problemas, mas é um trabalho inspirado e um dos sucessos de 2020. A sua versão remix é, infelizmente, uma grande decepção. O principal problema é que a presença de Nicki Minaj é completamente aleatória, desnecessária e que não acrescenta em nada o resultado final. Pior: surgido do nada, o verso da rapper quebra o clímax ao mudar a batida para algo minimalista e sem graça. A música continua quase intacta após a aparição de Minaj, ajudando a canção não desandar mais ainda. O mais triste é que o verso da rapper é sozinho um bom momento que foi completamente desperdiçado. Saindo-se bem melhor está Megan Thee Stallion.

Canção de maior sucesso da rapper, Savage ganha uma versão remix com intuito de reverter todos os lucros para ajudar as vitimas do corana vírus na cidade de Houston, cidade onde as duas artistas nasceram. O resultado sonoramente não pode nem ser chamado de remix, pois está mais para um reconstrução e criação de uma nova canção. E o principal acerto é a presença magistral da Beyoncé. Exercitado o seu lado rapper, a cantora está completamente confortável nesse papel entregando uma performance inspiradíssima e com uma personalidade radiante, sexy e madura. Além disso, Bey não faz apenas uma rápida aparição, mas, sim, verdadeira participação. Na verdade, essa versão de Savage parece mais como Beyoncé feat. Megan Thee Stallion do que ao contrário, mesmo que a dona de verdade tenha seus momentos de brilhar. Todavia, os versos icônicos que Queen B entrega já entram para a categoria de momentos íconicos de 2020. Sonoramente, Savage pega o melhor da versão original, adiciona nuances e entrega uma viciante e substancial trap pop. Acredito que está bem claro quem vence essa disputa, não é?
notas
Say So: 6,5
Savage: 8

22 de julho de 2019

Um Oscar Para Chamar de Meu

Spirit
Beyoncé

Fazendo parte do elenco vocal do remake de O Rei Leão, a cantora aproveitou para lançar uma canção como parte das atualizações de uma das melhores e mais conhecidas trilhas sonoras de todos os tempos. E a mensagem é claro e bem alto: Spirit é o veículo que a Beyoncé irá usar para vencer um Oscar. E se não tiver nenhum grande cataclisma, a cantora irá receber a sua estatueta dourada no ano que vem.

Spirit tem a característica de ter atributos que a ligam diretamente com a atmosfera do filme e, ao mesmo tempo, se sustentar sozinha devido a sua própria personalidade. Isso pode criar certa fricção com alguns fãs do filme mais puristas, mas ajuda a cantora na sua jornada ao Oscar. E mais: no frigir dos ovos, a canção é um trabalho edificante. Uma balada épica que mistura R&B com uma dose pesada de gospel e toques de sonoridade africana com uma atmosfera perfeita para uma grande e emocionante performance ao vivo. Não é exatamente o trabalho mais inovador da cantora, mas, sejamos sinceros, o objetivo não é mudar a cara da música e, sim, ser um trabalho conservador para não "assustar" os velhinhos da Academia. Apesar de qualidade da composição e a sua mensagem positiva e inspiradora, Spirit possui uma composição bem comum e com uma mensagem que parece que não quer falar algo realmente concreto, mas apenas jogar poderosas frases de efeito. O grande destaque da canção, porém, é a performance avassaladora, espetacular e de uma qualidade técnica excepcional da Beyoncé que demonstra nos mínimos detalhes o motivo de ser uma das maiores estrelas de todos os tempos. Existe ainda uma estrada bem grande até a premiação do ano que vem do Oscar e tudo pode acontecer até lá, mas tenho as minhas suspeitas que, assim com a Lady GaGa, a Academia não iria deixar de passar a oportunidade de ao menos indicar a Beyoncé. 
nota: 7,5

22 de abril de 2017

Pequenas Coisas Belas

Die With You
Beyoncé

Não que essa canção seja uma nova fase na carreira da Beyoncé ou coisa parecida já que a canção foi "lançada" para comemorar os nove anos de casamento dela com Jay-Z, mas Die With You demonstra que quando uma artista está no topo da sua carreira até mesmo brincadeira é um musicão.

Se existe um ponto visível que divide Beyoncé de outras cantoras é a sua voz e em Die With You podemos ouvir isso claramente. Não que a cantora dá uma de Whitney Houston aqui, pois a performance dela é extremamente contida e, simultaneamente, com um precisão técnica impressionante. Cada nota é dada a perfeição, mas de uma forma a ressaltar a emoção por trás de cada verso. Sem ter uma produção pomposa, provavelmente gravada em casa mesmo, e de um acabamento acústico, Die With You não é um trabalho que irá ser uma das marcas da cantora. Entretanto, é uma pequena e bem vinda amostra do poder da Beyoncé.
nota: 7

11 de outubro de 2016

2 Por 1 - Beyoncé

Hold Up
Freedom (feat. Kendrick Lamar)
Beyoncé

Ao chegar a um estágio da carreira que só a sua presença já é garantia de alcançar o sucesso, Beyoncé não precisa mais lançar single da mesma maneira do que o resto dos artistas. Sem fazer grandes trabalhos de divulgação individualmente, mas, como já vem fazendo desde o álbum anterior, Beyoncé se dedica em divulgar o Lemonade como um todo. Por isso fica difícil saber quando um single é "lançado" de verdade pela cantora. Os dois últimos foram as faixas Hold Up e Freedom.

Produzido pela própria cantora ao lado do Diplo e Ezra Koenig da banda Vampire WeekendHold Up é uma vigorosa e deliciosa reggae fusion com uma batida milimetricamente construída em uma base minimalista. A sonoridade tão contida é perfeita para ser o veiculo para toda a explosão de sentimentos que guarda a composição e os vocais da cantora. Ao falar explicitamente sobre a seu desilusão com Jay-Z e o casamento, a cantora mostra um lado humano seu quase perdido no mundo pop de hoje. Ácida, engraçada e de uma sinceridade desconcertante, Hold Up é o tipo de canção que apenas um artista com a sua carreira nas mãos tem a capacidade de criar. E só uma grande cantora como Bey é capaz de entregar ao não se baseando em poder vocal, mas em uma interpretação avassaladora em encarnar uma especie de dona de casa a beira de um colapso nervoso, confrontando o marido infiel sem perder, porém, a aparente calma calculada. Claro, Hold Up é uma música sensacional, mas não se compara ao poder de Freedom.



Apesar de ser a mais "tradicional" na questão de sonoridade dentro de Lemonade, Freedom tem a mensagem mais avassaladoramente direta e desconcertantemente atual, principalmente devido ao cenário de tensão racial nos Estados Unidos. A composição fala sobre se libertar das amarras que a sociedade impõe, mas principalmente aquelas amarras postas por a gente mesmo e que nos impede de gritar por nossa liberdade. Liberdade de sermos quem somos sem precisar "prestar" conta ou muito menos se adequar ao comportamento que uma parte da sociedade acha que é certo. A construção de diversas imagens acachapantes (Estou dizendo a essas lágrimas que me deixem, me deixem/ E que a última delas queime em chamas) são as responsáveis para elevar Freedom em parâmetros estratosféricos, transformando a canção em um hino de protesto moderno assim como Formation. O diferencia aqui, porém, é a presença poderosa e perturbante de Kendrick Lamar em um verso desconcertante em todos os sentidos, mas é Bey que invoca a sua cantora gospel interior para dar o tom da sua performance épica em uma batida que une perfeitamente neo soul, hip hop e, claro, gospel para criar uma sonoridade impactante e inesquecível para quem ouvir. Nenhuma das duas músicas precisam de sucesso comercial para validar a imensa qualidade quem ambas carregam. E nem a Beyoncé precisa validar mais nada na sua carreira.
nota
Hold Up: 9
Freedom: 10