segunda-feira, 22 de agosto de 2016

2 Por 1 - Usher

Crash
No Limit (feat. Young Thug)
Usher

Apesar de já ter lançado cinco single do seu próximo álbum intitulado Flawed, Usher não dá nenhum sinal do real lançamento do mesmo que será o nono da sua carreira. Enquanto isso não acontece, vamos analisar os últimos dois singles divulgados: Crash e No Limit. A primeira e melhor das duas é Crash.


A canção é uma mistura legal de R&B e eletropop que não tem a mesma qualidade de uma Scream ou Dive, mas tem seus méritos. Primeiro, Usher mostra a facilidade que tem usar o seu falsete, cantando todo o refrão assim. Para criar uma textura na canção, o cantor utiliza a sua voz "normal" nos versos. A composição é mediana, mas não atrapalha o resultado final.






Já em No Limit, Usher faz a repetitiva mistura de hip hop com R&B que resulta em mais do mesmo. Apesar da batida comercial, a canção falta bastante criatividade em sua construção. Caso não fosse uma música do Usher seria fácil qualquer outro cantor, com menos talento e fama, gravar a canção e ter o mesmo resultado. E, claro, para corar a canção há a presença quase obrigatório de um rapper aleatório: dessa vez é o insonso Young Thug. Espero que quando Usher lançar o álbum possa ter canções mais como Crash e menos como essa No Limit.

notas
Crash: 7
No Limit: 5

domingo, 21 de agosto de 2016

De Volta ao Jazz

Carry On
Norah Jones

Olhar para o passado em buscas das suas raízes nunca é ruim, pois dá para quem olha um forte senso de onde veio e, por consequência, de quem é. É exatamente isso que a Norah Jones irá fazer no seu sexto álbum solo: Day Breaks é uma volta ao jazz do começo da carreira, quando estourou mundialmente com o aclamado Come Away With Me de 2002. O primeiro single ajuda a mostrar essa estratégia. 

Carry On retoma pesadamente a sonoridade e atmosfera que pode ser ouvidas nos sucessos Don't Know WhyCome Away With Me, apesar de não apresentar o mesmo frescor e atemporalidade. Na verdade, a canção parece como uma prima menor que ainda precisaria de algum tempo para crescer e se tornar adulta. Mesmo assim, o single consegue reviver de maneira nostálgica a delicada maneira que Norah encara o jazz em uma instrumentalização contida e bonita. Sua voz angelical dá a perfeita interpretação para a boa composição sobre términos e seguir em frente. Essa volta para casa de Norah Jones é extremamente bem vinda e aconselho outros também fazerem.
nota: 7,5

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

2016: O Ano da Volta das Bandas dos Anos Noventa

Bang Bang
Green Day

Ao que parece um dos temas de 2016 é retornos de bandas dos anos noventa. Depois do lançamento dos álbuns do Radiohead, Red Hot Chili Peppers e blink-182, agora é a vez do Green Day voltar aos holofotes depois de um hiato de quatro anos. Como primeiro single do álbum Revolution Radio foi lançada a controversa Bang Bang.

A canção tem um polêmico e atual ponto de vista: o de uma atirar em massa. Bang Bang tem a interessante proposta de discutir o papel da sociedade e, principalmente, da mídia no surgimento desses psicopatas. Não apenas discutir, mas criticar pesadamente a influência nessas pessoas que a banda denomina como "o pequeno psicopata do papai e o soldadinho da mamãe". Graças ao lado ácido e inteligente que o Green Day sempre teve em discutir temas espinhosos como esse, Bang Bang não se torna em um panfleto para a xenofobia ou qualquer preconceito, pois a composição é bastante clara em apontar dedos ao colocar a culpa em pessoas e, não, em uma religião. Claro, lançar uma música desse ponto de vista é muito arriscado, mas Bang Bang consegue passar a mensagem de maneira clara e consciente, ajudada pela frenética batida punk rock de uma instrumentalização sólida e bem produzida. Além disso, Billie Joe continua mandando muito bem nos vocais. A volta da banda, assim como as das outras, ajuda a mostrar o quanto estamos em falta de novos ídolos de rock atualmente. Felizmente, esses "tiozões" ainda estão na ativa como se fosse 1995.
nota: 8

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Country Pink

Setting the World On Fire (with P!nk)
Kenny Chesney

Acredito que a parceria entre o cantor country Kenny Chesney com a P!nk possa causar alguma estranheza para quem não conhece mais afundo a carreira da cantora. P!nk já flertou pesadamente algumas vezes com o gênero em canções como Misery (M!ssundaztood) e Mean (Funhouse). Além disso, várias e várias canções suas tem toques de country/bluesgrass que a ajudam a incrementar a sua sonoridade. Por isso, a presença de P!nk em Setting the World On Fire seja o ponto álbum da canção.

Primeiramente, a cantora, não apenas combina com a canção, mas como também mostra um grande domínio em sua interpretação e tem uma boa química com Kenny Chesney. Em segundo, a maneira como  é realizado o dueto é muito interessante: além de aparecer como backvocal nos versos, P!nk canta sozinha quase todas as repetições do refrão, deixando apenas para o final a junção da sua voz com o de Kenny. Ótima estrutura que a produção vocal dá para Setting the World On Fire, quebrando expectativas. Apesar disso, a canção não é exatamente sensacional, pois a produção entrega um simpático, porém nada excepcional mid-tempo country pop com uma instrumentalização bem feitinha e uma composição mediana. Felizmente, a presença da P!nk eleva a canção em vários degraus e ajuda Setting the World On Fire a se tornar uma canção interessante.
nota: 7

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Farofa Latina

Sola
Becky G

Ainda preparando o primeiro álbum e conciliando com a carreira de atriz (em breve irá aparecer no novo filme dos Powers Rangers), a rapper/cantora Becky G lançou recentemente a surpreendente boa Sola.

A canção é um divertido e envolvente latin pop que tem uma atmosfera sexy, mas de um refinamento muito bem vindo que a transforma em um prima sonora e latina de Into You da Ariana Grande. Apesar de não possuir a mesma qualidade de produção, Sola tem uma estrutura encorpada que mostra que pode existe farofa pop que não é um batidão repetitivo e cafona. E por isso, a canção não é exatamente para bater cabelo e, sim, fazer dancinha sensual no meio da pista. Além disso, a aveludada performance de Becky G é precisa para a canção, mesmo que a cantora não tenha exatamente a melhor das vozes da nova geração. Outro ponto positivo é a composição sobre dar um pé na bunda do cara que não dar valor para a narradora que consegue ser inteligente e com um verniz pop perfeito. Para quem está reclamando da falta de farofa em 2016, aqui está uma boa pedida com sabor latino.
nota: 7,5

domingo, 14 de agosto de 2016

O Que Teria Acontecido com John Newman?

Olé
John Newman

Tentar entender o porquê um artista novato que tinha tudo para virar um fenômeno, mas que não alcança o seu potencial, é um bastante difícil. Existem dezenas de fatores que vão desde o quanto a gravadora investi, passando pelo timing dos lançamentos de singles e álbum e chegando, também, na simples e devastadora sorte. Um bom caso é o do cantor britânico John Newman. Depois de uma estreia avassaladora em Love Me Again, o cantor não conseguiu entregar o que prometia com lançamentos de pouco destaque, apesar da sua parceria com o DJ Calvin Harris Blame ter obtido bons resultados. Para tentar repetir o mesmo sucesso, mas na carreira solo, o cantor lançou Olé de autoria e produção do DJ.

A canção, por enquanto, não consegue cumprir a meta de dar para a carreira de John Newman uma chance de reconquistar o caminho para o sucesso, não apenas em relação ao lado comercial, mas, principalmente, o lado artístico. Ao chegar apenas a 120° da parada inglesa, Olé é a tentativa do DJ de sair do mesmo lugar ao entregar um soul/reggae, mas que acaba resultando em uma pastiche irritante e bastante clichê. O pior não é ouvir a batida morna, mas, sim, ouvir John Newman no meio dessa pataquada: dono de uma voz potente e "soulful", o cantor está completamente perdido em uma performance apática e sem graça. Nem a composição mediana ajuda, pois Olé (nome horrível) é um fracasso completo. Espero que em um futuro próximo, John Newman tenha a oportunidade de ter em mãos algo que seja, ao menos, decente.
nota: 4

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Os 8 Compositores

Cold Water (feat. Justin Bieber & MØ)
Major Lazer

Uma das principais criticas de vários críticos contemporâneos de música é em relação a qualidade das composições em relação a quantidade de compositores envolvidos. Antigamente, a maioria das músicas eram escritas por um ou dois nomes apenas e, quando raro, três nomes eram creditados. Hoje em dia, a maioria das canções que chegam ao grande público tem, no minimo, de três autores para mais. E, apesar disso, não conseguem alcançar o mesmo parâmetro de qualidade que as músicas de antes que tinham "poucos" nomes. Esse é o caso de Cold Water do Major Lazer que possui incríveis oito compositores.

Além dos participantes da canção, Diplo e os featuring Justin Bieber e MØ, Cold Water tem ainda mais cinco nomes, incluindo o Ed Sheeran. Apesar disso, a quantidade não é sinônimo de qualidade: não que a letra seja ruim, mas está completamente longe de ser boa. Na verdade, o resultado final não é nada. Ao falar sobre um narrador que fará qualquer coisa para ajudar quem ama, a letra não apresenta nada de novo ou realmente excitante que valha a pena ter dezesseis mãos na composição. Felizmente, a canção tem uma produção divertida que mistura música eletrônica com batidas de reggae e música latina, mas sem soar clichê ou repetitiva. Mesmo entregando uma performance razoável, Bieber parece estar no automático e o uso dos efeitos ajuda a aumentar essa sensação. Além disso, MØ é mal aproveitada ao cantar apenas um verso. Tantos nomes para uma música tão mediana é passível de pensar que, talvez, essa formula realmente não é a melhor.
nota: 6,5

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A Diferentona

Fuck With Myself
Banks

Em um ano com tantos lançamentos de grandes nomes, artistas menores podem passar despercebidos. Esse é o caso da cantora americana Banks que está se preparando para lançar o segundo álbum (sucessor do bom Goddess de 2014) ainda esse ano e como primeiro single divulgou a boa Fuck With Myself.

A canção mostra que a cantora não perdeu a sua estética alternativa ao entregar uma interessante mistura de pop, R&B indie e eletrônico, mas que arrisca em uma pegada mais sensual e uma batida ainda mais minimalista. Fuck With Myself não tenta ser uma revolução musical, mas consegue divertir com a sua vibe envolvente e, surpreendemente, comercial. Não que será um estouro de vendas, mas a canção tem cara de sucesso tardio que vai aos poucos ganhando destaque e, por fim, alcança boas colocações nas paradas tempos depois do seu lançamento. O que pode gerar alguma polêmica, pois a boa composição de Fuck With Myself fala claramente sobre masturbação, porém, de maneira "fina" e estilosa. E, por falar em estilo, a performance vocal de Banks é realmente ousada e cheia de personalidade, mesmo que não seja exatamente a melhor possível. Fuck With Myself, por enquanto, é a melhor canção a ser descoberta do ano.
nota: 7,5