segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Sinceridade Contida

Guts Over Fear (feat. Sia)
Eminem

Nem sempre uma música boa tem uma composição genial, mas uma composição genial faz uma música ficar boa ou, ao menos, mediana. 

Guts Over Fear, lançada recentemente como single da compilação Shady XV que vai reunir o Eminem e vários artistas da sua gravadora em novas canções com grandes sucessos como Lose Yourself, mostra como compositor o Slim Shady ainda é um dos melhores no que faz. A canção é um desabafo interessante sobre quem é o artista Eminem perante a sociedade artística e como ele chegou até onde está. Extremamente bem escrita e com uma carga emocional sincera Guts Over Fear se beneficia da habilidade da cantora Sia como compositora ao entregar um refrão forte e que foge dos padrões do mainstream. Infelizmente, Guts Over Fear não entrega o mesmo nível em outras partes. Mesmo com boas performances do rapper e da cantora é fácil notar que ambos já mostraram muito mais que exposto em Guts Over Fear. Além disso, a produção de Emile Haynie é boa, mas quadradinha demais sem nenhuma ousadia. Felizmente, o single compensa pela letra sincera e a falta de coisa melhor no hip hop ultimamente.
nota: 7

domingo, 31 de agosto de 2014

Faixa Por Faixa - Grandes Álbuns

CD: channel ORANGE
Artista: Frank Ocean
Gênero: R&B, soul
Vendagem: Cerca de 800 mil de cópias
Singles/Peak na Billboard: Thinkin Bout You (32°), Pyramids (Não entrou), Sweet Life (Não entrou), Lost (Não entrou), Super Rich Kids (Não entrou).


Grammy
Vitórias
2013
Best Urban Contemporary Album
Indicações
Album of the Year
Record of the Year

Ano: 2012


sábado, 30 de agosto de 2014

Satisfação

Gladiator
Dami Im

É tão boa a sensação de ter acertado uma aposta. Esse é o caso da cantora Dami Im, vencedora da edição do ano passado da versão australiana do The X Factor. Desde a sua primeira audição, com aquele jeito tímido e envergonhado, sempre achei que Dami poderia ser uma estrela. E, aos poucos, ela vai provando a minha aposta, ainda mais com o lançamento do single Gladiator.

A canção prova definitivamente que a cantora pode ser pop e manter o seu DNA sem comprometer nenhum dos lados. Um pouco menos inspirada que o single anteriorGladiator consegue manter o nível ao entregar uma canção mid-tempo pop refinada, bem estruturada e cativante mesmo com uma produção um pouco massificada. A produção vocal dos vocais de Dami no refrão é questionável, pois encobrem e distorcem a sua voz natural. Porém, a cantora está sensacional em uma atuação extremamente segura e com "cara" de diva. O melhor de Gladiator é a terna, romântica e cativante composição sobre lutar contra tudo e todos para ficar com quem ama já que tem a cara da cantora. Felizmente, dessa vez eu acertei em quem torcer e posso ter orgulho de Dami Im.
nota: 7,5

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Baby Got Back

Booty (feat. Pitbull)
Booty (Remix) [feat. Iggy Azalea]
Jennifer Lopez


O novo álbum da Jennifer Lopez flopou terrivelmente nas paradas e isso não há como negar ou tentar reverter. Porém, J.Lo vai fazer o que muitas divas pop não fazem quando isso acontecer: tentar salvar um pouco da lavoura. Para isso, a cantora vai seguir a cartilha e se aliar com quem está em alta e lançar uma música ao lado da rapper Iggy Azalea. Primeiro, não é que elas gravaram para o A.K.A (a ruim Acting Like That) e, segundo, não lançar uma música, mas regravar uma canção da própria Jennifer do mesmo álbum. A escolhida foi a melhor do trabalho: a divertida Booty. A versão original contava com a participação do rapper Pitbull, ou seja, J.Lo trocou o "velho cachorro" para ver se encontra de novo a fórmula para o sucesso. 

O resultado final da mudança é, no mínimo, curioso, pois, mesmo soando "novidade" a presença da rapper australiana dando uma refrescada na canção, Booty perde certo "encanto" sem a presença de Pitbull. Com o rapper, a canção ganha um charme meio "cafa", meio divertido, meio sexual que ajuda a canção a ganhar personalidade e se transformar em uma música chiclete. Com Azalea, Booty fica mais sensual, pela presença apenas de duas mulheres, digamos, "bootylicious" das artistas e, mesmo com a perca de qualidade, consegue manter o nível já que a canção é uma boa canção. Booty é um pop dance com pitadas de hip hop e nuances de uma sonoridade de árabe que consegue fazer o que se propõe: ter uma batida feita para "balançar a bunda". Cadenciada e com uma vibe "guilty pleasure" que realmente tem o potencial de fazer sucesso. E se isso acontecer, será o maior choque de booty de todos os tempos enfrentando a anaconda da Nicki Minaj!

nota
Versão Original: 6,5
Versão Remix: 6,5 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O Selante

She Came to Give It to You (feat. Nicki Minaj)
Usher

Existe apenas um responsável pela qualidade do single She Came to Give It to You: o protudor Pharrell Williams. 

O segundo single do próximo álbum do Usher é uma criação com a marca de Pharrell do começo ao fim: dançante, suingada e viciante. A forte influência aqui é da disco com mistura de R&B e funk, algo entre o James Brown encontra Chic. Não há como criticar a batida deliciosa da canção mesmo sendo quase uma repetição de outros trabalhos do produtor. Com tudo bem alinhado, cabe ao Usher entregar uma performance exemplar que se baseia em seu carisma magnético e vocais certeiros e a Minaj fazer seu trabalho de maneira sensacional ajudada pela boa química com Usher e Pharrell. Faltou uma composição mais interessante do que apenas um trabalho viciante, mas sem originalidade. Ainda assim, She Came to Give It to You é acima da média devido a cola que une todas as pontas que é o Pharrell.
nota: 7

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Primeira Impressão

My Everything
Ariana Grande


A principal diferença entre o debut álbum Yours Truly de 2013 com My Everything, segundo álbum da carreira de Ariana Grande, é a intenção: o primeiro apresentava uma cantora com grande futuro artístico, o segundo apresenta uma artista com um grande futuro comercial pela frente. E, mesmo com essa drástica mudança, Ariana conseguiu manter quase o mesmo nível do antecessor e entregar em My Everything uma mistura divertidamente despretensiosa de pop com R&B.

Apesar de não concordar a "poplização" de Ariana, tenho que admitir que entendo o motivo para isso: pegar o talento da cantora e expandir comercialmente para atingir as fronteiras do mainstream internacional. Do ponto de vista mercadológico está indo muito bem já que Ariana é um dos maiores sucessos do ano. Do ponto de vista artístico, mesmo com algumas ressalvas, o processo dá certo e aponto para os novos caminhos da carreira que pode funcionar se trabalhados da maneira correta. Antes de entrar no assunto sonoridade, é necessário falar do ponto que apenas melhorou do álbum anterior para My Everything: a voz de Ariana. Se antes, Ariana era uma promessa devido a potencial vocal comparado com a Mariah Carey, agora a cantora se consolida ainda mais ao entregar performances ainda mais seguras e com uma versatilidade que está vindo com a experiência. Claro, ainda falta algumas aparadas em certos pontos, mas, sem dúvida nenhuma, Ariana está no caminho certo para, quem sabe, ser a "A Voz" do futuro ao encontrar o sua própria personalidade. Ainda podemos ouvir ecos de suas influências em vários momentos, porém, as várias nuances que ela apresenta durante todo o álbum são impressionantes. É muito fácil ouvir o que digo em Break Free que é sucedida por Best Mistake: são duas canções completamente diferentes e que ganham distintas e sensacionais interpretações por Ariana. Sim,ela ainda presença em palco ainda precisa melhorar, e muito, mas, assim como os vocais, acredito que com o tempo ela vá melhorando. Agora, entramos na parte de produção.

My Everything é essencialmente um álbum pop, mas com grandes pitadas de R&B, eletrônico e, até mesmo, um pouquinho de hip hop. Mesmo que inferior ao anterior, o resultado no fim é bom. Porém, o grande problema aqui é o fato de que o álbum não fluir. Incrivelmente, esse problema não é causado pela "poplização" da cantora, pois o tom aqui usado, uma mistura de uma vibe pop dos anos noventa com uma atmosfera romântica 'fofinha, funciona muito bem. O que acontece de fato é que não há cadência na sequência de faixas resultado da mudança de estilos entre uma música e outra. Por exemplo, logo depois da R&B/hip hop Problem vem a dance pop One Last Time que logo é seguida por Why Try, uma balada pop mid-tempo, e depois aparece a EDM/pop Break Free. Apesar de não parece uma grande mudanças na teoria, na prática o resultado é a quebra de ritmo, por causa disso se perde a coesão do álbum. Bem diferente do que acontece com Yours Truly. Dessa maneira, as faixas de My Everything funcionam melhor separadas do que juntas. Mesmo assim, o ótimo trabalho do time de produtores do momento ajuda a qualidade do álbum ao entregar músicas redondinhas que, em alguns momentos, mostram claramente o potencial de Ariana da melhor maneira. Entre o mundo teen e adulto, as composições do álbum são condizentes com a atmosfera do trabalho: românticas, delicadas e cativantes. Não há momentos geniais, mas podemos notar um cuidado em não "brincar" com a inteligência do público alvo dela sem esquecer que Ariana já é uma mulher de verdade ao flertar com o lado mais sexual dela em algumas passagens. O grande momento do álbum é, sem dúvidas, a descolada Break Your Heart Right Back que fala sobre a traição de maneira interessante: a narrativa fala sobre o namorado de Ariana que a traiu com o melhor amigo dele (sim, uma relação gay, para quem não entender). De maneira respeitosa a letra não julga a condição sexual, mas, sim, a traição em si. Além disso, a participação do rapper Childish Gambino é ótima e o uso do sample I'm Coming Out da diva Diana Ross é sensacional e dá o tempero  perfeito para a canção. Gosto também de One Last Time por causa, principalmente, dos vocais maduros de Ariana. Assim como Best Mistake que surpreende pela sua produção e Problem que é um chiclete de primeira classe. Just a Little Bit of Your Heart é uma balada com base de piano bem conservadora, mas que Ariana carrega com destreza. Por outro lado, Hands On Me é tentar demais fazer a cantora parecer "cool" e sexy e You Don't Know Me , na versão deluxe, não funciona. Se eu fosse "orientar" a carreira de Ariana daqui para frente, iria colocar a cantora em um caminho parecido do que a Beyocé fez em seu último álbum no que tange a sonoridade. Contudo, Ariana está no caminho certo e quando ela unir as suas duas facetas, a do primeiro álbum com a desse, ela irar destruir muito forninhos por aí.

O Estilo Madonna

Sirens
Cher Lloyd


Uma das características mais marcantes da Madonna é que, mesmo sem ter uma "grande voz", ela sempre
foi capaz de segurar músicas que pediam uma voz com um alcance bem alto. Claro, ajudada pela produção, mas, principalmente, usando a sua inteligência, a Rainha do Pop entregou momentos icônicos como em Take a Bow, Like a Prayer, Frozen e You'll See. Seguindo o mesmo caminho está a inglesa Cher Lloyd na sua canção Sirens.

Segundo single do álbum Sorry, I'm Late, Sirens tem como grande atrativo os ótimos vocais da cantora que ultrapassa os limites da sua voz e entrega uma performance sóbria, sólida e com emoção. Cher pode não ter a maior voz do mundo pop, mas conseguiu evoluir muito se compararmos com o seu primeiro trabalho (Sticks & Stones) e aprendeu a tirar o melhor da sua voz. A canção também se destaca pela produção madura que flerta com o pop rock para construir uma balada com ar de épica acompanhando uma composição redondinha que consegue passar a dramaticidade certa para combinar com os vocais da cantora. Faltou só o mesmo reconhecimento da Madonna, mas isso era querer demais.
nota: 7,5

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Fé em Faith

Changing (feat. Paloma Faith)
Sigma

Caso vocês não tenham notado a nova moda é uma banda não ter nenhum vocalista e precisar sempre
convidar um artista para assumir a função de vocalista. Um exemplo disso é o duo britânico Sigma que escolheram a Paloma Faith para ser a voz de Changing. Uma decisão mais do que acertada.

A cantora empresta sua poderosa voz e mostra toda o seu magnetismo em uma performance arrebatadora. Sem ela, provavelmente, Changing não teria o mesmo impacto e o duo de músicos teriam nas mãos uma canção até boa, mas sem personalidade nenhuma. Isso fica claro no momento que se analisa o arranjo da canção: optando por seguir o estilo drum 'n' bass, o duo produz uma canção bem estruturada e com uma batida dinâmica que se não fosse a presença de Paloma acabaria sendo uma variação do velho pancadão do eletrônico mainstream. Uma pequena dose de música gospel dá a leve temperada em Changing. A fé de sigma em Paloma Faith resultou em um quase milagre. Amém.
nota: 7

domingo, 24 de agosto de 2014

Primeira Impressão

Friends & Lovers
Marsha Ambrosius


Se a música serve para "causar" emoções, música pode ser responsável, também, por estimular sentimentos de luxúria, desejo, lascividade, tesão, isto é, a vontade de fazer sexo. Porém, nem sempre sexo na música precisa ser sinônimo de vulgaridade. E, também, não precisa ser puritano ou sem graça. Friends & Lovers, segundo álbum da cantora de R&B Marsha Ambrosius, está para provar que sexo pode ser "fino" e "safadinho".

Friends & Lovers é, principalmente, um álbum sobre sexo e, em vários momentos, feito para fazer sexo. A sonoridade pretendida aqui é uma união de R&B com jazz e pitadas generosas de hip hop buscando uma atmosfera sexy, envolvente e convidativa para embalar longas noites de amor. O resultado final poderia ser algo exagerado, mas a boa produção faz o álbum passar longe disso ao entregar trabalhos bem estruturados, contidos e adultos em todos os sentidos. Poderia, sim, mostrar mais ousadia no que tange a sonoridade com faixas mais ousadas e originais. Por falar em ousadia, várias faixas de Friends & Lovers são bem "pra frentex" ao falar sobre sexo de maneira direta e sem pudores. Músicas como So Good, Shoes e a sugestiva 69 usam de passagens diretas sobre sexo para falar sobre o assunto e, também, sobre amor. Contudo, a forma como o tema sexo é colocado mostra um refinamento interessante que consegue não vulgarizar a composição mesmo com um teor tão explicito em alguns momentos. Além disso, os outros momentos menos sexuais também são bons, o que comprova o talento de Ambrosius como compositora. Ela também brilha em seus vocais seguros em todo o álbum sabendo muito bem em quais momentos ser sexy ou em quais ser dramática, sempre mostrando sua voz da melhor maneira. Além das canções já citadas, outro momento de destaque é a canção Stronger com participação da lendo do rapper Dr.Dre que é uma versão/cover da música Love Is Stronger Than Pride do Sade. Friends & Lovers é como sexo e deve ser curtido do começo ao fim.

Sim, Você é o Cara, Sam!

I'm Not the Only One
Sam Smith

Sem nomes de peso para competir, Sam Smith se tornou a voz masculina de 2014 e com todos os méritos possíveis. Depois do sucesso do single Stay With Me, Sam lançou I'm Not the Only One como o quarto single do álbum debut, o ótimo In the Lonely Hour.

Carregada na influência de jazz misturado com R&B e gospel, Sam entrega uma canção simples e delicada, mas que funciona perfeitamente ao transmitir a emoção necessária para combinar com o tema da canção. I'm Not the Only One é sobre aquele momento que alguém descobre que está sendo traído. A linda e melancólica composição é como se fosse aquele momento que a pessoa confronta o "infiel" e Sam entrega vocais aveludados de tristeza em uma performance cativante. Nesse momento é quase impossível trair Sam Smith, pois ele é apenas o cara!
nota: 7,5