sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Qual a Direção?

Steal My Girl
One Direction


Quem é o One Direction? Essa é a pergunta que a boy band deve responder nos seus próximos trabalhos, pois os seus integrantes estão exatamente na fase que estão virando adultos e começam a encontrar definitivamente a suas personalidades. Isso deve levar aos cinco integrantes a perguntar o mesmo: quem é o One Direction? A resposta pode estar no novo single deles Steal My Girl, apesar da canção não ser nada de especial.

Steal My Girl tem uma sonoridade bem mais marcante e, consequentemente, mais madura em
comparação aos singles anteriores. Porém, a produção erra ao fazer um pop sisudo demais e com um pé nos anos noventa. O fator comercial tão bem desenhado para o grupo se perde e isso se vai boa parte do divertimento do grupo. É preciso dar para One Direction uma sonoridade que faça os garotos parecem adultos, mas ainda divertidos, atuais e vendáveis. Provavelmente por causa disso, o impacto da música nas paradas está sendo morna em relação á músicas como Live While We're Young, Best Song Ever e, claro, What Makes You Beautiful. Além da produção equivocada, a composição é bem fraca e tem um apelo machista quando fala:

Todos querem roubar minha garota
Todos querem levar seu coração
Alguns bilhões de pessoas no mundo
Procurem outra pessoa, porque ela me pertence

Infelizmente, muitas fãs vão achar esse trecho como apenas romântico. Caso não encontrem um caminho mais eficiente e original já prevejo, no final de contratos, os integrantes do One Direction procurando seus caminhos solos. E não seria uma surpresa.
nota: 5,5

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Uma Segunda Chance Para "Locked Out of Heaven"

Locked Out of Heaven
Bruno Mars


Lançada como primeiro single do álbum Unorthodox Jukebox, Locked Out of Heaven continua sendo o single mais fraco do Bruno Mars até hoje. Mesmo assim, a canção não deixa de ter as suas qualidades e ter melhorado com o tempo.


Continuo achando que a quantidade de produtores (The Smeezingtons, Mark Ronson, Emile Haynie e Jeff Bhaske) tão talentosos e diferentes entre si causa um choque de criação e deixa a canção com uma enxurrada de influências sem uma definição de qual lado seguir. Contudo, a instrumentalização dada para Locked Out of Heaven é sensacional garantindo o bom resultado. Assim também temos a performance aveludada e sexy de Bruno durante toda a canção. O melhor da canção é a sua composição poderosa e o seu refrão único e cativante. Um trabalho menor de Bruno, mas que está envelhecendo igual vinho.

nota original: 6,5
nota atual: 7

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O Renascimento de um Brother

Jealous
Nick Jonas


A história é antiga e batida, mas, dessa vez, tem uma vertente nova: não bastando o fato de está passando pela transição de adolescente para adulto, Nick Jonas também faz a passagem para ser um artista solo. Até agora, o ex-Jonas Brothers está fazendo tudo pela cartilha e direitinho: após o fim do grupo com os irmãos, o mais jovem dos três começou a mudança de visual indo de "franguinho" para homem sexy. Além disso, a sua carreira musical ganha um novo caminho com o lançamento do seu primeiro álbum solo (Nick lançou um com a banda Nick Jonas & the Administration). Para divulgar o CD que vai levar o nome do cantor foi lançada a canção Jealous que, surpreendentemente, está fazendo certo sucesso na parada americana.

Sinceramente, eu nunca tinha prestado atenção na voz de Nick. Nada muito espetacular para falar a verdade, mas em Jealous ele segura bem o papel de "branquelo" cantando soul pop. Porém. o que realmente faz da canção um trabalho bom é a produção bem intencionada que faz um trabalho decente ao construir um arranjo que fica entre Justin Timberlake e o Robin Thicke (antes de Blurred Lines). Não é a produção mais original do ano, mas é simpática o suficiente para ajudar Nick a criar a sua própria história na música. O que não dá para elogiar é a composição fraca que chega, em alguns momentos, cair no famoso "vergonha alheia" (Porque você é muito sexy, linda/ E todo mundo quer tirar uma casquinha). E assim mais uma vez o mundo da música mostra o quanto pode ser uma caixa de surpresas fazendo um dos Jonas realmente fazer sucesso na carreira solo.
nota: 6,5

sábado, 18 de outubro de 2014

O Genial Paolo

Iron Sky
Paolo Nutini


Vivemos em uma sociedade em que cultuamos uma falsa liberdade. Enquanto vivemos a mais avançada era da tecnologia em todos os sentidos, somos, ao mesmo tempo, colocados em um circulo de ódio, segregação e desrespeito quando dos diretos básicos de todas as pessoas são colocados de lado em detrimento dos desejos de alguns líderes sociais, culturais e políticos. E, por isso, músicas como Iron Sky de Paolo Nutini ainda são necessárias para lembrar que ainda vivemos em uma sociedade longe da perfeição.

Iron Sky resgata a tradição de usar a música como forma de protesto e que não quase estranheza vindo de Paolo, pois a sua sonoridade é retirada dos soul/rock que se fazia durante os anos sessenta e setenta em que se proliferou canções com o intuito de contestar a sociedade. Porém, nada nos prepara para o "tour de force" em que Paolo nos leva em Iron Sky. O extraordinário arranjo se transforma em uma especie de mantra poderoso que consegue carregar a consciência de quem ouve em uma viagem acachapante ao arrancar os sentimentos mais viscerais. Não há como não ouvir a canção e não sair mexido em todos os sentidos. Não bastasse a excelência do arranjo, Paolo entrega a performance da sua vida usando todas as qualidade da sua voz para simplesmente ser o grito de quem clama por uma vida melhor. Finalmente, a composição não precisa escolher um alvo especifico para ser um trabalho simplesmente genial ao afirmar que o poder ainda está nas mãos do povo e, apenas ele, tem a capacidade de se erguer contra o "mal" que os domina. Apesar de uma qualidade inigualável, Iron Sky só tem o impacto tão fulminante que possui devido ao uso de um pedaço do discurso feito por Charlie Chaplin em O Grande Ditador colocado estrategicamente antes do "clímax" final. O poder emocional que essa escolha traz é algo avassalador em todos os sentidos e faz a gente abrir os olhos para o quanto não evoluímos em mais de setenta anos quando o filme foi lançado. Iron Sky ainda se faz necessário em um mundo que precisa mudar a partir da revolução pessoal de cada um.
nota: 10

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

2 Por 1 - Jennifer Hudson

It's Your World (feat. R. Kelly)
Walk It Out (feat. Timbaland)
Jennifer Hudson


Um dos principais motivos pelo flop do novo álbum da Jennifer Hudson é o fato que nenhum dos singles lançados, até agora, consegui qualquer destaque nas paradas da Billboard. E, infelizmente, não é difícil entender o motivo desses desempenhos: as canções são boas, mas não são nada comerciais.

It's Your World é uma gostosa mistura de disco e soul em que a química entre Hudson e R.Kelly fica bastante evidente e ajuda a canção a se destacar como uma produção redondinha. Porém, a canção não tem apelo para se tornar um hit e sua duração de mais de cinco minutos não ajuda em nada. Com um pouco mais de fator comercial está a produção assinada pelo Timbaland que se beneficia bastante da visão única do produtor em uma batida sensacional que vai crescendo aos poucos. Jennifer também entrega uma performance sensacional conseguindo segurar a canção do começo ao fim. Uma pena que para competir no atual mercado faltou ainda muito apelo comercial para ter alguma chance de verdade.

notas
It's Your World: 7

Walk It Out: 7,5

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Um Coração Quebrado e Uma Lata de Cerveja

Cold One
Eric Church


No country, temas como coração partido e o amor pela bebida são comuns. Juntar tudo isso em uma
canção é mais difícil. E quando o resultado é um coração parte por causa da bebida é um feito para pouquíssimos. Esse é o caso da canção Cold One do Eric Church.

O single, terceiro do álbum The Outsiders, tem uma composição sensacional: começa falando sobre o dia em que a amada do narrador o deixou, mas, na verdade, o que ele sente falta é o pacote de cerveja que ela levou junto. Divertida e irônica, a composição mostra como sair do lugar comum sem perder o espirito original do country. Outro ponto positivo é a produção que segue uma linha country rock, mas que tem uma ótima surpresa em uma virada sensacional. No final, uma pessoa apenas precisa de um coração quebrado e uma lata de cerveja para fazer uma música boa.
nota: 8

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Primeira Impressão

8
Marjorie Estiano


Ao contrario do acontece nos Estados Unidos, os artistas que desempenham a função de cantor/ator no Brasil não tem o mesmo prestigio perante o público. Então, ver o sucesso no mundo da música que a Marjorie Estiano obteve é surpreendente. Ajudada pelo estrondoso sucesso da temporada em que em que foi uma das protagonistas de Malhação entre 2004 e 2006 na qual era integrante da banda ficcional "Vagabanda", Estiano vendeu com seu primeiro álbum homônimo mais de 300 mil cópias. Porém, seu lado atriz (uma das melhores da sua geração) falou bem mais forte e a artistas deixou de lado a música para se dedicar aos projetos ligados a TV, o teatro e o cinema. Depois de uma hiato de sete anos, Marjorie, agora de forma independente, lança o seu terceiro álbum intitulado 8

Marjorie Estiano é uma boa cantora e, sem dúvida nenhuma, deveria ter em mãos um material drasticamente melhor do que é apresentado em 8. O grande motivo para o trabalho dela seja tão ruim é até bem simples: 8 é uma coleção de clichês em cima de clichês sobre a música brasileira. Claramente, a produção tenta emoldurar a sonoridade das grandes divas da época de ouro do Rádio adicionando aqui e ali influências de estilos diferentes como samba, MPB e até mesmo reggae e música latina, mas, tragicamente, tudo não passa de imitação canhestra, sem graça, pobre e deprimente estereotipada. Não há nenhum momento em que a essa sonoridade pretendida seja realmente realizada com qualidade e também não existe nenhuma tentativa de sair do lugar comum com acréscimo de novas ideias. Enquanto isso, a delicada e suave voz de Marjorie se perde em uma enxurrada de composições fracas que tentam soar inteligentes, mas que acabam resultando em uma coleção de belas palavras soltas no ar. Contudo, há dois momentos que despertam alguma simpatia: a regravação de Ta-Hi da Carmen Miranda e a parceria com a sambista Mart'Nália em A Não Ser o Perdão. Só que isso não é o suficiente para melhorar o resultado final de 8. Marjorie Estiano merece e tem condições de entregar um trabalho musical bem melhor que esse álbum. Era só mirar no que ela faz quando está trabalhando como atriz.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Estranhamente Bom

i
Kendrick Lamar


Uma das missões mais difíceis para um artista em começo de carreira é superar o sucesso de vendas quando o seu primeiro álbum é um sucesso comercial. A situação piora caso o primeiro álbum também seja um trabalho criticamente aclamado pela mídia especializada em geral. Da ótima safra de 2012, o primeiro a fazer o seu comeback primeiro e enfrentar o desafio é o rapper Kendrick Lamar que lançou o seu novo single intitulado apenas i (eu em português) recentemente que abre os trabalhos para o seu terceiro álbum de estúdio (ok, disse que esse seria o segundo, pois considero good kid, m.A.A.d city o seu verdadeiro álbum de estréia).

O novo single do rapper quebra com todss as expectativas de quem esperava algo parecido com as músicas do trabalho anterior como, pro exemplo, Bitch, Don't Kill My Vibe ou Poetic Justice. I é uma curiosa produção em que o rapper abre o seu repertório para uma batida mais leve, animadinha e despretensiosa em uma instrumentalização um pouco "lotada", mas que funciona de uma maneira estranha. Há influência de funk e soul music em i criando uma sonoridade que caminha na mesma direção que os trabalhos anteriores, mas que estão em estradas bem diferentes. Devo admitir que essa mudança é um pouco impactante em um primeiro momento e vai se dissipando quando se ouve a canção mais vezes quando se percebe que Kendrick usa desse verniz para elaborar uma composição bem mais profundo que pode se imaginar ao falar sobre depressão e o a luta em superar a doença. Novamente, o rapper se mostra bem acima dos seus contemporâneos ao ir além do lugar comum dos assuntos vinculados normalmente com o hip hop e mostrar uma pouco de humanidade em uma letra que consegue ser passar a sensação de "feel good" sem precisar recorrer a pieguismos fáceis. Transitando por diferentes maneiras de encarar o papel de um rapper, Lamar mostra sua imensa versatilidade ao flertar com seu lado "cantor" mesmo não sendo a sua melhor performance até hoje. "i" é uma música estranhamente boa, mas que pode ser apenas um pedaço do que Lamar está preparando para o seu novo trabalho. Vamos aguardar.
nota: 7,5