sábado, 21 de abril de 2018

A Garota Gênio Problema

Anna Wintour
Azealia Banks*

Durante um bom tempo "bani" a Azealia Banks daqui do blog devido as suas extremamente questionáveis "opiniões" sobre uma gama de assuntos. Entretanto, depois de analisar bem, decide dar uma nova chance a rapper, pois se o blog sempre deu uma chance para o Kanye West durante todos esses anos, por que não dá para a Azealia? Além do mais, a rapper é um dos grandes talentos surgidos na última década como fica comprovado no sensacional single Anna Wintour.

Para quem se lembra do maior sucesso da rapper, a genial 212 de 2012, pode ter uma ideia sobre o que é Anna Wintour, nome dado em homenagem a editora chefe da Vogue americana. A canção é uma espetacular e sem comparações EDM/rap que faz uma verdadeira homenagem a sonoridade do começo dos anos '90. Energética, explosiva e com uma batida avassaladora, Anna Wintour é o que a rapper saber fazer melhor com canções que poderiam acabar clichês ou datadas. Uma batida elegante e produzida a perfeição não teria o mesmo impacto sem a presença marcante de Azealia. O tamanho da sua personalidade, digamos, áspera e difícil está na mesmo proporção do seu gigantesco talento como artística, pois em Anna Wintour entrega na mesma medida de genialidade a parte cantada como a parte do rap, mostrando o quanto genial Azealia Banks pode ser quando se foca apenas na sua música. Vamos esperar para ver se a rapper não irá trocar os pés pelas mãos, pois paciência tem limite até para pessoas de talento fora do comum.
nota: 8,5

* A resenha foi escrita antes da noticia do estrupo sofrido pela artista. Espero de coração que tudo fique bem com Azealia Banks.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

O Maravilhoso Rosa

Pynk (feat. Grimes)
Janelle Monáe

Tenho a leve impressão que a Janelle Monáe está bem disposta a entregar o melhor álbum do ano com Dirty Computer. Depois de dois incríveis primeiros singles, agora é a vez de ela impressionar com a inusitada Pynk.

Pynk continua a linha de empoderamento dos singles anteriores ao ser uma maravilhosa e deliciosa ode ao poder da vagina e, também, da cor rosa. Apesar da estranheza que os assuntos podem causar no primeiro momento, Pynk funciona de uma maneira irrepreensível devido a inteligência criativa de Janelle e o seus parceiros ao entregar uma leve, carismática e audaciosa letra sobre o poder da mulher, ressaltando a ligação com a sexualidade, amor próprio e força da cor rosa que é encontrado em lugares simbólicos. Além dessa linha temática, Janelle Monáe mostra aqui que está disposta em dar para o álbum um cara completamente diferente dos seus álbuns anteriores, pois Pynk é completamente diferente das anteriores.

Entregando uma sonoridade que transita entre o art pop e o R&B com toques de rock, eletrônico, indie e funk, Pynk é uma canção de raríssima produção, pois quebra qualquer expectativa que poderíamos ter com uma canção da Janelle. Minimalista quando precisa, explosiva nos momentos certos. Sexy na medida certa, mas recheada de uma sexualidade latente e deliciosa. Envolvente em sua batida gostosa de ouvir e, ao mesmo tempo, fora de qualquer lugar de segurança em uma construção audaciosa e única. Pynk é um trabalho tão extraordinário que fica difícil de achar adjetivos para elogiar as suas qualidades sonoras. Para corresponder a altura da produção, Janelle Monáe entrega outra performance impressionante cheia de nuances e com uma habilidade de mudar de estilo de tirar o chapéu. O único defeito da canção é dar um espaço reduzido para a presença da ótima Grimes, transformando a sua participação em quase uma backvocal de luxo. Esse problema, porém, não compromete de fato Pynk, pois estamos diante de uma das músicas mais surpreendente dos últimos tempos. 
nota: 8,5

A Boa e Velha Carrie

Cry Pretty
Carrie Underwood


Carrie Underwood irá passar por um momento de recomeço na sua carreira. Não que a cantora tenha passado por problemas nessa área, mas ela está volta aos trabalhos depois de um gravíssimo acidente que a deixou seriamente machucada. Para marcar esse retorno, a cantora lançou a ótima canção Cry Pretty, mostrando que continua sendo a boa e velha Carrie.

Cry Pretty é uma sólida e poderosa balada country pop/rock que tem com melhor atributo o imenso talento vocal de Carrie. Uma das melhores vocalistas do country de todos os tempos, Carrie tem em mãos a canção perfeita para mostrar o seu grande alcance, mas, também, todas as nuances que a sua voz é capaz em uma interpretação emocionante. A composição é outro acerto: emocionante na medida certa e forte sem precisar ser exagerada, a letra fala sobre se deixar se emocionar quando for preciso na vida, revelando um pouco do que a cantora passou no último ano. Poucas cantoras poderiam entregar uma performance tão técnica e com a mesma carga emocional como a Carrie Underwood faz em Cry Pretty. Que bom que ela está de volta, ótima como sempre.
nota: 8

terça-feira, 17 de abril de 2018

Antes Tarde do Que Nunca - Votação

A próxima votação para decidir qual será o álbum no Antes Tarde do Que Nunca terá um tema que liga todos os álbuns: Primeiros Álbuns. Todas as opções são os primeiros álbuns lançados ou/e primeiros álbuns lançados por uma gravadora desses artistas e/ou primeiros álbuns solos. Dessa vez, porém, os dois primeiros colocados serão resenhados. Qual serão o álbuns escolhidos? Votem!!!



1. The Fame - Lady GaGa
2. Justified - Justin Timberlake
3. The Miseducation Of Lauryn Hill - Lauryn Hill
4. Whitney Houston - Whitney Houston
5. Tidal - Fiona Apple
6. Fearless - Jazmine Sullivan
7. Alright, Still - Lily Allen
8. Jagged Little Pill - Alanis Morissette
9. Parachutes - Coldplay

domingo, 15 de abril de 2018

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Torn
Natalie Imbruglia

Para quem é da época pré-internet deve lembrar bem o quanto era difícil ter informações sobre os artistas internacionais quando os mesmo faziam sucesso aqui no Brasil. Mais difícil ainda era saber as traduções das canções que tocavam na rádio. Quem não tinha acesso a MTV, não ouvia rádio que tinha algum programa que fazia traduções "ao vivo" ou não tinha condições de pagar um bom cursinho de idiomas ficava a ver navios, o que era uma grande parte da população na verdade. Então, devido a esse não conhecimento, as músicas que a gente ouvia em outro idioma ganhavam a nossa própria interpretação, principalmente de acordo com a sonoridade da canção, isto é, se a canção era pop deveria falar sobre algo feliz e despretensioso ou se a canção era uma balada deveria falar de amor. Tempos passaram e a gente finalmente descobriu com a ajuda da informática que muitas das músicas que a gente achava que significava certa coisa era na realidade algo completamente diferente. Para mim, o caso mais curioso dessa descoberta foi o mega sucesso Torn da Natalie Imbruglia.

Escolhida como primeiro single do álbum debut da australiana, Torn é na verdade uma regravação de uma canção de 1993 que já tinha ganhado duas regravações até "cair" no colo de Natalie em 1997. O sucesso da versão da cantora foi tanto que a ajudou a ganhar três indicações ao Grammy, incluindo de o de Melhor Novo Artista, vendeu cerca de quatro milhões de cópias e ajudou a definir a cara musical do final dos anos noventa. Obviamente, o sucesso atingiu o Brasil, virando sucesso nas rádios e também na MTV com seu clipe. Todavia, quem ouvia os melódicos acodes dessa soft pop/rock e a voz doce de Natalie poderia imaginar que a canção era uma sentimental e romântica canção de amor. Ledo engano, pois anos depois ao ler e traduzir a composição descubro que a Torn é sobre uma separação devastadora e algumas das suas possíveis consequências.

Ouvindo a versão de Natalie sem saber a letra ou a sua tradução, o ouvinte tem a clara impressão que está diante de uma canção romântica otimista, pois a sua produção dá para essa versão uma atmosfera leve, melódica e quase acústica que transmite uma sensação boa e até reconfortante com a batida perfeita de uma mistura de pop com soft rock. Essa sonoridade criada para Torn não combina em nada com a sua letra, mas que de algum forma é o grande trunfo da produção. A canção narra a desilusão amorosa que a narradora passa depois de acreditar que teria encontrado o homem perfeito, mas que percebeu que era na verdade o famoso "macho embuste". Esse tipo de letra é comum e vários artistas já entregaram canções com essas características. Todavia, a carga emocional na letra de Torn esconde momentos realmente fortes, principalmente no seu refrão:

Eu estou totalmente sem fé
É assim como eu me sinto
Eu estou com frio e envergonhada
Deitada nua no chão
Ilusão nunca se transformou
Em algo real
Eu estou bem acordada e eu posso ver
O céu perfeito está despedaçado
Você está um pouco atrasado
Eu já estou despedaçada

Durante algum tempo surgiram rumores que a canção seria sobre um suicídio, mas que foram refutadas posteriormente. De qualquer, a imagem criada é de uma força que não estamos acostumados em canções pop e, talvez, isso tenha ajudado o sucesso de Torn. Lindamente interpretada pela delicada voz da cantora, Torn é uma das canções que melhor definem até que ponto o pop pode ser profundo sem precisar perder a suas características externa. E, por isso, a canção é o melhor exemplo das aparências enganam de verdade.
nota: 8,5

sábado, 14 de abril de 2018

2 Por 1 - Shawn Mendes

In My Blood
Lost in Japan
Shawn Mendes

Aos poucos e de forma exemplar, Shawn Mendes vem conquistando o seu lugar ao Sol entre os principais nomes jovens do pop mundial. Crescendo e amadurecendo diante dos olhos do grande público, o cantor está preparando para lançar o terceiro álbum e lançou os dois primeiros singles: In My Blood e Lost in Japan.

In My Blood é, sem dúvida nenhum, a canção mais madura da carreira do jovem cantor. O principal motivo disso é o fato da sua composição falar de assuntos sérios na nossa sociedade: depressão e ansiedade. A canção é como um pedido de ajuda de alguém que não quer se entregar, mas que precisa de ajuda para superar esse problema que são mais comuns que a maioria das pessoas acreditam. Emocionante, bem escrita e completamente fora do lugar comum, In My Blood também é a canção mais bem acabada da carreira de Shawn, sendo uma eficiente e forte power balada pop rock que combina perfeitamente com a composição. Um trabalho que pode soar surpreendente para aqueles que não acompanharam a carreira do cantor desde o começo, mas que, na verdade, é apenas o resultado da sua evolução. Menos inspirada, mas mostrando outro lado de Shawn está a simpática Lost in Japan.

Deixando o seu lado mais pop  fluir, Lost in Japan é uma gostosinha dance pop/pop rock que lembre alguns trabalhos do Justin Timberlake no começo da sua carreira solo. Sem precisa se preocupar com uma interpretação sisuda e dramática, Shawn entrega vocais cheios de cadência e sensuais, mas comedidos e sem maiores estripulias o que combina com a batida redondinha. A composição é outro momento bem feitinho com um refrão cativante. O erro aqui é não deixa a canção crescer nos seus momentos finais, restringindo a instrumentalização ao mesmo nível que toda a canção. Esse problema, na verdade, é ainda o maior problema de Shawn: não deixar as suas músicas muito limitadas dentro das suas próprias sonoridades. Tirando isso, Shawn Mendes é o melhor artista masculino do pop nos últimos cinco anos e a sua evolução comprova o seu status. 
notas
In My Blood: 7,5
Lost in Japan: 7