sábado, 20 de setembro de 2014

3 Por 1 - Male Country

Leave the Night On
Sam Hunt

Burnin' It Down
Jason Aldean

River Bank
Brad Paisley


Já faz algum que não faço esse especial para ver como "anda" o mundo country americano pela visão dos homens. Começo pelo novato Sam Hunt.

Depois de assinar com a MCA Nashiville (um braço da Universal), o ex-jogador de futebol americano Sam Hunt prepara o lançamento do seu primeiro álbum e a canção escolhida foi a simpática Leave the Night On. 


A canção segue aquele esquema de canção country "feel good" que vários e vários artistas do gênero já fizeram deixando a canção logo de cara com a alcunha de sem personalidade. Dito isso, Leave the Night On funciona dentro do que se propõe em fazer: uma canção country "feel good". Se a composição não acrescenta na de novo, a produção acerta na batida bem gostosa e Sam tem uma performance bastante carismática dando vida para a canção.


Seguindo uma linha mais country rock está o cantor Brad Paisley com a legalzinha River Bank. O single até funciona, pois tem produção redondinha com um arranjo até bem feitinho e tem cara de canção comercial. Porém, não passa de mais uma canção sobre como festejar no estilo "caipira". A falta de inspiração para as composições ultimamente é impressionante no country, especialmente, para os cantores. 


Finalmente, se firmando como um dos maiores nomes do country atual, e também da música americana, Jason Aldean perde a chance de entregar uma música melhor que a mediana Burnin' It Down

O single tem uma cadência bem diferente de outras canções do cantor buscando uma vibe mais sexy em um arranjo que começa promissor, mas que acaba não decolando já que a canção se mantém completamente linear deixando uma sensação que a canção está sendo "arrastada". A sua duração (quase quatro minutos) também não ajuda ao amplificar essa sensação de "esticamento" de Burnin' It Down. Os vocais de Jason se encaixam perfeitamente na canção, mas não consegue melhorar a canção. 

notas
Leave the Night On:7
Burnin' It Down:6
River Bank:5,5

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Rosa Suave

You and Me
You+Me


Pegando de surpresa seu público, P!nk anunciou o começo de um trabalho paralelo a sua carreira: o duo folk You+Me ao lado do músico/cantor encantadense Dallas Green (conhecido pelo nome artístico City and Colour). O duo se prepara para lançar o álbum Rose Ave. e como primeiro single foi lançado a graciosa You and Me.

Dividindo igualmente os vocais, Pink e Dallas demonstram o mais importante para uma dupla em que dos dois tem o papel de vocalista: química. Cada um, dentro das suas habilidades vocais, encontram aqui uma bela harmonia entregando emoção de maneira simples, mas realmente tocante e verdadeira. Pink comprova novamente a sua versatilidade como uma das melhores artistas da sua geração. You+Me caminha tranquilamente pelo campo do folk/pop com uma instrumentalização sólida que valoriza o mínimo em vez do grandioso. Só que, infelizmente, não há nada novo nessa sonoridade, apesar de muito bem feita. O mesmo se aplica para a composição, porém, como na maioria dos trabalhos que tem a assinatura da P!nk, tem uma qualidade muito acima da média colocando de maneira honesta sentimentos que poderiam ser transmitidos de forma forçada e brega. Um novo tom para P!nk que a serve com perfeição.
nota: 7,5

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Primeira Impressão

The Golden Echo
Kimbra


The Golden Echo, segundo álbum da cantora neozelandesa Kimbra conhecida pela canção Somebody That I Used to Know do Gotye, é simples: incompreensão. Explicando melhor: The Golden Echo é, na teoria, um bom álbum, mas na prática o trabalho não mostra para o que veio deixando quem escuta com um pulga atrás da orelha que morde bem forte com a pergunta "o que foi isso?".

Em The Golden Echo, Kimbra busca uma sonoridade que ao mesmo tempo homenageie o mundo pop consiga desconstruir o mesmo na tentativa de construir a sua própria. A produção consegue tudo isso, mas, de uma maneira perturbadora, o resultado é meramente um grande esqueleto sem forma de uma sonoridade que poderia ter sido bem melhor trabalhada, ter uma elaboração mais caprichada e melhor definida. Essa última, talvez, seja o maior defeito do álbum, pois The Golden Echo começa com uma vibe indie pop brincando com elementos de música experimental e acaba em uma atmosfera mais tradicional com canções mais certinhas e "comuns". Não que seja um problemas essa mudanças, mas, sim, o fato de não há uma transição fluida entre esses dois mundos. Apesar de faixas medianas, The Golden Echo ainda consegue ser um trabalho ousado mesmo que poderia ter rendido bem mais, pois Kimbra tem uma presença revigorante. Vocalmente, é um trabalho com altos e baixos, mas a cantora mostra incrível versatilidade e, com certeza, é o elemento mais sólido do álbum. Os bons momentos do álbum ficam por conta das faixas Rescue Him, Madhouse (lembrando o que o Michael Jackson fazia nos anos oitenta) e a bonitinha Nobody But You. Quando Kimbra encontrar o caminho mais plano, provavelmente, vai surgir uma artista sensacional e com uma sonoridade bem mais compreensível.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A Culpa é do Calvin!

Blame (feat. John Newman)
Calvin Harris


Sabe quem é o principal culpado pelas músicas do Calvin Harris nunca saírem do lugar comum: o próprio Calvin! Pegamos o caso do seu último single, a legal Blame.

Nas mãos de Calvin Blame se torna mais do mesmo, ou seja, mais um bom e sem personalidade dance/eletrônico que poderia render muito mais. A canção tem como vocalista o ótimo cantor John Newman que é dono de uma voz "soulful" impressionante dando para a canção substância sem precisar de muito esforço vocal e a composição tem um apelo mais maduro e emocional. Tudo muito bem, mas a produção de Calvin acerta nos toques soul e erra na hora de construir o "batidão" já que essa parte é o famoso "mais do mesmo". Calvin parece usar a mesma batida em quase todas as suas músicas apenas mudando a fusão que faz com outros estilos. Uma pena, por culpa de Calvin, Blame é apenas ok quando poderia ser um "musicão".
nota: 6

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Crônica de Uma Garota Desfuncional

Secrets
Mary Lambert

Depois de ficar conhecida por participar como featuring a canção Same Love de Macklemore & Ryan Lewis indicada ao Grammy de Song of the Year esse ano e na ocasião foi apresentada ao lado de Madonna, a cantora Mary Lambert se prepara para lançar seu primeira álbum em uma grande gravadora e como primeiro single foi escolhida a simpática Secrets.

A canção ganha pontos positivos quando se percebe que a letra é sobre as doces neuroses de Mary possui e como ela lida com esses problemas. Porém, nada de melodramas em que Mary remoí suas feridas, mas, na verdade, Secrets é uma sincera e engraçada crônica sobre os problemas pessoais da cantora que qualquer pessoa pode se identificar, apesar do teor bem íntimo da canção. Apesar de exalar personalidade em sua composição ainda falta "delimitar" a sonoridade da cantora, pois Secrets parece uma canção feita pela Sara Bareilles. Uma boa canção, mas que não ajuda a cantora a estabelecer sua própria sonoridade. Mesmo com essas falhas, ainda é muito bom ver uma artista repartindo um pouco de si com o público.
nota: 7

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Faixa Por Faixa - Votação 7

A nova votação para escolher o próximo álbum para o Faixa por Faixa vai colocar dois artistas jovens um contra o outro que lançaram novos trabalhos esse ano, mas, aqui, vamos colocar os seus debuts na votação. De um lado está + (Plus) do Ed Sheeran e do outro Yours Truly da Ariana Grande. Votem!

domingo, 14 de setembro de 2014

Primeira Impressão

Hoje
Ludmilla


Muitos falam que a música brasileira atual está decadente. Pelo contrário, a música brasileira continua em plena forma revelando bons nomes. O que está em decadência artística é o mainstream que é invadido por uma horda de artistas de uma qualidade inegavelmente esdrúxula que enfia nas cabeças de uma grande parte da população músicas que mais parecem terem sido feitas de um dos castigos de Satã. Porém, de vez em quando, surge algo que se sobressai aos demais devido a um simples fator: divertimento puro. Esse é o caso da cantora de funk pop Ludmilla que lançou recentemente Hoje, seu primeiro álbum que é surpreendentemente divertido e despretensioso.

Não há como não comparar a jovem carioca com a Anitta, pois foi com o sucesso da última que Ludmilla deve as portas abertas e começou a ser reconhecida nacionalmente. As dua fazem um funk pop mais puxando para esse segundo bem comercial e sem nada de novo para acrescentar no estilo, porém Ludmilla mostra em Hoje um trabalho bem mais redondinho e melhor trabalho em comparação aos trabalhos da dona do Show das Poderosas. Enquanto o primeiro trabalho de Anitta  é uma coleção de canções para dar um álbum, o trabalho de Ludmilla é bem estruturado e com produções melhores. Não espera algo sensacional ou revolucionário, mas a produção é certeira em traduzir esse funk pop de uma maneira direta, limpa e muito viciante. As quatorze faixas do CD passam rapidinho deixando uma sensação de "prazer culposo" para quem ouve, mas que fica impossível de não dançar e cantar com as letras que mandam dezenas de frases de efeito sensacionais a cada novo refrão. Também não espere letras sofisticadas feitas para pensar, pois você vai quebrar a cara com os temas superficiais sobre "recalque das inimigas" e "papos retos" com homens. Uma qualidade em Ludmilla é o fato de suas letras exaltarem o "girl power" que vem da sua influência musical Beyoncé (tanto que a cantora começou a carreira se chamando MC Beyoncé). Mesmo com algumas partes irregulares no meio do álbum, Hoje começa e termina de maneira sensacional com canções realmente poderosas como é o caso de Sem Querer, Garota Recalcada, Morrer de Viver e Poder da Preta. Contudo, os dois melhores momentos ficam por conta do single Hoje (resenha a seguir) e a genial Fala Mal de Mim. Sejamos sinceros: em tempos de vacas magras como o que passa o mainstream da música no Brasil, Ludmilla é praticamente a nova Beyoncé. Ok, exageros à parte, ao menos a cantora se mostrou a verdadeira poderosa por aqui sambando na cara das inimigas.

sábado, 13 de setembro de 2014

Ao Mestre, Com Carinho!

Anything Goes
I Can't Give You Anything But Love
Tony Bennett & Lady Gaga


A parceria entre a lenda viva da música Tony Bennett com a cantora Lady GaGa pode parecer "estranha" para muitos, mas, na verdade, tudo é bem normal. Quem conhece um pouco das influências de GaGa sabe que a cantora sempre citou grandes nomes da música popular americana com seus ídolos. Já para Tony, a explicação é simples: ele é Tony Bennett e não precisa ter razão para fazer qualquer coisa aos 88 anos de idade e mais de 60 anos de carreira. 

Depois de GaGa ser convidada para cantar, ao lado de Tony, a canção The Lady Is a Tramp do álbum Duets II, os dois começaram uma amizade tão intensa que levou a criação do projeto de um álbum em parceria. Intitulado Cheek to Cheek, o CD vai reunir uma coleção de regravações de clássicos do cancioneiro americano em que, na maioria das faixas, os dois artistas irão dividir os vocais. Como parte da campanha de promoção do álbum foram lançados dois singles: Anything Goes e I Can't Give You Anything But Love. 

A primeira é uma regravação de uma das canções mais conhecidas do compositor Cole Porter e segue a mesma da primeira parceria entre Tony e GaGa com uma atmosfera indo de encontro com as "big band" em que, mais que cantores, os dois são anfitriões para o deleite e divertimento do público. Anything Goes funciona perfeitamente, além da ótima produção, devido a química entre Tony e GaGa em dois performances precisas. Um pouco menos inspirada está I Can't Give You Anything But Love, mas que continua a mostrar as qualidades de ambos de maneira perfeita. Enquanto GaGa mostra que é muito mais que as suas roupas extravagantes e músicas "modernas" entregando uma performance realmente sincera, Tony é o de sempre, isto é, maravilhoso. Não importa em qual música ou com quem ele canta, o cantor deve ser respeitando como um dos melhores artistas de ontem, hoje e para todo o sempre. Em uma fase da vida que poderia estar desfrutando da "aposentadoria" e de todo o prestigio, Tony está na ativa em busca de fazer o que ama: boa música. GaGa dá para Tony a possibilidade de chegar ao uma nova platéia, mas é ela que ganha muito mais ao envernizar sua carreira com a credibilidade de Tony e, claro, com toda a sabedoria que o cantor possui.

nota
Anything Goes: 8
I Can't Give You Anything But Love: 7,5

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Throwing Back R&B

I Deserve It (feat. Missy Elliott & Sharaya J)
Faith Evans


Durante os anos '90 o R&B estava no topo e era um dos estilos que mais faturava. Entre os grandes nomes da época estava a cantora Faith Evans. Conhecida por ser a viúva do rapper The Notorious B.I.G, morto em 1997, Faith ganhou notoriedade mundial pela participação na canção I'll Be Missing You, vencedora do Grammy e um dos maiores sucessos de todos os tempo, que era do P. Diddy (ou Puff Daddy na época) em homenagem ao seu recém falecido rapper. Obviamente, com o R&B em baixa, Faith não tem o mesmo destaque como antigamente no mainstream encontrando em um nicho mais especifico o seu público alvo. Por isso, a cantora continua na ativa e vai lançar o seu sexto álbum de nome Incomparable que tem I Deserve It como primeiro single.

Além de marcar a volta de Faith, I Deserve It também tem como atrativo a presença da sumida Missy Elliott que assina a co-produção da canção. Usando sample da canção To Be Young, Gifted and Black da rainha Aretha Franklin, a canção é trabalho leve, para cima e com uma vibe "feel good" que lembra a sonoridade dos anos '90 de maneira saudosa sem soar perdida no tempo. A composição é boa e coloca a narradora falando sobre a importância de se valorizar e não deixar nenhum homem desrespeitar você. Além da participação sempre certeira de Missy e os vocais seguros de Faith, I Deserve It conta com a participação de Sharaya J, rapper protegida de Missy que promete ter um grande futuro. Um belo throwing back que mata a saudade de tempos que não voltam mais.
nota: 7,5

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Primeira Impressão

Whispers
Passenger


Alguns álbuns são bons por um simples motivo: eles são "simpáticos". Depois de emplacar mundialmente a canção Let Her Go, o inglês Passenger, nome artístico de Michael David Rosenberg, lançou o seu mais novo álbum intitulado Whispers que, mesmo não sendo uma obra prima, é um trabalho tão cativante que fica difícil não se encantar.

A sonoridade do cantor/compositor é, basicamente, indie pop/folk certinho e sem muitas novidades, mas que devido a boa produção dada para o trabalho. As doze faixas fluem deliciosamente em Whispers alternando arranjos mais "animadinhos" com outros mais "calminhos" sem perder o rumo em nenhum momento. Nada muito acachapante já que as canções são trabalhos redondos e bem feitinhos, mas que funcionam excepcionalmente bem por causa dessas qualidades. Com a sua voz rouca e delicadamente estranha, Passenger entrega momentos sensacionais demonstrando como deve ser a atuação de cantor/contador de história em que mais vale passar a emoção do que mostrar firulas vocais. Mesmo com certo conservadorismo em suas composições não há como negar que, de uma maneira geral, as canções em Whispers cumprem com louvor o seu propósito em mostrar a capacidade do cantor de contar histórias e emocionar com a simplicidade das mesmas. Os melhores momentos do álbum ficam por conta da sensacional Whispers, a história sobre um homem que deseja viajar pelos Estados Unidos para ver pela última vez antes de morrer seus netos em Riding To New York, a linda e melancólica Golden Leaves, a ótima Bullets e, por fim, 27 que traz um lado mais critico do cantor se questionando sobre o peso da fama. No final, mesmo sem mudar a sua vida, Whispers vai deixar aquela sensação boa que a gente tem depois de conhecer alguém realmente simpática.