quarta-feira, 30 de julho de 2014

A Voz de Amanhã

Giant In My Heart
Kiesza

De tempos em tempos surge uma artista que passa a impressão de que ele pode ser a próxima grande sensação. Durante os anos que o blog está no ar, eu tive essa impressão algumas vezes com a Lady GaGa, Adele, Emeli Sandé, Sam Smith, Frack Ocean e Azealia Banks. Tirando essa última, todas foram apostas certeiras. Quem está ocupando atualmente esse posto é da canadense Kiesza. Depois do bem sucedido debut com a ótima Hideaway, a novata lançou na sensacional Giant In My Heart.

Kiesza mostra claramente que está pronta para remodelar o pop atual. A cantora aposta novamente na retomada do eletrônico dos anos noventa em Giant In My Heart e essa aposta é mais do que certeira. A produção não recicla o estilo pegando as suas principais características, mas, sim, recria o estilo da maneira mais arrebatadora possível: fazendo uma canção espetacular. Está tudo lá: a batida, a construção e até mesmo a composição com um lado mais sentimental. Só que o grande trunfo da canção é dado pela produção que faz Giant In My Heart um trabalho refinado, moderno, instigante, divertido, elegante e viciante. Mesmo sendo uma canção eletrônica, a produção não parte logo para o pancadão, ao contrário, constrói uma atmosfera bem rica para que depois soltar a batida. Essa batida também não é uma farofada comum, mas uma inspirada e delicada instrumentalização que não perde em nenhum segundo a atmosfera dançante. A composição também é outro trunfo da canção, pois trabalha de forma acachapante uma identidade única Kiesza que sabe como misturar profundidade e os aspectos "comerciais" como, por exemplo, o excepcional refrão. Por fim, Kiesza se mostra bem mais interessante que a maioria das cantoras que estão fazendo o mesmo estilo atualmente: com uma voz tão diferente, a cantora foi capaz de tirar uma performance cheia de emoção em Giant In My Heart. E, pelo que eu vi em apresentações ao vivo, Kiesza é realmente uma ótima cantora capaz de segurar apresentações ao vivo com a mesma maestria. Claro, apenas o tempo dirá se o meu "palpite" está correto, mas, como eu mais acertei do que errei, Kiesza deve estourar a qualquer momento.
nota: 9

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Atração Quase Fatal

Black Widow (feat. Rita Ora)
Iggy Azalea

Para a sucessora do hit Fancy, Iggy Azalea escolheu a canção Black Widow como quinto single de The
New Classic. Infelizmente, a canção poderia ser tão boa como a sua antecessora, mas, na verdade, o novo single é apenas "legalzinho".

Antes de qualquer coisa, Black Widow tem cara de hit e nem precisava ir na aba de outra música. A canção une três dos nomes femininos mais em alta no pop atual: Iggy, a inglesa Rita Ora e, de quebra, Katy Perry como co-autora já que a canção era destinada para o álbum Prism. Além disso, a produção capitaneada por StarGate entrega uma canção perfeita para o mercado atual misturando pop e hip hop de maneira exemplar mostrando a personalidade de Iggy, mas sem perder a atmosfera comercial. Porém, mesmo com a boa performance da rapper e presença sólida de Rita, Black Widow é uma canção apenas ok. Faltou ousadia para fazer de uma canção sobre uma mulher que ama demais a ponto de se transformar em uma "viúva negra" em algo mais poderoso, audacioso e pungente. A composição também segue esse caminho: bem feita, mas bobinha ainda mais se formos levar em conta sobre qual o tema a música trata. Apesar de tudo disso, Black Widow funciona até bem e deve render nas paradas. Pena que não vai ser um "amor" realmente fatal.
nota: 6,5

sábado, 26 de julho de 2014

Primeira Impressão

Trigga
Trey Songz


Superestimado. Essa é o único adjetivo que posso classificar o sexto álbum do cantor Trey Songz, Trigga. Com criticas boas de boa parte da impressa especializada americana, Trigga é, na verdade, um trabalho bem abaixo da média em todos os sentidos que não eu recomendo a todos a passar bem longe. A produção entrega um R&B rasteiro, pobre, repetitivo e estereotipado. Mesmo cercado de nomes com algum respeito no mundo R&B/hip hop e contando com alguns featuring relevantes, Trigga é um amontoado bem grande (são vinte faixas ao total) de músicas que vão dos dispensáveis, passando pelo fraquíssimo e checando até o péssimo como é o caso de Yes, No, Maybe, que compete para o posto de pior música do ano. Nem mesmo o fator de Trey ser um cantor com potencial ajuda a salvar as desastrosas produções vocais do álbum que não exalam carisma ou personalidade. Não vale nem mais perder tempo em escrever, muito menos vale ouvir essa grande perda de tempo.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Por Favor, Salvem o Ne-Yo!

Money Can’t Buy (feat. Jeezy)
Ne-Yo


Não é mentira dizer que o Ne-Yo se tornou um dos melhores cantores R&B "comerciais" da atualidade. Sucessos como So Sick, Sexy Love e Closer ajudaram a consolidar esse status. Uma grande pena que os últimos trabalhos dele (os melhores da carreira dele, diga-se de passagem) não foram tão bem recebidos pelo público. Então, não é de se estranhar que seu single Money Can’t Buy não tenha feito nenhum sucesso nas paradas.

Primeiro single lançado do seu próximo trabalho (Non Fiction), Money Can’t Buy é uma boa canção, mas que, infelizmente, não encontrou o seu reconhecimento. A canção mescla bem o R&B old school com uma vibe mais moderninha. Não é uma produção incrível, mas bem coesa e sólida. Isso se reflete na boa atuação de Ne-Yo dominando a canção muito bem com a ajuda do rapper Jeezy que sempre é uma presença extremamente forte devido a sua voz. Espero que com os próximos trabalhos o Ne-Yo possa sair desse "ostracismo" comercial e voltar a ser relevante comercialmente.
nota: 7

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Insuportável

Hangover (feat. Snoop Dogg)
PSY

Guardada as devidas proporções de fenômeno cultural mundial e o contexto social envolta, eu posso afirmar Gangnam Style é, sim, uma boa canção. Então, é de se admirar que o coreano PSY lance uma canção tão ruim como Hangover.

O grande defeito que faz da nova investida do PSY ser um desastre é o fato dele  investir em um tema completamente genérico e batido. Em Gangnam Style tínha-se uma ácida critica sobre a nova classe média coreana. Em Hangover, PSY fala sobre ficar bêbado, depois de ressaca e continuar nesse ciclo. Apenas isso. Para piorar, a composição em si é um trabalho irritante com dezenas de clichês jogados a esmo e "idéias" péssimas sobre como fazer o refrão mais insuportável do ano. Se ao menos o PSY fosse o "dono" da música seria algum refresco, mas, ao contrário do que se espera, quem domina a canção é o Snoop Dogg. Se ao menos o rapper entregasse uma performance sensacional Hangover poderia ter alguma salvação. Porém, Snoop faz nada mais que apenas que o arroz com feijão bem básico. E colocando a tampa no caixão está a péssima produção completamente esquizofrênica, estereofônica e sem nenhum foco definido. Uma canção tão insuportável que nem ao menos se torna um prazer culposo.
nota: 3

quarta-feira, 23 de julho de 2014

O Indie da Vez

Riptide
Vance Joy

O nome que está concorrendo para ser o "sucesso indie do ano" é o o australiano Vance Joy e a sua canção Riptide que vem conquistado boas posições ao redor do mundo, apesar de ter sido lançada em Março do ano passado.

A canção é um indie rock bom, mas que também estranho. A principal razão para essa sensação é devido a sua composição. Um trabalho confuso que tenta parecer "inteligentão", mas, na verdade, é apenas um acumulo de frases bobas e desconexas que não repercutem da maneira como deveria. Tirando isso, Riptide tem uma produção correta e uma instrumentalização interessante que contém boas nuances. A voz de Vance Joy é cativante e soa bem orgânica devido ao seus distinto tom. Agora só falta ela "pegar" nos EUA para que Vance seja o indie do ano.
nota: 6,5

segunda-feira, 21 de julho de 2014

One Direction Versão Punk de Boutique

She Looks So Perfect
5 Seconds of Summer

Não era de se estranhar que alguma hora o One Direction iriam ganhar um nêmesis, ou seja, uma banda com as mesmas características, mas que tem uma sonoridade "oposta" dos garotos ingleses. Nesse caso, o nêmeses tem como nome 5 Seconds of Summer. Formado por quatro garotos australianos, a banda, que mistura pop chiclete com pop punk, está começando a se destacar mundial com a ajuda de fãs adolescentes com os hormônios à flor da pele que acham a atitude "descolada" deles, isto é, o verniz dado para ele por algum empresário sabichão é a oitava maravilha do mundo. A primeira música deles a ganhar destaque é a péssima She Looks So Perfect.

Peque tudo de clichês que uma banda por fazer para imitar seus ídolos e multiplique por dez. Pronto, vocês têm uma ideia do que é She Looks So Perfect. A canção é a tentativa pífia de a banda emoldurar algo que seria a cruza entre Green Day e Blink 182, mas que acaba como um amontoado de influências unido com uma execução instrumental pobre e sem inspiração. Não adiante buscar referências boas se falta o mais importante: talento. A voz do vocalista não é nada, pois poderia ser a de qualquer jovem com certo conhecimento de música depois de algum treinamento e, claro, uma produção vocal decente. Quando se analise um pouco mais de perto, 5 Seconds of Summer é apenas uma variação do 1D com uma vibe mais "rock de boutique". Tanto é verdade que o 5 Seconds of Summer abriu vários shown para o 1D. Não se fazem mais rivais como antigamente.
nota: 3

sábado, 19 de julho de 2014

O Lado Bom do Flop

You Don't Know What To Do (feat. Wale)
Mariah Carey


Mariah Carey flopou? Sim, flopou bonito e todo mundo sabe disso. Contudo, Mariah pode até flopado, mas isso não impede que ela lance música boa como é o caso do quarto single de Me. I Am Mariah…The Elusive Chanteuse, a ótima You Don't Know What To Do.

You Don't Know What To Do é uma das melhores canções lançadas por MC nos últimos anos e, talvez, a melhor do seu último trabalho. Para tanto, a produção não precisou fazer nada mirabolante, pelo contrário, buscou no passado para construir uma canção inspirada. Com fortíssima influência do soul dos anos '70 misturando com disco, You Don't Know What To Do é a prova que Mariah ainda continua perfeita para entregar a união perfeita do pop com o soul como fez várias vezes como, por exemplo, em Heartbreaker e na versão remix de Fantasy. Vocalmente, Mariah já começa mostrando que ainda tem "a voz", mas o mais importante é que a cantora ainda não perdeu seu brilho e domina a canção com perfeição. Até mesmo a dinâmica da cantora com o rapper Wale dá certo ajudando a canção a se modernizar, mas sem perder o apelo "old school". Até mesmo a composição consegue se sobressair ao não ter um tema romântico açucarado e, sim, uma ode ao "não deu valor, deu lugar para a concorrência". Se Mariah flopou, ao menos flopou com estilo.
nota: 8 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Uma Segunda Chance Para "On the Floor"

On the Floor (feat. Pitbull)
Jennifer Lopez

Terminando o ano de 2011, vamos dar uma repassada na canção que foi um dos maiores sucessos de todos os tempos ajudando a revitalizar a carreira da Jennifer Lopez: On the Floor.

O single foi uma jogada arriscada, mas certeira para a cantora que estava passando por um período de baixa na sua carreira musical. Aliado ao fato de naquela época estar como jurada do American Idol pelo primeiro ano, ou seja, o programa ainda era considerado relevante, Jennifer se aliou ao produtor Red One para produzir o que viria a ser o maior sucesso de sua carreira com mais de 8 milhões de cópias e mais de 760 milhões de visualizações do clipe no YouTube (o terceiro de todos os tempos). A receita para esse sucesso é bem simples: a química perfeita.

On the Floor não é uma música genial, pois, nada mais é, que um pop dance/eletrônico como qualquer outro. Acontece, porém, que tudo funciona espetacularmente bem na canção fazendo de On the Floor uma canção "arrasa-quarteirão". A produção, além de fazer uma canção comercial perfeita, consegue dar vida quando usa de samples de canções já esquecidas, mas com grande apelo. Nesse caso, a canção Chorando Se Foi (Lambada) de 1989 da banda Kaoma que já tinha o sample de Llorando se fue de 1984 de Los Kjarkas. Essa sacada é a cereja em cima do bolo, pois dá personalidade para a canção a separando do resto da multidão. Se On the Floor não conta com uma composição original, ao menos, entrega um dos refrões mais viciantes dos últimos tempos. Aquele tipo capaz de fazer uma multidão cantar como se não houvesse amanhã. On the Floor encontra em J.Lo a sua interprete perfeita, principalmente quando é uma performance ao vivo. Além disso, a química dela com o rapper Pitbull é incontestável. Assim como é incontestável o sucesso de On the Floor.
nota original: 7
nota atual: 7

Resultado Final: Jennifer Lopez prova que "se pode ensinar truques novos" para quem já estava sendo considerada "ultrapassada".

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Cerveja Quase Morna

Day Drinking
Little Big Town

Sabe aquela sensação de beber uma cerveja que não está totalmente quente, mas está de longe de ser
gelada? Então, é mais ou menos isso que se sente ao ouvir a canção Day Drinking do grupo country Little Big Town.

A canção começa até bem, pois a batida mid-tempo é atrativa e com a base de um banjo. Porém, quanto mais tempo se passa em Day Drinking, a produção vai ficando repetitiva ate perder toda a graça. E olha que a canção tem apenas três minutos de duração. Caso tivesse mais tempo seria uma bomba total. Mesmo fazendo um trabalho razoável nos vocais, não há como salvar a canção ainda mais como uma composição fraca e boba. No caso de dúvida de saber como é o gosto de uma cerveja quase morna e como é Day Drinking, passe longe das duas.
nota: 5,5