terça-feira, 3 de maio de 2016

Raízes Latinas

Duele el Corazón (feat. Wisin)
Enrique Iglesias

Vuélveme a Querer
Thalía

O Brasil está incluindo na América Latina. Entretanto, devido ao seu tamanho continental e as configurações sociais e culturais, a nossa cultura não é tão difundida ao redor dos nossos "compadres". Isso também ocorre inversamente: pouco da cultura dos países de língua espanhola entra no nosso país com destaque. O que consegue chegar ao grande público é nomes que, de alguma forma, quebraram as barreiras internacionais. Dois deles estão nessa resenha: Enrique Iglesias (nascido na Espanha) e Thalía.

Com uma carreira de mais de vinte anos, Enrique Iglesias já se consolidou com um dos nomes da língua espanhola de maior sucesso no mercado internacional, principalmente nos Estados Unidos. Todavia, o cantor ainda mantém bem forte a sua ligação com o mercado latido. Uma das provas é o seu mais novo single, a boa Duele el Corazón.

A canção é um bom e bem produzido latin pop que consegue, ao mesmo tempo, respeitar as raízes da música latina e dar um pelo verniz radiofônico. Dançante e com um refrão grudento, Duele el Corazón conta com a boa participação do cantor Wisin que ajuda a modelar o estilo da canção ainda mais. O problema da canção é a falta de ousadia na sua produção, compensada pelo sólido trabalho de Enrique. Trabalho do mesmo estilo entregado pela Thalía na canção Vuélveme a Querer, single do seu novo álbum que possui o sugestivo nome de Latina.

A eterna Maria do Bairro é um caso raro de uma estrela da TV que realmente deu certo no mundo musical, apesar de ser mais conhecida no Brasil pelas novelas. Considerada uma diva pop, Thalía chega décimo terceiro álbum com uma carreira já consagrada. Vuélveme a Querer mostra um pouco do seu talento musical, principalmente vocal.

A canção é uma tradicional e deliciosamente brega balada latin pop que seria perfeito para tema de uma das novelas mexicanas que passam no SBT até hoje. A interpretação dramática e um pouco forçada é a força emocional por trás da música, dando a atmosfera necessária para a canção não ser apenas brega. Isso mostra o tamanho carisma da cantora, um dos responsáveis pelo sucesso da mesma. Um carisma bem tipico de artistas latinos que, infelizmente, não podemos ter mais contato.

nota
Duele el Corazón: 7,5
Vuélveme a Querer: 7,5

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Um Recomeço Merecido

True Colors
Zedd & Ke$ha

Falar sobre o período que a Ke$ha atravessou nos últimos anos é redundante, pois toda a sua vida está dia após dia nos noticiários referente ao mundo das celebridades. A vergonha que sinto em ver a dor que foi causada à ela é quase insuportável que prefiro não ficar lendo ou vendo tais matérias. Entretanto, a felicidade apareceu ao saber que a cantora tem a chance de reconstruir a sua vida e a sua carreira. O primeiro passo foi dado pelo DJ/produtor Zedd ao chamar a cantora para regravar a sua canção True Colors que é faixa do seu álbum homônimo lançado no ano passado. E a escolha não poderia ser melhor.

Na época já tinha elogiado a canção como a melhor do álbum, porém, depois da regravação com a Ke$ha, a faixa ganha um novo e poderoso significado. Ao colocar a voz na canção, Ke$ha ganha o seu grito de liberdade com uma letra forte, emocionante e perfeita para o seu momento pessoal. True Colors fala sobre libertação, renascimento e deixar o mundo ver a sua verdadeira essência. Nada mais verdadeiro para a cantora. Em dos momentos mais fortes, a canção fala:

Something tells me, I know nothing at all (Algo me diz que eu não sei nada)
I've escaped my capture (Eu escapei da minha prisão)
And I have no master (E eu não tenho nenhum "dono")
And somehow it's like I've waited (E de alguma forma é como eu estivesse esperando (por isso))

Um trunfo e um marco na carreira de Ke$ha dado de presente por Zedd. Outro presente do DJ é a sua produção vocal em que, ao contrário dos trabalhos anteriores, finalmente podemos ouvir a voz da cantora sem grandes artifícios, mostrando o talento genuíno de uma jovem que merece um futuro brilhante, pois o seu passado é um mundo de sombras. Que seja feliz, querida Ke$ha!
nota
Versão Original: 7,5
Versão Nova: 8 

sábado, 30 de abril de 2016

A Dose Repetida

This Is What You Came For (feat. Rihanna)
Calvin Harris

Calvin Harris encontrou a fórmula do sucesso. Isso é uma verdade inquestionável, assim como o fato dessa fórmula ser o repetição infinita dos mesmo ingredientes com algumas diferenças de posicionamento de música para música. Novamente, a fórmula está presente em This Is What You Came For.

Nova parceria com a Rihanna (os últimos foram We Found LoveWhere Have You Been em 2011, o single é um amontoado de maneirismo do DJ/produtor em uma embalagem clean e comercial. A batida EDM não apresenta nada de novo e, pior, passa longe do carisma dos outros trabalhos com a cantora de Barbados. Felizmente, a cantora é a única coisa boa na canção devido aos seus vocais competentes, mas que não brilham como poderiam devido ao refrão monossilábico e chatos. This Is What You Came For deve fazer sucesso comercial, mas não é algo realmente que deva ser lembrados em alguns anos.
nota: 5,5
  

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Rosa Pastel

Just Like Fire
P!nk

Apesar de já ter se estabelecido artisticamente já tem alguns anos, a Pink nem sempre acerta em seus lançamentos. Uma prova disso é a mediana Just Like Fire, tema do filme Alice Através do Espelho.

Mesmo trabalhando com velhos parceiros como Max Martin e Shellback que resultou em grandes canções, Pink entrega uma música preguiçosa e requentada. Just Like Fire é pop rock com todas as características da sonoridade da cantora, mas com uma realização abaixo do esperado. A composição, sempre um ponto alto para Pink, não tem nada de interessante, ousado ou divertido, apesar do material de inspiração ser uma das obras mais "loucas" da história da literatura. Com vocais sólidos, mas bem longe dos grandes momentos da sua carreira, Pink já teve dias melhores. Felizmente, o soldo ainda é extremamente positivo e pode aguentar esses tropeços.
nota: 5,5

quinta-feira, 28 de abril de 2016

1977 + 2016

Give Me Your Love (feat. John Newman & Nile Rodgers)
Sigala

Não sou exatamente fã dos DJs/produtores que alcançam a fama, pois, normalmente, as suas canções seguem o mesmo esquema, seja próprio ou, ainda pior, copiados de outros artistas. Entretanto, quando aparece uma música de algum nome desse nicho consegue a proeza de ser realmente boa, irá ganhar destaque nesse blog. Esse é o caso de Give Me Your Love do produtor inglês Sigala.

Lançada como single recentemente, Give Me Your Love ganha muitos ponto ao ter a adição de alguns elementos que a ajudam a sair do lugar comum. O primeiro e o mais importante é a canção não ser apenas um batidão eltropop/eletrônico farofa, mas uma mistura disso com um revigorante toque de disco music graças a presença marcante do guitarrista Nile Rodgers. Essa adição aliado a textura e nuances da canção ajudam a criar um trabalho com personalidade suficiente para Sigala ganhar destaque mundialmente. Além disso, a presença poderosa de John Newman nos vocais ajuda ainda mais o resultado final de Give Me Your Love ao ser a mistura perfeita entre os inesquecíveis anos setenta e a massificação da nossa atualidade.
nota: 7,5

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Uma Brisa No Horizonte

Green Aphrodisiac
Corinne Bailey Rae

Em tempos tão perturbados como o que estamos vivendo sentir uma brisa refrescante no rosto em um dia quente é o remédio ideal para ter um pouco da esperança renovada. Essa brisa pode ter nome e sobrenome: Corinne Bailey Rae. Lançando o segundo single do seu terceiro álbum (The Heart Speaks in Whispers), a cantora nos presenteia com um acalanto para os nossos ouvidos.

Green Aphrodisiac é uma volta a sonoridade básica da cantora: pop jazz/soul music com uma atmosfera delicada e downtempo. Com essa construção, Corinne fica a vontade para deixar a sua graciosa e delicada voz brilhar em uma performance sensível e acolhedora. Apesar de segura demais, a produção faz um trabalho perfeito, deixando bem claro que todo o requinte da canção é graças a cantora e a bela composição que faz uma ponte entre os encantamentos da primavera e o amor. Ouvir Green Aphrodisiac é um sopro de vitalidade nos corações. Uma pequena pérola.
nota: 8

sábado, 23 de abril de 2016

Precisamos Falar Sobre Sean Paul

Hair (feat. Sean Paul)
Little Mix

Para quem tem idade para lembrar perfeitamente do começo dos anos dois mil, o nome Sean Paul faz despertar algumas memórias seja pela sua carreira solo com hits como I'm Still in Love with You, Get Busy, We Be Burnin e Temperature ou pela parceria com a Beyoncé em Baby Boy e a com a Rihanna em Break It Off. Depois da metade do meio da década, Sean Paul sumiu do mainstream e com ele a sua mistura de reggae, dancehall e rap. Então, em pleno 2016 e vindo do nada, o rapper voltou do nada a aparecer aos olhos do grande público com a participação na versão single de Cheap Thrills da Sia e, mais recentemente, na canção Hair do Little Mix. 


A canção da girl band é uma das melhores do mediano Get Weird, sendo uma boa opção para ser lançada como single. Sua batida bem marcada e dançante, mas cheias de nuances ajuda a criar uma personalidade para canção, lembrando trabalhos anteriores do Little Mix como, por exemplo, Salute e Move. Apesar da letra boba, Hair funciona com a sua pegada descontraída e seu refrão grudento. O problema é a presença desnecessária do Sean Paul, que apesar das modificações feitas terem combinado com a vibe do rapper, não ajuda a canção em nada. A sua participação soa completamente fora do tom e perdida até mesmo na construção lírica do seu verso, além de deixar a canção com uma duração aumentada. Como isso aconteceu? Qual o motivo? Voltamos ao passado? Ou é um déjà vu coletivo? Ainda não sabemos, mas Sean Paul é o fantasma do sucesso passada voltando.
nota
Original: 7
Versão Single: 6,5

quarta-feira, 20 de abril de 2016

I Wanna Dance With Somebody

More and More
Fleur East

More and More, segundo single do álbum de estreia da inglesa Fleur East, tem a seu favor o fato de relembrar toda uma sonoridade R&B/pop dos anos oitenta. Entretanto, esse é o seu maior defeito. 

A canção é uma versão moderna de I Wanna Dance With Somebody da Whitney Houston, por isso a sua batida é extremamente gostosa de ouvir e dançar. Também possui a característica de possuir uma letra romântica. Todavia, More and More é apenas um requentado do que já foi feito e não entrega nada de realmente excitante. Resumidamente: um arroz com feijão requentado e bem feitinho, mas que não se compara ao original.
nota: 6,5