terça-feira, 27 de junho de 2017

O Sucesso Crossover Country do Ano

Body Like a Back Road
Sam Hunt

O country assim como o nosso sertanejo é um gêneros de maior sucesso nos Estados Unidos. Entretanto, ao contrário do Brasil, o country tem muita dificuldade em entrar com todo o seu potencial no mainstream pop, ficando sempre muito preso no seu próprio nicho. De vez em quando, porém, uma canção consegue quebrar essa barreira e alcançar o topo das paradas pop como é o caso do single Body Like a Back Road do Sam Hunt.

Na verdade, Body Like a Back Road está muito mais para um pop contemporâneo com toques de country, resultando em um country pop redondinho e sem envergonhar de soar como a faixa mais radiofônica possível para um artista country que quer entrar no mundo pop. Redondinha sim, mas também completamente nada memorável. Não há nada aqui que faça Sam seja realmente lembrado por ser o dono da canção, ainda mais que os seus vocais são tão comuns e banais, apensar de bons, que qualquer cantor do mesmo estilo poderia cantar a canção. Então, acho que Body Like a Back Road alcançou o seu objetivo de ser um sucesso pop atual.
nota: 6

segunda-feira, 26 de junho de 2017

De Volta aos Trilhos

Believer
Imagine Dragons

O Imagine Dragons nunca será a banda de rock que irá revolucionar o rock ou que, ao menos, irá deixar uma marcar profunda no gênero. A banda é simplesmente uma banda de rock comercial que voltou a encontrar o caminho do sucesso com o single Believer.

A canção também é a volta da banda ao reencontrar o som que os conduziram ao sucesso com o hit Radioactive de 2012, entregando um poderoso e viciante mistura de eletrônico com rock em uma escala grandiosa feita propositalmente para criar uma faixa comercial. Nada contra, mas Believer não é exatamente para fãs de rock, mas feita para o grande mainstream que utiliza da batida poderosa para ser tema de filmes e séries como já está acontecendo. Ajudada pela interessante composição sobre superar os seus limites e aqueles impostos pela sociedade e pelos vocais épicos de Dan Reynolds, Believer é uma das canções mais divertidas do ano, mesmo que essa não seja a sua ideia. De qualquer forma, Imagine Dragons está fazendo o que sabe fazer e, por enquanto, já está de bom tamanho.
nota: 7

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Prazer Empoderado

Lalá
Karol Conka

Karol Conka é o novo nome da música brasileira que melhor conseguiu sair da obscuridade para o mainstream sem perder a sua personalidade inicial que, no seu caso, baseia-se no seu empoderamento como mulher e negra. E uma ótima amostra disso é a sua nova canção: Lalá.

A canção não tem metáforas bonitinhas ou alegorias rebuscadas para falar sobre sexo oral. Na verdade, Lalá é sobre o quanto o homem acha que fazer sexo oral na sua parceira é algo como um verdadeiro favor para as mulheres e que isso deveria ser algo quase desvinculado do verdadeiro motivo para se fazer sexo oral: o prazer da mulher. Direta, bem humorada e completamente dona de si e da sua mensagem, Karol Conka entrega uma performance completamente inspirada sem medo de ser feminista e empoderada explicitamente em um país machista, racista e indo para o caminho do fascismo descarado. Além disso, a sonoridade da cantora vai evoluindo em algo que faz um hibrido do hip hop brasileiro com o pop, mas sempre adicionando pitadas de MPB. Ainda não é o topo da montanha, mas Karol Conka está no caminho certo.
nota: 7,5

terça-feira, 20 de junho de 2017

Estranhamente

Young and Menace
Fall Out Boy

O Fall Out Boy vive nos últimos anos uma verdadeira montanha-russa com o lançamento do ótimo Save Rock and Roll de 2013 para depois lançar o mediano e completamente esquecível American Beauty / American Psycho de 2015. Ao se prepararem para o lançamento do sétimo trabalho (Mania), a banda começa o trabalho com o single mais estranho da carreira deles: a confusa e legal Young and Menace.

Categorizar Young and Menace é um trabalho quase que impossível, pois a sua produção criar uma cruza mutante e meio que sem definição devido a construção completamente inusitada, diferente e, principalmente, caótica. Tentando dar alguma ideia do que é a canção seria necessário classificá-la como um pop rock/EDM com arranjo complexo de nuances e uma estrutura inusitada. Poderia ser uma bomba de proporções épicas, mas não é para a total surpresa de quem escuta devido ao trabalho exemplar de instrumentalização feita. Todavia, Young and Menace poderia ser uma verdadeira obra devido a sua extrema peculiaridade criativa, mas não chega perto desse feito ao não encontrar o seu verdadeiro propósito em ser uma obra desbravadora de novos caminhos para a banda.  De qualquer maneira, o começo dessa nova fase deve ser a volta ao topo do Fall Out Boy, só não da maneira que era o esperado por mim.
nota 7

segunda-feira, 19 de junho de 2017

New Faces Apresenta: Allie X

Paper Love
Allie X

Nos últimos anos surgiram tantas cantoras que entram na categoria "cantora branca de pop/R&B low profile" que fica difícil de acompanhar. Ainda mais que alguns se parecem em estilo que, ás vezes, acredito que sejam todas as mesmas, mas com nomes diferentes. Alguns nomes, porém, conseguem se destacarem como é o caso da canadense Allie X que irá lançar o seu primeiro álbum (CollXtion II) e tem como primeiro single a legal Paper Love.

A canção tem espaços para que fosse melhorada, mas o resultado final é refinado e, dentro das suas restrições, cheia de personalidade. Ao contrario de ir em uma cadencias mais devagar, Allie X emprega aqui um ritmo bem animadinho e dançante, mas sem perder a vibe indie que a sonoridade da jovem cantora. Lembrando muito a estética e vocais da Ellie Goulding em vários momentos, Paper Love tem uma pegada puxando para o synthpop que coloca a cantora em um local batido, mas que consegue tirar água de pedra em canção realmente cativante. A composição sobre não saber ao certo se deixa levar por uma nova paixão acerta ao não ser "descolada" demais sem perder o seu chame indie. Allie X pode até mais uma nessa nova multidão, mas, por enquanto, está fazendo o melhor para mostrar para o que veio.
nota: 7

domingo, 18 de junho de 2017

No Limite

Power (feat. Stormzy)
Little Mix

Na busca de criar uma canção pop impactante para o mercado, muitos artistas e produtores resolvem "aumentar" o volume da canção para criar esse efeito. Esse é caso da canção Power do Little Mix que, apensar de resultar acima da média, quase deixando a canção insuportável.

Na esperança de criar uma canção que, ao mesmo tempo, se torne comercial e consiga carregar dignamente o ótimo tema sobre empoderamento feminino, a produção cria um arranjo "barulhento" com nuances que meio que dão certa atrapalhada ao soaram mais presente que o próprio arranjo como, por exemplo, o barulho de motocicleta ao fundo em alguns momentos. Além disso, algumas das meninas da banda quase estão gritando em alguns momentos, mas, no geral, conseguem entregar um bom resultado. Fora isso, Power é um bom exemplo de como fazer um pop empoderado, mas ainda ser pop de verdade e como chamar um rapper para a versão remix que realmente vale a pena. Todavia, foi por quase que o Little Mix que não entregou uma canção inaudível.
nota:6,5

sábado, 17 de junho de 2017

Síndrome de Solange

Stay Together
Noah Cyrus

A irmã mais nova da Miley Cyrus sofre da mesma síndrome que a irmã mais nova da Beyoncé: no momento em que resolveram sair de vez da sobra da irmã mais velha e famosa, Noah Cyrus e a Solange escolheram o melhor momento artístico de suas respectivas irmãs para mostraram para o que vieram. Mesmo assim, Noah vai mostrado que tem a capacidade de fazer o que Solange fez recentemente ao disputar com vigor o seu lugar ao sol. Um bom exemplo disso é o segundo single da sua recente carreira, a boa Stay Together.

A canção é uma divertida e descolada "feel good" sobre poder aproveitar a vida antes que ela acabe. é um tema batido e nada criativo, mas o resultado aqui é muito bem feitinho ao ser exatamente o que o tema passa: divertida, despretensiosa e cool. Nada exatamente sensacional, mas com uma personalidade que a irmã não tinha no mesmo estágio da carreira. Por falar em personalidade, Stay Together continua a pavimentar a construção da identidade artística de Noah de uma forma que a distancie de qualquer comparação com Miley em qualquer momento da carreira ao entrar um pop/dream pop misturado com rock pop, emoldurado em uma atmosfera meio pop punk/indie em resultado inusitado. E se o ano passado foi o anos das Knowles, esse seria o ano das Cyrus?
nota: 7

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Amizade Legalzinha

There For You
Martin Garrix & Troye Sivan

Falar sobre amizade como tema em canções é um acontecimento um pouco raro, mas, normalmente, quando acontece resulta em algo no mínimo memorável. Uma pena que There For You, parceria do DJ Martin Garrix e do cantor Troye Sivan, não se encaixa nessa categoria.

A união de dois jovens talentos como Martin e, principalmente, Troye poderia resultar em um verdadeiro musicão. Todavia, There For You fica no meio do caminho. A produção é até boa e fofinha, mas não boa o suficiente para fazer da canção algo realmente marcante, não passando de um ok EDM. Até mesma o talento vocal de Troye não é usado como deveria, pois o que ouvimos é uma performance morna e sem inspiração. E, como disse antes, a temática sobre amizade poderia render muito, mas, infelizmente, o resultado é um pouco mais que a média. Não chega a, por exemplo, nem emocionar ou fazer sorrir como a linda Who Knew da P!nk. O resultado final é igual uma amizade bem no comecinho: tem potencial, mas não passa disso.
nota: 6