quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A Força Rosa

What About Us
Pink

Com a publicação dessa resenha será a vigésima vez que o blog ao longo desses nove anos que a Pink tem uma das suas canções resenhadas, tirando álbuns e especiais. E novamente a cantora não decepciona e mostra ser realmente um dos melhores nomes da música pop de todos os tempos com o lançamento da canção que tem tudo para salvar o pop em 2017: a genial What About Us.

A primeira grande qualidade da canção é que a mesma quebra o estilo de músicas escolhidas como primeiro single dos álbuns da cantora. Abrindo os trabalhos para Beautiful Trauma, What About Us foge completamente de qualquer semelhança com canções como Stupid GirlsRaise Your Glass ou So What. Na verdade, a canção é distancia-se da sonoridade padrão da cantora ao entregar uma avassaladora fusão de pop com club emoldurada em um arranjo épico e de uma beleza melancólica. Muita responsabilidade vem do fato da canção ter Steve Mac como produtor, pois o britânico traz uma carga de influência bem diferente em relação aos produtores que a cantora trabalhou nos últimos anos. Dessa maneira essa balada pop que poderia até ser sobre amor, pois é um assunto recorrente na carreira da cantora, acaba ganhando outros novos contornos ao se torna uma canção protesto. What About Us é sobre perder a esperança nos tempos em que vivemos, especialmente na era Trump. Todavia, What About Us também é sobre resistir e lutar contra a injusta ordem sobre aqueles que não têm condições de revidar. What About Us é sobre sobreviver. What About Us é sobre recuperar a esperança perdida. Poucas canções lançadas esse ano tiveram a capacidade de emocionar de verdade como acontece aqui que ainda conta com os um dos melhores trabalhos vocais da carreira da Pink que consegue entrega uma performance avassaladora que vai da fragilidade ao poder em uma interpretação realmente marcante. Chegando no começo do segundo tempo, Pink vai novamente ter a capacidade de elevar não somente o nível ao seu redor, mas, principalmente, subir mais um degrau na construção da sua já perfeita carreia. E nos, o público, que agradecemos por isso.
nota: 8,5

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Antes Tarde do Que Nunca - Grandes Álbuns Brasileiros

Maria Rita
Maria Rita

Poder Contido

Decote (feat. Pabllo Vittar)
Preta Gil

Com a ascensão da Pabllo Vittar é possível notar duas coisas: o mercado para artistas LGBTQ está aumentando cada vez mais e, também, é necessário crescer ainda mais para calar as vozes dos preconceituosos. Estão, canções como Decote da Preta Gil com Pablo é de suma importância, mesmo que não seja uma música realmente boa.

Decote, um samba pop, tem como principal tema o empoderamento ao falar sobre se libertar daquele boy estorvo e ser feliz da maneira com que deseja. Divertida e com uma mensagem atual, Decote erra em uma produção que não consegue dar estofo para a instrumentalização que não sai do lugar. Sem nunca ter explodido como cantora, Preta é talentosa e tem química com Pablo, mas falta aquele toque especial na canção poderia ter rendido muito mais. De qualquer forma, a canção ajuda a dar coro nessa corrente artística de empoderamento.
nota: 6,5

domingo, 13 de agosto de 2017

Alternativa

Esse Brilho É Meu
IZA

Está cansado de ouvir as mesmas vozes no pop nacional ultimamente? Então, existe alternativas ótimas que você deveria escutar. Esse é o caso da ótima IZA e o seu último single, a deliciosa Esse Brilho É Meu. 

Como já vem mostrando desde o lançamento da sua primeira canção, IZA é uma excelente cantora pop que saber como apostar no gênero, mas sem perder a brasilidade. Esse Brilho É Meu não é genial, mas é um pop redondinho, clean e de um carisma próprio. A composição pode até ser um pouco genérica sobre ser poderosa, porém, assim como qualquer boa canção de pop, tem um refrão viciante e feito perfeitamente para fazer carão na boate. Além disso, IZA é dona de uma voz forte e realmente presente que a faz ter condições de segurar qualquer tipo de canção. Uma pena ela ainda não ter estourado como merece.
nota: 7

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Agora Vai, Karol!

Bate a Poeira, Parte II
Karol Conká

Como já tinha falando aqui no blog, um dos melhores nomes do atual cenário artístico brasileiro é a rapper Karol Conká. E com o lançamento de Bate a Poeira, Parte II, a rapper entrega a sua melhor canção até o momento.

Tema central da atual temporada da Malhação, Bate a Poeira, Parte II é uma sofisticada mistura de rap com MPB e pop rock que deixa comendo poeria a maioria das canções que estão fazendo sucesso atualmente. A produção entrega um trabalho de um esmero comovente ao não se deixar levar por recursos clichês e saídas fáceis para elaborar o ótimo arranjo. Ao falar de forma firme, madura, poética e, também, moderna sobre empoderamento, Karol Conká ajuda a consolidar mais a sua voz como uma das maiores e mais relevantes do nosso mercado e que teve a capacidade de chutar as portas para entrar aonde chegou. Felizmente, Karol e as suas rimas perfeitas, ainda irá chegar a muitos mais lugares. E que possa, também, ajudar a levar muitos outros nomes com ela.
nota: 8

Iveta vs Milk: A Guerra Fria das Divas Brasileiras

À Vontade (feat. Wesley Safadão)
Ivete Sangalo

Baldin de Gelo
Claudia Leitte

Uma das pedras fundamentais que sustenta o mundo pop é famosa "feud", ou seja, a rixa entre dois nomes famosos. Normalmente, muito do buzz que essa briga gera vem da alimentação de uma parte da média e, claro, de boa parte do público que adora um malfeito, como diria minha avó. Largamente difundido no mundo pop americano, o Brasil também tem as suas brigas de cachorros grandes. A mais famosa dela é a que envolve Ivete Sangalo e Claudia Leitte, mesmo que as duas neguem até a morte milhões de vezes. Claro, existe mais fumaça do que fogo em toda essa história, mas essa rixa ganhou novos contornos recentemente quando as duas lançaram no mesmo dia novas canções: de um lado Iveta com À Vontade e do outro Milk com Baldin de Gelo. Então, resolvi fazer um post para decidir quem venceu esse round nesse guerra fria. Começamos com Ivete.

Vamos ao primeiro e inegável fato: Ivete Sangalo é uma excelente cantora, vocalmente superior a Claudia Leitte. Isso fica bem claro em À Vontade, pois sem quase esforço a cantora domina a canção como poucas. Todavia, as qualidades de À Vontade para exatamente aí, pois o single é uma confusão rítmica ao não saber exatamente o que é o seu gênero. Seria uma axé com pop? Seria um arroxa com axé pop? Seria um arroxa pop/forró? À Vontade poderia ser tudo isso, mas no final não termina sendo nada disso. Na verdade, a canção acaba sendo uma grande perda de oportunidade para Ivete que, para piorar, não tem muito química com Safadão. Surpreendentemente, Claudia Leitte consegue se sair muito melhor com o seu Baldin de Gelo.

Ainda tentando entrar no mercado internacional, Milk faz da nova canção uma decente fusão de pop nacional com reggaeton que, dentro das suas limitações, funciona melhor do que esperado. Primeiro, a canção tem uma composição fácil e viciante, coisa que Ivete não tem com a sua canção. Com algumas ideias boas com a referência a famigerada "bela, recatada e do lar", Baldin de Gelo tem um defeito como a maioria das canções pop brasileiras: falta letra. Depois que passa o primeiro refrão, Baldin de Gelo não tem nada mais para falar, o que ajuda a não dar para a canção a substância necessária para se transformar em um musicão de verdade. Felizmente, Baldin de Gelo é comercial o suficiente para ser um trabalho de sucesso, mesmo que também tenha faltado um boom sonoro dentro dela para dar força real para a canção e, não, deixá-la tão linear. Dito isso, é necessário dar os créditos para Milk que vai bem na canção. Seria melhor com Ivete, mas não vamos apontar defeitos maiores nesse vitória quase inédita de Claudia sob Ivete nessa verdadeira guerra fria. A espera dos próximos capítulos.

nota
À Vontade: 5
Baldin de Gelo: 6,5

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Um Encontro de Gerações

Na Pele
Elza Soares & Pitty

Não irei julgar as preferências de cada um, mas enquanto muitos vibram com a ascensão de Pablo Vittar e a consolidação da Anitta apenas nado na contramão ao vibrar e ficar feliz com a revitalização da carreira da Elza Soares. Muita responsabilidade vem do lançamento do álbum genial A Mulher do Fim do Mundo de 2015, mas existe espaço para o descobrimento de Elza de uma nova geração do público que, provavelmente, nunca tinha ouvido falar da mesma. E com que felicidade não recebo esse dueto de Elza com a Pitty na canção Na Pele.

A principal qualidade da canção uma junção de MPB com rock é que, mesmo tendo duas cantoras relativamente tão diferentes entre si, existe uma noção de unidade na construção da canção, não deixando de escanteio ou deslocada nenhuma das cantoras. Ainda na cola da profunda sonoridade do álbum de Elza, Na Pele tem uma sensação de atemporalidade que se colide com a urgência da sua  instrumentalização forte e indiscutivelmente marcante. Interpretada com a usual avassaladora emoção gutural de Elza e com Pitty fazendo bonito ao segurar as pontas, a canção é um poderosa reflexão sobre as marcas do tempo e se sentir sábia e forte  pelas "rugas" que a vida nos dá. Apesar de achar que esse tema poderia render liricamente algo com um impacto genuinamente avassalador. De qualquer forma, apenas a existência de uma canção como essa já é motivo de grandes felicidades.
nota: 8