quinta-feira, 24 de julho de 2014

Insuportável

Hangover (feat. Snoop Dogg)
PSY

Guardada as devidas proporções de fenômeno cultural mundial e o contexto social envolta, eu posso afirmar Gangnam Style é, sim, uma boa canção. Então, é de se admirar que o coreano PSY lance uma canção tão ruim como Hangover.

O grande defeito que faz da nova investida do PSY ser um desastre é o fato dele  investir em um tema completamente genérico e batido. Em Gangnam Style tínha-se uma ácida critica sobre a nova classe média coreana. Em Hangover, PSY fala sobre ficar bêbado, depois de ressaca e continuar nesse ciclo. Apenas isso. Para piorar, a composição em si é um trabalho irritante com dezenas de clichês jogados a esmo e "idéias" péssimas sobre como fazer o refrão mais insuportável do ano. Se ao menos o PSY fosse o "dono" da música seria algum refresco, mas, ao contrário do que se espera, quem domina a canção é o Snoop Dogg. Se ao menos o rapper entregasse uma performance sensacional Hangover poderia ter alguma salvação. Porém, Snoop faz nada mais que apenas que o arroz com feijão bem básico. E colocando a tampa no caixão está a péssima produção completamente esquizofrênica, estereofônica e sem nenhum foco definido. Uma canção tão insuportável que nem ao menos se torna um prazer culposo.
nota: 3

quarta-feira, 23 de julho de 2014

O Indie da Vez

Riptide
Vance Joy

O nome que está concorrendo para ser o "sucesso indie do ano" é o o australiano Vance Joy e a sua canção Riptide que vem conquistado boas posições ao redor do mundo, apesar de ter sido lançada em Março do ano passado.

A canção é um indie rock bom, mas que também estranho. A principal razão para essa sensação é devido a sua composição. Um trabalho confuso que tenta parecer "inteligentão", mas, na verdade, é apenas um acumulo de frases bobas e desconexas que não repercutem da maneira como deveria. Tirando isso, Riptide tem uma produção correta e uma instrumentalização interessante que contém boas nuances. A voz de Vance Joy é cativante e soa bem orgânica devido ao seus distinto tom. Agora só falta ela "pegar" nos EUA para que Vance seja o indie do ano.
nota: 6,5

segunda-feira, 21 de julho de 2014

One Direction Versão Punk de Boutique

She Looks So Perfect
5 Seconds of Summer

Não era de se estranhar que alguma hora o One Direction iriam ganhar um nêmesis, ou seja, uma banda com as mesmas características, mas que tem uma sonoridade "oposta" dos garotos ingleses. Nesse caso, o nêmeses tem como nome 5 Seconds of Summer. Formado por quatro garotos australianos, a banda, que mistura pop chiclete com pop punk, está começando a se destacar mundial com a ajuda de fãs adolescentes com os hormônios à flor da pele que acham a atitude "descolada" deles, isto é, o verniz dado para ele por algum empresário sabichão é a oitava maravilha do mundo. A primeira música deles a ganhar destaque é a péssima She Looks So Perfect.

Peque tudo de clichês que uma banda por fazer para imitar seus ídolos e multiplique por dez. Pronto, vocês têm uma ideia do que é She Looks So Perfect. A canção é a tentativa pífia de a banda emoldurar algo que seria a cruza entre Green Day e Blink 182, mas que acaba como um amontoado de influências unido com uma execução instrumental pobre e sem inspiração. Não adiante buscar referências boas se falta o mais importante: talento. A voz do vocalista não é nada, pois poderia ser a de qualquer jovem com certo conhecimento de música depois de algum treinamento e, claro, uma produção vocal decente. Quando se analise um pouco mais de perto, 5 Seconds of Summer é apenas uma variação do 1D com uma vibe mais "rock de boutique". Tanto é verdade que o 5 Seconds of Summer abriu vários shown para o 1D. Não se fazem mais rivais como antigamente.
nota: 3

sábado, 19 de julho de 2014

O Lado Bom do Flop

You Don't Know What To Do (feat. Wale)
Mariah Carey


Mariah Carey flopou? Sim, flopou bonito e todo mundo sabe disso. Contudo, Mariah pode até flopado, mas isso não impede que ela lance música boa como é o caso do quarto single de Me. I Am Mariah…The Elusive Chanteuse, a ótima You Don't Know What To Do.

You Don't Know What To Do é uma das melhores canções lançadas por MC nos últimos anos e, talvez, a melhor do seu último trabalho. Para tanto, a produção não precisou fazer nada mirabolante, pelo contrário, buscou no passado para construir uma canção inspirada. Com fortíssima influência do soul dos anos '70 misturando com disco, You Don't Know What To Do é a prova que Mariah ainda continua perfeita para entregar a união perfeita do pop com o soul como fez várias vezes como, por exemplo, em Heartbreaker e na versão remix de Fantasy. Vocalmente, Mariah já começa mostrando que ainda tem "a voz", mas o mais importante é que a cantora ainda não perdeu seu brilho e domina a canção com perfeição. Até mesmo a dinâmica da cantora com o rapper Wale dá certo ajudando a canção a se modernizar, mas sem perder o apelo "old school". Até mesmo a composição consegue se sobressair ao não ter um tema romântico açucarado e, sim, uma ode ao "não deu valor, deu lugar para a concorrência". Se Mariah flopou, ao menos flopou com estilo.
nota: 8 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Uma Segunda Chance Para "On the Floor"

On the Floor (feat. Pitbull)
Jennifer Lopez

Terminando o ano de 2011, vamos dar uma repassada na canção que foi um dos maiores sucessos de todos os tempos ajudando a revitalizar a carreira da Jennifer Lopez: On the Floor.

O single foi uma jogada arriscada, mas certeira para a cantora que estava passando por um período de baixa na sua carreira musical. Aliado ao fato de naquela época estar como jurada do American Idol pelo primeiro ano, ou seja, o programa ainda era considerado relevante, Jennifer se aliou ao produtor Red One para produzir o que viria a ser o maior sucesso de sua carreira com mais de 8 milhões de cópias e mais de 760 milhões de visualizações do clipe no YouTube (o terceiro de todos os tempos). A receita para esse sucesso é bem simples: a química perfeita.

On the Floor não é uma música genial, pois, nada mais é, que um pop dance/eletrônico como qualquer outro. Acontece, porém, que tudo funciona espetacularmente bem na canção fazendo de On the Floor uma canção "arrasa-quarteirão". A produção, além de fazer uma canção comercial perfeita, consegue dar vida quando usa de samples de canções já esquecidas, mas com grande apelo. Nesse caso, a canção Chorando Se Foi (Lambada) de 1989 da banda Kaoma que já tinha o sample de Llorando se fue de 1984 de Los Kjarkas. Essa sacada é a cereja em cima do bolo, pois dá personalidade para a canção a separando do resto da multidão. Se On the Floor não conta com uma composição original, ao menos, entrega um dos refrões mais viciantes dos últimos tempos. Aquele tipo capaz de fazer uma multidão cantar como se não houvesse amanhã. On the Floor encontra em J.Lo a sua interprete perfeita, principalmente quando é uma performance ao vivo. Além disso, a química dela com o rapper Pitbull é incontestável. Assim como é incontestável o sucesso de On the Floor.
nota original: 7
nota atual: 7

Resultado Final: Jennifer Lopez prova que "se pode ensinar truques novos" para quem já estava sendo considerada "ultrapassada".

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Cerveja Quase Morna

Day Drinking
Little Big Town

Sabe aquela sensação de beber uma cerveja que não está totalmente quente, mas está de longe de ser
gelada? Então, é mais ou menos isso que se sente ao ouvir a canção Day Drinking do grupo country Little Big Town.

A canção começa até bem, pois a batida mid-tempo é atrativa e com a base de um banjo. Porém, quanto mais tempo se passa em Day Drinking, a produção vai ficando repetitiva ate perder toda a graça. E olha que a canção tem apenas três minutos de duração. Caso tivesse mais tempo seria uma bomba total. Mesmo fazendo um trabalho razoável nos vocais, não há como salvar a canção ainda mais como uma composição fraca e boba. No caso de dúvida de saber como é o gosto de uma cerveja quase morna e como é Day Drinking, passe longe das duas.
nota: 5,5

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Primeira Impressão

Paula
Robin Thicke


Irei confessar um segredo: eu tenho o maior problema em ver alguém passar vergonha, ou seja, eu odeio sentir vergonha alheia. Sim, não tenho condições emocionais de ver alguém pagando aquele mico voluntário. Não vi toda a apresentação da Britney Spears cantando Gimme More em VMA. Mudei de canal quando o Kanye West invadiu o palco e "roubou" o microfone da Taylor Swift. Claro, qualquer aparição da Claudia Leitte. Porém, em certos "acontecimentos" é necessário ter a minha atenção, pois, infelizmente, não tem outro jeito. Esse é o caso do novo álbum do Robin Thicke. Não tem como eu fazer uma análise, se eu não ouvi-lo completamente. Foi difícil, mas o trabalho foi feito e aqui está a minha avaliação.

Para quem não sabe o motivo da "vergonha" do Robin, vamos as explicações: Robin foi casado mais de vinte anos com a atriz Paula Patton (conhecida pelos trabalhos em Preciosa: Uma História de Esperança e Missão Impossível: Protocolo Fantasma). Depois que estourou mundialmente com o sucesso de Blurred Lines no ano passado, começaram a pipocar noticias sobre a infidelidade de Robin que foram agravadas com a super exposição dele. Então, caldo ferveu quando Paula pediu o divorcio e tudo ficou ainda mais público e notório. Então, o que fez Robin? Como qualquer outro musica decidiu colocar em forma de músicas todas as suas emoções sobre esse rompimento. Isso é uma prática mais do que comum e já resultou em grandes músicas e/ou álbuns em toda a história. Porém, se não bastasse a exposição que a separação teve, Robin faz sem a menor cerimônia uma álbum inteiro sem "esconder" qual o intuito do mesmo. Quando escrevo "esconder" quero dizer "não escancarar" como fez o cantor que, além de falar abertamente sobre o principal e único tema do trabalho, colocou o nome do CD de Paula. Claro, se ao menos o resultado final em si fosse algo que valesse tanta exposição, mas, pelo contrário, em cerca de cinquenta minutos Robin Thicke consegue elevar um nível na escala de vergonha alheia.

Paula é um álbum, que mesmo no frigir dos ovos não é seja fiasco total, qualquer qualidade se perde quando percebemos que estamos diante de um homem que em busca de perdão, mas que mete os pés pelas mãos ainda mais expondo mais ainda sua amada. Produzindo ele mesmo com a ajuda do desconhecido Pro Jay, Robin desfila uma coleção de músicas que tentam ter uma unidade que remeta ao um trabalho conceitual, mas, na verdade, é apenas um ajuntado de referências construídas de maneira pouco imaginativa e com uma tonelada de clichês musicais. Robin atira para todo o lado sem acertar nenhum alvo de maneira concreta e ainda deixa um trabalho que deveria soar coeso como se fosse uma sopa de letrinhas rala. E o que falar das composições? Apesar de ser um relato pessoal e até tocável, Paula é, basicamente, um lamento de autopiedade chato, sem brilho e muitas vezes machista colocando Robin como uma "vitima de si mesmo". Robin até esboça arrependimento, mas parece esquecer que essas declarações tão públicas apenas fazem a Paula ainda ficar mais exposta, ou seja, a atriz é duplamente vitima. O que se pode tirar de positivo de verdade é a atuação de Robin: sua voz está "smooth" perfeito e ele entrega boas performances. Contudo, para um álbum que deveria ser a expressão de sentimentos tão dramáticos, Robin não mostra emoção de verdade soando, muitas vezes, parece esta no automático. Para piorar a sensação de vergonha, Paula vendeu apenas 24 mil cópias na primeira semana nos Estados Unidos, 530 cópias na Inglaterra e (pasmem) 54 (!!!!!!!!) cópias na Austrália. Depois desse álbum, Robin Thicke podia dar uma sumida e tentar recomeçar em todos os setores da vida dela e parar de fazer os outros pararem de passar vergonha por causa dele.

terça-feira, 15 de julho de 2014

A Era Depois da Amy

Trouble with My Baby
Paloma Faith

Desde que a Amy Winehouse ajudou a revitalizar e reviver o soul buscando as influências dos "originadores", outros artistas seguiram o mesmo caminho. Só que sem atingir o mesmo patamar. Uma pena, pois, nomes como a Paloma Faith, teriam tudo para conseguir. Apesar de entregar trabalhos decentes como
Trouble with My Baby.

A canção, terceiro single de A Perfect Contradiction, bebe direto da fonte do soul dos anos '50 e '60. Porém, ao invés de criar algo mais "moderno" e criativo, a produção entrega uma canção certinha e careta. Não que isso seja ruim, ainda mais que Trouble with My Baby é um trabalho muito bem feito, mas não ir além do arroz com o feijão tendo em mãos um talento como Paloma é um desperdício. Mesmo assim, a inglesa sabe como se portar diante de uma canção com essa pegada usando seu tom para dar um ar original na canção que peca exatamente por isso. Não que eu ache que vá surgir alguém como a Amy, mas certos ensinamentos delas deveria ser seguidos mais à risca.
nota: 7

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O Futuro no Passado

BO$$
Fifth Harmony

Não é preciso ser um grande entendedor de música pop para sacar que a girl band Fifth Harmony, ou melhor, quem cuida da carreira delas (leia-se Simon Cowell) está buscando ao lançar o novo single delas: BO$$ é claramente inspirada na sonoridade das girls bands americanas que fizeram sucesso durante os anos noventa e começo dos anos dois mil. 

BO$$ é um "hino" para a valorização do poder feminino assim como Independent Women das Destiny's Child e não tem vergonha nenhum de mostrar isso com todas as citações de mulheres fortes (Oprah e Michelle Obama) e o clamor para que as mulheres ganhem seu próprio dinheiro. Apesar de ser uma "cópia", a composição é divertida usando várias referências pop e bem estruturada ajudando a criar uma simpatia rapidamente do público com a canção. A sua batida é influenciada de outra girl band: TLC. Assim como fez a co-irmã inglesa delas, o Little Mix, o Fifth Harmony está com uma sonoridade mais urban com a mistura de pop e hip hop eficiente mesmo que soe, em vários momentos, genérico. A escolha feita por fazer todas as garotas cantarem em todos os momentos é extremamente acertada já que dá coesão para a canção. Claro, é preciso buscar também as personalidade individuais, mas, por enquanto, a estratégia funciona. Agora é saber se essa volta ao passado vai ajudar o futuro do Fifth Harmony.
nota: 7

sábado, 12 de julho de 2014

Quem Canta o Canto do Cisne

Scarecrow
Alex & Sierra

Como vocês sabem o reality The X Factor US foi cancelado. Mesmo depois de emplacar três temporadas,
o reality capitaneado pelo Simon Cowell foi uma fiasco gigante ainda mais comparado com a versão inglesa. Mais fiasco ainda foram os candidatos que saíram do programa: nenhum deles (nem ao menos os vencedores) consegui emplacar nas paradas americanas. A última esperança é que a dupla de namorados Alex & Sierra, os vencedores da última temporada, consiga algum destaque. Ainda mais que eles são os participantes com mais apelo que o programa teve. (Não acompanhei o programa, por isso não vou fazer um resumão de como eles foram durante o programa.)

A dupla lançou recentemente o primeiro single deles para a divulgação do álbum debut que deve ser lançado esse ano (nenhum álbum dos vencedores anteriores foram lançados até hoje). A canção em questão é a simpática Scarecrow. O grande problema da música é tentar emoldurar uma sonoridade pop, mas que não quer ser pop ao soar uma mistura de indie, folk e rock. Traduzindo: "mamãe, quero ser o Mumford & Sons!". Apesar dessa sensação, Scarecrow tem uma produção boa e uma instrumentalização eficiente. A dupla consegue uma performance  geral inspirada devido a química entre os dois. Nenhum dos dois tem uma voz sensacional, mas os dois tem brilho e quando se unem é ainda mais sólida a parecença deles. Finalmente, a composição acerta em vários pontos e mostra inteligencia em construir um refrão bom. Scarecrow alcançou apenas a posição de 117° na Billboar, mas ainda a dupla pode reverte esse fracasso com o lançamento de um novo single. Ou não, pois o mentor e "patrão" deles, o próprio Simon, voltou com a cauda entre as pernas para a versão original do The X Factor na Inglaterra. Não está fácil para ninguém!
nota: 7