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7 de setembro de 2024

Pop Perfeição

BIRDS OF A FEATHER
Billie Eilish


Apesar de não ser a melhor canção da carreira da Billie Eilish, Birds of a Feather é sem nenhum duvida um dos momentos da sua carreia que podemos chamar de “pop perfection”.

Invocando uma nostalgia sincera, a canção poderia facilmente ter a sua melodia tirada de uma canção pop feitos por nomes como The Cranberries, The Bangles, Debbie Gibson, Belinda Carlisle, entre outras. Entretanto, a produção refinada do Finneas construiu a delicada batida de Birds of a Feather de uma maneira tão natural que essas semelhanças ficam por contam em segundo plano, pois a canção é um trabalho que apenas a Billie teria a capacidade de entregar de maneira tão distinta. E é na presença graciosa e brilhante da cantora que a canção realmente se torna um trunfo com uma performance doce e emocionante em que o seu timbre brilha devido a maneira quase sonhadora que a cantora entoa a canção, mostrando o tamanho da inteligência artística que a mesma tem em saber usar o seu instrumental de maneira perfeita. E tenho pessoal apreço pela construção dos versos antes do refrão, pois acho que é ali que a canção encontra o seu melhor momento. E o mais incrível é que a canção faz parecer que criar um joia como essa é algo fácil, mas é apenas para talentos raros como o da cantora e do seu irmão produtor.
nota: 8

2 de agosto de 2024

The Year of Brat

Guess featuring Billie Eilish
Charli XCX & Billie Eilish

Não é possível afirmar que o ano vai ser definitivamente marcado pela gloria da Charli XCX na sua era Brat. E com outra mostra da sua força, a cantora lançou outro remix com participação de um grande nome ao convidar a Billie Eilish para participar de Guess.

Parte da versão deluxe do álbum, a canção não seria exatamente a minha opção para um remix tão high profile como esse, mas, felizmente, o resultado é bem legal. E a presença da Billie que realmente faz valer essa nova versão, pois a sua performance emoldura a vibe da mesma no começo da carreira adicionando uma dose de maturidade deliciosa. O seu verso é sensacional, pois tem um toque ácido e divertido em que a mesma fala da sua sexualidade de maneira inteligente. Sonoramente, a canção é uma explosiva electro house rápida e rasteira que não chega a explodir como poderia, mas também passa longe de ser uma decepção ao ser realmente memorável. E assim a Charli XCX continua a sua dominância como fazia muito tempo que uma artista pop não alcançava. 
nota: 7,5

9 de junho de 2024

Uma Música Para Meninas Que Gostam de Meninas

LUNCH
Billie Eilish

Mesmo não sendo a melhor canção de Hit Me Hard and Soft, Lunch é amostra de quanto sólido é o álbum e, principalmente, a carreira da Billie Eilish.

Uma divertida, sexy e gostosinha pop rock/indie pop que acerta ao perfeitamente em experimentar com doses de post-punk e electro, a canção ajuda o publico a ter a noção do crescimento pessoal e sonoro da cantora. Primeiro, Lunch é sobre o desejo da cantora por uma mulher em que a mesma fala de maneira aberta e sem pudor, mostrando que canções com conteúdo queer diretas vem sendo melhor aceitas pelo mainstream sem precisar de subterfúgio líricos para esconder a temática. Em segundo, a canção mostra o quanto confortável Billie está ao falar sobre o assunto como, também, a produção de Finneas acerta no tom despretensioso da canção ao faze-la uma das mais animadinhas da carreira dos dois. Como escrevi antes, o single não é o melhor que álbum pode oferecer, mas ainda é um trabalho louvável.
nota: 8



10 de dezembro de 2023

Uma Segunda Chance Para: when the party's over

when the party's over
Billie Eilish


Apesar de não ser a primeira canção lançada da carreira da Billie Eilish, when the party's over foi aquela que chamou a minha atenção pela primeira vez. Cinco anos do seu lançamento volto minha atenção para reanalisar a mesma e entender que, apesar de não ter envelhecido de maneira a melhorar a minha percepção, a canção é um claro mostrador do que estava por vim para a carreira da jovem artista.

Acredito que o principal motivo para a canção não estourar em qualidade como vários trabalhos posteriores da artista é o fato da mesma não ter suas mãos na composição, deixando apenas para o seu irmão e produtor Finneas O'Connell os créditos. E devido a isso falta um toque pessoal para when the party's over que é dado pela inspirada e tocante mão da Billie. Isso não quer dizer que a composição aqui seja ruim, pois é um trabalho eficiente, simples e pungente. E, na verdade, menos impessoal que gostaria que fosse. Todavia, Finneas entrega uma produção inspiradíssima ao seu uma balada indie/ambient pop que dá resquícios perfeitos sobre o que iria se transformar a sonoridade da cantora sem ainda está madura. O ponto brilhante da canção é deixado para os vocais cristalinos e hipnóticos da Billie que não gostava plenamente quando escutei pela primeira vez, mas foi percebendo a sua complexidade interpretativa ao longo dos tempos e como o seu delicado timbre é usado para extrair sentimentos profundos de maneira sutil. Não é a melhor canção da Billie Eilish, mas, sim, um bom começo para a conhecer uma das artistas mais interessantes dos últimos tempos.
nota: 8

24 de setembro de 2023

Barbie Billie

What Was I Made For?
Billie Eilish


Será possível a Billie Eilish vencer o seu segundo Oscar com um dos temas para o filme Barbie? Acredito que a indicação pode depender de qual das canções do filme irá ser priorizada já que I'm Just Ken interpretada pelo Ryan Gosling parece a mais provável, mas What Was I Made For? prova o talento da cantora de entregar temas surpreendentes.

Menos impactante que No Time To Die, a canção é uma melancólica, doce, delicada e emocionante balada indie pop que consegue ter um trabalho melódico impressionante apesar de instrumentalmente descomplicado. Entretanto, o que eleva a canção aqui é a inspirada composição. Simples e contida, a letra What Was I Made For? consegue dar vida perfeitamente ao cerne central do filme ao falar sobre busca por identidade e lugar no mundo. Novamente, a parceria de Billie com o seu irmão Finneas é capaz de criar um momento única que parece apenas capaz devido a harmonia entre o dois e um senso lírico apuradíssimo. E a tocante performance de Billie é a cereja em cima do bolo para completar o pacote de What Was I Made For? que encerra como a melhor canção lançada da era Barbie.
nota: 8

26 de julho de 2022

2 Por 1 - Billie Eilish

Guitar Songs
Billie Eilish

É realmente impressionante a evolução da carreira da Billie Eilish ao se transformar em uma das maiores artistas pop contemporâneas com bilhões de streamings, vários hits no topo das paradas, Grammys e um Oscar e a mesmo nem é legalmente permitida beber bebidas alcoólicas nos Estados Unidos por ter ainda vinte anos. A sua maior evolução, porém, é artisticamente, especialmente quando analisa os lançamentos mais recentes: as ótimas TV e The 30th.

Lançadas em forma de mini-EP, as canções deixam bem claro a imensa e continua evolução lírica de Billie e o seu irmão Finneas. Ambas canções apresentam alguns dos trabalhos mais maduros e poderosos da carreira da cantora até o momento, expondo a capacidade da dupla de criar poderosas crônicas emocionais com um apelo pop edificante e realmente inteligente. Em TV, a cantora discute sobre saúde mental ao descrever um episódio de depressão de forma delicada, tocante e ácida ao citar eventos recentes como, por exemplo, a criminalização do aborto nos Estados Unidos. Já em The 30th, a cantora relata de maneira devastadora os sentimentos que a invadiram depois de alguém próximo quase morrer na composição mais direta e emocionante da carreira da cantora. Sonoramente, as duas canções continuam com a mesma pegada indie pop a base guitarra/acústica ouvida no começo da carreira de Billie, mas a produção de Finneas adiciona nuances muito bem vindas que elevam o resultado final na medida certa para resultar em trabalhos com as suas próprias personalidades. E dessa maneira, a Billie Eilish vai trilhando uma carreira que parece apenas subir sistematicamente, devendo alcançar o seu pico máximo em alguns anos. E, sinceramente, não vejo a hora de isso acontecer.
notas
TV: 8
The 30th: 8

7 de novembro de 2021

O Céu de Billie

Happier Than Ever
Billie Eilish


Quando resenhei apela primeira vez uma canção da Billie Eilish pode notar que, apesar de minhas críticas, havia uma artista interessante nascendo no meio de um hype que não ainda entedia. Apesar disso, não imaginaria que aquela artista de when the party's over poderia entregar a genial Happier Than Ever.

Dando nome ao segundo álbum da cantora, a canção é uma verdadeira tour de force que consegue seguir a sonoridade básica da Billie e, ao mesmo tempo, adicionar uma enorme e poderosa quebra de expectativa que consegue elevar a produção de Finneas para outro parâmetro. Começando com uma melancólica e contida pop soul/folk acústica com uma performance delicada de Billie para quase no seu meio se transforma em uma explosiva pop punk/indie rock em que a cantora mostra um lado amargo e agressivo, a produção consegue unir duas metades tão diferentes sem parecer canções diferentes de maneira fluida, mas também mostrando as claras diferenças entre as duas parte. Entretanto, essa decisão para a construção sonora de Happier Than Ever poderia não tanto impacto se não fosse a genial composição. Ao narrar de forma honesta, poética, honesta e desconcertante a sua descoberta de estar vivendo em um relacionamento tóxico, a cantora entrega a sua mais refinada e poderosa composição ao deixar o simples e efetivo de lado para construir uma longa, intrigada e profunda letra que leva o público em uma viagem inesquecível. E assim Billie encontra o seu paraíso em seu melhor momento da carreira até o momento. E acredito que apenas seja o começo.
nota: 8,5

12 de junho de 2021

No Linear

Lost Cause
Billie Eilish


Acredito que chegamos no estado que a sonoridade Billie Eilish já é algo entendido por quem a escuta e, principalmente, apreciado. Até eu mesmo estou a realmente gostar da cantora depois de um começo meio tumultuado. E é por isso que digo que Lost Cause é uma das canções mais fracas que a cantora lançou nos últimos tempos.

Longe de ser um erro, Lost Cause fica bem no limite entre o entediante fraco para a essência básica da sonoridade de Billie. Ao contrário de canções anteriores, o single parece faltar algo que o dê um toque de mestre para elevar a produção sempre linearmente cool do Finneas O'Connell. Tudo aqui é trabalho na média do que esperamos de uma canção da cantora. Instrumentalização indie pop/trip hop low profile e descolada, composição inteligente e emocionalmente ácida e uma performance contida de Billie. Entretanto, Lost Cause não se destaque por nenhuma delas ou tem algo que dê força para os mesmos, deixando tudo no campo do apenas bom. Felizmente, esse bom ainda é capaz de fazer a canção ser acima da média para a Billie.
nota: 7

20 de maio de 2021

Um Soco Quase Invisível

Your Power
Billie Eilish

Assim como uma coceira que vai crescendo aos poucos até se tornar insuportável, a Billie Eilish foi crescendo em mim até o ponto que tenho que admitir que a jovem é uma das melhores revelações dos últimos anos. Em Your Power, terceiro single do seu segundo álbum (Happier Than Ever), a cantora mostra uma nova faceta ao entregar a sua composição mais forte até o momento.

Diferente sonoramente de todos os seus singles até o momento, Your Power é uma balada acústica pop folk que dá uma nova luz para a sonoridade da cantora. Não é de longe algo revolucionário, mas mostra caminhos que a produção de Finneas pode levar a irmã daqui para frente. Falta certo carisma quando se compara com as canções anteriores. Esse problema, porém, é colocado de escanteio devido a poderosa composição. Apesar de não aparentar, Your Power é uma crônica forte, emocionante e crua sobre viver em um relacionamento tóxico. Transitando entre confrontar o abusador de outra pessoa e o seu próprio, Billie mostra que a sua capacidade como compositora vem crescendo a largos passos, pois a canção entrega uma letra até simples, mas extremamente eficiente do começo ao fim. Completa o pacote a contida performance de Billie que também mostra outra faceta da cantora ao deixar os sussurros de lado e partir para uma performance mais cantada, mostrando melhor o seu límpido e melancólico timbre. Your Power não deve agradar aqueles que esperavam algo já feito pela Billie Eilish, mas é um trabalho auspicioso para quem quer ver o crescimento da sua carreira.
nota: 7,5

23 de janeiro de 2021

O Delicado Equilíbrio Entre o Conteúdo e a Aparência

Lo Vas A Olvidar
Billie Eilish & ROSALÍA


Provavelmente duas das melhores novatas que surgiram no cenário pop nos últimos cinco anos, a estadunidense Billie Eilish e a espanhola Rosalía fazem uma surpreendente parceria em Lo Vas A Olvidar. A canção poderia ser um dos melhores momentos da carreira de ambas, mas, infelizmente, tropeça ao não ter substância necessária para sustentar o peso de suas participantes. 

Tema do especial da série Euphoria, Lo Vas A Olvidar é dona de uma composição simples e com toques poéticos que não consegue, porém, entregar a força emocional que a produção constrói para a canção. Produzida por Finneas, a canção é uma tocante, madura e exuberante mistura de indie pop, experimental e art pop que consegue com eficiente unir as personalidades distintas das duas cantoras. Todavia, a força emocional é jogada por terra devido a falta de pungência da composição que deixa a desejar. É como se fosse experimentar um molho de pimenta sem estar picante. Pode até ter gosto, mas fica faltando o verdadeiro sabor do condimento. As performances e a química de Billie e Rosalía ajudam a elevar a canção, pois adicionar doses boas de personalidade, mas o delicado equilíbrio entre conteúdo e a aparência foi quebrado como um vaso de cristal.
nota: 7,5

1 de dezembro de 2020

Billie, A Marota

Therefore I Am
Billie Eilish

Entender exatamente o motivo do sucesso da Billie Eilish por completo é algo que ainda preciso de uma reflexão mais profunda, mas é necessário reconhecer que a jovem vem crescendo artisticamente em um ritmo que nunca presenciei. Depois da interessante my future, a jovem lançou a ótima Therefore I Am. 


Na resenha anterior já tinha falado sobre o talento e a importância de Finneas O'Connell para a sonoridade da cantora e, apesar de continuar importante para o resultado final em Therefore I Am, o grande destaque é para a performance de Billie. Continuando o estilo de quase declamar, a cantora entrega nuances e uma interpretação ácida, engraçada e cheia de personalidade para a canção, deixando claro que é dona de uma caixa de surpresas vocalmente. Acredito que a maneira como Billie encara a interpretação é responsável por boa parte da qualidade da mesma, mas isso não impede que outros pontos possam brilhar. O primeiro deles é a ótima e inteligente composição que se usa de uma frase célebre (penso, logo existo do filósofo René Descartes) para construir um ótimo hino sobre levantar o dedo para os haters e não dar bola para as críticas. A produção também é outro acerto ao dar uma atmosfera de galhofa para uma electropop/indie pop que tem a pegada básica da sonoridade da cantora, mas parece se dar espaço para explorar brincadeiras. O único ponto negativo é o seu clímax final que poderia ser bem maior e explosivo, pois a produção parece seguir esse caminho de expectativa durante toda a canção. Isso não tira o brilho de Therefore I Am de ser um trabalho sensacional de um artista que ainda continua sendo um certo mistério. 
nota: 8

1 de setembro de 2020

Meu Irmão Brilhante

my future
Billie Eilish

Ouvir o novo single da Billie Eilish é constatar algo que já tinha sido observado nos outros lançamentos da novata: o imenso talento do irmão/produtor Finneas. Por trás de todas as canções até o momento da jovem, o irmão é o responsável pela continua elevação da sonoridade da cantora que deságua na surpreendente my future.

O novo single consegue ser uma união sensata e bem orquestrada da sonoridade já ouvida pelo público com uma substancial evolução. A principal razão é a excepcional produção de Finneas ao quebrar expectativas sem perder o foco. Começando com uma balada lo-fi para se transformar quase que do nada em uma dance-pop/R&B que parece tirar influência de batidas soul dos anos setenta, my future mantém a mesma atmosfera minimalista e contida dos trabalhos anteriores que se encaixa perfeitamente na narrativa sonora de Billie. Entretanto, a visível mudança sonora é um passo importante para ajudar a cantora a mostrar o seu leque de possibilidades artística. Claro, Finneas recebe boa parte dos crédito, mas é necessário dizer que Billie também precisa ser elogiada pela sua clara evolução pessoal. Primeiramente, a sua performance aqui é um balsamo delicado e refrescante ao saber como expressar uma sensibilidade etérea e tocante. Em segundo, ao ser co-autora da letra de my future, a cantora mostra que consegue sair daquele espaço de garota millennial que deixa a mostra sentimentos sombrios para ocupar um espaço esperançoso e de uma beleza simplória e orgânica. Com No Time To Die e agora my future, Billie Eilish vai se transformando em uma artista bem mais interessante que se poderia imaginar.
nota: 8

17 de fevereiro de 2020

Um Oscar Para Billie?

No Time To Die
Billie Eilish

Se 2019 já tinha sido o ano da Billie Eilish, 2020 parece que irá repetir o mesmo sucesso da jovem sensação. Depois de vencer os principais prêmios do Grammy, a cantora agora lança o que pode fazer dela uma das ganhadoras do Oscar mais jovem da história: o tradicional tema do filme do James Bond com a surpreendente No Time To Die.

Ao ter conhecimento que a jovem iria ser a dona de uma das tradições mais antiga da música pop fiquei realmente surpreso, pois é uma grande honra para uma artista tão jovem e, também, que havia boatos que finalmente a Beyoncé iria ser a escolhida. E também fiquei curioso e preocupado não irei mentir. Entretanto, tudo foi por água abaixo ao ouvir No Time To Die, tema que marca o último filme do 007 interpretado por Daniel Craig. Normalmente, quem fica responsável pelo tema tem acesso ao filme para ter inspiração para a canção. E se isso repetiu aqui fica bem claro que o novo filme será um trabalho melancólico e, de algum modo, introspectivo em relação ao adeus de Daniel ao papel. Essa característica vai contra o que é esperado para um tema de James Bond, mas, felizmente, No Time To Die funciona melhor que o esperado.

O grande acerto da produção do irmão de Billie, Finneas, ao lado de Stephen Lipcomson é equilibrar bem a personalidade da cantora com o lado épico que um tema como precisa ter. De lado está o pop contido de Billie que vai crescendo em uma balda épica, mas sem grandes exageros e respeitando a personalidade da cantora. Com a orquestra do renomado condutor Hans Zimmer, No Time To Die tem uma instrumentalização impecável que consegue fazer a ponto entre esses dois mundos de maneira primorosa. Apesar disso, a canção é realmente boa devido a sua ótima composição. Dando o tom melancólico e quase apocalíptico que o filme deve assumir, a composição aqui é trabalho mais madura e edificante da cantora até o momento. Não o melhor, mas o mais promissor em relação a mostrar qual o alcance que a Billie pode chegar nos anos que estão por vim. Outro ponto importante é a boa performance vocal da cantora que consegue mostrar a beleza delicado do seu timbre e, também, o seu surpreende alcance quando necessário. Com quase um ano para a próxima cerimônia do Oscar, Billie tem um caminho longo para se juntar a Adele e ao Sam Smith. Impossível não é.
nota: 8

17 de dezembro de 2019

Prova de Fogo Precoce

everything i wanted
Billie Eilish

Apenas começando a sua carreira, Billie Eilish irá enfrentar um dos maiores desafios para uma estreante de forma precoce: o segundo álbum. Ainda colhendo frutos generosos de WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?, a jovem lançou o primeiro e auspicioso single do novo trabalho: a delicada everything i wanted.

everything i wanted consegue mostrar uma nova faceta da cantora sem precisar, porém, mudar a sonoridade que está fazendo a Billie Eilish a nova sensação do pop. O que a cantora muda em relação aos seus singles anteriores é que podemos ver um lado bem vulneral e intimista da cantora ao relatar os seus problemas com depressão, a sua fama recém adquirida e o seu relacionamento com o seu irmão/produtor. Contida, emocionante do seu jeito e muito bem escrita, everything i wanted é um trabalho que dá para o público uma nova visão sobre o potencial da cantora. Sonoramente, a canção não muda muito do electropop low profile que aqui quase se torna uma baladinha. Não é ainda um trabalho para realmente agradar a todos, mas Billie Eilish está em um caminho acertado para a sua evolução como artista.
nota: 7

13 de agosto de 2019

O Cara Errado

bad guy (Remix)
Billie Eilish & Justin Bieber

A nova onda dos artistas é relançar uma canção em versão remix que, na verdade, não tem nada de remix para ajudar nas vendas. Ás vezes funciona, mas ás vezes dá muito errado como é o caso da versão de bad guy da Billie Eilish ao lado do Justin Bieber.

Provavelmente, a canção que melhor representa a personalidade artística da cantora, bad guy é uma estranha, divertida, ácida, dançante, bem produzida e, apesar do sucesso comercial, nada mainstream electropop com elementos de eletrônico que funciona devido a ser exatamente um trabalho esculpido para a Billie Eilish. A sua pitoresca forma de entoar e a composição de artista millennial que dá uma virada na mesa na forma como lida com o famoso "boy lixo" encaixam perfeitamente com o que esperamos da cantora, mas com uma qualidade surpreendente. Entretanto, a versão remix com Justin Bieber não tem nada haver com nada. Apesar de ser o ídolo da cantora e ser fofo que a mesma possa realizar esse sonho, a parceria não funciona em vários níveis diferentes. O principal motivo é que Bieber não acrescenta nada em um verso péssimo que deixa bem claro que foi apenas feito para a canção ganhar mais buzz para a canção nas paradas. Sinceramente, a nova versão é tão desnecessária que ajuda a canção a aparecer, por enquanto, na lista de melhores e piores canções do ano. Feito impressionante para uma novata.
nota
Versão Original: 7,5
Versão Remix: 4,5

23 de março de 2019

Sem Vida

wish you were gay
Billie Eilish

Depois de duas resenhas que, apesar de boas, eu não tinha ainda encontrado o problema com a novata Billie Eilish. Finalmente posso apontar com certeza o que me incomodada na sonoridade da jovem: a falta de vida. Cheguei a essa conclusão com a canção wish you were gay.

wish you were gay tem todas as características que fãs desse indie pop "too good for school" que a jovem de 17 anos representa: letra ácida e com uma profundidade media à régua, atmosfera pop que finge ser algo maior do que realmente é e uma a presença de uma cantora vocalmente diferente e que acredita que a sua interpretação é algo realmente novo. Essas coleções de "elogios" pode até parecer criticas, mas quando as mesmas são entregues com verdadeiro espero pode ser um verdadeiro trunfo sonoro que, normalmente, não agrada a todos. O problema é que em wish you were gay nada disso funciona como deveria, revelando impetuosamente a falta de força vital de Billie Eilish. 

wish you were gay é um trabalho lento demais na sua primeira metade e pouco criativo quando surge as nuances nada novas na sua segunda parte. Produzido pelo seu irmão, a canção deixa Billie completamente exposta e sem quase nenhuma base para se sustentar. Na verdade, a composição tem algo que pode ser chamado de interessante, parecendo prometer que com a maturidade teremos uma artista realmente inteligente e com uma deliciosa ironia. Entretanto, nesse momento a letra sobre não ser correspondida pelo crush e, por isso, desejar que ele seja gay para explicar a falta de interesse soa como as declarações de uma menina mimada e que ainda não sabe muito sobre a vida. E o que mais irrita é como a jovem se coloca vocalmente em uma performance irritante e que parece que a mesma estava muito entediada para cantar a própria canção. Sem a sorte de boas músicas, Billie Eilish se mostra uma artista em busca da sua própria vida.
nota: 5

27 de janeiro de 2019

Água & Óleo

WHEN I WAS OLDER
Billie Eilish


Assim como aprendemos na química que alguns elementos não se misturam entre si, o mundo da música também tem as suas versões de água e óleo. Uma delas é a canção WHEN I WAS OLDER da ascendente Billie Eilish.

WHEN I WAS OLDER faz parte de um projeto que irá trazer canções músicas inspiradas no filme Roma de Afonso Cuarón sobre uma empregada doméstica e a família classe média para quem trabalha durante os anos setenta no México. Forte candidato ao Oscar, o filme é uma linda, melancólica e devastadora crônica familiar que mostra de forma contundente as linhas quase invisíveis que separam as classes sociais. Ouvir, portanto, a sonoridade indie pop/eletrônica de WHEN I WAS OLDER que foi inspirada pelo filme é igual ver água e óleo juntos em um copo: interessante, mas que dá para ver que não se misturam. Claro, a canção é inspirada e, não, um tema propriamente dito, mas, meso assim, as coisas parecem não se encaixarem. E a canção é até boa, mesmo sendo um pouco pretensiosa e com uma duração arrastada. O melhor da canção é a composição que se pega elementos direto de falas do filme para construir alguns versos e, primordialmente, a temática sobre nostalgia. Isso, infelizmente, não impede essa sensação de estranheza entre duas coisas opostas imperar do começo ao fim de WHEN I WAS OLDER.
nota: 7

27 de novembro de 2018

New Faces Apresenta: Billie Eilish

when the party's over
Billie Eilish

Com anos de experiência aqui no blog analisando o mundo da música pop/mainstream e aprendendo melhor sobre a sociedade em que vivemos já consigo perceber anomalias que surgem como é o caso da ascensão nos últimos tempos da novata Billie Eilish. Não que estamos diante de algo nunca visto antes, pois cantoras indie pop com ligações com o mundo do hip hop/R&B são bastante comuns. O que chama atenção é o fato que a cantora estar escalando posições nas paradas e chamando atenção de um parte do público fazendo algo muito parecido com o que alguns nomes recentes já fizeram como é o caso de Kelela, Kali Uchis e, principalmente, a sumida FKA twigs.

Em uma clara obervação de quem conhece as cantora citada pode notar um motivo bem explicito sobre o principal motivo que faz a Billie uma grande promessa: o fato dela ser branca. Não é preciso ser um gênio para entender isso rapidamente ao ouvir o single de maior sucesso da cantora até o momento: when the party's over. É necessário dizer que a cantora está longe de ser uma artista sem talento, pois when the party's over mostra que a jovem tem bastante potencial. O problema é, como dito anteriormente, o sucesso dela em detrimento de outras cantoras com a mesma qualidade, estética e talento, mas que não estão dentro do padrão jovem branca e bela que tem uma personalidade/visual alternativo. 

Colando isso de lado para analisar a canção, when the party's over e uma melancólica e minimalista balada indie pop que se utiliza da simplicidade para criar uma viagem de emoções. Flertando levemente com o eletrônico aqui e ali que lembra os trabalhos da Björk, o arranjo tem uma beleza frágil e etéreo que combina bem com a contida composição sobre o fim conturbado de um relacionamento.  É bom no resultado geral, mas ainda parece faltar profundidade verdadeira para dar força emocional para a canção. Além disso, a produção carece de mais nuances para alcançar plenamente pretendida. Isso não impede que a Billie e a sua voz encorpada e "sonhadora" possa dar o tom ideal para  when the party's over. Dito tudo isso, ainda é preciso abrir os olhos para esses fantasmas que rondam a nossa sociedade.
nota: 7,5