Balloonerism
Mac Miller
16 de fevereiro de 2025
A Dor do Que Poderia Ter Sido
5 Dollar Pony Rides
Mac Miller
Mac Miller
Ouvir 5 Dollar Pony Rides, single de Balloonerism, é uma visão clara e precisa sobre todo o potencial do Mac Miller que nunca podermos ver alcançar a plenitude total.
Felizmente, a canção é uma das mais animadas do álbum ao ser quase uma canção de amor em que o rapper se declara par amada. Digo quase, pois 5 Dollar Pony Rides tem uma pitada do lirismo reflexivo de Mac ao tentar entender a psique da amada ao ligar seus problemas com a sua figura paterna. E isso apenas mostra o quanto refiando era o compositor que é capaz de tocar em assuntos complexos com um senso estética apuradíssimo. Entretanto, o que se destaca plenamente na canção é a sua inspirada produção (do próprio rapper) que entrega uma sofistica e madura neo-soul/jazz rap com uma batida intrigada instrumentalmente e deliciosa de se ouvir. Apesar de não podermos ouvir o amadurecimento do Mac Miller com o a passar dos anos fico feliz de poder ouvir o que ele tinha feito finalmente a luz do dia.
nota: 8,5
Ácido Caústico
Man Made of Meat
Viagra Boys
Viagra Boys
Existem algumas músicas que devido a alguma característica causa algum tipo de incomodo quando a gente a escuta. Todavia, essas músicas são basicamente impossíveis de serem esquecidas, pois, normalmente, acertam um lugar impossível de se esquecer. Esse é o caso de Man Made of Meat da banda Viagra Boys.
Primeiro single do novo álbum da banda, a canção é afiadíssima, desconcertante, ácida e explosiva crítica da sociedade moderna, especialmente a maneira como as pessoas lidam com a internet, o consumismo e a cultura da celebridade. Todavia, não é apenas um critica/reflexão, mas, sim, uma porrada descomunal ao usar construções líricas que vão do cair o queixo até os versos que a gente não tem nenhuma reação de verdade, sendo o ápice na sequência:
They watch TV, they watch TV about a man named Chandler Bing who died in a freak hot tubbing accident and spent his time drinking hot dog flavored water on a popular TV show called Tub Girls
A maneira como está escrito é exatamente a cadencia do verso, mostrando também uma estilização da composição única e impressionante. Tudo na composição de Viagra Boys cria um ruido tão alto que fica incapaz da gente não deixar de olhar, mesmo não sabendo como reagir. E isso é algo realmente positivo. Sonoramente, a canção é uma sensacional dance-punk/art rock elétrica e inspirada assim como a ríspida e extrovertida performance do vocalista Sebastian Murphy. Viagra Boys não é para todos públicos e até para aqueles é destinada é preciso ter uma casca grossa. E essa é a graça genial da canção.
nota: 8,5
Erykah BadDon't
F.U.
Jamie xx & Erykah Badu
Jamie xx & Erykah Badu
Fazia algum tempo que não ficava realmente surpreso e interessado por uma parceria quanto fiquei ao descobrir que para a versão deluxe de In Waves teria uma colaboração com a Erykah Badu chamado F.U. Uma pena, porém, que o resultado ficou aquém do esperado.
O grande problema é que a Erykah não canta na canção, mas, sim, é a voz dela “ao fundo” como se estivesse animando uma festa em conversa com publico como se fosse a host/DJ. É interessante, mas passa bem longe da gente ter a cantora realmente participando da canção como deveria. Uma pena, pois sonoramente F.U. é uma reconforte e madura progressive house que não chega a estourar, mas tem uma batida deliciosamente envolvente feita para fritar na maciota. Não foi dessa vez da gente ouvir a Erykah Badu em toda a sua gloria no “pop”. Uma pena.
nota: 7,5
Cadê a Ava?
Lost Your Faith
Ava Max
Entre trancos e barrancos, a Ava Max sempre seguiu um caminho mais puramente pop, mas Lost Your Faith dá uma guinada para uma vertente pop rock até simpática.
Bem produzida, mas sem muita força criativa, a canção entrega um pop rock/dance rock com possibilidades para o caminho da Ava. Gosto especialmente do solo de guitarra que incremente o clímax da canção, mesmo sendo clichê. O problema de Lost Your Faith é a performance da Ava. Apesar de entregar uma interpretação sólida faltou algum brilho que a mesma tem nos seus melhores momentos em outras canções, deixando o resultado final carente de certa personalidade e dando a impressão que a cantora poderia ter sido substituída por outra vocalista que não faria muita diferente. Espero que a canção possa ser apenas o começo de algo melhor trabalhado ou apenas um teste único.
nota: 6,5
Compra Quem Quer
High Fashion
Addison Rae
Addison Rae
Sinceramente, não tenho a menor ideia porque muitos fãs de pop estão comprando a ideia da Addison Rae ser uma nova promessa da música, sendo que até agora não tem um sinal realmente verdadeiro do seu potencial. E isso piora com a mediana High Fashion.
A ideia por trás da canção é até boa, pois é uma sexy e cadenciada syntyh-pop/alt pop, mas que não encontra seu lugar devido especialmente a performance forçada e apática da cantora. A maneira como a cantora entoa High Fashion soa mais como uma artista querendo fazer a sensual e estilizada, mas sendo arrastada e tentando esconder a falta de alcance e versatilidade da sua voz. E isso é problema imenso, pois não deixa a canção realmente encontrar uma personalidade que a permita sair desse campo de boa ideia para boa execução. Além disso, a composição é até sólida, mas não tem um brilho suficiente para se sobressair, terminando como uma versão pobre da Charli XCX. O golpe tá aí, cai quem quer.
nota: 5,5
9 de fevereiro de 2025
A Vencedora do Grammy Doechii
Nosebleeds
Doechii
Com todas suas flores mais do merecidas, a Doechii dá outra prova contundente do seu imenso talento ao lançar a ótima Nosebleeds, lançada como “presente” aos fãs após sua vitória merecidíssimo no Grammy.
Mesmo com um pouco mais de dois minutos apenas, a produção entrega uma canção realmente completa, ousada e potente ao seguir um caminho experimental para essa hip hop/rap, entregando um instrumental intricado e ousado. Não é exatamente genial, mas é uma prova sólida e impressionante da capacidade da artista. Entretanto, Nosebleeds ganha vida pela gigantesca e impressionante performance da Doechii que simplesmente dá uma aula genial de como introduzir uma carga descomunal de personalidade, versatilidade e carisma. E a mudança no finalzinho é uma quebra de expectativa que faz da canção ser merecedora de ser escutada. E espero que a rapper continue a entregar presentes com nessa mesma toada artística.
nota: 8
O Ano das Rosinhas
Born Again
LISA, RAYE & Doja CatContinuando a jornada para que o Blackpink tenha as melhores carreiras solos das suas integrantes, a Lisa lança a sua melhor canção com a deliciosa Born Again.
E esse resultado é preciso agradecer especialmente a britânica Raye. Não apenas a cantora faz uma participação substancial e sensacional na canção, mas, também, é coautora e coprodutora (ao lado de Andrew Wells). E isso é o que dá o toque precioso para a canção, pois é fácil observar a visão única, inteligente e refinada da Raye na construção dessa graciosa, chiclete, chic e inspirada nu-disco com infusões de dance-pop, pop rap e funk que cria uma batida atemporal e envolvente. Existe um odor de perfume caro que exala de Born Again que gruda na gente mesmo depois de ter escutado que é o toque de genialidade da produção. A composição é outro trabalho inteligente que sabe ficar muito bem na linha entre o polêmico ao usar metáforas religiosas para falar sobre desejo e a estética pop graciosa, especialmente no ótimo refrão. A canção poderia ser ainda melhor se tivesse alguns ajustes finos na participação das três artistas envolvidas. Lisa entrega uma performance inspirada e a divisão com a Raye é inteligente, mas essa último rouba a cena daquela que seria a estrela da canção. Além disso, Doja Cat poderia estar mais presente no resto da canção fora do seu estiloso, divertido e requintado verso em que a mesma transita entre a sua vertente cantora e a rapper. De qualquer forma, as três artistas dão liga no resultado final, criando em Born Again a primeira grande parceria de 2025.
nota: 8
De Volta ao Básico do Básico
ROMEO
Anitta
Anitta
Sempre que vejo que a Anitta vai lançar uma nova música para um novo álbum ou projeto realmente fico com alguma esperança de finalmente vermos a evolução artista da cantora. Todavia, essa esperança sempre vem com uma dose de realidade em ter a certeza que o que vai vim é mais do mesmo. E isso é o que acontece com Romeo.
A canção é basicamente o mesmo reggaeton massificado e genérico que a cantora insisti em fazer para tentar fazer o sucesso no mercado internacional. Comercialmente, isso não é ruim, mas o problema é que a cantora está ficando anos luz atrás artisticamente devido a não prestar atenção que o gênero vem evoluído a passos largos com doses imensas de criatividade e ousadia. Tenho que admitir que Romeo tem um instrumental até sólido, tentando fazer algo na sua parte final ao adicionar toques de eletrônico. Entretanto, o que é introduzido também é genérico e sem muita força relevante para o resultado final. Anitta até domina a canção bem, mas seus esforços são perdidos em um mar de obviedades sonoras. E assim se repete mais um ciclo na carreira da Anitta.
nota: 5
Memoria Desbloqueada
Rushmere
Mumford & Sons
Mumford & Sons
Lá pelos anos 2012 tive uma fase que era realmente cativado pela banda Mumford & Sons, mas ao longo dos anos foi diminuindo assim como a relevância da banda. Ao ouvir Rushmere, primeiro single da banda do álbum de mesmo nome, foram desbloqueadas várias das minhas memorias.
A canção mostra que se de um lado não ouve nenhuma mudança drástica da sonoridade da banda que é a prova que não ouve evolução artística, do outro lado é como experimentar um prato que fazia anos que você não provava, aguçando sua memoria palatar. Rushmere é uma baladona mid-tempo folk pop/rock com uma instrumental grandioso, emocionante e clichê que funciona quando a gente não esperada nada além disso. Com uma composição que segue o mesmo caminho, a canção tem seu ponto realmente alto devido a sempre confiável e elegante presença do vocalista Marcus Mumford. O resultado da canção é até melhor que o esperado, mesmo sendo ajudado pelo fator nostalgia.
nota: 7,5
New Faces Apresenta: venturing
Dead forever
venturing
venturing
O primeiro New Faces do ano será de uma artista que já esteve aqui no blog, mas a mesma decidiu lançar um projeto paralelo sob a alcunha de outro nome. Nesse caso, estou falando da cantora Jane Remover que resolver lançar um projeto paralelo chamado venturing e como single foi lançada a canção Dead Forever.
O mais interessante da canção é fato de podermos notar que se trata da mesma artista, mas aqui existe uma clara mudança sonora ao ser deixado o lado mais experimental para mergulhar em uma sonoridade mais direta e tradicional. E isso é excelente, pois mostra a versatilidade da artista que consegue ao mesmo tempo entregar trabalhos distintos e com a sua marca. Em Dead Forever, o caminho seguido é de um sólido indie/alternativo rock com toques de shoegaze e noise pop, criando um barulhento e maduro trabalho. É preciso apontar que, novamente, não entendo a decisão da produção vocal em “esconder” da voz de Jane, mesmo que aqui seja menos imponente isso, pois é nos momentos que ouvimos sua voz que a canção ganhar mais força. De qualquer forma, Jane ter dois trabalhos distintos que se conversam entre si lançados no mesmo ano é um feito incrível que precisa ser exaltado.
nota: 7,5
A Primeira Música Ruim de 2025
Blick Sum
Latto & Playboi Carti
Latto & Playboi Carti
Até o momento só tinha escutado em 2025 música boas, mas com Blick Sum veio a primeira música ruim do ano.
Remix de uma canção da rapper, o single é o que de mais massificado existe no trap com uma batida pobre, repetitiva e ruim mesmo. Tem uma batida que demarca toda a canção que vai entrando na nossa cabeça de uma maneira nada agradável, parecendo que vai arrebentar nossos tímpanos. Entretanto, o pior de Blick Sum é a performance sem inspiração da Latto e, principalmente, a falta de carisma e talento do Playboi Carti. Ambas performances parecem totalmente descolocada da batida, criando um ruído que parece um quadro negro sendo arranhado. Uma canção que realmente faz a gente dar um deprimida só de saber que existe.
nota: 3
3 de fevereiro de 2025
Aleluia! Glória! GaGa!
Abracadabra
Lady Gaga
Lady Gaga
Tenho que dizer que tive medo que Disease seria um ponto fora da curva para GaGa, mas a “mãe monstro” colocou todos os medos de lado com o lançamento da espetacular Abracadabra.
Na verdade, a canção até supera o single anterior, pois consegue ser ainda mais frenética, explosiva e imponente. É impressionante ouvir a capacidade da GaGa ao lado dos produtores Cirkut e Watt ao conseguir emoldurar todas as qualidades da era The Fame Monster, mas ainda mostrar originalidade e frescor incríveis. Abracadabra é uma eletrizante electropop, dark pop e electro house com uma batida hipnótica, grandiosa e impressionante que consegue ser dançante ao extremo e ter uma atmosfera tão épica. E essas é uma das qualidades da GaGa que estava faltando já tem um bom tempo, mas que é inundada em Abracadabra. E outra qualidade que faz a canção ser tão especial é a capacidade de entregar uma composição com tino pop refinadíssimo com uma mensagem com substância genuína, tendo um dos clichês e pontes mais grudentas da sua carreira. Finalizando a canção, GaGa nos contempla com uma performance tão poderosa e refinada que apenas a mesma poderia ser capaz de entregar, especialmente devido ao seu impressionante alcance. A cereja dourada em cima do bolo de milhões de Abracadabra é o incrível e memorável vídeo clipe que fazia muito tempo que um artista pop não entregava nesse nível. Espero que de coração Abracadabra possa encontrar o respalda comercial para mostrar que a GaGa está de volta totalmente, pois artisticamente a cantora está a pleno vapor.
nota: 9
2 de fevereiro de 2025
A Alma Nua
Striptease
FKA twigs
Quarto single de Eusexua, Striptease entre facilmente no topo de melhores faixas do álbum ao ser o exemplo perfeito de toda a vibe do mesmo e também um ótimo exemplo da personalidade da FKA twigs.
Como vibe, a canção é uma requintada e madura mistura de R&B com subgêneros do eletrônico como, por exemplo, drum and bass, jersey club e glitch que consegue transmitir muito bem toda a intenção da ideia por trás do desenvolvimento da produção. Todavia, a canção se destaque um pouco acima devido as adições geniais de camadas sonoras, texturas e quebras de expectativas na construção do impressionante e icônico instrumental que se torna um dos pontos focais do brilhantismo da canção. Striptease também é um dos pontos altos vocais já que “a cantora vai adicionando camadas a cada novo verso e mudança rítmica do instrumental”, entregando uma performance grandiosamente estilizada e emocionalmente única. Em relação a composição, o single entrega uma honesta crônica em que a cantora relaciona o ato de se despir com o ato de se desnudar emocionalmente. Não é uma composição genial do ponto lírico, mas sua força emocional é tocante e mostra toda a distinção da artista. E isso é algo que a FKA twigs é perita em alcançar.
nota: 8,5
2 Por 1 - Lucy Dacus
Limerence
Ankles
Lucy Dacus
Ankles
Lucy Dacus
Descobrir novos talentos é ótimo, mas continuar acompanhado sua trajetória também é algo que valorizo na mesma proporção. Então, ouvir os novos singles da Lucy Dacus mostra que vale a pena a se abrir para novas possibilidades.
Limerence e Ankles são dos dois primeiros singles do seu novo álbum intitulado Forever Is A Feeling e mostram igualmente o talento da cantora ao criar duas pequenas, mas emocionais obras que tem como grande qualidade a sua mágica e tocante presença vocal apesar de performances diferentes. Mesmo igualmente boas, a canção que mais me tocou foi a emocionante Limerence devido especialmente a sua devastadora composição. Uma bela balada indie pop/tradicional pop, a canção é uma crônica devastadora sobre o peso do dia a dia nas nossas relações e como a rotina pode afetar nossas emoções. De maneira até simples liricamente, Lucy entrega um soco emocional para ser tão direta e honesta, especialmente nos versos “Is there a differеnce between lying to you/If it feels just as bad as telling thе truth?”. Em Ankles, a força lírica continua em alta, mas muda de direção ao relatar o primeiro encontro de duas pessoas entre medos e desejos. E isso é feito também como a mesma qualidade, mas sem tanto emocional envolvido. Além disso, a canção segue um caminho indie rock que dá uma atmosfera diferente e áspera para o resultado final, mesmo ainda sendo um trabalho inspirado. Todavia, ambas canções demonstram o quanto inspirada é a Lucy Dacus e isso é algo que não tem preço.
notas
Limerence: 8
Ankles: 7,5
Um Ator Cantante
Basic Being Basic
Djo
Djo
Caso não tenha reparado, o combo de um artista ser ator e cantor quase nunca funciona para homens, deixando os nomes mais importantes e sucedidos para as mulheres. Um dos poucos nomes masculinos que está fazendo boa carreira nos dois caminhos é o do ator Joe Keery sob o pseudônimo Djo. E o mesmo prepara seu terceiro álbum (The Crux) e lançou a boa Basic Being Basic.
Talvez menos inspirada que os grandes momentos do álbum anterior (Decide), a canção continua a mostrar a habilidade do artista em entregar uma faixa bem equilibrada entre o lado comercial e o lado artístico. Basic Being Basic é uma cativante e divertida synth-pop/alt-pop que claramente mostra que Djo ainda está em caminho de emoldurar uma sonoridade bem especifica dos anos oitenta com um verniz moderno sem nunca, porém, querer atualizar os gêneros referenciados. E isso funciona bem, pois a produção da canção consegue ligar os pontos com inteligência em um instrumental seguro e bem pensado. Entretanto, a canção soa como se o artista estivesse rodando em círculos dentro da própria sonoridade, faltando algo para a conseguir elevar para outro patamar. Isso dá uma abaixada na bola de Basic Being Basic que é também afetada pela composição que facilmente pode ser vista como pretenciosa. Na minha visão, a letra é dentro do reino que o artista entregou já, mostrando uma habilidade impar de falar sobre assuntos modernos de maneira irônica, sagaz e como um tino pop eficaz. Além disso, a performance divertida do Djo consegue arrematar a canção, especialmente no ótimo clímax de Basic Being Basic. E com esse começo promissor, o Joe Keery/Djo é o cantor/ator que a gente não sabia que precisar acompanhar.
nota: 7,5
Assinar:
Postagens (Atom)