16 de agosto de 2026

Primeira Impressão - Outros Lançamentos

SANDRA ELETRÔNICA
Katy da Voz e as Abusadas




Poucas coisas me deixam mais felizes do que ver artistas queer ganhando espaços que nunca na história da música tiveram a chance de alcançar. E quando esses artistas entregam trabalhos tão bons como é o caso do EP SANDRA ELETRÔNICA, do trio Katy da Voz e as Abusadas.

Formado em 2019 por Katy da Voz, Palladino Proibida e Degoncé Rabetão, o trio vem construindo uma carreira que vem dando frutos consideráveis nos últimos anos ao lançar dois álbuns e trabalhar com alguns nomes da cena indie do pop brasileiro. Em SANDRA ELETRÔNICA, o trio basicamente entrega um pedaço bem generoso da sua sonoridade e, mesmo assim, o EP pode ser uma porta de entrada para conhecer o trio. E, caso vocês não as conheçam, é preciso informar que a lírica do grupo é explícita, vulgar e completamente sem pudor de falar de sexo de maneira a quebrar barreiras. Se você tem problemas com isso, é melhor passar longe, mas, sinceramente, a maneira tão honesta, divertida e carismática que, quem não tiver problemas com o teor ou não tiver nenhuma preocupação, vai se divertir grandiosamente com o que o trio entrega. E isso é apenas uma parte da qualidade do EP.

Basicamente, a sonoridade de Katy da Voz e as Abusadas é uma mistura de vários gêneros e subgêneros do eletrônico que vai sendo modelada e acrescentada de toques bastante brasileiros como, por exemplo, o funk e o tecnobrega. O resultado é muito melhor do que poderia esperar, pois existe uma consciência criativa e técnica realmente inspirada que faria inveja a alguns nomes famosos por aí. E, logo de cara, o EP já apresenta a melhor faixa com a sensacional Drogas, Sexo, Techno, Repete!. Uma espetacular e grudenta techno misturada com industrial techno e EDM que já começa a envolver a gente logo nos primeiros momentos com uma abertura que faz a gente prestar atenção de maneira quase sem volta.

Mantendo uma fluidez impecável, o EP continua com o hilário e contagiante SANDRA ELEtrônica, que mantém basicamente o mesmo nível em uma batida cativante, icônica e vintage que lembra muito trabalhos dos anos noventa com o começo dos anos dois mil, especialmente os remixes de canções de funk. Quando chega EJACU, o trabalho chega ao momento menos inspirado, e isso é devido à repetição meio deslocada do refrão, que não funciona tão bem. Todavia, o que é para ser a “pior” canção do EP é ainda um trabalho realmente inspirado devido à sua frenética batida, especialmente o clímax final, que dá uma interessante quebrada de expectativa. Por fim, o EP fecha com Diz Aquendei, que entrega um dos melhores usos de samples com a presença inspirada de L’Amour Toujours, de Gigi D'Agostino, de 1999. Além disso, a canção é a versão de uma balada para o trio que realmente faz sentido no contexto geral. O EP tem mais uma faixa intitulada MIXTAPE da SANDRA que é, na verdade, um remix/colagem das quatro faixas em uma só, que poderia ser dispensável, mas tem um trabalho de construção realmente muito interessante que se torna uma peça que faz sentido e dá mais substância ao EP.

Em SANDRA ELETRÔNICA, Katy da Voz e as Abusadas entregam um dos melhores trabalhos eletrônicos do ano, e isso é para ser celebrado de verdade.
notas
Drogas, Sexo, Techno, Repete!: 8,5
SANDRA ELEtrônica: 8,4
EJACU: 8,2
Diz Aquendei: 8,3
MIXTAPE da SANDRA: 8,4
Média Geral: 8,3

Nenhum comentário: