1 de fevereiro de 2026

Primeira Impressão

locket
Madison Beer



Quando resenhei o álbum de estreia Life Support, terminei dizendo que o trabalho poderia ser bem melhor “se tivesse noção exatamente de qual é o caminho certo a seguir”. Alguns anos depois, a cantora parece ter encontrado esse caminho no agradável Locket, terceiro trabalho de sua carreira. Todavia, o álbum ainda mostra que falta à artista descobrir como apertar o pé no acelerador.

E a pergunta que fica é clara: qual é esse caminho? A produção entrega aqui um pop/R&B confortável, aveludado, contido e bem amarrado, que vai sendo adornado por toques de dance-pop, eletrônico, pop soul e synth-pop. É um caminho já trilhado muitas vezes — especialmente possível de relacionar aos trabalhos de Ariana Grande —, mas que, nas mãos de uma produção segura e bem-intencionada, resulta em um trabalho cativante e com seus bons momentos.

Ainda assim, Locket é um álbum que caminha preso a uma linha segura demais para que possamos realmente mergulhar de cabeça. É como aquela brisa em um dia de verão: vem e passa rápido, sendo apenas agradável enquanto dura. Quando a produção sai desse lugar, é possível vislumbrar o que Madison pode ter em mãos, como é o caso de yes baby, “a melhor canção da cantora até agora”. O single é uma mistura divertida e bem construída de dance-pop, tech house e electropop. O principal mérito está na fluidez entre a produção dançante — quase farofada — e os vocais sedosos e aveludados de Madison, que criam uma textura interessante e dão mais personalidade a yes baby do que se poderia esperar.

Outro ponto positivo do álbum é a nítida melhora vocal da cantora. Dona de um timbre bonito, Madison explora novas texturas aqui e ali, mostrando que é capaz de ampliar seu potencial e apresentar uma versatilidade considerável. Entretanto, ela ainda precisa amadurecer sua presença vocal, pois, em vários momentos, soa muito parecida com Ariana, até mesmo na maneira de entoar certas partes. Em bad enough, por exemplo, Madison entrega uma boa performance mantendo suas características, mas tentando, de fato, encontrar sua própria personalidade. Não está totalmente livre de comparações, mas é um caminho bem-vindo.

Outros destaques ficam por conta de Make You Mine, em que “a ideia e boa parte da execução da canção são extremamente acertadas ao apostar em um dance-pop/EDM/alt-pop climático, sensual e substancial, que confere à cantora uma vibe mais madura e um lado artístico em progresso”; da batida R&B contida e envolvente de angel wings; da adição eletrônica mais encorpada em Complexity; e, por fim, da sonhadora batida de bittersweet.

Locket não vai mudar profundamente a carreira de Madison Beer, mas funciona como a pedra inicial de algo que pode se mostrar realmente promissor.



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