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12 de janeiro de 2021

Um Canto de Esperança

É Tudo Pra Ontem
Emicida & Gilberto Gil

Para começar 2021 é necessário ter um pouco da esperança que 2020 parece ter pisado até ficar nanico. E nada melhor que construir essa expetativa para um ano muito melhor do que ser inspirado pela poética e emocionante É Tudo Pra Ontem do Emicida com participação do gigantesco Gilgerto Gil. 

Lançada junto com o documentário AmarElo — É tudo pra para ontem da Netiflix, a canção é um tapa de otimismo e poesia que não nega que vivemos os piores tempos de nossas vidas, mas tem uma forte mensagem sobre entender que a vida é feita de ciclos e que nada é para sempre. Otimista e, ao mesmo tempo, realista, Emicida entrega um trabalho liricamente primoroso e de uma inteligência ímpar que deixa bem claro a grandiosidade da figura do rapper e sua capacidade ímpar de criar grandes canções. Uma mistura fina, delicada e inspiradora de rap com MPB, É Tudo Pra Ontem tem na presença do Gil o seu toque de mestre. Narrando um texto retirado do “A Vida Não É Útil,” escrito pelo líder indígena Ailton Krenak, a lenda do nosso cancioneiro dá um toque de genialidade que poucas canções feitas atualmente no Brasil por nomes de destaque tem a capacidade de criar. Urgente e de uma força emocional tocante, É Tudo Pra Ontem é a canção ideal para tentar começar um novo ano. 
nota: 8,5

31 de maio de 2020

Encontros Para Juventude

Quem Tem Um Amigo (Tem Tudo) [feat. Zeca Pagodinho & Tokyo Ska Paradise Orchestra]
Emicida

A pluralidade da MPB é algo que deveria ser ainda mais exaltado pelo povo brasileiro, mas, infelizmente, existe uma discrepância enorme entre o que é atualmente ouvido no mainstream. E é por isso que encontros como o do Emicida com a lenda viva do Zeca Pagodinho em Quem Tem Um Amigo (Tem Tudo) é para ser celebrada.

Gravada para o álbum AmarElo (2019), Quem Tem Um Amigo (Tem Tudo) é uma refinadíssima samba/pagode/rap que faz a gente se sentir orgulho da nossa música. Dona de um instrumental monumental e de uma qualidade primorosa, a canção é ode ao passado de grandes nomes do samba, mas, também, uma fusão exemplar de estilos que parecem na teoria tão diferentes que se encontram nas periferias brasileiras. Falando de forma terna e emocionante sobre o poder da amizade, Quem Tem Um Amigo (Tem Tudo) tem a impagável participação de Zeca Pagodinho que dá para a canção um charme completamente especial que combina com a contida e leve performance do Emicida. A canção é uma celebração do que existe de melhor no nosso cancioneiro.
nota: 8,5

12 de julho de 2019

A Grande Música Brasileira

AmarElo (feat. Majur & Pabllo Vittar)
Emicida

A música brasileira é de uma riqueza que, infelizmente, parte de uma geração atual parece não querer saber da sua existência. A salvação é nomes como o rapper Emicida que, além de louvar a nossa história, é um dos artistas que melhor carregam e representam a música brasileira na atualidade como deixa extremamente clara a sensacional AmarElo.

Claro, para quem já conhece o trabalho do Emicida sabe da sua qualidade artística como vocês podem ler na resenha do segundo álbum dele de 2015.  Entretanto, a facilidade que o rapper tem de entregar grande canções é algo que ainda espanta esse vos fala. AmarElo é o tipo de canção que causa um impacto profundo desde a primeira ouvida para depois criar uma conexão emocionante após toda a seu poder é compreendido. A primeira razão para toda a comoção é o excepcional uso da canção Sujeito de Sorte do Belchior. Além de ser uma música genial, a ideia de construir AmarElo em torno dos versos da canção do Belchior é o que dá a alma para o trabalho, principalmente no momento que a canção começa com a voz do cantor em um verso avassalador:


Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte
E tenho comigo pensado: Deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado


AmarElo também tem uma composição original espetacular que é uma mensagem de otimismo para aqueles que estão vendo a desesperança reina em um Brasil a beirada do abismo. Negros, pobres, LGBTQ+ e todas as minorias tem na canção uma luz no final do túnel para lembrarem que ainda existe esperança. Forte, pragmática e muito bem escrita, AmarElo não seria a mesma sem a presença triunfante e magnética da performance do Emicida que, apesar de dividir os holofotes, consegue brilhar sem ofuscar. E isso é outro imenso acerto da produção, pois a mesma encontra nos marcantes vocais da baiana Majur o perfeito veículo para entoar os versos de Belchior. E, queridos leitores, a cereja em cima do bolo fica pela surpreendente e tocante participação da Pabllo Vittar, entregando a sua melhor performance vocal até o momento e mostrando que é bem mais talentosa que as suas próprias canções deixam mostrar. e mesmo entre os trancos e barracos, a música brasileira vai sobrevivendo devido a excelência e o respeito de nomes como o Emicida.
nota: 9