15 de maio de 2019

O Buzz Pela Culatra

Late Night Feelings (feat. Lykke Li)
Mark Ronson

Um dos responsáveis pelo mega sucesso de Shallow, o produtor Mark Ronson poderia estar se aproveitando do buzz comercial da canção. Infelizmente, isso não parece estar ajudando o seu mais novo e ótimo lançamento, a surpreendente Late Night Feelings.

Sucessora da também ótima Nothing Breaks Like a Heart, a canção que dá nome ao novo álbum do produtor mostra confirma que o mesmo irá buscar em uma dezena de sonoridades mais old school a base para o trabalho. Dessa vez, a escolhida é uma mistura refinadíssima de soul com post-disco que transforma Late Night Feelings em uma deliciosa, sensual e envolvente produção dançante. Original do começo ao fim, o single ainda conta com a presença inusitada e inspirada da cantora indie pop Lykke Li que cria um charme único para a canção. Sem precisar de uma letra genial, a canção apresenta uma composição certeira ao misturar certa melancolia com um toque popular em seu refrão que lembra os grandes clássicos da disco. Se o sucesso não vem, Mark Ronson pode ao menos se vangloriar das qualidades dos seus recentes trabalhos.
nota: 8

14 de maio de 2019

Antes Tarde do Que Nunca - Versão Single

Ordinary People
John Legend

Com menos de vinte anos de carreira, John Legend pode ser considerado uma lenda da música moderna que conquistou o seu lugar ao Sol da sua maneira. Alcançando bons números comercias, mas quase nunca sendo algo arrasa quarteirão, tirando o seu o sucesso surpreendente de All of Me de 2013, e recebendo boas criticas da impressa , mas voando abaixo do radar em relação aos grandes lançamentos das últimas décadas, John Legend vem construindo uma carreira de respeito na indústria devido ao seu carisma, personalidade e, claro, talento. O trabalho duro foi recompensado recentemente quando o cantor se tornou o primeiro homem negro e a segunda pessoa mais jovem a alcançar o EGOT que nada mais é a sigla dos principais prêmios da indústria de entretenimento americano: EMMY (TV), Grammy (música) Oscar (cinema) e Tony (teatro). Acredito que isso já bastaria para que as pessoas começarem a descobrir a carreira do cantor, mas se isso não fosse o bastante que tal voltarmos ao passado e revisitarmos um dos primeiros trabalhos de destaque do cantor ao resenha a adorável Ordinary People.

Ordinary People é a exaltação da força que a simplicidade verdadeira pode causar se utilizada corretamente. Lançada como segundo single do primeiro álbum de Legend (Get Lifted de 2004), a canção é em uma primeira ouvida descuidada apenas uma balada a base de piano que parece cair no mesmo lugar que qualquer canção com as mesmas características. É necessário, porém, prestar um pouco mais de atenção para descobrir a grandiosidade de Ordinary People. Sim, a canção é uma balada R&B a base de piano, mas que a sua produção é de uma graciosidade, elegância e maturidade impressionantes que consegue elevar o já belíssimo trabalho no piano de Legend ao cubo ao fazer do mesmo a única grande estrela da canção. Sem utilizar outros instrumentos, a canção ganha corpo apenas com a presença desse inspirado trabalho instrumental, preenchendo cada lacunas com uma força pungente. E o mais surpreendente da canção é o fato que a produção foi comanda por nada mais, nada menos que o rapper/produtor wil.i.am. Aquele mesmo do Black Eyed Peas que bem antes de se entregar ao EDM/eletrônico farofa conseguia entregar momentos de inspiração pura ao co-produzir e co-escrever ao lado de Legend essa pérola. E por falar em escrever, Ordinary People só consegue ser o que é devido a sua genial composição. 

Como o próprio nome diz, Ordinary People é sobre pessoas normais que vivem sentimentos normais em um relacionamento normal. Entretanto, não existe algo mais poderoso que a "normalidade" de um amor em toda a sua vitalidade. E Ordinary People é exatamente uma crônica sobre um relacionamento maduro que está passando pelos comuns altos e baixo de um relacionamento. A composição capta essa fase do relacionamento em toda a sua complexidade, familiaridade, exuberância, sofrimento, beleza e melancolia de forma direta, honesta e sem muitas firulas, mas, ao mesmo tempo, dono de um beleza acachapante ao usar a realidade como a fonte de inspiração. Madura, inteligente, romântica, sentimental, sincera, devastadora, inspiradora, elegante, verdadeira, poética são adjetivos que podem ser associados com a canção e ainda teriam outros para qualificar a imponência de Ordinary People. 

This ain't a movie, no
No fairy tale conclusion ya'll
It gets more confusing everyday
Sometimes it's heaven sent
We head back to hell again
We kiss and we make up on the way

Os versos acima dão um boa noção da composição, mas é na sua totalidade que a letra se desabrocha em todas as cores e texturas como uma das melhores escritas no novo milênio. E com uma performance vocal avassaladora, John Legend já tinha dado uma bela amostra do genial artista que é e que deveria ser melhor reconhecido por parte do grande público.
nota: 8,5

13 de maio de 2019

Transcendental

Cellophane
FKA twigs

Faz um pouco mais de três anos que a FKA twigs apareceu aqui no blog quando resenhei a magnifica Good to Love. Canção que seria o primeiro single do seu segundo álbum depois do seu aclamado debut LP1 em 2014. E quando todo parecia sem esperança para o público ter tão cedo algum novo trabalho da artista, eis que a mesma finalmente anunciou que o novo álbum deve sair ainda esse ano. E, felizmente, o começo dos trabalhos demonstra que FKA twigs está preparando algo que irá compensar toda a sua falta como comprova o lançamento da genial Cellophane.

Falar que Cellophane é um trabalho simplesmente genial é algo que não consegue captar toda a sua magnitude, pois o single é algo que pode ser considerado como o ponto alto de uma carreira que só tinha grandes momentos e, ao mesmo tempo, um divisor na carreira da cantora do tamanho da abertura que Moisés no Mar Vermelho. Apesar de não sair do pop/R&B art/indie/alternativo que a mesma cimentou nos primeiros lançamentos, Cellophane sua como uns dez passos a frente em relação a sonoridade que a cantora vinha trabalhando. O principal motivo é a força emocional que a mesma coloca na construção da canção, especialmente em sua incomparável performance vocal. 

Existe algo de aterrorizante e melancólico na interpretação de FKA twigs em Cellophane. É como se fosse o último canto de um cisne que está prestes a morrer de amor em uma ópera do século XIX. Ao mesmo tempo, a cantora parece querer mostrar toda a sua modernidade de referências ao dar toques de Björk e, principalmente, de Kate Bush. E apesar de tudo isso, a cantora entrega uma das performances mais originais dos últimos tempos. Dramática, enigmática, triste, depressiva, delicada, poderosa e sufocante são alguns outros adjetivos que podem ser utilizados e todos serão a mais pura verdade. Sonoramente, Cellophane pode soar como uma canção simples, mas é só observar que essa balada indie pop/art pop com base de piano é uma verdade tempestade silenciosa que vai aumentando gradativamente a sua força instrumental ao adicionar nuances sem em nenhum momento precisar explodir para alcançar o ápice. E mesmo que a composição deixa espaço para uma sensação que poderia ter mais versos, Cellophane é uma crônica cortante e tocante sobre solidão e a dor de entregar tudo para alguém e receber quase nada em troca. Caso esse seja uma amostra real do que está por vim, FKA twigs deve entregar nada mais que uma experiência transcendental em seu novo álbum. Que assim seja.
nota: 9

Coolzinha

Cool
Jonas Brothers

Assim como Sandy & Junior no Brasil, os Jonas Brothers estão vivendo um momento de ressurgimento de suas carreiras devido a mistura de excitação pelo comeback mais uma dose de nostalgia. Depois do sucesso de Sucker, irmãos lançaram a legalzinha Cool.

Cool é una simpática, redondinha e inofensiva mid-tempo electropop misturado com toques de pop rock que não tem nada de novo ou excitante, mas serve para dar a impressão que a banda cresceu sonoramente. Com produção do sumido Ryan Tedder, a canção é o tipo de canção que não deve ser levado muito a sério, pois a mesma não foi feita para ser algum parâmetro de qualidade do pop. A composição é uma mistura de ideias divertidas com outros que chegam bem perto da vergonha alheia sobre se sentir no melhor momento da vida e os vocais são bem legais, principalmente os do Nick. Isso não impede que a canção seja apenas ok e não tão cool como a mesma quer ser.
nota: 6,5

10 de maio de 2019

Iza Light

Brisa
IZA

IZA é a melhor cantora pop do Brasil atualmente. E isso é uma verdade que precisa ser propagada a todos os cantos do país. A cantora é tão boa que até consegue fazer de uma canção como Brisa um trabalho bem mais interessante.

Brisa é uma simpática, delicinha e dançante dance-pop com forte influência de reggae que poderia cair no lugar comum se não tivesse a presença iluminadora da IZA. Sonoramente redondo, mas com uma produção meio no automático, Brisa é sustentada basicamente com a força da cantora que dá personalidade para canção sem precisar recorrer a recursos manjados como, por exemplo, convidados internacionais e cantar em outra língua. Longe de ter o impacto de outras canções da cantora, Brisa é uma versão light do que a artista pode entregar. Espero que melhores canções estejam no caminho de IZA em um futuro próximo.
nota: 7


Get Right

Medicine (feat. French Montana)
Jennifer Lopez

Perto dos cinquenta anos e dona de uma das carreiras mais bem sucedidas da indústria de entretenimento americano, a Jennifer Lopez já deve ter meio ligada o "foda-se" para se algumas das sua canções irá fazer sucesso comercial novamente. E isso é até algo bom, pois dá para a cantora lançar canções com maiores possibilidades como é o caso de Medicine que parece beber na fonte de outros trabalhos não tão sucedidos da artista.

Lembrando muito a pegada de Get Right misturada com a de Do It WellMedicine é um bem intencionado, sexy, dançante e acima da média fusão de dance-pop com funk/soul. Assinado pelo time StarGate, a canção consegue manter toda a personalidade/carisma da cantora como principal fator de destaque do trabalho, ajudando a dar uma elevada no resultado final. Ainda mais que Medicine erra na sua composição repetitiva e, de forma geral, mediana e a participação pouco significativa de French Montana. Infelizmente, a canção é outro acerto para a cantora que quase ninguém irá ouvir. Pena.
nota: 7