7 de setembro de 2025

Primeira Impressão

Man's Best Friend
Sabrina Carpenter




Ao chegar ao seu sétimo álbum, sendo o segundo desde a sua explosão comercial, Sabrina Carpenter entrega, surpreendentemente, um trabalho melhor que seu antecessor. E isso fica claro para quem escuta e consegue entender de maneira plena qual a intenção por trás da imagem da cantora.

Obviamente, houve uma mudança bastante clara na imagem da artista nos últimos anos, especialmente quando entrou na fase de Short n' Sweet. Muito bem calculada para renovar sua imagem e criar um projeto extremamente comercial. E isso é normal para qualquer artista que está nas “mãos” de grandes equipes e/ou gravadoras. Todavia, quando a gente realmente começa a olhar mais profundamente para a forma como Sabrina se apresenta e, principalmente, como ela se expressa, percebe-se algo além.

Essa pin-up sexy, loira, “novinha”, burrinha e sexual sem ser exatamente explícita é uma ideia ótima para vendê-la a vários públicos, mas sabendo muito bem quais públicos não precisa exatamente conquistar. Esteticamente, o resultado é perfeito, pois faz com que a cantora tenha destaque fácil entre suas principais “rivais” contemporâneas. Entretanto, por baixo dessa estética, existe uma clara “ironia fina”, em que Sabrina usa da percepção criada para ser ácida, inteligente e crítica, especialmente em relação ao “olhar masculino” sobre as mulheres. Essa dicotomia entre estética e mensagem não é algo novo no pop, mas Sabrina e sua equipe encontraram o equilíbrio ideal de maneira que, quando a gente percebe de fato, até mesmo a qualidade das canções ganha mais efeito. Lembra o que Madonna sempre fez, especialmente nos áureos tempos da Rainha do Pop. Obviamente, a profundidade da mensagem de Sabrina é rasa como um pires e sua estética não é exatamente original. Mas funciona para o nível em que sua carreira está, e isso fica bem claro em Man's Best Friend.

Sonoramente, o álbum não difere muito do que a cantora apresentou no trabalho anterior, apesar de tecnicamente trazer novos elementos aqui e ali. Todavia, a atmosfera do álbum reflete perfeitamente a imagem que a cantora quer passar ao ser uma coleção superficial, estilizada, sexy e irônica de canções que guardam significados mais elaborados por trás — sejam de cunho sexual, feminista, romântico ou apenas uma fusão de todos. Essas mensagens são transmitidas por meio de um conjunto de faixas de pop/dance-pop rápidas, ligeiras, leves, rasas, divertidas e radiofônicas. Nada aqui parece ser feito para deixar uma marca profunda que se sobressaia à imagem; ao mesmo tempo, serve como complemento dela. Com uma fórmula pronta e bem azeitada, a produção novamente assinada por Jack Antonoff, com algumas faixas levando a assinatura de John Ryan, deixa claro que Man's Best Friend é um álbum feito para consolidar a persona Sabrina e não a artista. Se entendermos isso e comprarmos esse pacote, a diversão está garantida. Tudo começa já pelo primeiro single, Manchild.

"Novamente com a mão de Jack Antonoff, a canção é um synthpop bonitinho, cativante e divertido, com toques de disco e country, que tem todos os parâmetros necessários para se tornar um sucesso comercial. Ácida em sua composição sobre o dedo pobre de Sabrina para escolher homens, mas com um apuro estético que não se aprofunda demais, consegue ser sarcástica e “fofa” ao mesmo tempo". A performance de Sabrina mostra o potencial da cantora, especialmente quando ela acerta as nuances da canção. E é preciso louvar sua presença: não apenas como persona fora do álbum, mas também dentro dele, entregando performances seguras, cativantes e perfeitamente alinhadas à sua estética, servindo como um dos veículos de transmissão dessa imagem. Seu melhor momento é a irresistível Tears, que se destaca como um dos pontos mais iluminados do álbum, devido à graciosa e divertidíssima mistura de dance-pop com disco.

Ao notar a qualidade dessa canção, também fica claro que o álbum perde força ao decidir se apoiar em influências mais country pop para construir boa parte das faixas, já que o gênero não combina tanto com o que é expresso no trabalho de maneira geral. Funciona aqui ou ali, mas não deveria ser a base mais proeminente. Tanto que, tirando Manchild, os outros destaques não têm nada inspirado no gênero, como mostra a batida urbana com toques de R&B de When Did You Get Hot? e o vintage synth-pop da safadinha House Tour.

Man's Best Friend é a consagração de Sabrina Carpenter como uma excepcional vendedora da sua imagem. Agora, espero que comece o caminho para a consagração da artista.


Nenhum comentário: