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24 de julho de 2019

Quase Amor

Hate Me
Ellie Goulding & Juice WRLD

Ellie Goulding é o tipo de artista que pode até ter se encontrado artisticamente, mas ainda é uma grande e misteriosa incógnita na mente de boa parte do público. E isso fica claro com o seu single Hate Me.

A nova canção que deve fazer parte do seu próximo álbum é uma verdadeira mistura de emoções contrárias após ser ouvida pela primeira vez. De um lado, Hate Me tem uma produção redondinha que consegue entregar uma eficiente mistura de electropop com pitadas generosas de hip hop em uma cadência mid-tempo. Do outro lado, a batida não consegue chegar a lugar nenhum, terminando de forma linear e deixando a canção meio sem graça. Outro problema são as performances de Ellie e do rapper Juice WRLD são boa sozinhas, mas não apresentam nenhuma gota de química, atrapalhando assim a intenção bem especificada da composição. Hate Me se eleva, porém, devido a exatamente a sua intenção, ou melhor, devido a sua composição que pode ser denominada apenas com uma irônica e divertida hino anti-amor com um refrão certeiro. Entretanto, o resultado final de Hate Me não é ódio, mas poderia ser amor d verdade. 
nota: 7

18 de agosto de 2018

Evolução Nem Tanto Evolutiva

Lucid Dreams
Juice WRLD

A música é um organismo vivo e está sempre evoluindo, mudando e se adequando as novas condições que é submetida pelo público e a indústria fonográfica. A nova "mutação" é o surgimento do que vem sendo chamado de hip hop/rap emo que tem como principal característica as letras sentimentais e que sonoramente absorve elementos do indie rock. Apesar da recente popularidade, o subgênero ainda não gerou nenhum grande artista que irá elevar essa sonoridade em novos termos. Enquanto isso não acontece ficamos com nomes como Juice WRLD. O seu maior sucesso até o momento é a mediana Lucid Dreams que mostra as qualidades e o defeito dessa nova geração.

O primeiro e melhor aspecto de Lucid Dreams e, também, do hip hop/rap emo é a sensibilidade em que mostra na composição. Falando sem ter medo de um coração quebrado e os seus sentimentos em relação a essa desilusão amorosa, Juice WRLD mostra que os tais "milênios" tem uma visão possivelmente mais desconstruída sobre a masculinidade que os seus antecessores e até mesmo alguns contemporâneos. Claro, isso não é novidade no hip hop, pois nomes como Eminem ou Jay-Z já fizeram isso anos atrás. E aqui entra um dos problemas em Lucid Dreams: a letra beira o "breguismo" ao ser um trabalho raso, meio forçado em vários momentos e quase soando com uma criança que perdeu a chupeta. Falta experiência e qualidade lirica para conseguir transformar esse estilo em algo realmente profundo para expressar sentimentos tão complexos. Sonoramente, Lucid Dreams é uma cruza de indie, rap e com toques de dreampop com latin music que até rende bons momentos quando parece buscar uma delicadeza em acordes de transição entre um verso e outro, mas que ainda soa genérico demais no resultado final. Aceito perfeitamente que o futuro do rap/hip hop possa ser dividido nas mãos de Juice WRLD e CIA, mas é preciso que encontrar o estágio final dessa evolução o mais rápido possível.
nota: 6,5