18 de março de 2020

Sorry Not Sorry

I Love Me
Demi Lovato

É compreensível e louvável que o atual momento da carreira da Demi Lovato seja para expiar as suas dores e sentimentos que acumulou nos últimos tempos. Entretanto, o problema é que sonoramente ainda não teve um acerto. Depois da mediana Anyone, a cantora lançou a também mediana I Love Me.

A melhor qualidade da canção é sem dúvida a sua composição. Inteligente, ácida e ao mesmo tempo pessoal em relação ao que a Demi passou na sua vida. Relativamente parecida com Piece of Me da Britney Spears, I Love Me tem uma mensagem que serve para um público bem maior que se pode ver claramente nas palavras da cantora. Uma pena, porém, que a produção a seis mãos não é capaz de entregar uma canção a altura da composição. Misturando de forma estranha pop com R&B, I Love Me não chega a ser irritante, mas a sua batida trava um boa batalha para conquistar essa condição. E nem mesmo a Demi consegui dar liga na canção, mesmo com uma boa performance. A intenção é ótima, mas o resultado é bem mais ou menos.
nota: 6

Dear Katy

Never Worn White
Katy Perry

Vivendo ainda um momento tenso na sua carreira, Katy Perry está no seu melhor momento pessoal depois de anunciar a gravidez do seu primeiro filho. E a escolha para isso foi o lançamento da canção Never Worn White.

Apesar de ser mais reconhecida pelas suas canções "animadinhas", Katy Perry sempre se deu bem com baladas. E Never Worn White é outro bom exemplo desse talento. Uma balada pop a base de piano bem construída sem precisar reinventar a roda, a canção tem uma delicadeza que combina com o atual momento da cantora. Liricamente, a canção é uma das mais românticas da carreira da Katy ao ser uma brega e fofa declaração de amor incondicional para o Orlando Bloom. Com uma performance simples e contida, Katy entrega uma canção inofensiva para sua carreira e de uma importância ímpar para a sua vida pessoa. E, querida Katy, espero que todo caminhe bem nessa nova jornada.
nota: 7

16 de março de 2020

New Faces Apresenta: Rina Sawayama

Comme des Garçons (Like The Boys)
Comme Des Garçons (Like the Boys) [Brabo Remix] (feat.  Pabllo Vittar)
Rina Sawayama

Existe uma procura eterna para saber quem será o próximo grande nome da música que parece que está cada vez seguindo o ritmo das redes sociais/meios de comunicação que, infelizmente, fica quase impossível a gente acompanhar com alguma atenção. E é por isso que muitos bons nomes que não necessariamente se tornam esse próximo grande nome são facilmente deixados de lados. Felizmente, esse não será o caso da ótima Rina Sawayama.

Nascida no Japão, mas criada desde os cinco anos na Inglaterra, Rina Sawayama vem conquistando fãs com o seu indie pop/electropop/alternativo nos últimos quatro anos. Sem ainda lançar um álbum oficial, a cantora prepara o seu aguardado debut ainda para esse ano e já lançou o primeiro single: a interessante Comme Des Garçons (Like the Boys). E, queridos leitores, o hype em torno da cantora pode ser entendido com essa canção, pois o single é uma fascinante explosão bem pensada de gêneros para criar uma obra única e espetacular. Misturando electropop com disco, funk, house e uma dose generosa dos anos '90, Rian é capaz de produzir um trabalho que consegue soar vintage e moderno ao mesmo tempo. Divertido e comercial no mesmo nível que tem o seu lado artístico sem perder integridade. Redondinha como uma canção pop deve ser, mas com deliciosas nuances de algo mais complexo. Comme des Garçons (Like The Boys) se torna até o momento uma das melhores canções pop de 2020. Com uma composição empoderada sobre ter a confiança de um homem para poder enfrentar os problemas do dia-a-dia, Rina Sawayama entrega uma performance versátil e com nuances interessantes que devem fazer diferença em um álbum. Uma versão remix menos inspirada foi lançada com a participação da Pabllo Vittar. Mudando a produção para uma pegada bem mais eletrônica, a versão poderia ter se aproveitado mais da Pabllo, mas, felizmente, termina sendo um bom remix que não atrapalha a percepção da versão original. E não altera principalmente o hype que Rina Sawayama criou para o lançamento do seu álbum.
notas
Versão Original: 8
Versão Remix: 7

Pioneiras

Gaslighter
Dixie Chicks

Bem antes dessa onda de empoderamento feminino entrar em pauta e ganhar importância na música, o trio feminino de country Dixie Chicks já tinham usado suas vozes para falarem de assuntos de importância. Em 2003, o grupo se manifestou publicamente contra a invasão do Iraque pelos Estados Unidos e também contra o então presidente George W. Bush. A banda enfrentou uma onda de protestos, boicotes e ataques públicos fortíssimos que fizeram a carreira das jovens dar uma boa balançada. Entretanto, três anos mais tarde a banda fez seu retorno triunfal com o álbum Taking the Long Way que faturou cinco Grammys, incluindo o de Álbum do Ano. Ajudou também a percepção que a invasão ao Iraque foi através de falsos pretextos. Após o álbum, a banda entrou em um semi hiato, pois continuaram a fazer algumas turnês e lançar algumas canções para filmes e outros trabalhos. Eis que chega 2020 e a banda prepara o lançamento de um novo álbum depois de quatorze anos. E como primeiro single foi lançada a inspirada Gaslighter.

Gaslighter, termo que designa "forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade", é uma canção moderna e com uma urgência que ajuda o Dixie Chicks a atualizar a sua importância em uma época em que parece que todos tem uma mensagem para expor, mas que poucos realmente apresentam alguma coisa relevante. E o mais interessante que a canção mantem uma das características básicas do country: o saber contar uma história. A canção narra a relação abusiva de um homem que usa dessa "técnica" de gaslighter, mas que a mulher conseguiu perceber todas as mentiras e o relacionamento abusivo e está pronta para confrontar o agora ex. Gaslighter também ajuda a modernizar a sonoridade da banda ao ser um country pop/power pop produzido de forma refinada por Jack Antonoff. Com um refrão marcante, a canção é tipo de trabalho que vai conquistando aos poucos a cada nova escutada. Isso dá uma certa ofuscada no resultado final, mas é recompensado para aqueles que insistem um pouco mais. E quem tiver essa paciência estará diante de uma verdadeira pérola em vários sentidos.
nota: 8

15 de março de 2020

A Bela Tristeza

Garden Song
Phoebe Bridgers

Acredito que já tenha discutido esse tema algumas vezes aqui no blog, mas nunca é demais repetir: músicas são feita para expressar sentimentos dos artistas e de quem as escuta. Apesar de vivermos em uma época que parece que as pessoas estão em uma constante tentativa de parecer ser felizes através das redes sociais é imprescindível a gente se poder deixar sentir alguns sentimentos não tão bons como, por exemplo, a tristeza e a melancolia. Isso serve para poder entender e extravasar o que realmente estamos sentido. E nada melhor que uma boa música para nos conectar com esses sentimentos como é o caso da bela Garden Song da cantora Phoebe Bridgers.

Apesar de ter apenas vinte e cinco anos, Phoebe Bridgers já é considerada como uma verdadeira força no meio indie, recebendo aclamação critica do seu primeiro álbum, Stranger in the Alps de 2017. Preparando o seu segundo álbum, a cantora lançou a melancólica Garden Song, mas não espere, porém, uma canção que seja facilmente emocionante. Dona de uma voz delicada e com um timbre angelical, a cantora entrega uma performance sutil que, em uma "ouvida" superficial. parece emanar uma felicidade contida. Todavia, a mesma escode uma coleção de sentimentos bem mais complexa que consegue exprimir o sentido profundo da sua composição. Garden Song é sobre a dor de crescer e deixar o que já conhecemos na nossa juventude para trás, sendo as coisas boas e as ruins. É um processo natural que todos passam, mas é visto de uma maneira adulta, crua e desconcertantemente honesta por Phoebe que exprime de maneira única todos esse sentimento tão comum e, ao mesmo tempo, tão complicado. Sem recorrer a um produção que facilmente poderia gerar lágrimas, Phoebe Bridgers faz de Garden Song uma simpática e doce indie rock que soa como o mar calmo antes da tempestade. É triste, mas é de certa forma reconfortante poder ser capaz de sentir emoções tão importantes em apenas três minutos e quarenta segundos. 
nota: 8,5 

Fofinho

The Other Side
SZA & Justin Timberlake

Para quem não se lembra, um dos maiores sucesso da carreira do Justin Timberlake foi o hit Can't Stop the Feeling. Além do imenso sucesso e ser número um em diversos países, a canção ainda rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Canção devido a ser tema da animação Trolls. Quatro anos mais tarde, JT volta para apresentar o novo tema do filme com a fofa The Other Side. Dessa vez, o cantor divide o holofote com a ótima SZA.

Na verdade, a canção soa mais como com SZA featuring o Justin Timberlake do que um dueto de verdade. E isso não é nenhum problema, pois ajuda a colocar mais holofotes bem brilhantes sobre o talento que ainda precisa ser melhor descoberto da cantora por parte do público. E The Other Side é um bom veículo já que mostra um lado mais pop e comercial da cantora, mesmo que a sua performance soe um pouco deslocada. Não ajuda muito a presença tímida de Justin que não faz muito para dar liga com a sua parceria. O bom da canção é a sua produção que cria um inofensivo, dançante e redondinho dance-pop com toques de R&B que combina bem com intenção de ser um possível hit comercial para adultos e, claro, para fazer crianças se balançarem nas salas de cinema. E, ás vezes, é isso que a gente precisa para criar uma boa canção pop.
nota: 7

12 de março de 2020

2 Por 1 - Harry Styles

Adore You
Falling
Harry Styles

É um fato incontestável que o maior nome masculino do pop é o Harry Styles. E a maneira como o artista alcançou esse posto é não dar bola para o que se espera de um astro pop ao seguir um caminho completamente seu. A prova está bem clara nos últimos dois sigles lançado do álbum Fine Line: Adore You e Falling.

Adore You, lançada no finalzinho do ano passado, é uma das canções que melhor exprime a estética do cantor na sua carreira. Uma mistura elegante, estilosa e interessante de pop soul com indie rock que funciona ao mesmo tempo como uma perfeita canção pop comercial e um trabalho artístico orgânico. Uma conquista bem difícil de alcançar, mas a produção entrega de forma natural para que Harry possa dominar a canção com o seu carisma encantador. Mais conservadora, mas não menos eficiente, está a tocante balada pop/ pop soul Falling. A canção é a que pode ser a que se parece mais com os tempos de One Direction, mas é a canção que a boy band nunca gravou devido a sua maturidade. O single, na verdade, é um perfeito veículo para Harry mostrar os seus vocais e deixar bem claro que possui versatilidade. O problema em ambas as canções é que as composições, apesar de boas, ainda soam superficiais e longe do potencial do artista como melhor explicado na resenha de Fine Line. E se mesmo assim, Harry Styles já alcançou esse status dentro do pop imagina quando o mesmo "consertar" esse erro?
notas
Adore You: 8
Falling: 8