29 de junho de 2021

Uma Experiência

Pennsylvania Furnace
Lingua Ignota


Sabe aquele meme “não sei o que dizer, apenas sentir” se encaixa perfeitamente para a estonteante Pennsylvania Furnace da cantora Lingua Ignota. Como esse blog é um de resenha com palavras irei dar o meu melhor para tentar definir a canção.

Quando pesquisei sobre Kristin Hayter, nome de nascimento da artista, descobri que o seu treinamento clássico e a sua excursão por uma quantidade imensa de gêneros ao longo da carreira, indo do art pop até heavy metal na mesma intensidade. Isso já deu uma ideia sobre o que esperar de Pennsylvania Furnace, mas, sinceramente, nada realmente foi suficiente de preparação para o impacto da canção. É até relativamente fácil definir a canção em gêneros, pois claramente a produção constrói uma balada épica a base de piano que ingressa pelo baroque e art pop com generosas pinceladas de neoclassical e experimental. Todavia, definir com clareza as sensações que Pennsylvania Furnace é que é o trabalho duro, pois senti uma mistura de medo, tristeza, elevação espiritual, tristeza e uma angustia melancólica que quase nunca tive ao ouvir uma canção. Grandiosa e, ao mesmo tempo, minimalista, a instrumentalização da canção vai em crescente até explodir em um clímax de deixar a gente quase surdo. Isso é apenas para sustentar a performance vocal brutal e gutural que parece desafiar as leis da natureza ao enfiar pequenas agulhas em nossos sentidos, mas fazer a gente realmente querer sentir mais dessas sensações. Lingua Ignota tem o seu significa em latim como uma língua desconhecida com raízes mágicas. E assim é a cantora ao ser uma artista desconhecida e quase mística, mas que quero realmente conhecer melhor.
nota: 9

Uma Diva Eterna

Thank You
Diana Ross


Poucas vezes tive a oportunidade de resenhar um novo single de uma verdadeira lenda da música. No alto dos seus setenta e sete anos, Diana Ross é uma das principais responsáveis por influencia gerações com seu trabalho que vai desde os anos da motown durante o período com as the Supremes até o sucesso recente nas paradas eletrônicas com remixes de seus grandes hits, expandindo o seu legado para o soul, R&B, disco e pop. Nomes como Beyoncé, Lady GaGa e Rihanna não teria a mesma alcunha de diva sem a história de Diana como um norte direcional. Tendo lançando o seu último álbum em 2006, a cantora prepara o seu vigésimo quinto trabalho para ser lançado ainda esse ano e como primeiro single foi lançada a graciosa Thank You.

Obviamente, Diana não irá mudar drasticamente a sua sonoridade, mas Thank You tem a surpreendente produção de Jack Antonoff. Responsável por nomes como a Lorde, Lana Del Rey e Taylor Swift, o produtor se sai bem ao criar uma contemporânea e madura R&B/disco que remete diretamente ao passado da cantora sem nenhum grande arrombo de novidade, mas salpicando toques modernos aqui e ali. Não é tipo de canção que irá fazer Diana voltar aos topos das paradas, mas ouvir a lenda esbanjar todo o seu talento natural em uma performance com uma áurea fortemente atemporal é como reencontrar uma querida tia depois de anos sem se falar. A fofa composição soa exatamente como uma carte de agradecimento ao público por todos os anos. E é claro que quem deveria agradecer é o público por Diana Ross ter ajudado a mudar a história da música.
nota: 7,5

New Faces Apresenta: Polo G

RAPSTAR
Polo G

A crise criativa dentro do hip hop/rap parece que vai demorar para terminar, pois parece surgir novos nomes para fazer exatamente o mesmo tipo de canção uma após a outra. Em RAPSTAR, o rapper Polo G entrega tudo que a gente não pediu, mas recebeu novamente.

Não é exatamente a razão de Polo G não ter talento que a canção seja bem abaixo da média e, sim, que a produção parece seguir a mesma formula pronta de trap melódico que vem dominando as paradas nos últimos tempos. Em nenhum momento, RAPSTAR parece quer se destacar sonoramente ao entrar uma batida cansada e com nenhum pingo de criatividade. O que talvez dê uma amostra da possibilidade do rapper sair desse lugar comum é a composição dá pinceladas em assuntos como viver como ansiedade e outros problemas envolvendo saúde mental. Entretanto, isso não é suficiente para tirar o ranço de ser maios uma canção com clichês do gênero em toda a sua construção. Espero que algo momento essa crise possa começar a terminar, pois está difícil acompanhar tantas canções que literalmente são as mesmas.
nota: 5,5

27 de junho de 2021

Primeira Impressão

Justice
Justin Bieber




É o Que Tem Para Hoje

Peaches (feat. Daniel Caesar & Giveon)
Justin Bieber

Ser uma das melhores canções da carreira do Justin Bieber é um feito que não precisa de muita para uma canção alcançar. Peaches é um exemplo bem claro.

Uma das melhores canções do álbum, o single número um da Billboard se beneficia de dois pontos principais para ser um milagre dentro da discografia do cantor. Em primeiro, a produção de Harv e Shndo consegue criar uma descolada, solar e deliciosa batida pop soul/trap que realmente conquista desde a primeira batida. Uma pena, porém, que o final é atrapalhado pela decisão de ficar repetindo o irritante refrão entoando por Justin até o final. Se apenas tivesse a parte instrumental, Peaches seria ainda mais agradável de se escutar. Em segundo, o cantor é eclipsado pelas participações descoladas de Daniel Caesar e Giveon que realmente adicionam as mesmas texturas e vibes que a canção pede. Enquanto isso, Justin soa robótico devido a alterações na sua voz e deslocado dentro da sua própria canção. Resumidamente: Justin Bieber teria uma música melhor se não tivesse na própria canção.
nota: 6

26 de junho de 2021

Primeira Impressão - Outros Lançamentos

K
Kelly Rowland




Forçou a Amizade

Bad Habits
Ed Sheeran


Descobri não tem muito que apesar de ser dono de gigantescos hits nos últimos anos, o Ed Sheeran é o tipo de artista que desperta um desapreço profundo em uma parte grande do público. Da minha parte, gosto do britânico desde o seu começo da carreira, mas, infelizmente, preciso admitir que Bad Habits é a sua pior canção lançada até o momento.

Primeiro single do seu próximo álbum, Bad Habits quebra uma linha sonora que o cantor vinha seguindo para entregar uma massificada, mediana e pouco inspirada mistura de EDM com pop rock. A produção sucumbe de cabeça em clichês e na vontade grandiosa de construir uma sonoridade comercial sem dar nenhum pingo de personalidade natural. O pior, porém, é a produção vocal que descaracteriza toda a voz do cantor, resultando em uma performance sem emoção e, principalmente, possível de ser cantada por qualquer pessoa que não mudaria muito o resultado. Existem alguns momentos interessante vocalmente durante partes dos versos, mas que não dão conta de tirar o resultado da mediocridade. O ponto positivo de Bad Habits é a sua eficiente composição que mostra um lado mais obscuro do cantor. Essa luz salvadora é ofuscada pela péssima decisão de dar essa guinada de 180° graus na sonoridade do Ed Sheeran, fazendo a minha analise combinar com quem não curte o cantor.
nota: 5,5

Pequeno Grande Detalhe

The Devil
Banks

Primeiro single do quarto álbum da carreira da Banks, The Devil tem em apenas uma escolha da produção o ponto capaz de fazer a gente gostar ou não da canção. Na minha opinião, o resultado disso é o que faz a cantora se separar da multidão, mesmo alienando parte do público.

E você dever estar perguntando: qual é essa escolha? Banks escolhe sussurrar o refrão em várias vezes para depois repeti-lo de forma normal. Essa decisão cria possíveis dois efeitos para quem escuta: a quebra de expectativa que eleva a canção ao ser uma escolha inusitada ou a quebra de fluidez da batida que gera um ruído estranho no contexto geral. Como já é possível notar, a minha visão entra no primeiro grupo, pois essa escolha dá para The Devil um momento de genialidade que ajuda a elevar bastante a canção que poderia facilmente cair no mar de mediocridade. Longe de ser um trabalho revolucionário ao final, o single é uma sedutora, sensual e envolvente electropop com batida cadenciada e segmentada que tem boa estrutura, mas que não foge muito de clichês básicos. The Devil é defendida com maestria pela presença marcante de Banks, especialmente na parte dos sussurros ao defender a enxuta e eficiente composição. Entre quem vai amar ou odiar é necessário dizer que a Banks tentou algo realmente diferente.
nota: 7,5