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4 de junho de 2023

2 Por 1 - Jorja Smith

Try Me
Little Things
Jorja Smith

Se fosse para fazer uma lista de nomes que merecem estourar comercialmente seria a Jorja Smith dona de uma das posições. Apesar de alguns bons desempenhos comercias, a britânica ainda parece renega ao posto de quase. Não acho que o seu segundo álbum (Falling or Flying) irá mudar isso, pois os singles lançados até aqui apenas compravam essa sensação.

Try Me e Little Things são feitas na mesma forma de um R&B/soul que é excelente, elegante e que transita perfeitamente entre a linha do comercial e o artístico, sendo banhados pela luz que irradia da cantora. Entre as duas, Little Things ganha alguns pontos de vantagem devido a sua mais ousada produção que cria uma batida deslumbrante que funde R&B, house, jazz, funky e uk garage. É excitante, elegante e essencialmente com a persona da Jorja que a deixa ainda mais interessante, especialmente a sua parte final. Menos inspirada, Try Me é uma obra que seria melhor apenas como parte do contexto geral do álbum do que como single, mas devido a presença graciosa e suculenta de Jorja é adiciona uma carga precioso de significação para essa soul/R&B/dance. Espero que esteja errado sobre as previsões de desempenho comercial para a Jorja Smith, especialmente em uma era em que temos a SZA. 
notas
Try Me: 7,5
Little Things: 8



27 de abril de 2021

Um Outro Lado de Jorja Smith

Addicted
Jorja Smith


Desde que alcançou bons resultados na parada britânica, especialmente com Be Honest, a Jorja Smith vem transitando entre o lançamento de canções mais comerciais (Come Over) e outras mais artísticas (By Any Means). Em Addicted, porém, a cantora parece querer mostrar um equilíbrio entre essas duas facetas.

Uma mistura contida e leve de R&B, drum bass e pop, Addicted tem a capacidade de soar radiofônica e, ao mesmo tempo, apresentar toques de um cuidado bem mais apurado. A canção peca devido a produção não entender muito bem como juntar de forma eficiente essas duas pontas da sonoridade da cantora, deixando a canção linear demais e sem as nuances necessárias para aprofundar a sua atmosfera climática. O principal momento que evidencia esse erro é a construção do refrão, pois o mesmo se comporta como um outro verso e, não, o coração da canção. De qualquer forma, a performance sedosa e sensual de Jorja ajuda Addicted a não ser uma canção apenas morna. Espero que a cantora consiga melhorar esse equilíbrio entre as suas personas em trabalhos futuros.
nota: 7

3 de janeiro de 2021

A Mainstreamficação da Jorja Smith

Come Over (featuring Popcaan)
Jorja Smith

A britânica Jorja Smith parecia fadada em se tornar uma cantora com um público nichado e com pouca visibilidade nas paradas. Eis que surge Be Honest e um ótimo número oito na parada da Inglaterra com outros bons resultados para que a cantora tenha chance realmente de quebrar essa expectativa. E é por isso que pensando em continuar essa boa fase que o lançamento de Come Over faz todo o sentido. 


Parceria com o cantor jamaicano Popcaan, o single é a mainstreamficação da sonoridade de Jorja ao dar uma envernizada comercial forte para fazer da canção um possível sucesso comercial. Isso é ruim? Não exatamente no momento em que a qualidade não é jogada para escanteio. E, apesar de uma perda em comparação com Be Honest, Come Over é uma boa e envolvente dance-R&B com fusão de dancehall que pode não revolucionária, mas cumpre muito bem a sua função de dar para Jorja um veículo com potencial de sucesso. Além disso, a canção não deixa de lado ou diminui a presença inspiradora da voz encorpada e sensual da cantora que consegue dominar com uma elegância graciosa e a presença de Popcaan funciona até bem. Espero que mesmo com popularização merecida, Jorja Smith não perca o seu imenso charme e, claro, a qualidade em seus trabalhos. 
nota: 7,5

2 de outubro de 2020

Força da Natureza

By Any Means
Jorja Smith

Mesmo ainda estarmos um pouco longe do final do ano já é confiável dizer que 2020 é um dos melhores anos para artistas femininas em muito tempo. Não apenas comercialmente, mas, também, artisticamente em que grande parte dos melhores lançamentos são de mulheres. Adentrando com louvor a esse disputado hall está a britânica Jorja Smith com o lançamento da significativa By Any Means.

By Any Means é uma densa, madura e elegante R&B que emana poder e urgência ao falar sobre injustiça racial. Apesar de ser um dos temas mais discutidos nos últimos tempos, a canção não parece simplesmente surfar no assunto e, sim, uma crônica íntima sobre a visão de Jorja sobre um assunto que afeta diretamente a sua vida. Forte, extremamente bem escrita, incisiva e com uma com beleza estética desconcertante, By Any Means é, ao mesmo tempo, uma canção de protesto e de exaltação da comunidade negra. A canção mostra imensa personalidade de cantora em amadurecimento nítido ajudada pela performance forte e marcante. Dona de uma voz que parece transcender o tempo, Jorja parece um arauto que exige que a gente escute o que está falando, prestando atenção em cada palavra para poder captar a mensagem final. Se o seu próximo álbum tiver a mesma qualidade que By Any Means, a cantora irá entregar uma verdadeira força da natureza em forma de música. Aguardemos.
nota: 8

3 de setembro de 2019

A Majestosa Versatilidade de Jorja Smith

Be Honest (feat. Burna Boy)
Jorja Smith

A britânica Jorja Smith parece ser o tipo de cantora que não tem o menor medo de se aventurar nas suas próprias influências para amadurecer a sua sonoridade. Depois do promissor debut Lost & Found que a rendeu uma indicação ao Grammy de Melhor Novo Artista esse ano, a cantora parece preparar o seu segundo trabalho com o lançamento da ótima Be Honest.

Desde já a canção já pode ser chamada de a melhor música que a Rihanna nunca gravou, sendo que Be Honest é uma mistura perfeita da RiRi mais pop com aquela que ouvimos em Anti. Entretanto, não vá esperando que a canção sofra de qualquer síndrome de falta de personalidade, pois a presença majestosa de Jorja injeta doses cavalares de carisma em uma presença vocal impressionante. Sabendo com se comportar como uma tradicional e comercial diva pop e, ao mesmo tempo, injetar nuances que acrescentam "enchimento" para a sua performance, criando algo realmente empolgante e excitante. E a produção caminha exatamente na mesma toada. Apesar de ser fusão de soul com reggae que não apresenta nada de novo, a produção consegue criar uma batida sexy, melódica e com a profundidade exata para ficar em um bom lugar entre o comercial e o autoral. Até mesmo a participação do nigeriano Burna Boy é muito bem coloca, adicionando ainda mais personalidade para a canção. E é com essa majestosa Be Honest que a Jorja Smith se torna uma das artistas que estou mais esperando para os próximos lançamentos.
nota: 8

4 de fevereiro de 2018

New Faces Apresenta: Jorja Smith

Let Me Down (feat. Stormzy)
Jorja Smith

Ás vezes, grandes promessas precisam mais do que um empurrãozinho para fazerem sucesso. É necessário uma pessoa com talento por trás para dar aquele toque de mestre. Esse é caso da britânica Jorja Smith que, depois de chamar atenção de críticos com lançamentos independentes, finalmente está ganhando o grande público com o lançamento do single Let Me Down.

A canção tem por traz a marca do produtor Paul Epworth, conhecido pelos trabalhos com a Adele (Skyfall e Rolling in The Deep), Florence and the Machine, Lorde, FKA twigs, entre outros, ganhando uma elegância épica, classuda e madura que faz a canção soar maior do que era para ser. Let Me Down é uma pop/R&B balada com um arranjo que crescendo ao longo da sua execução. Sombria na medida certa, Let Me Down ainda acerta na presença do interessante rapper britânico Stormzy colocado no meio da canção. Só que o grande mérito da canção é a linda presença da Jorja e a sua voz forte e aveludada, mas que não passa dos limites em nenhum momento. Como mostra Let Me Down, Jorja Smith sendo "cuidada" pelas mãos certas poderá ser uma grande promessa para os próximos anos.
nota: 7,5