7 de outubro de 2014

Primeira Impressão

JHUD
Jennifer Hudson


Fazer um álbum como inspiração em uma determinada época da música pode render bons frutos. Para isso, contudo, é preciso que a produção possa ir além da superfície e buscar a essência do estilo, ou estilos, que estava em alta no período escolhido sabendo, não apenas recriar a sonoridade, mas, principalmente, desconstruir para depois reconstruir sabendo respeitar o material original e buscando modernizar para não soar datado. Em outras palavras: não basta fazer um gostoso "arroz com feijão", mas é necessário entregar uma refeição bem mais completa sem perder o sabor da original da base. Infelizmente, o terceiro álbum da Jennifer Hudson caí no lugar comum ao entregar apenas um bom prato feito em lugar de uma refeição que poderia ser espetacular.

JHUD parte da premissa de emoldurar a sonoridade soul/R&B/disco/funk dos anos '70 tendo, provavelmente, os nomes de Chaka Khan e Donna Summer como maiores inspirações. A produção, que tem nomes de peso como Pharrell e Timbaland, é certeira em criar a vibe pretendida entregando faixas sólidas e com qualidade técnica inquestionável. Porém, não há nada mais do que essas qualidades em JHUD. Não há ousadia em ir e cavar mais fundo exploração da música feita na década das discotecas. Não há uma estrutura mais apurada para criar uma sensação de imersão na música tanto do lado de quem faz como para quem escuta. Não há nada realmente excitante nessa homenagem/recriação. Uma pena constatar isso de um álbum que poderia render muito e dar para Hudson o merecido patamar artístico que combine com o seu talento vocal. Mesmo presa em amarras imposta pela produção que em vários momentos se mostra equivocada, Hudson ainda consegue mostrar suas qualidades e a evolução ao longo dos anos em boas performances que consegue equilibrar o álbum com sua produção mediana e suas composições pouco inspiradas. Apesar de haver bons momentos como em Dangerous, Walk It Out e I Still Love You, JHUD não sustenta como era para ser um trabalho que pega uma época tão rica de base e junta com uma artista como Jennifer Hudson.

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