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10 de agosto de 2025

Uma Pequena Imensa Canção

Saoirse
Maruja


Acredito que, neste ponto, já é quase certeza garantida que a banda Maruja vai entregar uma canção de qualidade elevadíssima. E isso acontece até quando a canção é a “menor” lançada pela banda, como é o caso da sensacional Saoirse.

Com “apenas” um pouco mais de cinco minutos, a canção soa de forma mais reflexiva do que os trabalhos anteriores da banda, mostrando sua capacidade de explorar novos caminhos para a própria sonoridade. Apesar dessa mudança, “Saoirse” é claramente uma canção do Maruja, devido à impressionante e meticulosa criação instrumental, que novamente transforma o art rock/jazz rock em algo transcendente, magistral e atemporal. A crescente construção climática da canção é impecável, culminando em um desfecho deslumbrante.

Liricamente, a faixa também apresenta uma composição mais sucinta ao fugir da verborragia costumeira da banda, mas nem por isso deixa de ser um trabalho fulminante — tornando-se um verdadeiro hino à liberdade, especialmente à do povo palestino. Fechando com chave de ouro, a performance densa e melancólica do vocalista Harry Wilkinson é como um clamor que reverbera dentro da gente. Saoirse é, sem dúvida nenhuma, uma canção que demanda ser ouvida.
nota: 9

8 de junho de 2025

Glória! Maruja! Glória!

Look Down On Us
Maruja

Depois de tanto “provocar”, o Maruja vai lançar seu aguardadíssimo debut, intitulado Pain to Power. E o primeiro single não poderia ser mais digno do hype, pois em Look Down On Us é entregue o mais impressionante da banda até o momento.

Com quase dez minutos, a música não é épica apenas pelo tamanho, mas pela maneira genial como a produção aglutina todas as principais qualidades da banda em uma única música, elevando-as a um novo patamar. Isso é algo impressionante, considerando que o nível das canções do Maruja já vinha sendo altíssimo desde o começo. O grande destaque de Look Down On Us é seu magnífico, genial, gigantesco, desconcertante, deslumbrante e magistral instrumental, que transforma a canção em algo de uma complexidade ímpar. A faixa cria um emaranhado de sons e texturas que vão sendo desenrolados, costurados e enrolados novamente, para finalmente serem reconstruídos de uma maneira completamente inesperada, sem perder, porém, o senso sonoro característico da banda.

Em definição, a canção é art rock, post-rock, jazz-rock, post-punk, rap rock e punk art, mas, sinceramente, o resultado é muito mais do que isso, pois encontra um lugar tão único que pode-se dizer que é o gênero Maruja. Grandioso, barulhento, contemplativo, reflexivo, contido, expansivo, inesperado, raivoso e intoxicante são apenas alguns dos adjetivos possíveis para Look Down On Us — e ainda faltariam palavras para descrever, com justiça, toda a imensidão que a música representa. Isso também é válido para definir a performance do vocalista Harry Wilkinson. Sua presença é o fio condutor perfeito ao ser um arauto celestial que transita por toda a jornada da canção, transformando-se e transmutando-se em diversas personas para conseguir carregar o peso sonoro. E isso é algo assustadoramente lindo de presenciar. Mais uma vez, a lírica do Maruja é ácida, verborrágica, refinada e sempre devastadora em suas crônicas sobre a sociedade. Aqui não poderia ser diferente, culminando em uma composição de apuro estético, temático e poético impecável. O melhor momento da letra é no final do primeiro verso, quando está gravado a ferro e fogo: “There's genocide abundant, we all just turned away / And sold for a bargain lap it up like dogs hear them barkin' / The cunning isn't subtle, you're a target.” Em Look Down On Us, o Maruja não apenas prova que o hype de sua caminhada até aqui é totalmente justificado, mas também se posiciona em um patamar artístico totalmente fora da curva, em que apenas a banda vive atualmente.
nota: 9,5

24 de novembro de 2024

Feroz

Break the Tension
Maruja

Uma das melhores surpresas de 2024, a banda Maruja vai preparando para o lançamento do álbum debut da sua carreira com o lançamento da raivosa Break the Tension.

Menos impactante que The Invisible Man, a canção continua a ser esse soco no estomago devido a profundidade instrumental que a banda se utiliza para a construção. E novamente, a grandiosidade da produção é o que pede essa complexidade, pois apenas assim é possível sustentar a incrível sensibilidade criativa da banda que entrega uma refinada mistura de jazz rock, post-punk e art rock com pinceladas brilhantes de rap rock. O que impede da canção ser ainda melhor é a sua composição, pois, mesmo sendo um trabalho ótimo, não tem a urgência que seria necessário para arrematar o pacote artístico de Break the Tension. Felizmente, a canção dá a impressão exata que a banda já está completamente ciente e dominando a sua sonoridade.
nota: 8

24 de março de 2024

New Faces Apresenta: Maruja

The Invisible Man
Maruja

Parece que há algo nas águas da Inglaterra que são capazes de gerar as bandas com maior apelo criativo possível ao longo da história da indústria fonográfica. Nos últimos anos, por exemplo, tenho descoberto algumas bandas como o Squid e o Black Country, New Road que meio que ajudam o corroborar minha tese. E a banda novata Maruja entra nessa lista com o lançamento da imprevisível e imponente The Invisible Man.

Com um pouco mais seis minutos, a canção é uma torrente impiedosa, épica, magistral e grandiosa de uma mistura de post-punk, art rock, jazz e rock progressivo que pode até ser familiar, mas é feito de uma tão espetacular e com uma personalidade distinta que a torna um trabalho único e refrescante. Existe um cuidado para que o impressionante instrumental não se perca em uma cacofonia sem sentido, mas que também não tenha restrições ou amarras para onde ir ou, principalmente, como chegar nesse lugar sonoro impressionante e deslumbrante. The Invisible Man, porém, ganha contornos de genialidade pura devido a performance do vocalista da banda Harry Wilkinson que segue o caminho de entoar a composição como em declamação de poema, adicionando nuances belas e uma impressionante construção climática que termina em uma explosão. Facilmente já concorrendo para melhor canção do ano, The Invisible Man faz do Maruja a próxima grande promessa do rock ao continuar a tradição britânica.
nota: 8,5