13 de dezembro de 2017

Primeira Impressão

SYRE
Jaden Smith




Nem sempre o ditado "filho de peixe, peixinho é" é válido para algumas famílias, mas para aqueles que têm o sobrenome Smith parece ser uma verdade absoluta. Além dos pais e a irmã que lançou um álbum esse ano,  Jaden Smith também é uma força que deve ser reconhecida. Recentemente, o jovem de apenas dezenove anos lançou o seu primeiro álbum intitulado SYRE, mostrando que existe um rapper talentoso nascendo mesmo ainda inexperiente e cometendo alguns erros.

Primeiro álbum da sua carreira, SYRE mostra que Jaden Smith é um dos primeiros nomes a alcançar o grande mainstream a ser diretamente influenciado pelos dois maiores nomes do rap da atualidade: Drake e, principalmente, Kendrick Lamar. Assim sendo, a produção do álbum dá para a sonoridade do rapper uma característica de querer ser mais que apenas rap/hip hop e, sim, um trabalho que possa se expandir em vários gêneros, criando uma atmosfera rica e trabalhada que consegue criar arte daquilo que era considerado um gênero de segunda classe. Ao não seguir o caminho mais fácil do atual rap/hip hop e entregar batidas perfeitas para as paradas fica fácil notar que Jaden tem mais maturidade que a maioria dos artistas da sua faixa etária. Essa influência vinda diretamente de Lamar é muito bem vida, mas Jaden ainda precisar aparar todas as arestas soltas que atrapalham o resultado final. Preso nessa vontade de soar grandioso, significativo e com uma sensação de urgência, SYRE soa pretensioso quando deveria soar orgânico e fluido. Parece que Jaden quer soar mais importante e profundo do que é de verdade, resultando no rapper dando uma mordida maior que consegue engolir. Entretanto, quando essa grandiosidade pensada funciona da maneira que deveria temo alguns momentos realmente interessantes como a canção que introduz o trabalho: dividida em quatro faixas cada uma intitulada com uma das letras da palavra BLUE, a canção funciona em todos os sentidos, principalmente em soar natural e parece estar no local certo. Quando quer ser mais do que aparece ser encontramos a longuíssima Lost Boy que poderia ter sido cortado em uns sete minutos para funcionar. Esse problema também parece acometer a parte temática do álbum.

Balanceado a influência do Drake e do Lamar, Jaden transita bem entre as narrações sobre as angústias humanas e as reflexões sobre a vida, especificamente sobre racismo. Todavia, apesar de bem escritas, ainda falta para o rapper saber como explorar esses temas da melhor forma para conseguir aliar a beleza estética pop com a profundidade necessária para refletir verdadeiramente sobre esses temas, pois, por enquanto, várias vezes o trabalho soa como um lamento de uma pobre garoto rico. É interessante o que Jaden poderá fazer no futuro depois de amadurecer já que, apesar dos erros, as composições guardam relances de um artista muito interessante. Assim também é em relação ao Jaden como rapper: apesar de soar sem muita personalidade definida, o jovem possui muito espaço para desenvolver o seu instrumento e isso é uma característica que, por enquanto, está a favor dele. Mesmo com erros aqui e ali, SYRE é um sólido debut para Jaden Smith, ajudando a criar uma promessa que pode ir além das suas origens.

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