13 de janeiro de 2026

Os Melhores Singles de 2025 - Parte IV

 



Parte I
Parte II

20. Free
Little Simz



"A canção é um trabalho tão complicado de ser construído devido a seu teor lírico que o resultado é ainda mais louvável. Falando sobre o poder do amor em nos libertas das amarras do medo, a canção poderia facialmente cair no lugar da auto ajuda barata, mas passa longe disso ao ser uma refinada crônica com um trabalho lírico excepcional que reflete o talento da rapper de maneira sincera, inteligente, madura e tocante."

19. Hello Heaven, Hello
YUNGBLUD


"Não apenas a melhor canções do cantor até o momento, o single é realmente uma grande canção que deve facilmente integrar as melhores do ano. Com cerca de nove minutos, a canção é uma inspirada, épica, refinada e madura art rock/britpop com influencias de glam rock e post-grunge com uma estrutura épica e um instrumental realmente impressionante. Quase como duas canções unidas por um fio bastante claro sonoro, Hello Heaven, Hello funciona perfeitamente do começo ao fim devido a condução magistral de uma produção que conseguiu entender a sonoridade base do Yungblud e, ao mesmo tempo, teve a capacidade de aprofunda-la de maneira desconcertante e inteligente."

18. MONDAY/ GODSTAINED
Quadeca



"Ambas são singles do próximo álbum Vanisher, Horizon Scraper e, apesar das diferenças, compartilham um fio condutor sonoro claro. Essencialmente, as duas canções transitam pelo art pop/folk pop, cada uma com influências distintas que lhes conferem personalidade própria. MONDAY apresenta uma produção com influências de chamber/baroque pop, que a tornam reluzente e tocante, com um toque de música folclórica. Isso funciona devido à qualidade da instrumentalização e às texturas adicionadas, delicadas mas marcantes. Já GODSTAINED segue uma linha mais próxima do R&B, com nuances de bossa nova que remetem a Frank Ocean, mas sem soar como uma imitação."

17. Superlover
Allison Russell & Annie Lennox


"Uma canção protesto em que as cantoras clamam que o que o mundo precisa é de união e amor, especialmente diante dos tempos sombrios em que vivemos. Devo dizer que, em sua essência, a composição é piegas, mas, sinceramente, é escrita de uma maneira tão verdadeira que fica difícil não se deixar envolver por esse clamor."

16. Zig Zag
By Storm


"Completamente fora de qualquer padrão comercial, a canção é uma longa, intrigada, impressionante e descomunal exercício sonoro ao misturar em uma experimental, hip hop, glitch, psicodelia, ambient e hip hop abstrato que vai puxando a gente em um vórtex impressionante. Não é uma canção, porém, que nos conquista logo de cara, mas é com o passar do tempo que a sua atmosfera densa e contemplativa. E isso é mais impressiona, pois Zig Zag é uma canção que soa contida devido a sua melodia linear, mas que esconde uma profundidade imensa que deixa a gente pasmo ao ir notando cada detalhe."

15. Everybody Scream
Florence + The Machine


"Dando início ao novo álbum, a canção carrega a marca definida, inesquecível e, sinceramente, lendária da banda, ao se apresentar como uma grandiosa e impressionante mistura de art rock e pop que apenas eles poderiam entregar. Entretanto, a produção acrescenta camadas vibrantes, com cores fortes que conferem à faixa uma personalidade reluzente, sem deixar de preservar a essência já consolidada do grupo. Dessa vez, há uma bem trabalhada e excitante influência de rock alternativo e gótico, com toques de punk rock e gospel, que dá a Everybody Scream uma áurea completamente distinta dentro da discografia — ainda que soe, ao mesmo tempo, familiar. É exatamente o tipo de experiência que apenas o Florence + The Machine seria capaz de oferecer."

14. Man Made of Meat
Viagra Boys


"Existem algumas músicas que devido a alguma característica causa algum tipo de incomodo quando a gente a escuta. Todavia, essas músicas são basicamente impossíveis de serem esquecidas, pois, normalmente, acertam um lugar impossível de se esquecer. Esse é o caso de Man Made of Meat da banda Viagra Boys. Primeiro single do novo álbum da banda, a canção é afiadíssima, desconcertante, ácida e explosiva crítica da sociedade moderna, especialmente a maneira como as pessoas lidam com a internet, o consumismo e a cultura da celebridade. Todavia, não é apenas um critica/reflexão, mas, sim, uma porrada descomunal ao usar construções líricas que vão do cair o queixo até os versos que a gente não tem nenhuma reação de verdade."

13. House
Charli xcx & John Cale


"Totalmente diferente de tudo que a cantora já fez, a canção tem como ponto de brilhantismo a genial participação de John Cale, da lendária banda The Velvet Underground. Dono de uma voz forte, marcante e profunda, o artista narra, em forma de poema, um longo verso que tem relações com a obra literária sem inserir trechos do livro. E é revigorante a ideia e a execução, pois criam toda uma atmosfera densa e sombria que vai crescendo até chegar a um clímax poderoso, no qual Charli aparece apenas para ajudar na quebra de expectativa sonora. Essa quebra vem do fato de que, por boa parte de “House”, enquanto temos a presença de Cale, a canção se comporta como uma épica e climática dark ambient com elementos neoclássicos, para terminar com influências de industrial e toques de synthpop. É uma produção ousada e majestosa que não teria razão para ser um sucesso comercial, mas que me deixa extremamente feliz por existir."

12. Portrait of My Heart
SPELLLING


"Primeiro single do seu novo álbum que leva o mesmo nome, a canção dá uma guinada na sonoridade da cantora ao ir em um caminho mais art rock que o pop/soul/art que a mesma transitava. Isso não quer dizer, porém, que Spellling perde um pingo da sua personalidade artística, pois Portrait of My Heart continua a mostrar o seu majestoso requintamento sonora ao ser uma densa, épica e graciosa fusão de art rock, post-grunge e chamber pop que resultar em um inspiradíssimo instrumental que vai crescendo aos poucos em uma subida continua e fascinante. A condução da produção é algo impressionante que parece fazer a canção se tornar uma espécie de redemoinho musical que vai fazendo a gente se puxado para o seu centro."

11. Doing It Too
Rochelle Jordan


"Capturando com perfeição a áurea do deep house do começo dos anos 1990, a canção consegue se sustentar perfeitamente pelas próprias pernas ao não soar ultrapassada nem ter cheiro de naftalina. Na verdade, “Doing It Too” possui um frescor delicioso e cativante, devido principalmente à sensacional performance de Rochelle, que domina a faixa com uma exatidão tocante e um carisma gigantesco. As adições sonoras — com toques de garage house e dance-pop — também elevam a qualidade da música, ampliando ainda mais seu escopo sonoro."

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