Parte II
Mac Miller
"Sétimo álbum do rapper e segundo póstumo, o trabalho é um imenso atestado sobre o imenso potencial do artista que foi interrompido devido a sua morte em 2018. O grande trunfo desse álbum é que o mesmo tinha sido gravado na sua totalidade e completude em 2014, mas, possivelmente, não tinha sido aprovado para lançar devido a gravadora não o achar comercial ou algo parecido. E isso faz com que Balloonerism seja um trabalho totalmente com a visão de Mac e, não, uma colcha de retalhos que precisou ser juntada para fazer algum sentido. O álbum faz sentido porque foi pensando dessa maneira já que todas suas faixas foram produzidas por Mac, deixando para alguns colaboradores como, por exemplo, Thundercat, Taylor Graves, entre outros, preencher algumas lacunas e trabalhar na sua finalização. Devido a isso, o álbum ganha essa força verdadeira e pungente de que estamos diante de um trabalho original e refrescante, mesmo que tenha demorado onze anos para ver a luz do dia. Apesar dessa gratificante sensação, o álbum também tem uma forte sensação de tristeza, pois o que ouvimos aqui é um artista no caminho da genialidade que foi impedido pela sua trágica morte, não tendo tempo para se desenvolver totalmente e, principalmente, não teve tempo de ver suas flores sendo entregues pelo público e pela crítica. E isso é realmente devastador. Felizmente, Balloonerism é um trabalho que ultrapassa esses sentimentos ao ser um trabalho realmente preciso e de qualidade."
Kelela
"Conhecida por ser um dos mais talentosos do R&B alternativo, a cantora realizou um dos seus sonhos ao gravar um show seus em dos locais em que a ajudou a construir suas referências musicais: Blue Note Jazz Club, lendário clube de jazz em Nova Iorque. E acredito que a escolha não poderia ser melhor, pois, além da história com o local, o ambiente intimista é o melhor possível para captar toda a essência da sonoridade da cantora. Com doze canções, o álbum é uma coleção inspirada, elegante, emocional, madura e transcendental que reúne várias das suas canções ao longo da carreira com mais três regravações que foram retrabalhadas de maneira a terem um brilhante verniz jazz sem perder, porém, toda a base substancial e magistral que a mesma construiu. E ao remodelar parte da sua sonoridade, Kelela mostra o tamanho do alcance do seu talento e da sua versatilidade, especialmente aliada a um trabalho instrumental impressionante.
Isso é algo ainda mais revigorante devido a ter sido gravado ao vivo, pois o trabalho dos instrumentistas escolhidos é simplesmente magistral em todos os sentidos. A principal qualidade é conseguir manter toda a alma das canções, especialmente as da própria Kelela, e ainda adicionar novas camadas sonoras devido a influencia do jazz, aliando com toda a atmosfera do local de gravação que se mostra propício para algo mais contemplativo e intimista. Além disso, a condução das canções criam uma fluidez azeitada e graciosa para o trabalho, especialmente as que apresentam uma transição direta uma para outra. Até mesmo aquelas tem alguma “fala” da cantora adereçando ao publico conseguem criar uma conexão com quem escuta, pois faz a gente realmente se sentir como se fossemos as pessoas da plateia. Todavia, apesar dessa imensa qualidade instrumental, In The Blue Light tem a sua principal joia a presença magnânima e belíssima da performance da Kelela."
Viagra Boys
"Apesar de não serem novatos, a banda apresenta uma energia tão impressionante no álbum que parece o trabalho de uma promissora banda em começo de carreira, se jogando sem medo, amarras ou cartilhas. Corajoso e audacioso, o álbum é, no entanto, estruturado em uma base sólida, maturada e estabelecida ao entregar um trabalho inspirado de art/dance/post/synth-punk que consegue empolgar devido à sua força quase descomunal. E boa parte disso vem da inteligente decisão de fazer um álbum rápido e direto, pois, com o tempo “reduzido”, o álbum nunca parece arrastado ou que ultrapassou o seu alcance criativo.
Viagr Aboys tem onze faixas e cerca de trinta e sete minutos de duração, e, ao contrário de trabalhos curtos que não precisariam de mais tempo para realmente explorar suas ideias, a produção aqui acerta perfeitamente em saber quais ideias seguir e, principalmente, como fazer toda a força criativa caber como uma luva. É um trabalho sucinto, mas nunca falta ou sobra espaço, o que cria a sensação de que nada ficou de fora. Não deixa aquele sentimento de querer mais por parecer incompleto; ao contrário, a gente fica querendo mais da banda em um novo álbum, já que aqui tudo é satisfatório ao extremo. Entretanto, Viagra Boys não é uma banda para qualquer público, e isso se reflete no álbum."
Rebecca Black
"Sonoramente, o EP é uma coleção deliciosa e reverberante de electropop, dance-pop, hyperpop e electro house que pode até ser facilmente comparada com o Brat da Charli XCX, mas que, na minha opinião, consegue ser superior em todos os sentidos. Acredito que seja uma declaração ousada e controversa, mas depois de ouvir SALVATION mais de uma vez fiquei ainda com mais certeza dessa opinião. E uma das pedras fundamentais para essa minha certeza é a presença da genial TRUST!, pois o seu resultado “é o que sempre falo sobre elevação artística, pois é claramente um degrau acima do que a cantora vem entregando. E foi um degrau bem grande que foi subido, pois a canção é simplesmente espetacular. Uma electro house/ electropop com toques de deep house e EDM que é explosiva, grudenta, gigantesca, elétrica, classuda, inteligente e madura, a canção consegue seguir tendencias e, ao mesmo tempo, ter um verniz atemporal que fica na gente depois de escutar de maneira permanente. É incrível com a produção consegue fazer da canção seguir tendencias, mas sem nunca parar para ser uma imitação barata ao saber encontrar seu espaço devido a carga imensa de personalidade”. Entretanto, a canção é apenas uma das razões para o trabalho ser tão genial."
Gaby Amarantos
"O grande ponto do álbum — e o que o faz um verdadeiro unicórnio da música brasileira — é que ROCK DOIDO é um álbum conceitual que não só tem uma ideia brilhante, como também a executa de maneira brilhante. E, sinceramente, isso é algo tão raro de acontecer que já seria possível elogiar o álbum apenas por esse fato. E qual é esse conceito? É simples e nada surpreendente, pois segue uma visão fácil de identificar ao emoldurar com exatidão milimétrica a sensação de estarmos ouvindo exatamente uma setlist/mixtape feita por algum DJ que pegou várias canções de diversos artistas e montou essa coleção para tocar em uma festa nas ruas de uma cidade do interior do Norte do país. Essa é uma sensação muito específica, mas que faz completo sentido quando ouvimos o álbum e notamos que essa decisão vem diretamente das experiências da Gaby e de todas as pessoas que viveram ou vivem imersas nessa sonoridade. E um dos segredos para alcançar essa perfeição conceitual está em como o álbum é construído.
Com vinte e duas faixas que ficam em torno de um minuto até, no máximo, dois minutos e poucos (uma ou outra faixa passa dessa duração) e finalizando com cerca de trinta minutos, o álbum se estrutura como uma frenética, explosiva, eletrizante e imparável coleção de canções que vão surgindo uma atrás da outra em um ritmo descomunal, fazendo parecer que o álbum é apenas uma grande e contínua faixa separada por seções diferentes. E esse resultado é tão bem costurado que faz com que sejamos sugados para o vórtice desse furacão sonoro de maneira acachapante. Essa decisão poderia criar algum problema se não estivéssemos diante de uma produção competente em todos os sentidos."






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