JENNIE
Até o momento, os lançamentos das carreiras solos das integrantes do Blackpink têm sido bons, mas até agora nenhum álbum tem sido realmente excitante como poderiam e deveriam. Existem alguns momentos que chegam perto aqui e ali. Todavia, o conjunto da obra não tem a mesma vibração. Entretanto, isso muda com Ruby, primeiro álbum da Jennie que coloca nessa lista o que estava faltando: excitação.
Tenho que admitir que o álbum não é um acerto completo, pois ainda falta aparar várias arestas soltas e mal polidas. E a principal delas é essa tendencia irritante de fazer canções serem rápidas e rasteiras para se tornarem possíveis hits virais. Das quinze faixas, apenas cinco tem mais de três minutos, sendo que uma tem exatamente essa duração. Essa decisão baseada nesse tendencia é irritante, pois deixa preso a criação a uma regra que limita a criatividade ser colocada em parâmetros de tempo e, não, de possibilidades sonoras. E isso afeta Ruby, pois as possibilidades são várias e realmente excitantes que não são aprofundadas devido a “falta de tempo”. Entretanto, a qualidade dessas possibilidades são tão altas que o álbum terminando sendo um atestado da capacidade da Jennie.
A maior qualidade de Ruby é a ousadia por trás da produção que conta com nomes como, por exemplo, Diplo, Dem Jointz, El Guincho e Mike Will Made It como os mais conhecidos. Sem fugir muito do que a mesma fazia com o Blackpink, o álbum é uma coleção de R&B/pop com influencias de alt pop, hip hop, contemporary R&B, pop rap e dance-pop, mas que encontra novos caminhas realmente interessantes para a sonoridade ao flertar com quebras de expectativas inusitadas, texturas interessantes e nuances estilizadas para dar não apenas uma personalidade própria para a artista, mas, também, para criar uma sonoridade que tenha distinção e profundidade. Tenho que repetir que se algumas canções fossem maiores e mais trabalhadas poderia facialmente alcançarem picos ainda mais altos. E isso fica bem claro na melhor faixa do álbum que também é a sua maior: Damn Right.
Uma irresistível, sensual e suculenta R&B/neo-soul, a canção tem o tempo necessário de explorar seu suingado instrumental e criar a atmosfera perfeita para criar todo o clima. Além disso, o tempo dá a possibilidade de dar o espaço necessário para que convidados Kali Uchis e, especialmente, Childish Gambino tenham seu espaço para brilharem na medida certa para que não sejam dispensáveis e, também, no ofusquem a Jennie. Mesmo quando a canção falha em se aprofundar é possível realmente ver bem o potencial sendo bem trabalhado como é caso de like JENNIE ao ser uma explosão pop rap com certos toques de trap e funk cariosa devido a influência do produtor Diplo. Entretanto, a canção realmente funciona tão bem devido a performance tão explosiva como a sua produção da Jennie que carrega a canção de maneira marcante, versátil e com personalidade ímpar. Na verdade, a sua presença é um dos pontos de equilíbrio de todo Ruby, pois ajuda o álbum a ter uma boa e visível linha de “raciocínio” sonoro, pois é da sua versatilidade que podemos ver a fluidez das mudanças sonoras. É possível notar essa qualidade quando a gente compara as canções Handlebars com ExtraL: a primeira uma balada mid-tempo pop soul com a presença inspirada da Dua Lipa e a entrega a altura da Jennie e a segunda “pop rap/hip hop/Jersey club” que é o “perfeito veículo para a Jennie mostrar personalidade de sobra em performance inspirada” mesmo que o grande destaque é a presença da Doechii “em um verso pequeno mostra com clareza esse “star quality” radiante”. Outros bons momentos ficam por conta na divertidíssima Mantra e balada R&B estilo SZA start a war. Um ponto que preciso apontar que abaixa a qualidade geral do álbum é a sua parte final que começa a sequencia de baladas sólidas, mas que dão uma reduzida na velocidade do álbum e o faz termina de maneira anticlimática. De qualquer forma, Ruby é um começo realmente promissor da Jennie que só precisa aumentar o volume de todas as qualidades citadas para realmente ter a chance de se tornar uma artista incrível. Potencial para isso ela tem claramente.
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