Squid
Cowards, terceiro álbum do Squid, é o trabalho menos impactante da banda até o momento. Entretanto, o resultado ainda é louvável e mostra que a banda não tem medo de ousar.
Claramente, o trabalho é o que a banda mais experimenta com outros gêneros e sonoridade, buscando incrementar, refinar, evoluir e “brincar” com a base punk-rock/post-punk. Isso já era constante na sonoridade desde o magnifico debut Bright Green Field, mas é aqui que a banda parece menos “presa” a uma corrente de ideias já fixadas para explorar novas possibilidades até mesmo em relação a atmosfera, ritmos e estruturas. Não há a perda a essência da banda, mas Cowards mostra uma versatilidade interessante e bem vinda que fica claro quando a gente compara com outros trabalhos deles. Acredito que o problema para o álbum não alcançar um nível ainda maior de qualidade é o fato, que apesar de toda essa ousadia, o álbum soa estranhamente contido. Não há momentos de explosões criativos ou de pura genialidade, mas, sim, uma constância linear que permeia todas as faixas do álbum, criando, sim, uma coesão imensa que não deixa também ter grandes arrombos de genialidade. E isso é possível de perceber no single Building 650.
“Longe do ápice da banda, a canção é trabalho que tem a marca indiscutíveis deles ao ser uma arrojada, explosiva, adulta e refrescante mistura de art rock, post-punk/grunge e rock alternativo. Entretanto, a canção parece beber na fonte direta de três grandes nomes do rock: Red Hot Chili Peppers, o Green Day e, em menor grau, o Radiohead. Começa com certa essência dos primeiros, especialmente na áspera performance do vocalista Ollie Judge, passa por certa estrutura ouvida nos dias de glorias do segundo e termina com um toque de contemplação do terceiro. Em nenhum momento, porém, Building 650 se torna uma colcha de retalhos baratos, mas, sim, termina com uma canção extremamente sólida e com a personalidade do Squid bem exposta e delimitada”. Gosto da atmosfera claustrofóbica de Blood on the Boulders que usa muito bem a seu favor a característica de linearidade do álbum ao entregar um instrumental em constância crescente até chegar em um clímax que quebra as expectativas. Entretanto, o melhor momento do álbum é quando o Squid realmente vai fundo na exploração sonora ao fechar Cowards com a elegante e inspirada art rock Well Met (Fingers Through the Fence). Outros bons momentos na ácida Crispy Skin e a faixa que dá nome ao trabalho na soturna Cowards. Mesmo sendo uma obra menor na sua recente discografia, o Squid ainda mostra o motivo de ser uma das bandas mais interessante da atualidade.
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