Olly Alexander
Considero Palo Santo, álbum da ainda banda Years & Years, como um dos melhores álbuns pop da última década. E é com um pouco de decepção que ouço Polari, pois o primeiro álbum solo do vocalista da banda, Olly Alexander, é um trabalho bastante inferior.
Não que seja exatamente ruim, mas sim um trabalho extremamente morno. E o principal motivo para isso é que a produção parece não saber como fazer a ideia por trás do álbum ganhar vida. Na sombra do pop da Charli XCX, Polari tenta ser uma excitante mistura de dance-pop com hyperpop, house, synthpop e pop alternativo, mas nunca sai desse desejo devido à limitação criativa. É como olhar para um quadro em branco em que o pintor deu as primeiras e marcantes pinceladas, mas não conseguiu sair do lugar devido a um bloqueio criativo. Tem potencial, mas é um trabalho inacabado. E isso impede o álbum de mostrar todas as suas cores, pois há momentos em que é possível ouvir o que poderia ser, especialmente em seu melhor momento: When We Kiss.
“Claramente buscando bases no EDM/eurodance feito no final dos anos noventa e começo dos anos dois mil, a canção entrega uma divertida e envolvente, mas com certa aparência de mofada, mistura de electropop e dance-pop que chega a levantar voo sem atingir a altura que poderia. A canção pega essa referência e consegue até tirar bons momentos, especialmente na parte dos versos. Todavia, parece presa em amarras da própria sonoridade ao seguir um caminho mais linear, sem espaço para explorar e brincar com o que tinha à disposição.”
Esse problema de não saber como continuar a construção sonora é ainda mais sentido no restante do álbum, tornando o resultado final pouco inspirado. E o Olly merecia bem mais, pois o cantor segura com louvor e habilidade preciosa o álbum, entregando ótimas performances, mesmo sem ter material à altura. Outros bons momentos do disco ficam por conta de Cupid's Bow — da qual gosto da “progressão até chegar ao seu bom clímax e também da performance requintada do cantor, que coloca os toques de personalidade que a canção possui” —, da efervescência oitentista de I Know e da dramaticidade de Shadow Of Love.
Espero que, no futuro, Olly Alexander possa ter em mãos um material que esteja exatamente à sua altura.


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