27 de novembro de 2013

Primeira Impressão

Matangi
M.I.A.


Música boa não deveria ser "padronizada" e se você realmente gosta de música também não deveria ser "padronizado" para gostar de apenas um estilo de música. Assim como quem faz música, quem ouve música deveria ficar "exposto" a todo tipo de música feita por todo tipo de artista de qualquer época. Nem sempre fazer isso é fácil, mas os resultados dessa emersão musical é sempre positiva ao abrir o horizonte para novas experiências. Um bom começo pode ser ouvir o novo álbum da M.I.A. Não que a cantora seja a mais "underground" e desconhecida das artistas já que ao longo dos anos ela ganhou notoriedade, mas o seu quarto álbum Matangi é uma opção bem interessante para quem apenas está no esquema de conhecer apenas "pop comercial".

Não espere "um passeio no parque" em Matangi já que M.I.A. mantém integra a sua sonoridade que a fez se destacar em Arular de 2005, mas apenas sendo mais refinada e pouco menos impactante. Não que a mistura de eletrônico com todas as nuances, texturas, batidas, estilos, influências e todos os sons que tecem a rica e complexa cadeia de influência da cantora tenha se deteriorado ou se corrompido ao longo desses anos já que a produção faz um trabalho poderoso entregando uma sonoridade e arranjos perfeitos para transmitir toda personalidade multifacetada da cantora. Contudo, o resultado final é um pouco irregular devido algumas arestas soltas na produção de algumas faixas que não corresponde a altura da produção de outras faixas. Como disse anteriormente para os novatos as composições aqui vão "assustar". M.I.A. caminha bem longe da maioria dos artistas com destaque no mainstream ao falar sobre assuntos sérios e pesados como a pobreza, desigualdade social, o feminismo e o machismo, etc. Não são assuntos de fácil assimilação, mas M.I.A. e seus colaboradores fazem um trabalho poderoso tecendo boas criticas. Além disso, a parte "técnica" tem momentos geniais como na letra de aTENTion que faz um jogo de palavras usando a parte "tent" em todas elas para criar a rima entre as palavras. A principal característica que difere M.I.A. de outros artistas é sua personalidade na hora de "interpretar" as canções. Uma mistura de cantora com rapper com estilo único usando seu sotaque para incrementar e personalizar ainda mais suas canções. Não procure M.I.A. na definição de "grande" cantora, mas procure ela na definição de cantora "original". Não há como não como colocar Bad Girls, lançada como single em 2012 e escolhida por mim como a 14° melhor música daquele ano, como a melhor faixa de Matangi. Mais que um bom álbum para iniciantes dispostos a abrir a mente, Matangi é um álbum com músicas boas completamente fora de padrões.

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