13 de fevereiro de 2019

Primeira Impressão

thank u, next
Ariana Grande


"Em apenas seis anos desde que lançou o seu primeiro álbum (Yours Truly), a Ariana Grande conseguiu fazer o que vários artistas demoram até décadas para alcançar: ir de surpreende promessa para uma carreira solidificada e, agora, chegar ao status de uma verdadeira força artística. O catalizador dessa evolução é o lançamento de thank u, next, o seu mais coeso álbum até o momento. E mesmo que não seja o melhor, o álbum é a prova cabal da potencia artística que a jovem é dona."

Tirando apenas duas palavras, o parágrafo acima é basicamente o mesmo que escrevi para o lançamento de Sweetener há menos de seis messes atrás. Isso, porque, Ariana Grande está em uma verdadeira enxurrada criativa quase inabalável, conseguindo emplacar canção atrás de canção e gerando um barulho que, atualmente, não existe nem comparação dentro do mundo pop. Na verdade, a força da Ariana está tão no auge que a mesma é a pessoa mais importante da indústria da música no começo de 2019. Gostando ou não da jovem, não é possível negar que a mesma está como o Leonardo Di Caprio no Titanic: no topo do mundo. E, sejamos ainda mais sinceros, essa posição não veio de bandeja para a cantora que foi construindo a sua imagem artística com muito esmero e um senso criativo quase imaculado. E apesar da pouca passagem de tempo desde o lançamento do primeiro álbum para esse quinto trabalho, Ariana Grande alcançou algo que muitos ainda perseguem: uma personalidade artística definida. Se Sweetener comprovou a sua força artística, thank u, next vem para confirmar a maturidade de Ariana em saber como lidar com a sua arte. Em apenas seis messes, a cantora ao lado de uma equipe dos principais nomes do mundo pop da atualidade como, por exemplo, Max Martin, Ilya Salmanzadeh e Pop Wansel conseguiram erguer um trabalho coeso, bem estruturado, cheio de personalidade e, principalmente, fluido. 

Como ressaltado no primeiro parágrafo, o álbum pode até não ser o melhor dela de maneira geral, mas apresenta uma fluidez espantosa, ainda mais levando em conta o pouco tempo de produção. Sem ter nenhum buraco ou momento em que a peteca dá uma desacelerada, thank u, next é um elegante, auto consciente, divertido e carismático trabalho de pop com pinceladas generosas de R&B, dance-pop e hip hop, emoldurados em uma sonoridade que foi construída para ser algo representante da persona da Ariana Grande. Se no álbum anterior havia momentos com uma pegada mais radiofônica como é o caso de no tears left to cry breathin, o novo álbum refuta a ideia de fazer canções que possam se adequar ao mercado para fazer sucesso, mas, sim, o mercado é precisa se adequar as canções mais comerciais que a sonoridade da cantora apresenta. Esse é o perfeito caso da canção que dá nome ao álbum e número um da Billboard: thank u, next pode até ter toques de um pop mais comercial, mas, sejamos sinceros, a canção passa bem longe do que normalmente ouvimos cantoras pop fazendo para conseguir emplacar nas paradas. Isso demonstra o poder de Ariana que está conseguindo impor a sua visão sobre o que é o pop no atual mainstream. E não para por aí, pois, pela primeira vez, Ariana não conta com nenhuma participação dentro do álbum, explicitando o seu pleno domínio e segurança de ser capaz de segurar sozinha um álbum de sucesso, ademais que parcerias são um fator cada vez mais importantes para o desempenho comercial nos dias de hoje. Todos esses elogios não isenta thank u, next de não ter erros.

O primeiro erro é, paradoxalmente, o fato do álbum não ter exatamente um momento de puro e absoluto destaque. Devido a sua fluidez, thank u, next deixa de ter aquela faixa de pura genialidade ou mesmo uma que conseguisse sair dessa linearidade. Não intenda errado, pois essa constância é o que traz a unidade impecável para o trabalho, mas que também não deixa uma faixa saltar aos olhos. E até poderia existir uma canção assim sem que o álbum perdesse a sua coesão como aconteceu, por exemplo, com o Troye Sivan no álbum Bloom em que My My My! era um grande destaque, mas que mesmo assim o álbum não deixou de ser redondinho do começo ao fim. O segundo erro é uma visão mais pessoal sobre a música, mas que não deixa de pode ressoar com outras pessoas: a sensação que algumas canções terminam de forma abrupta ou que parecem mal finalizadas. Vejamos o caso do single: 7 rings é a canção mais fraca de thank u, next, pois, além de uma escolha sonora questionável, parece terminar sem ter o seu clímax bem definido. Essa é uma característica que pode até não ser notada por parte do público, porém, para aqueles mais detalhistas, pode soar bem irritante no minimo. Esses problemas não tiram o verdadeiro brilho por trás do álbum: a própria Ariana Grande. 

Se a cantora lançou o trabalho anterior em um dos piores momentos da sua vida (a sua conturbada relação com o Pete Davidson e a morte do ex Mac Miller) e era um trabalho meio que para expiar os sentimentos negativos do atentado em Manchester, thank u, next vem para ser o trabalho em que a cantora mostra que as feridas estão sendo curadas e que a vida é preciso ser vivida. Então, liricamente, o álbum é sobre levantar o dedo para o boys lixo, se divertir como uma garota de vinte e cinco anos, se apaixonar perdidamente e dar um fora no outro dia e, principalmente, buscar a simples alegria de viver. Esses assuntos parecem superficiais em uma primeira olhada, mas o trabalho empregado é de qualidade técnica artista/técnica certeira. Sabendo ser divertida/despretensiosa nos momentos certos como a deliciosa dance-pop/R&B com traços leves de reggaeton bloodline que fala sobre ter a famosa relação de "amiga com benefícios" sem precisar se preocupar em criar vínculos afetivos ou sabendo mostrar profundidade/emoção como na tocante mid-tempo electropop/indie pop ghostin que, apesar de não ter nenhuma confirmação oficial, fala sobre os sentimentos que a cantora teve quando o seu ex faleceu, o álbum mostra o amadurecimento nítido e notável que Ariana passou nos últimos tempos. E isso ainda fica mais evidente quando percebemos como a cantora está confortável no seu papel de diva, pois a cantora continua a entregar performances completamente distintas que não precisam se utilizar da potencial vocal imenso, mas, sim, a sua versatilidade e inteligência. Ariana consegue dar leveza e sentindo real para canções como fake smile sobre lidar com a pesada pressão da sociedade e a ditadura da perfeição para quase em seguida sensualizar na medida certa na gostosinha make up. Outros momentos que valem ser citados é bad idea e a sua surpreendente parte final (indo contra a maré do que expliquei anteriormente) e a pop/hip hop in my head. É redundante afirmar que com o lançamento de thank u, nextAriana Grande cava ainda mais o seu merecido espaço entre as maiores cantoras e se afirma como a maior da geração do novo milênio, mas a verdade é algo que não é possível fugir assim como a certeza que a cantora adora um rabo de cavalo. E isso não como contestar.

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