9 de novembro de 2025

Primeira Impressão

The Art of Loving
Olivia Dean



Uma das “revelações” de 2025 é a cantora britânica Olivia Dean. Mesmo estando em seu segundo álbum, a artista viu sua popularidade estourar com o sucesso do single Man I Need, tornando-se um dos nomes mais fortes para vencer o Grammy de Best New Artist na próxima edição. E o melhor é que ela tem um álbum à altura do sucesso: o refinado The Art of Loving, outro atestado de seu potencial.

Uma das melhores qualidades do álbum é ser uma coleção direta, sofisticada e madura de pop soul/neo soul que entrega exatamente o que promete, sem tentativas de saídas comerciais usando outros gêneros. Ouvir o álbum permite notar o quanto o soul/R&B britânico, de maneira geral, influenciou várias gerações — partindo de nomes como Sade, Amy Winehouse, Beverley Knight, Lisa Stansfield, entre outros. E também revela que o gênero ainda é próspero artisticamente e comercialmente por lá. The Art of Loving não quer ser renovador, mas, sim, respeitar e exaltar o legado desses nomes ao entregar um álbum maduro, elegante e atemporal que encontra seu lugar ao sol, devido principalmente ao talento nato e riquíssimo de Olivia Dean.

Dona de uma voz doce, aveludada e encorpada, a cantora consegue transitar lindamente por várias emoções, indo da leveza descontraída de falar sobre um amor em construção até a amargura dolorosa de relatar um relacionamento em ruínas, sem perder nenhuma de suas qualidades — adicionando, na verdade, novas nuances à nossa percepção sobre sua capacidade de intérprete. Com um timbre que remete às influências de grandes nomes do soul/R&B, Olivia encontra com elegância e graça sua verdadeira voz ao entender perfeitamente como carregar esse legado e, ao mesmo tempo, ter personalidade distinta e de sobra.

Assim como a sonoridade de The Art of Loving, a presença da cantora é algo que já ouvimos em algum momento, mas nunca soa como uma cópia barata ou descarada. É um local de conforto para os ouvidos, mas nunca se mostra arrastado ou preguiçoso — é acolhedor. É respeitoso com suas influências, mas busca um lugar ao sol para chamar de seu. É previsível, mas nunca chato. Conseguimos entender perfeitamente toda a essência da cantora, mas fica claro que existe espaço para crescimento e aprimoramento, partindo de um patamar já muito alto. Isso é refletido claramente em um dos melhores momentos do álbum: o sucesso Man I Need.

Simples sonoramente, mas nunca simplista, a canção é um gracioso, terno e envolvente pop soul que, teoricamente, não teria força comercial para se tornar um dos grandes sucessos do ano ao chegar ao topo da parada britânica e ao top 5 da Billboard. Todavia, não é surpreendente saber desse efeito, dado o quanto a canção é cativante. Outro momento tão radiante quanto o single, e que também merece ser apreciado, é a gostosíssima Nice to Each Other. No entanto, Olivia brilha mesmo é quando abre o coração para canções com uma pegada mais dramática, tendo seu ápice na devastadora Loud, sobre a dor da rejeição — sem dúvida, a performance mais poderosa da cantora no álbum. Com uma pegada mais jazz/pop, ela entrega Close Up, que carrega uma acidez inquieta por trás ao falar sobre sentir-se rejeitada mesmo após todos os sinais positivos enviados antes. A emotiva Let Alone the One You Love traz um dos melhores versos do álbum quando Olivia canta no refrão: “And, if you knew me at all / You wouldn't try to keep me small / Who would do that to a friend, let alone the one you love?”. E, por fim, A Couple Minutes é o retrato daquele momento em que percebemos que será o último de um relacionamento.

Como dito anteriormente, The Art of Loving é um trabalho que deixa claros os espaços para a evolução de Olivia Dean, mas a cantora já demonstra ser totalmente capaz de chegar a novos e maiores patamares. E isso é inegavelmente incrível.

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