31 de julho de 2013

Primeira Impressão

One True Vine
Mavis Staples

Peço desculpas antecipadas a quem possa ofender a minha próxima afirmação, mas eu devo dizer a verdade: a música gospel nacional é uma grande "droga". Não importa se são evangélicos que acham que cantar é o mesmo que pregar gritando como se estivesse tirando o "coisa ruim" do corpo da menina do Exorcista ou padres que acham que são cantores, mas não tem nenhuma noção do que é isso de verdade. Mesmo tendo alguns talentos, nenhum deles que tem algum destaque realmente produz nada que seja ao menos interessante. Tudo fica entre o medíocre para o péssimo. Ao contrario da produção musical gospel dos Estados Unidos e o motivo é até simples: música gospel deve ser mais que um veículo de evangelização, deve ser o verdadeiro conector da alma com o divino e sempre apoiada na qualidade "profana" de bons cantores, compositores e músicos. Claro que há uma diferença histórica na construção da música com a religião aqui e nos EUA, mas inspirar no gospel no americano não faria mal nenhum para os artistas tupiniquim. Ainda mais se for a lenda do R&B/soul/gospel Mavis Staples que lançou o maravilhoso One True Vine.

Para quem não conhece Mavis Staples, vamos ao uma rápida biografia: nascida em 1939 na Filadélfia, Mavis foi integrante do grupo de gospel/R&B The Staple Singers ao lado de seu pai e mais três irmãos. Formada em 1948 eles ficaram conhecidos na década de '70 com uma sequencia de hits como Respect Yourself e Let's Do It Again. Começou sua carreira solo paralelamente ao trabalho no grupo em 1969. Também desempenhou papel importante na luta pelos direitos civis. Seu legado é tão grande que nomes como Michael Jackson e Prince citaram ela como influência em suas carreiras. Aos 74 anos de idade, Mavis continua a provar seu talento e relevância com o lançamento do seu décimo quarto. One True Vine é defendido com uma paixão avassaladora aliado com uma experiência que só anos de carreira podem trazer. Sua voz não é a mesma que nos áureos tempos (como acontecer como qualquer artista), mas sua sabedoria em saber como usar ela é de uma genialidade ímpar e invejável. Além disso, Mavis ainda possui uma voz ainda poderosa, significativa e com um tom estupendo. A produção de Jeff Tweedy (líder da banda Wilco) é um dos trabalhas mais poderosos no ano até agora. Partindo da base que o gospel está no DNA de Mavis e o estilo é uma mistura, primordialmente, de soul e R&B, Jeff elabora uma coleção de arranjos grandiosos, sóbrios e tocantes com pitadas de uma atmosfera sombria que dá um tom de urgência nas mensagens passadas misturando-se à influências de blues e bluegrass. As composições são o que o bom gospel deve ser: não uma fonte de simples evangelização, mas de reflexão sobre a fé. Isso é feito de maneira magistral em letras acachapantes que podem fazer emocionar qualquer pessoa que deixar se abrir para essa experiência como na canção que abre o CD, a emocionante e forte Holy Ghost. Outros grande momentos do álbum ficam por conta da inspiradora What Are They Doing In Heaven Today? e a linda One True Vine. Mavis Staples dá uma aula em One True Vine não de apenas de como a religião deve se comunicar através da música, mas simplesmente de como fazer música de qualidade. Amém.

30 de julho de 2013

A Vida Cara Segundo Ocean

Super Rich Kids (feat. Earl Sweatshirt)
Frank Ocean


Falar da qualidade de qualquer faixa do álbum channel ORANGE do Frank Ocean é basicamente chover no molhado. Contudo, não há como fugir da "responsabilidade" de resenha uma obra tão poderosa como
Super Rich Kids.

Quinto single do álbum, a canção é uma critica avassaladora sobre o modo de vida dos "filhos das pessoas ricas". Usando um  humor ácido, honesto e de com um toque sombrio Frank consegue entregar uma composição de uma genialidade ímpar de sem comparações com o atual cenário musical. Uma versão moderna do Stevie Wonder. A simples e linear performance de Frank dá a atmosfera necessária para a canção soar deliberadamente uma critica bem contundente e poderosa: como um jovem rico que tem tudo, mas se entedia tão rapidamente com essas mesmas coisas e ainda sempre com um ar blasé. A participação inesperada do rapper Earl Sweatshirt ajuda a colocar a cereja em cima do bolo. Como a deliciosa cobertura de Super Rich Kids está a produção genial que pega sample das músicas Bennie And The Jets do Elton John e Real Love da Mary J. Blige para fazer um arranjo espetacular misturando uma base old school com sua visão do que é o R&B para ele. Simplesmente um clássico moderno.
nota: 10

29 de julho de 2013

Primeira Impressão

Ciara
Ciara

Redenção. Essa é a melhor palavra para definir a sensação que o quarto álbum da cantora Ciara fica após ser ouvido em sua totalidade. A cantora, que estourou com o álbum Goodies em 2004, era apontada como uma das maiores promessas do R&B e que aos poucos foi perdendo o brilho com lançamentos de álbuns cada vez menos inspirados e singles cada vez com menos impacto nas paradas. Depois do fiasco que foi o seu último CD (Basic Instinct de 2010), Ciara saiu da sua antiga gravadora (Jive Records) e foi para a Epic. Com a premissa de voltar a suas origens sonoras, Ciara voltou a trabalhar com seu antigo mentor L.A Reid e antigos colaboradores como Rodney Jerkins e Jasper Cameron. Contudo, ela não parou por aí já que foi agregada uma gama bem grande de novos produtores e com eles a antiga sonoridade dela foi remodelada e modernizada criando uma nova Ciara, mas com aquela áurea de grande promessa que tinha no começo da carreira entregando um álbum excepcional.

Ciara (nada mais justo que ser um CD homônimo) é o casamento perfeito da simples receita de uma produção caprichada com uma artista talentosa. Vou começar a tirar da frente o único comentário negativo que posso fazer em relação ao álbum: Ciara não tem aquela voz poderosa ou com recursos como várias contemporâneas e por algumas vezes falta "substância" em suas performances. Então é aqui que começa o trabalho primoroso da produção ao saber como utilizar e retirar o melhor da voz da Ciara construindo faixas que se encaixam muito bem com seu tom. E ela se aproveita disso e se deixa levar sem se preocupar em tentar soar diferente do que é realmente é. Um trunfo para o álbum que não para por aí. Se não chegam a ser as maiores obras poéticas as composições feitas para Ciara são os mais deliciosos deleites que se pode esperar de um álbum que mistura feminismo com sexualidade sem ficar vulgar ou ativista demais. Tudo bem interpretado por Ciara que achou o equilíbrio perfeito entre a cantora sexy e a mulher poderosa. O grande ponto alto do álbum é sem dúvida nenhuma a construção da sonoridade: como disse antes, Ciara voltou ao passado para resgatar aquela mistura de R&B, crunk, pop e hip hop e atualizá-la de uma maneira sensacional. Com uma coesão estupenda entre os vários produtores, o CD reconstrói a sonoridade de Ciara modernizando as influências, envernizando velhos sons e adicionando algumas novas e sensacionais camadas de novos sons que apenas agregam qualidade para o álbum. No fim estamos diante de um perfeito e contagiante álbum R&B/pop já começa com a sensacional I'm Out (resenha a seguir) que além de ser a melhor do álbum é a melhor canção da carreira da Ciara, uma das melhores do ano até agora e uma das participações mais inspiradas da Nicki Minaj. Só que o álbum continua em alta com outras pérolas como as sexies e com cadência hip hop Sophomore e Super Turnt Up e as divertidas e seguindo um caminho mais pop Livin' It Up (novamente com a a Nicki) e Overdose. Claro, o álbum deve ser apreciado como um todo. Por fim, seja muito bem vinda de volta Ciara ao lugar artístico que você sempre mereceu pena que o grande público não vai dar o valor que se deve.

A (R)Evolução da Ciara

I'm Out (feat. Nicki Minaj)
Ciara


Existem alguns momentos na carreira de um artista que são simplesmente divisores de água tão poderosos que tem a capacidade de mudar o rumo artístico de uma vez por todas. Esse é o caso do segundo single do álbum homônimo da Ciara a parceria com Nicki Minaj, I'm Out.

Não precisa de muito tempo de execução para perceber o quanto a canção I'm Out é uma obra simplesmente genial: logo depois da introdução, Nicki entrega um de seus versos mais poderoso, divertido e inspirado que ela já fez para outro artista seja na sua genial performance ou na composição sensacional. Felizmente, as qualidades da canção não se resumem a participação de Nicki. A produção faz um trabalho
magistral ao pegar a base da sonoridade de Ciara (um mistura de R&B urban com hip hop) desconstruindo para depois remodelar acrescentando um verniz completamente original seja na batida poderosa, na escolha de uma estrutura ousada para a canção e na inclusão de elementos pop. Ciara encara perfeitamente o papel de diva/feminista pop ao cantar a super divertida composição falando sobre como ela encara um fim de um relacionamento sendo um trabalho bem elaborado, com ótimas passagens e um refrão perfeito. Só espero que a Ciara continue nesse nível para os próximos trabalhos, pois com I'm Out ela colocou sua carreira em outro patamar.
nota: 8,5

Semana R&B

27 de julho de 2013

Primeira Impressão

Long Way Down
Tom Odell


Nem sempre um novo artista ganha o "colo" da critica com o lançamento do seu álbum debut mesmo depois das boas perspectivas que recebeu quando foi descoberto. Esse é o caso do jovem inglês Tom Odell e seu álbum Long Way Down.

Escolhido vencedor do prestigiado BRITs' Critics' Choice Award no começo do ano que já foi dado para nomes como Emeli Sandé, Adele e Florence and the Machine, Tom lançou seu primeiro álbum no final do mês passado que foi recebido de maneira morna para fria. Tanto que a revista NNE deu um 0 o que levou o pai do cantor reclamar para a revista. Ok, nem é para tanto, mas Long Way Down é realmente uma decepção. Seguindo uma linha indie folk/pop, Tom (também produtor do álbum) consegue até criar uma sonoridade coesa e com uma boa instrumentalização. Porém, ainda é nítida a falta de experiência dele principalmente no momento em que sentimos a falta de uma maior profundidade emocional na construção das faixas que ficam soando frias e apagadas. A voz de Tom é bem interessante, mas ainda não sabe exatamente coloca-la para extrair o melhor. Há alguns momentos que ele dá uma "amostra" como na bonita Sense. O principal defeito do álbum são as suas composições: Tom escreve como se fosse uma versão indie do Justin Bieber, mas com a intenção de parecer um artista muito experiente e genial. Falta mais do que técnica para Tom: falta inteligência emocional. Claro, é muito fácil de ver que ele é dono de um talento único que precisa ser propriamente cuidado para não ficar apenas na promessa.

26 de julho de 2013

Para Uma Nova Geração de Teenagers Fans

Carry You
Union J


Em um mercado que cada vez mais rápido se renova com uma facilidade igual a de mudar de uma música para outra no iPod não é de se estranhar que quem está no alto hoje, amanhã será substituído por outro (s). Em especial, isso acontece no mercado voltado para o publico teen. Vejamos o caso da boy band One Direction: por enquanto eles estão no topo do delírio infantojuvenil, mas até quando? Pois já tem boy bands querendo o mesmo espaço deles e já tem até o mesmo background. Estou falando da banda Union J.

Para quem não conhece eles aqui está um link que eu escrevi sobre eles, mas resumidamente: o Union J é uma boy band de jovens ingleses descobertos no The X Factor UK que não venceram só que conseguiram
um contrato após a participação deles no reality. Assim como o One Direction (a única diferença é que um dos integrantes é se assumiu gay!). O primeiro single da carreira deles, Carry On que ficou em 6° da parada inglesa, é o teste para saber se eles estão prontos para "invadir" o mercado. O resultado: sim na visão comercial já que pelo artístico ainda falta muito. A canção é um pop dance teen bem batido que não acrescenta nada de novo ou ao mesmo original para o estilo fazendo uma versão do que qualquer boy band faz. Contudo, o grande diferencial da banda é que os quatro integrantes têm vozes distintas e dois deles (Jaymi e Josh) são realmente bons cantores como se mostraram durante o TXF. Espero que eles possam receber uma produção melhor e composições mais refinadas para mostrar o talento deles. Quem sabe eles não podem ser a evolução das boy bands?
nota: 5

25 de julho de 2013

Essa é "A Voz"?

Wasting All These Tears
Cassadee Pope


Quando eu vejo o American Idol acredito que ele vai lançar um ídolo americano. Quando eu vejo o The X Factor eu acredito que ele vai lançar um artista que tenha o fator x seja qual for. Se eu vejo o The Voice eu acredito que o(a) cantor(a) tenha a "A" voz. Infelizmente, não é isso que acontece. Vejamos o caso desse último: já na sua quarta edição até agora o The Voice nos Estados Unidos não revelou nenhum ganhador que tenha realmente o que se espera de "A" voz. Esse é o caso da vencedora da terceira edição do programa, a cantora Cassadee Pope.

Pupila do Blake Shelton Cassadee a jovem conseguiu uma popularidade gigantesca especialmente por um motivo: ela é extremamente comercial. Jovem, bonita, carismática e canta bem, mas se não fosse pelo programa ela continuaria apenas com uma mais uma cantora na multidão. E, claro, devido uma bem pensada jornada dela no programa. Como primeiro single da sua carreira pós-The Voice foi lançada a canção Wasting All These Tears.

Seguindo a linha pop country, a canção passa longe de uma canção que tem a alcunha de "A Voz". Também não é ruim. É apenas meia boca. A canção parecer uma versão não tão pop, mas não querendo ser tão country do que faz a Taylor Swift: balada de coração quebrado com altas doses de feminismo. Para Cassadee foi escrita uma composição um pouco mais adulta, mas não menos chatinha. Assim também é o arranjo manjado e sem nenhuma novidade. Apenas é bem feitinho. O melhor da canção sãos os vocais de Cassadee: ela consegue dar certa personalidade, mas falta muito para que sua voz apenas um pouquinho acima da média seja uma verdadeira voz merecedora de vencer o The Voice. E isso, pois eu nem falei da última vencedora que fica para outro post...
nota: 6

24 de julho de 2013

Country Gay

All-American Boy
Steve Grand


Eu já falei aqui sobre o quanto o mercado hip hop é machista e homofóbico. Também falei da importância da "saída" do armário do Franck Ocean, mesmo não sendo um artista naturalmente do hip hop, ele está inserido nesse mundo "da cabeça aos pés". Contudo, nunca toquei no assunto em relação ao mundo country. A música que domina o interior dos Estados Unidos sempre foi rodeada de estereótipos machistas. O principal dele é que é feito por "cowboys machões" para "cowboys machões". Claro, ao longo das décadas isso vem mudando um pouco com nomes como Dolly Parton, Dixie Chicks, Miranda Lambert e até mesmo a Taylor Swift, entre outras. Essas cantoras com suas canções com teor feminista abriram e abrem espaço para as mulheres expressarem suas ideias e personalidade derrubando velhos estigmas. Só que ainda paira uma grande nuvem sobre o country que "tampa" uma questão: não existe "gay" no country? Sim, existe como "provou" O Segredo de Brokeback Mountain. Então, onde eles estão? Não sei exatamente onde eles se escondem, mas ao menos um deles conseguiu sair da escuridão e ganhar destaque nos últimos tempos.


Steve Grand tem 23 anos é sarado, lindo, canta bem. Sem ainda ter sido contratado por uma gravadora, ele produziu do próprio bolso seu primeiro vídeo para a canção All-American Boy e lançou no YouTube. Em poucos dias ela se tornou viral alcançando mais de 1,5 milhões de visualizações. E qual é o grande motivo para esse sucesso tão rápido? Simples: Steve é gay e fez uma música e vídeo sobre isso. Claro, só por isso já chamaria a atenção, mas Steve é um cantor country e já considerado o primeiro homem assumidamente gay do estilo. Um grande passo para estilo e outra vitória para a causa gay sem dúvida nenhuma, mas o melhor disso tudo é que All-American Boy é uma ótima canção. Começa pelo fato que não importa quem ou para quem a canção foi feita, All-American Boy é uma canção muito bem produzida seguindo um estilo country pop rock atual, mas não descartável. A ótima produção acerta no tom da canção com toda sua grandiosidade romântica perfeita sem parecer estereotipada, mas sabendo dosar a parte radiofônica perfeitamente. Steve é um cantor bem interessante já que sua voz não tem um tom exatamente tradicional country e tem um alcance bem maior que a maioria dos cantores do estilo. Em All-American Boy, Steve tem um desempenho poderoso, convivente e cativante. A boa composição é explicitamente homoafetiva e não tem medo disso falando de um amor entre o narrador e um amigo:

He smiles, his arms around her
But his eyes are holdin me, just a captive to his wonder, ohh
I say we go this road tonight

Corajosa e muito bem feitinha do começo ao fim. Só espero que esse seja o começo de um novo caminho para o country e também para o Steve que parece ter bastante talento.
nota: 8,5

23 de julho de 2013

Primeira Impressão

London With the Lights On
Stooshe


Mesmo não sendo exatamente uma novidade de "primeira mão" a girl band inglesa Stooshe está aqui porque elas lançaram o primeiro álbum da carreira do grupo. London With the Lights On não é exatamente o melhor trabalho do ano até aqui, mas sem dúvidas nenhuma é o mais divertido.

O grande diferencial do trio formado por Karis, Alexandra e Courtney das demais girls bands inglesas é que o Stooshe tem uma sonoridade completamente calcada no soul music americano com forte influência da Motown. Isso é facilmente percebido durante todas as dezenove canções que fazem parte do álbum (14 na versão normal e mais 5 na versão deluxe) produzidas principalmente pelo produtor Future Cut. Elas vão da clara alusão as The Supremes passando pelo soul music dos anos noventa até chegando ao R&B contemporâneo. A boa produção acerta ao dar uma cara coesa e direta para London With the Lights On mesmo caindo em certa massificação das músicas em busca de dar um verniz comercial e radiofônico. Nada que atrapalhe muito o resulto final, apesar de que certas faixas soam um pouco irregulares. A quantidade de canções é um problema no âmbito que o álbum se torna arrastado na sua duração. As composições são bem legais, algumas são bem acima da média, outras são apenas na médias e algumas faltou um pouco de inspiração para não parecer apenas um "enche álbum". O ponto forte de London With the Lights On é o próprio Stooshe: as três cantoras são, em suas singularidades, ótimas cantoras que conseguem unir suas vozes de maneira perfeita construindo uma cara para o grupo sem perde a suas personalidades. As melhores músicas de London With the Lights On são as mais divertidas como a deliciosa Slip (resenha a seguir), a bonita Black Heart, a com toques de reggae My Man Music, Inbred City e sua blue vibe, a sexy Whatta Man e, por fim, a hilária Here Comes the Hotstepper. Stooshe não entregou um álbum genial, mas é tão empolgante e diferente do que se está ouvindo que consegue conquistar mesmo com seus defeitos.

Girls Just Wanna to Have Fun

Slip
Stooshe


O terceiro single do debut álbum London With the Lights On da girl band Stooshe, Slip é a definição perfeita da atmosfera que o grupo passa: pura diversão com uma capa de soul old school.

A canção é uma clara e deliciosa repaginação do som da Motown em especial da primeira grande girl band, as The Supremes. Tanto que, mesmo sem eu encontrar nenhuma referencia, a canção tem sample da canção Stop! In the Name of Love o que deixa a música ainda mais legal. Os vocais do trio estão "on fire" conseguindo passar a vibe da época sem se perder e ainda passar a personalidade do grupo. A composição é um trabalho contagiante e bem elaborado para parecer datado, mas na verdade é bem moderninho e cheio de influências novas e velhas. Não há como não ficar viciado na canção ainda mais um arranjo perfeitamente viciante que faz com quem ouve queria fazer dancinhas coreografadas e cantar bem alto. Sem muitas pretensões a canção faz o que as garotas do Stooshe se propõem: se divertirem.
nota: 8

22 de julho de 2013

Os Novos Biebers

Animal (feat. Wiley)
Conor Maynard

What About Love
Austin Mahone


Acho que é mais que evidente que a carreira de Justin Bieber está, digamos, despirocando de vez com suas atitudes cada vez distante da conduta de que um ídolo teen dever e convenhamos está bem longe do que podemos chamar de normal e sã. Caso continue assim a sua carreira está cada vez indo para um caminho apenas: o poço. Pensando nisso, escolhi dois novos cantores que estão "na fila" para pegar o posto de Bieber assim que sua derrocada acontecer.

O jovem inglês Conor Maynard de 20 anos lançou seu primeiro álbum, Contrast, no meio do ano passado e desde então conseguiu por os quatro singles lançados no top 10 da parada inglesa. O último dele foi a canção Animal.

A canção consegue se destaca pela curiosa produção que pega um caminho bem longe do pop teen que poderia se esperar. Misturando hip hop com um pop mais adulto a produção consegue dá uma cara diferente e até em certo ponto original para Conor o fazendo parecer um produto bem mais acabado do que seus "rivais". Vocalmente, o cantor é restrito e não tem grandes habilidades vocais, só que ele consegue se adaptar ao tom da canção sem maiores problemas. O ponto fraco é a composição que mesmo sendo mais adulta e sensual que o costume para ídolos teens em começo de carreira erra com o fraco e chato refrão e na presença do rapper Wiley (na versão single) que repete sua parte nas duas vezes que aparece.

Bem menos interessante está uma cópia de verdade de Bieber, o cantor Austin Mahone. Com apenas 17 anos, ele está começando a ganhar fama com um público teen mesmo sem ainda ter um sucesso de verdade. A canção com maior desempenho comercial é a fraquíssima What About Love.

A pior produção de RedOne, What About Love é um amontoado de clichês que fica difícil ver qualquer talento na presença do sem gracinha Austin. O arranjo é um pop teen chatinho, repetitivo e que parece uma b-side de algum CD do próprio Bieber assim com a composição feita para agradar meninas de 12-17 anos com os hormônios a flor da pele pensando que a canção foi feita para ela. A voz de Austin nada mais é de
que de um adolescente em formação que deve ser ao menos afinada, mas nunca se sabe já que hoje existe tantos recursos para modelar a voz que fica difícil dizer. E adivinha quem tem mais chances de ocupar o espaço de Bieber?
nota
Animal: 6
What About Love: 3

Semana New Faces


20 de julho de 2013

Tipo Exportação Parte 2

Shine It On
Wanessa


Todos sabem que a Wanessa, ex-Camargo, já faz tempo está apostando alto em se transforma em uma diva
pop. Mesmo com algumas restrições, ela até está conseguindo bons resultados dentro do que ela está se propondo fazer. Esse é o caso de Shine It On, single do álbum DNA Tour.

Vamos aos fatos: Shine It On não é uma música original ou genial. O grande trunfo da canção é não ser uma versão baixa qualidade de um produto gringo, mas uma produto que poderia ter sido gravado por muito artistas internacionais. Claro, um produto mediano, mas com cara própria. Shine It On pega dezenas de influências do pop atual para construir uma música batida, mas legal e dançante. Uma composição bem legalzinha faz com que a boa performance vocal de Wanessa perca um pouco da força, mas muitos não vão saber do que se trata por ser em inglês ficam elas por elas. Agora, uma dica para Wanessa se tornar essa diva pop que ela está almejando tanto: faz um featuring com o Pitbull.
nota: 6,5

19 de julho de 2013

Primeira Impressão

Anitta
Anitta

A nova sensação do mercado mainstream musical é a cantora Anitta. Com o sucesso da canção Show das Poderosas (resenha a seguir), a jovem que começou como cantora de funk da companhia Furacão 2000, se viu em um dilema: com apenas algumas músicas lançadas, como conseguir prolongar o sucesso? A resposta foi até simples: lançar o seu primeiro álbum. Contudo, o homônimo Anitta sofre de um problema que posso definir como: apressado come cru.

Na pressa de apresentar algo para aproveitar o embalo do boom do sucesso fez com que o álbum debut soe, bem, sendo bem direto, apressado. A produção pegou as músicas já prontas (algumas foram modificadas na sua instrumentalização) e,para fazer um álbum inteiro, fez nas coxas as outras músicas. Fugindo do rótulo de funkeira (é assim que escreve?), a produção aposta em um crossover de pop chiclete, reggae e uma intenção de ser a Beyoncé brasileira, mas que acaba esbarrando na Kelly Key. Mesmo sendo tão bobinho e fútil que até diverte, o álbum peca por não dá para Anitta uma personalidade a fazendo atirar para todos os lados sem acertar de verdade em nenhum. Anitta tem uma voz "pequena" e sem muitas nuances, mas que funciona em certos momentos quando ela faz a "gatinha". Outra prova que o álbum foi feito as pressas é que em várias faixas a voz dela não parece se encaixar na música. Faltou uma bela produção vocal. Também é nítido a pressa nas composições que pecam pela repetição de assuntos (o feminismo de butique com a sensualidade de dançarina de funk) e a construção sem criatividade e com "erros" de português que foram usados para tentar dar um "linguajar" para a cantora. Todo fica bem óbvio nas faixas Proposta, Som do Coração e Eu Vou Ficar. Desnecessárias e com produção bem ruinzinha. Por outro lado há momentos realmente divertidos e que são até interessantes como a já citada Show das Poderosas, a legal Meiga e Abusada, a divertida Cachorro Eu Tenho em Casa e Fica Só Olhando que ganha pela sensacional frase "Não jogue ideia pra mim/ Beijo tu manda pra Xuxa". Agora é esperar para ver se Anitta vai vingar e se fixar definitivamente ou vai ser apenas um "meteoro".

A Princesa do Pop Brasileiro?

Show das Poderosas
Anitta

Todas as grandes cantoras pop tem aquela canção que mesmo não sendo o grande sucesso da carreira é o momento que elas se revelaram para o sucesso. Britney tem ...Baby One More Time, Aguilera tem Genie In a Bottle, Beyoncé tem Crazy in Love, GaGa tem Just Dance. E a Anitta tem Show das Poderosas mesmo se ainda não sabemos se ela vai "vingar".


Show das Poderosas é um das mais deliciosas futilidades já lançadas nos últimos anos. Seguindo a linha mais funk, Anitta faz uma canção extremamente viciante, divertida e sem muita pretensão falando sobre como "jogar deboche" na cara das invejosas. O que falar da composição que mesmo com certas estranhas escolhas "poéticas" é um ótimo exemplo de o que é ser pop no Brasil. Dominando a canção mais pelo carisma do que pela voz, Anitta colocou o primeiro tijolo na construção da sua carreira que pode resultar na sua transformação de "a princesa do pop brasileiro". Só o tempo dirá.
nota: 6,5

18 de julho de 2013

O Novo Hip Hop Nacional

Vagalumes (part. Ivo Mozart)
Pollo


O hip hop nacional nunca chegou a romper de verdade o grande mainstream. Nomes como Racionais
MC's, Thaíde, MV Bill, Planet Hemp e, mas recentemente, o Emicida conseguiram bons resultados dentro de suas restrições, mas nenhum como fez o Marcelo D2 que conseguiu unir a música popular com o rap/hip hop para atingir o grande público. Com a evolução do mercado e as transformações no estilo do publico consumidor estamos diante de uma nova geração de artistas que podem fazer a transição entre esses dois mundos mais facilmente. Um bom exemplo é o grupo Pollo. O principal sucesso deles é a surpreendente Vagalumes.

A canção é um bom pop nacional/hip hop que se não é a música mais original é ao menos um trabalho bem feito. A letra romântica que não brinca com a mentalidade de quem ouve e consegue tirar boas sacadas é o ponto alto de Vagalumes assim como o refrão bem executado. Comercial, mas não dispensável a canção mostra o talento do trio, principalmente dos rappers Tomim e AdR que conseguem mostrar saber como fazer algo na linha rap pop sem perder personalidade. Espero que seja apenas o começo de uma nova geração com algum talento de verdade.
nota: 7

17 de julho de 2013

Faixa por Faixa - Grandes Álbuns

CD: Tribalistas
Artista: Tribalistas
Gênero: Pop, Rock, Samba, MPB
Vendagem: Cerca de 2 milhões de cópias   
Singles:  Já Sei Namorar (1° Brasil), Velha Infância (1° Brasil) e É Você (8° Brasil).

Grammy Latino
Vitórias

2003
Melhor Álbum Pop Contemporâneo Brasileiro

Indicações
2003
Gravação do Ano e Melhor Canção Brasileira (Já Sei Namorar)
Álbum do Ano

Ano: 2002

16 de julho de 2013

Tipo Exportação Parte 1

My Favorite Girl
P9 

Deveria existir uma regra para que quando o nível de vergonha alheia chegasse a um ponto de calamidade pública as populações nas cidades deveriam ser evacuadas para um lugar seguro. Só assim podemos escapar de uma atrocidade como My Favorite Girl da boy banda P9.

A cópia, muito mal feita, do One Direction é uma das coisas mais vergonhosas que eu já vim em muito tempo. Olha, que estamos falando do país de Bonde do Tigrão e Vinny, mexe a cadeira. Como vocês podem ter percebido a canção de trabalho deles é inglês visando o mercado internacional. Só que se esqueceram de avisar para não deixar o Joel Santana escrever a ridícula composição que parece ter tido a ajuda do Google Tradutor. Em anos de blog já posso considerar My Favorite Girl tem a pior composição de todos os tempos. A tentativa de fazer um pop teen/dance acaba criando uma quase aberração musical de tão pobre que é o arranjo. Se não bastasse isso temos quatro jovens que conseguem serem menos aptos para serem cantores que a maioria das boys band da atualidade. Se for para enviar isso como exportação é melhor ficarmos com Ai, Se Eu Te Pego. Pelo menos passamos vergonha em nossa língua mesmo.
nota: 1

15 de julho de 2013

Primeira Impressão

#AC
Ana Carolina

Para quem já viu um show da Ana Carolina, assim como eu, comprova que a cantora é uma das melhores artistas da atualidade no Brasil. Carismática, cercada de ótimos músicos e com um repertório afiado com seus maiores sucesso é difícil não se render ao talento de Ana. Contudo, mesmo já tendo entregado música sensacionais, Ana ainda não fez "O" álbum que ela pode fazer e o público merece. Dito isso, ainda não foi dessa vez que Ana conseguiu esse feito com o lançamento do irregular #AC, o sexto álbum da carreira dela.


#AC não é um trabalho ruim, mas é um álbum bem aquém do que ela já fez. É como se dos 100% que ela poderia render, Ana só mostra uns 55%. Aquela sonoridade dela (uma espécie de MPB romântica/dramática) está bastante diluída com mistura de samba, pop e até música latina. Não que seja ruim, mas ela ainda não encontrou o equilíbrio certo entre essa mistura e a sua própria personalidade e, provavelmente, com medo de não exagerar tirou a mão deixando a maioria das faixas sem a pegada necessária para brilhar realmente. Claro, tudo tecnicamente perfeito e não poderia ser de outra maneira. Até mesmo a própria está bem mais contida do que se pode esperar em boas performances, mas que algumas pecam pela falta de mais intensidade. Tentando parecer atual e "antenada", a compositora Ana tenta a todo custo fazer música com elementos "modernosos" como na bobinha Pelo iPhone. Nada contra, mas algo não soa natural. O pior momento do álbum é Resposta da Rita que poderia ser uma música fantástica com a presença de Chico Buarque, mas que acaba usando a participação do cantor da pior maneira possível em canção bem mediana. Na outra ponta está a simples e linda Luz Acesa onde Ana brilha apenas com um violão, um piano e sua voz. Como a Ana ainda tem muito crédito, #AC fica apenas com uma obra menor na carreira dela. Quem sabe da próxima vez ela não acerta?

Mais Uma Trilha

Combustível
Ana Carolina

Um dos principais veículos de divulgação para a grande massa foi, ainda é e vai ser por muito tempo a novela, em especial as da Rede Globo e mais em especial as das 9. E a Ana Carolina sempre conseguiu alcançar essa plataforma da melhor maneira possível. Com o lançamento do álbum #AC não seria diferente.

Combustível, trilha do casal César (Fagundão) e a secretária piranha Aline (Vanessa Giácomo), é um dos momentos legais do recém lançado álbum da Ana. Mesmo que sua personalidade esteja mais "restrita", a canção mostra que ainda consegue fazer uma bela canção de amor. A composição é leve, bonitinha e combina com a produção despretensiosa e delicada. Tudo bem embalado pela voz de Ana em uma performance correta. Perfeita para uma trilha de novela.
nota: 7,5

Semana Nacional

Depois de muito tempos resolvi voltar com esse especial! Então, essa semana será dedicada apenas para o produto do mercado "pop" nacional! Então, PRE PA RA que está na hora da....
Semana Nacional

13 de julho de 2013

Primeira Impressão

Love Lust Faith + Dream
30 Seconds to Mars

A melhor definição para o álbum Love Lust Faith + Dream do 30 Seconds to Mars é: um grande e belo vazio. Explicando: o quarto álbum da banda liderada pelo cantor/ator Jared Leto é como se fosse uma caixa de papelão vazia embrulhada no mais belo dos papeis de presente: lindo por fora, mas sem nada dentro. Começa pela sonoridade construida no álbum: embora tenham feito um trabalho excepcional de instrumentalização, o grupo construiu uma colcha de retalhos enorme misturando U2, Muse, Coldplay, entres outros com toques de rock eletrônico e pop rock que acaba resultando em um álbum sem personalidade real, pretensioso demais e tentando ser grandioso esbarra no espalhafatoso e esquizofrênico. E, para piorar, com a duração das maioria da canções quase ou batendo a casa dos cinco minutos, Love Lust Faith + Dream se torna um trabalho arrastado e extremamente chato. Assim também é a performance vocal de Jare Leto, que mesmo sem exagerar em gritos, faz um trabalho monótono, sem inspiração e que soa bastante burocrático. Só que o pior de tudo são as composições pseudointelectuais que são apenas trabalhos de homens de 40 anos que só agora podem colocar para fora sentimentos de quando eram adolescentes, mas que nãos e esquecem que devem fazer de uma maneira cool/indie/cabeça por causa do fãs. Resumindo: chato para chuchu e completamente dispensável. 

Uma Música Cheia de Vazio

Up In The Air
30 Seconds to Mars


Primeiro single de Love Lust Faith + Dreams do 30 Seconds to Mars, a canção Up In The Air é a tradução perfeita do que é o álbum da banda.

Bem produzida, Up In The Air é um grande balão vermelho: lindo por fora, vazio por dentro. A composição
é de uma falsa impressão de ser sobre a mais urgente inquietação da humanidade, mas é um grande amontoado de pretensões sem nenhuma base sólida. A sonoridade rock alternativo com toques de eletrônico é apenas grandiosamente chata e não convence a querer ouvir mais. A performance de Jared é mediana deveria ter mais personalidade, mas esbarra na falta de originalidade que o a música já traz e não tem muito mais a oferecer. Tudo muito bem feito, mas faltou colocar o "recheio".
nota: 4

12 de julho de 2013

O Cara Que Quase Esteve do Outro Lado

The Other Side
Jason Derulo

Vocês sabiam que o cantor Jason Derulo quase morreu após uma queda em um ensaio para sua turnê aonde lesionou o pescoço? E isso foi em Janeiro de 2012? Não? Nem eu, mas agora ele está bem e lançou a canção The Other Side que conseguiu chegar na segunda posição da parada na Inglaterra.

A canção é nada mais que dance pop meia boca que não chega a ser uma bomba, mas também não empolga em nenhum momento. Feito especialmente para a namorada Jordin Sparks (também não sabia!) a canção tem uma letra romântica boba que tem o ponto alto no refrão com a frase: "Sparks fly like the fourth of july". A performance de Jeson é na medida para a canção sem acrescentar nada, apenas reaquecendo o "prato feito". Só que para quem esteve quase do outro lado, literalmente, está de bom tamanho!
nota: 5

11 de julho de 2013

Loreenização

We Got the Power
Loreen

Quinto single e produzido especialmente para a nova versão do álbum Heal a canção We Got the Power da cantora Loreen mostra que algum do lado "americano da música" descobriu potencial na cantora. Isso é bom pelo lado que o talento da cantora poderá ser conhecido por muito mais pessoas, mas também é ruim já que ela pode perder personalidade nesse processo.

We Got the Power não é exatamente uma canção ruim, pelo contrario, é uma boa canção pop. Contudo, a canção erra em delimitar Loreen em uma canção tão certinha e careta. O single, produzido por Patrik Berger que tem no currículo Dancing on My Own da Robyn, condensa o estilo da cantora em uma canção bem feita que se mostra ao menos diferente na sua estrutura, mas que poderia ser muito mais interessante se tivesse dado a chance para ela brilhar vocalmente e não apenas fazer um trabalho ok. Mesmo assim, a composição é até legalzinha e até tem uma pitada da personalidade de Lorren. Só espero, que se aconteça mesmo, a transformação de Loreen em um produto "mundial" seja de maneira tranquila e que nãos e perca nada do ela tem de bom.
nota: 6,5

10 de julho de 2013

Bem Mais Que La, La, La

La La La (feat. Sam Smith)
Naughty Boy

O primeiro álbum do produtor/músico Naughty Boy, Hotel Cabana, vai começando a ganhar força e vai se mostrando um possível grande trabalho de 2013. Depois da ótima Wonder, ele lançou a surpreendente La La La que alcançou o primeiro lugar na parada inglesa.

La La La segue a linha das produções de Naughty Boy: soul music refinado com influências de outros estilos. Aqui não é diferente com a elaboração de um interessante e singelo arranjo que mistura com breakbeat e um pouco de rock. Sem muita pretensão, mas consegue conquistar. A composição é um sopro de vitalidade e originalidade ao criticar o fanatismo religioso de maneira sutil, mas bastante contundente e profundo. Mesmo sendo um pouco conservador a performance do desconhecido Sam Smith é bem segura e passa o tom necessário da canção. Um titulo feito apenas para iludir já que a canção é bem mais interessante que se imagina.
nota: 7,5

9 de julho de 2013

Primeira Impressão

Better
Chrisette Michele

Chegamos ao meio do ano e já podemos tirar uma conclusão dos nesses que se passaram: a "maré" foi boa para as cantoras R&B. Além do sucesso de Emeli Sandé com o álbum debut dela do ano passado, tivemos Alicia Keys, Fantasia, Laura Mvula, Kelly Rowland, Cassie e Solange entregando bons ou ótimos álbuns. Só que a cereja em cima do bolo foi colocada pela cantora Chrisette Michele e o seu quarto álbum, o sensacional Better.

Centrado em uma sonoridade que ao mesmo tempo consegue unir a old school com uma visão moderna, Better encontra nas performances de Chrisette uma cantora elegante, sincera, inspirada, versátil e totalmente consciente de seu papel de cantora/interprete a base perfeita para construir um álbum magistral. A espinha dorsal do álbum são as nuances que o R&B/soul musica pode oferecer. Desde os primeiros acordes da primeira canção somos introduzidos a praticamente toda a sonoridade do álbum, mas com o trabalho de uma produção impecável que conseguem dar pequenos e importantes toques que vai alterando a musicalidade de cada faixa sem perder o rumo. Sem contar o trabalho espetacular de instrumentalização que agrega bastante substancia e personalidade para o álbum. Mesmo com certa variedade, Better é uma carta aberta sobre o amor e suas vertentes que consegue ser sóbria, mas sem perder o romantismo. Delicada, sem perder a força. Moderna, sem perder suas origens. Dramática, sem ser clichê ou exagerada. Podemos ver tudo isso na acachapante You Mean That Much to Me, aonde Chrisette entrega uma performance calcada em um vocal contido para conseguir transmitir uma explosão de sentimentos emocionantes. Não bastante, ainda tem a linda A Couple of Forevers, a homônima e incrível Better, a surpreendente Supa, a simples e poderosa Get Through the Night e a sexy/divertida I'm Still Fly. Isso porque essa são apenas as melhores das melhores já que todo o álbum é imperdível. Vai ser um pouco difícil alguém fazer algo melhor que Chrisette Michele esse ano, principalmente no campo soul music, mas não se espante em breve eu falar que alguém conseguiu essa proeza. E, isso, não vai ser ruim de maneira nenhuma.

8 de julho de 2013

Uma Segunda Chance Para "Not Myself Tonight"

Not Myself Tonight
Christina Aguilera


Mais um ano, mais uma safra de músicas que vão ser reanalisadas. Começo com um dos singles mais falados do ano de 2010, Not Myself Tonight da Aguilera.

Era o grande retorno de Christina Aguilera depois de um hiato de mais de quatro anos e se criou uma grande expectativa em torno já que ela voltaria em um cenário totalmente diferente do que ela tinha deixado após o lançamento de Back to Basics. A espera terminou com o lançamento de Not Myself Tonight em Abril.

A canção em nada acrescentou na carreira dela. Em um mar repleto de tanto eletrpop, Not Myself Tonight era mais do mesmo com algumas coisas diferentes. Começa pelo fato que a canção é simplesmente tão despretensiosa e superficial que se torna monumentalmente divertida. A produção de Polow da Don é bem massificada em relação a sonoridade apresentada não passado do bom arroz com feijão do eletropop pós-Lady Gaga, mas algumas ideias dão um verniz diferente com a introdução de instrumentos incomuns e uma finalização mais orgânica com uma parte final apenas instrumental. Sem uma composição realmente interessante já que repete o tema "festejar" com acessórios novos, cabe a Aguilera colocar toda a personalidade na música com seus vocais potentes que injetam certa novidade. Contudo, todos sabem que mesmo com uma boa construção, a canção foi o começo da fase "flopada" que a cantora sofre até hoje. Uma peninha.
nota original: 7,5
nota atual: 7

Resultado Final: Mesmo sendo um erro comercialmente falando, a canção é bem legalzinha.
Resenha Original

6 de julho de 2013

Disco Funk Mars

Treasure
Bruno Mars

A substituta do sucesso When I Was Your Man é a simpática Treasure onde Bruno Mars volta aos anos setenta para entregar uma canção redondinha.

Treasure é uma deliciosa mistura de disco com funk music resultando em uma música descompromissada, divertida e dançante. A boa produção acerta no tom leve e sexy e na ótima produção instrumental que saúda uma época importante para a soul music, mas não a deixa com "cara" de datada. Composição na medida para Bruno fazer um trabalho exemplar que poderia até ser mais poderoso, mas dentro do que a música oferece ficou de bom tamanho. Uma boa música.
nota: 7,5

4 de julho de 2013

Primeira Impressão

The Great Gatsby (Music from Baz Luhrmann's Film)
Various Artists






Produzir uma trilha sonora de um filme é muito difícil. E nem estou me referindo a trilha chamada incidental que é aquela que só tem instrumentos. Estou me referindo a escolha das músicas de "verdades" que vão fazer parte da construção do filme. Muitos filmes ficam presos à apenas uma canção como tema principal como na franquia do 007, mas alguns montam uma "coleção" de músicas para montar uma linha que caminha junto com o filme. Um dos principais diretos que conseguiu unir a música pop (no aspecto mais abrangente possível) é o australiano Baz Luhrmann que fez isso nos filmes Vem Dançar Comigo de 1992 e a reinvenção de Romeo + Julieta de 1996. Em 2001, ele alcançou um novo status quando fez Moulin Rouge misturando e transformando músicas contemporâneas (que vão de U2 e David Bowie até Madonna e Elton John) em um musical inovador e surpreendente revitalizando o gênero deixando de lado no cinema. Esse ano, ele lançou a adaptação do clássico da literatura americana O Grande Gatsby e para dar a sua cara para a trilha do filme ele contou com a ajuda de Jay-Z como produtor executivo e uma seleção de nomes bem impressionante que fazem um álbum bom, mas que poderia ter rendido muito mais.

The Great Gatsby (Music from Baz Luhrmann's Film) segue a mesma linha do filme: uma atmosfera com influência dos anos, mas com uma visão moderna e dark. Muitas regravações e algumas canções inéditas fazem parte do álbum que tem nomes como o próprio Jay-Z, Beyoncé, André 3000, Lana Del Rey, Jack White, Emeli Sandé, Florence + The Machine, entre outros. Eles dão uma cara pop/indie/hip hop/pop legal para a trilha, mas que falha ao criar algo coeso do começo ao fim sem perder o foco ou a qualidade. Entre altos e baixos, o maior destaque do álbum é a inédita Over the Love do Florence + The Machine. Uma canção acachapante interpretada por uma Florence em estado de graça. A regravação de Back To Black por André 3000 e a Beyoncé é bem legal mesmo reformulando a música inteira assim com a versão "big band" de Sandé para a canção da Bey, Crazy In Love. Enquanto isso, Jack White manda muito bem na versão de Love Is Blindness do U2 e Lana Del Rey está ótima na inédita Young and Beautiful (resenha a seguir). Já Will.i.Am não faz jus estar no álbum com a boba Bang Bang, Sia decepciona com a chata Kill and Run e a escolha da canção do Gotye, Heart's a Mess, não ajuda em nada. As outras canções em sua maioria de artistas menores e quase desconhecidos parece estarem ali apenas para rechear o álbum. Mesmo assim é sempre bom ver artistas que conseguem pensar além do que se espera.

Uma Lana Para Vender

Young and Beautiful
Lana Del Rey

Quem diria que o maior sucesso comercial nos Estados Unidos da Lana Del Rey seria uma canção gravada
para a soundtrack do filme O Grande Gatsby? Contudo, Young and Beautiful tem "motivos" para ter alcançado a 22° posição e pode apontar uma possível nova direção para ela.

A canção tem como produtor o experiente Rick Nowels que já trabalhou com nomes desde Madonna passando por Dido e até Stevie Nicks. Dele a canção ganhou uma cara bem mais comercial e radiofônica que todas as canções anteriores da cantora. Só que não descaracterizou o que Lana tem de melhor que é essa atmosfera dark cool. A dosagem certa entre os dois aspectos faz de Young and Beautiful uma canção contida, deliciosa e que se encaixa perfeitamente na voz melancólica de Lana. Menos apoteótica, o arranjo é bem feito e passa o sentimento agridoce sem pesar na mão. Um trabalho que pode orientar os novos rumos da carreira da Lana, que seria bem vindo, mas com o mesmo cuidado dispensado em Young and Beautiful.
nota: 8

3 de julho de 2013

Primeira Impressão

Authentic
LL Cool J

 Em um ano com grandes comebacks de grandes artistas como David Bowie e Justin Timberlake, por exemplo, um outro nome importante do mainstream americano fez sua volta aos palcos, mas de uma maneira bem mais modesta. Estou me referindo ao rapper LL Cool J que lançou o seu décimo terceiro álbum esse ano intitulado Authentic. Mais conhecido nos últimos anos como ator de grandes filmes e protagonista da série NCIS: Los Angeles, ele ficou famoso no começo do anos noventa com o sucesso de critica e público com álbum e single homônimo Mama Said Knock You Out. Infelizmente, sua volta não repercutiu nem 1% da capacidade que ele já mostrou.

Authentic é um álbum conservador ao extremo e isso afeta drasticamente no resultado final. A produção erra ao construir uma sonoridade sólida, mas completamente careta sem mostrar em nenhum segundo qualquer evolução sonora em LL Cool J. Comparado aos seus contemporâneos, ele parece um tiozão que parou no tempo e não se tocou. É pouco ouvir um rapper capaz de criar composições que não se ancoram em expressões pesadas e degradantes que a maioria dos rappers usam, mas a tentativa de fazer um álbum mais "leve" e romântico esbarra na falta de criatividade na maioria das faixas com temas batidos e rimas fracas. Mesmo sendo um bom rapper e contar com enxurrada de grande nomes fazendo participações (do grupo Earth, Wind & Fire até o guitarrista Eddie Van Halen) nada ajuda a melhorar Authentic que termina de maneira quase patética mostrando que a hora de voltar de LL Cool J foi escolhida de maneira bem errada. No álbum apenas a funk/hip hop/soul music New Love se salva com certa dignidade. O resto é perda de tempo.

2 de julho de 2013

Dois Caipiras e Um Rapper

Cruise (Remix) [feat. Nelly]
Florida Georgia Line


O que dá a mistura de um duo country em começo de carreira com um rapper esquecido? Um grande sucesso comercial com a canção Cruise do dupla Florida Georgia Line. E, olha, que nem precisava do remix já que a versão sem a participação do Nelly já tinha alcançado o número 16° na Billboard. Já a nova versão chegou no top 4.

O que mais me deixa impressionado é que a canção, um misto de country e pop, é uma amontoado de "mais do mesmo". Começa com o fato que a produção desenvolve um arranjo tão genérico e comercial que fica difícil encontrar o "country" nele. Se não fosse pelo sotaque da dupla poderia ser qualquer estilo. Também não ajuda o desempenho mais ou menos deles e a participação completamente desnecessária de Nelly. E a letra, mesmo com um refrão eficiente, peca por ser extremamente previsível e superficial. É isso que dá o resultado de dois caipiras quando se juntam com um rapper.
nota: 4


1 de julho de 2013

Dois Rappers, Uma Canção

Crazy Kids (feat. Juicy J ou Will.I.Am)
Ke$ha

Sejamos bem sinceros: a Ke$ha flopou bonito com o álbum Warrior e seus singles. Para tentar dar uma levantada, ela lançou o single Crazy Kids em duas versões diferentes da do álbum: uma com o featuring do rapper Juicy J e a outra com o Will.I.Am. Não que precisava de nenhuma das duas participações já que a canção é uma das melhores do álbum.

Crazy Kids é um bom eletropop que tem sua principal qualidade a cadência diferente do que ela normalmente faz misturando momentos agitados e pop com uma batida mais forte e com influência de hip hop. O bom refrão ajuda a letra como um tudo já que ela é um pouco sem inspiração enquanto Ke$ha faz um trabalho sólido nos vocais sabendo conduzir bem entre as pegadas diferentes que a música tem. Enquanto, as participações não acrescentam nada ou atrapalham, apesar de que a do Will é mais interessante. Nem usando essa tática a canção não decolou e ficou só na 59° da Billboard. É o famoso o tiro que saiu pela culatra.
nota: 7