28 de dezembro de 2025

Os Melhores Álbuns de 2025 - Parte II

 



Parte I


20. A Matter of Time
Laufey



"Apesar de continuar com uma sonoridade embebida no reino do pop tradicional, jazz, bossa nova e big band, a cantora começa também a adicionar novas camadas sonoras ao flertar delicadamente, mas substancialmente, com gêneros como indie pop, folk e chamber pop. E isso se deve especialmente ao trabalho de coprodução de Aaron Dessner, que traz essa ousadia ao álbum. Entretanto, essas novas camadas não mudam a essência básica da sonoridade que fez a cantora se tornar uma sensação, mas, sim, a incrementam consideravelmente, dando a A Matter of Time a clara sensação de evolução sonora que é natural, fluida e madura."

19. CARRANCA
Urias



"Apesar de já ter abordado temas complexos, Urias faz deste álbum um manifesto inteiro e intrincado sobre o passado, o presente e o futuro da história da raça negra, atravessando temas como memória, religiosidade, amor, ancestralidade e diversidade. Essa é a chave mestra da evolução de Urias: ela utiliza o peso da experiência adquirida para refletir de maneira mais profunda e, assim, avançar artisticamente. É preciso apontar, contudo, que esteticamente — ou seja, no “resultado no papel” dessas observações, contemplações, protestos e críticas — o trabalho ainda poderia ser mais refinado. Fica claro que ainda falta certo polimento visual para aprofundar ainda mais as mensagens. Todavia, isso não diminui a força, o brilho e a importância do que Urias quer comunicar, pois a mensagem chega em alto e bom som aos ouvidos de quem escuta canções como a sensacional Deus, que é “forte, urgente e ácida ao abordar o apagamento da cultura e da religião dos povos africanos durante o período colonial — ainda que pudesse ser, tecnicamente, mais refinada em certos momentos”.


18. EUSEXUA
FKA twigs



"Antes de começar a chuva de elogios é necessário apontar que, mesmo sendo um trabalho sensacional, o terceiro álbum da sua carreira está um pouco abaixo do seu antecessor Magdalene de 2019. Todavia, o trabalho ainda não apenas mante a qualidade altíssima como também se torna um dos álbuns mais comerciais da sua carreira. E quando digo comercial quero dizer comercial ao estilo da FKA twigs. Por isso, não espere nem de perto nada que seja massificado ou batido, pois EUSEXUA é ainda uma continuidade da exploração sonora da cantora que a fez se destacar desde o começo. De maneira geral, o álbum é a trabalho mais mergulhado no eletrônico da cantora, pois claramente o gênero e vários dos seus subgêneros são injetados com força e maestria na base da sonoridade da cantora que mistura habilmente art pop, R&B alternativo, avant-pop e experimental. É bastante interessante notar que apesar de mudar relativamente o foco da sua sonoridade ainda é possível nitidamente notar que o resultado final do trabalho é uma obra com a marca indelével da artista devido a forma inspirada, intrigada e magistral que tudo é construído, adicionando camadas da personalidade única da artista. E é por isso que apesar do álbum ter sido construído em um solo já cultivado, pois é possível ver bem claro a influencia de outros grandes trabalhos no mesmo caminho vindo de nomes como Madonna e Björk, o resultado final é totalmente e belissimamente vindo da mente genial da FKA twigs."


17. Sharon Van Etten & The Attachment Theory
Sharon Van Etten & The Attachment Theory


"Soturno, maduro, pegajoso e lindamente bem produzido, o trabalho é uma coleção impressionante de canções indie rock/post-rock/new wave que têm na sua climática e densa atmosfera a sua grande qualidade. E isso é apresentado logo no começo, com a espetacular abre-alas "Live Forever". Parecendo buscar inspiração em "Who Wants to Live Forever", do Queen, mas com uma estrutura sonora completamente diferente, a canção é uma bela, sombria e assombrosa criação que, aos poucos, vai se revelando devido à construção crescente do seu magnífico instrumental. Tudo isso ainda é emoldurado pela potente performance de Sharon, que capta a essência da canção de forma perfeita, crescendo aos poucos até chegar ao seu clímax final. Logo em seguida, o álbum dá uma guinada impressionante sem perder o fio da meada com a graciosa "Afterlife"."

16. A Complicated Woman
Self Esteem



"Self Esteem é uma cantora com um estilo extremamente claro e muito bem definido para expressar sua visão, introduzindo seus ideais, suas ideias, seus sentimentos e suas emoções de uma maneira que torna bem transparente quem ela é e como deseja que o público a veja. Existe, sim, um lado que soa brega/piegas na construção de algumas das suas canções, mas, felizmente, tudo isso é usado a favor de expressar suas mensagens de maneira coerente com sua personalidade. Pode não ser para todos, mas passa bem longe de ser um trabalho digno de tamanho ódio. Na verdade, na minha opinião, existem momentos realmente de pura inspiração. Logo no começo, o público já é contemplado pelo momento em que podemos ouvir Self Esteem em seu esplendor: I Do and I Don’t Care. A canção é uma crônica sobre os questionamentos da cantora em relação à sua imagem e como ela lida com as percepções que as pessoas têm dela. “If I'm so empowered, why am I such a coward?/ If I'm so strong, why am I broken?”, declama a cantora, mostrando vulnerabilidade ao duvidar se é forte o suficiente para lidar com tanta pressão."

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