4 de janeiro de 2019

Top 30 - Melhores Álbuns (Parte III)




Parte I
Parte II


20  Sparrow
Ashley Monroe


"Depois de dois fantásticos álbuns (Like a Rose de 2013 e The Blade de 2015), Ashley Monroe continua a sua cruzada em voltar a dar para o atual country o seu verdadeiro lugar dentro da música estadunidense, olhando para o passado glorioso sem esquecer de modernizar a sua sonoridade. Evoluindo a sua sonoridade ao incrementar com toques de pop, gospel e folk, mas sem esquecer de criar uma bela e madura atmosfera country, a produção de Sparrow constrói uma delicada, melancólica e contemplativa atmosfera que consegue refletir perfeitamente a tocantes e simples histórias que as composições sobre amores desejos, amores, desilusões e problemas familiares."

19. Ephorize
cupcakKe


"Para os mais desavisados que forem ouvir pela primeira vez o som de cupcakKe fica a dica: prepare-se para uma artista que não tem medo de falar palavras "sujas" ou tocar em assuntos que são considerados tabu por muitos. Entretanto, não se engane, pois não se trata de pura e simples baixaria, mas é uma vertente do empoderamento feminino. cupcakKe, nascida Elizabeth Eden Harris, não está falando o que porque é uma pessoa vulgar e, sim, pois é uma rapper que quer ter a mesma liberdade de falar sobre sexo, ogarmos, desejo sexual, masturbação, vaginas, pênis e tudo o que envolve uma boa transa assim como a maioria dos seus contemporâneos masculinos. Então, se homens podem, por que uma mulher não pode? Isso, cupcakKe não pergunta em Ephorize, pois ela já chega arrebentando qualquer porta a base da porrada. Só que, ao contrário de vários rappers homens, a rapper tem algo que eles não possuem: inteligência. Compondo sozinha todas as quinze faixas, cupcakKe mostra um talento como alguns poucos possuem e executam atualmente, sabendo elaborar letras poeticamente muito bem feitas, tematicamente bem construídas, coerentes e coesas e com aquele toque pop tão refinado, divertido e despretensioso que, literalmente, qualquer coisa funciona de verdade. Veja o caso de sensacional Duck Duck Goose em que a rapper tira um sarro do orgasmo masculino. Sim, queridos leitores, esse é o tema da canção e, obviamente, a sua letra é bastante gráfica, mas a rapper faz funcionar com toda a sua sagacidade.

18. Interstate Gospel
Pistol Annies


"Formado em 2011 em um projeto paralelo das cantoras Miranda Lambert, Angaleena Presley e Ashley Monroe, o Pistol Annies já tinha mostrado essa faceta de exaltar as mulheres desde o primeiro álbum, o excelente Hell On Heels. E continuaram esse caminho com o também excelente Annie Up de 2013. Mesmo que um pouquinho inferior aos dois antecessores, Interstate Gospel continua a dar luz para aquelas mulheres que não se sentem dispostas a serem personagens fixos dentro do country. Aqui, as mulheres representadas, assim como as integrantes da banda, podem até sofrer por amor, mas também são capazes de darem a volta por cima e se mostrarem fortes ao descobrir que não precisam de homens para serem felizes. Essas mulheres são poderosas, donas do próprio nariz, sagazes, complexas, cheias de problemas que não necessariamente envolvem homens e, principalmente, dispostas a lutar por sua própria felicidade. Sem necessariamente levantar bandeiras nítidas, Interstate Gospel é um trabalho não somente empoderado, mas, sim, sobre a força real das mulheres, passando bem longe da imagem idealizada durante décadas dentro do country. E para incrementar a qualidade lirica do álbum, as três integrantes são eximias compositoras conseguindo transmitir toda essa coleção de intenções de forma inteligente e que vai transitando entre o divertido, o ácido, o melancólico, a delicadeza, a aspereza, o doce, o amargo, o gentil, o rude, o esperançoso e o descrente com uma elegância invejável e uma graça sutil encantadora."

17. Isolation
Kali Uchis


"Para quem não conhece a jovem, Kali Uchis, nascida Karly-Marina Loaiza, é filha de colombianos e passou boa parte da sua vida de criança e adolescente entre o seu país natal e os Estados Unidos. Começando a carreira em 2012, Kali trabalhou colaborando com nomes de peso como Snoop Dogg, Diplo, Tyler The Creator, Gorillaz, entre outros, além de lançar mixtapes e EPs nos últimos anos. Com uma indicação ao Grammy (Melhor Performance de R&B pela sua participação na canção Get Youdo cantor Daniel Caesar), Kali lançou em começo de Abril o álbum Isolation, sendo ajudada por vários grandes e distintos nomes da música de vários gêneros e estilos diferentes. Aliando-se isso ao seu passado multicultural, Isolation é um absorvente, multifacetado e audacioso trabalho que mistura R&B, indie pop, latin pop, dream pop, hip hop, indie rock, neo soul, reggaeton e, até mesmo, a nossa bossa nova, criando uma sonoridade impressionante de muitas facetas, sons e personalidades. Kali e a produção que tem o melhor dos nomes indies de vários tipos não tem nenhum pingo de medo ou qualquer sentimento que chegue perto de algo que se pareça com receio de arriscar pesadamente em uma sonoridade que vai mudança de forma e substância a cada nova faixa. Cada nova canção é o pretexto para mostrar algo novo e que quebra qualquer expectativa provocada pela faixa anterior. Isso já acontece no começo do álbum quando o mesmo começa com a indie pop com toques de latin music da intro Body Language, passa para o latin urban de Miami com a rapper Bia, uma das melhores do álbum, e chega na indie pop/rock com toque de eletrônico Just A Stranger com a participação do artista indie R&B Stave Lacy. Essa viajem parece algo feito para o desastre, mas tudo funciona de maneira quase perfeita. Nada soa incoerente ou fora do lugar, pois o álbum é amarrado em um embrulho brilhante, de forma incrivelmente elegante e com toques de vintage que asseguram um ar atemporal para o álbum, mesmo que seja tão progressista e modernoso. É verdade que nem todas as canções encontram o seu lugar devido dentro do álbum e demora para quem ouve possa se adaptar às essas mudanças sonoras. Isso não atrapalha Kali Uchis de ser altamente viciante e luminosa em um trabalho que guarda outras surpresas."

16. Dona de Mim
IZA


"É bem clichê dizer que com o lançamento do álbum IZA comprova que é "dona de si", mas não seria uma inverdade de afirmar que Dona de Mim mostra que a cantora é completamente proprietária da sua carreira artística. O álbum deixa claro isso ao ser uma cruza sensacional de pop brasileiro com pop estadunidense, isto é, ritmos nacionais como samba, hip hop nacional, funk com ritmos importados como dance pop, R&B, hip hop e outros. Toda essa mistura poderia resultar em algo artificial e forçado, mas, felizmente, Dona de Mim tem uma sonoridade fluida, divertida, madura, bem pensada e com uma execução primorosa ao saber como juntar todas essas influências em uma unidade coesa. Não estamos diante da revolução pop no Brasil, mas, sim, diante de um trabalho muito acima da média e, principalmente, que soa completo do começo ao fim. Mesmo com algumas canções que tem uma áurea de filler, Dona de Mim é quase inteiramente feito de canções prontas para serem singles, deixando claro a qualidade artística da produção bem cuidada. Entretanto, Dona de Mim não seria o mesmo sem a presença da IZA."

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